Fé Toldada
2 Carta aos desavisados
Notas iniciais
Londres, 15 de fevereiro de 2002.
O amanhecer em Londres é lindo, deves estar preocupado com minha ausência, ou mesmo com o fato de que não estou mais aí para fazer as coisas para ti, visto que gostas de tudo na mão, como um bibelô. Não, não estou sozinha.
Pensei que éramos uma família feliz, mamãe fazia doces nas horas vagas, enquanto tu estavas fora, como sempre o fazia e eu a brincar com minhas bonecas, até que um belo dia estava na escola e soube da morte dela, pensei em sair correndo, em encontrá-la o quanto antes para dizer que estava lá para ela, que estava tudo bem. Não, não estava e eu sabia, tudo havia sido uma brincadeira de muito mal gosto, seja lá de quem fosse.
Pensei que tu fosses te importar, não te importaste, apenas chamaste o IML para recolher seu corpo, porque não querias “presunto”, como chamaste minha amada mãe dentro de casa a recender o odor pútrido de gente morta. Pare de parvoíce e preste atenção, o que faltas em ti é o que ela mais tinha de bonito: coração.
Não, jamais serás igual a ela, em absolutamente nada. Penso que deverias parar, tolo.
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