Eyes That I Love Both (REMAKE)
18 Uma Noite Feliz em Tóquio - FINAL
Notas iniciais
Nico e Percy estavam em Tóquio, e agora se encontravam andando por uma calçada cinzenta coberta por uma camada fina de folhas de cerejeira, de mãos dadas, alheios aos olhares e cochichos. A luz quente do sol se extinguia gradativamente conforme a esfera alaranjada era engolida pela terra no horizonte distante, fazendo as folhas de um tom rosa intenso refulgirem.
Cerca de oito meses haviam se passado desde que Nico, segundo lhe disseram, havia se jogado nas águas turbulentas do Lete, apagando completamente suas memórias, desde as mais indesejáveis até as mais quentes e felizes, e desde esse dia, após ele ser levado pelo garoto de olhos verdes que agora estava ao seu lado para um lugar fantástico e surreal chamado Acampamento Júpiter, tentavam com grande afinco fazer com que as memórias dele voltassem; e voltaram com o tempo, e ele não foi nada rápido. Mas as memórias e informações mais importantes agora estavam com ele: seu pai era o deus grego dos mortos e do mundo inferior, Hades; Nico não era dessa década; sua mãe e sua irmã ambas estavam mortas; e ele estava apaixonado por Percy.
No início, ninguém havia lhe dito isto, pois, aparentemente, não queriam forçá-lo a gostar de outro garoto, mesmo que antes de perder as memórias ele gostasse. Mas foi inevitável. Percy Jackson era atencioso e gentil, estava sempre ao lado de Nico quando ele acordava durante a madrugada gritando e chorando por causa de um pesadelo que tivera com sua irmã e mãe, abraçando-o gentil e carinhosamente enquanto sussurrava em seu ouvido, acalmando-o.
Não demorou muito até Nico observar alguns outros detalhes no filho do mar: ele era bonito, com seus olhos verdes que brilhavam como jóias, seus lábios finos e sedutores, que contagiava a qualquer um quando sorria; ele também era sexy, com seu corpo grande e definido, que Nico certa vez observou de longe enquanto ele treinava esgrima sem camisa, espetando e dilacerando alvos de palha, fazendo seu belo corpo brilhar com o suor que escorria por sua pele branca bronzeada de sol. E, quando enfim percebeu, com espanto e totalmente confuso, estava apaixonado por ele – novamente. Isso era confuso porque Nico nunca antes se lembrava de estar gostando de alguém, e logo na primeira vez que se apaixonou foi por outro garoto! Ele tentou se distanciar, mas isso apenas ficava mais forte; foi quando se lembrou do encontro com Afrodite antes de perder as memórias, e tudo ficou claro, e o filho de Hades tomou a iniciativa de contar tudo para Percy, e no meio do caminho outra lembrança: a da noite na casa do filho do mar, onde dormiram juntos, como um casal, e a essa lembrança embaraçadora, Nico sentiu um imenso calor lhe inundar o rosto, e tudo fez sentido. Ele correu até Percy, abraçando-o e dizendo que havia se lembrado, enquanto lágrimas quentes e salgadas de felicidade vertiam de seus olhos.
– Finalmente – Percy havia dito, afagando carinhosamente os cabelos negros de Nico. – Eu pensei que você nunca mais iria se lembra de nós. – sua voz estava embargada, e Nico ergueu a cabeça e se surpreendeu quando viu lágrimas escorrerem dos olhos dele, porém aquelas lágrimas eram de felicidade. Nico se levantou nas pontas dos pés e beijou os lábios quentes e macios de Percy, sete meses depois de ter pulado no Lete.
– oh! – exclamou Percy, apontando para uma barraquinha de madeira encostada no meio-fio, onde se lia, em kanjis: TOKOYAKI. Um agradável e envolvente cheiro emanava de trás dos panos do pequeno restaurante ambulante, fazendo a barriga de ambos roncarem. – O que é aquilo? – perguntou Percy. Nico era o único que sabia ler kanjis e falar o básico do japonês.
– Aquilo é como se fosse um restaurante ambulante, e esse parece ser especializado em tokoyaki – explicou Nico. – E antes que pergunte, tokoyaki é uma espécie de bolinho de carne de polvo, coberta com um caldo delicioso. – ele indiciou o pequeno restaurante com um movimento de cabeça, puxando Percy pelas mãos. – Vamos comer.
O filho do mar nem hesitou, e juntos se sentaram nos bancos de madeira, de frente para um balcão/mesa também de madeira, onde atrás dele, observando-os com olhos cansados mas cheios de vida, estava um senhor idoso trajando roupa de cozinheiro. Nico pediu duas porções de tokoyaki num japonês com um leve sotaque inglês, e, antes de iniciar a refeição, ensinou a Percy o agradecimento que fazia parte da cultura dos japoneses, juntando as palmas das mãos em frente ao rosto e dizendo em voz alta “itadakimasu”; logo em seguida comeram avidamente, entre risos e conversas, enquanto os últimos resquícios da luz do sol se extinguiam completamente, dando lugar à noite fria de Tóquio.
Após terminarem a refeição – não sem antes, claro, de agradecer à comida – saíram ambos do pequeno restaurante, completamente satisfeitos e felizes, penetrando na noite fria da cidade, andando em direção à um grande hotel onde Percy havia feito as reservas quando chegaram, na manhã do mesmo dia. O vento frio açoitava a pele pálida dos braços de Nico, arrepiando seu corpo involuntariamente, e ele se abraçou na tentativa de amenizar o frio, mas Percy colocou um braço em cima de seus ombros, encostando-o ao corpo dele, compartilhando o calor enquanto andavam e Nico, grato e levemente corado, não mais precisou continuar abraçando a si mesmo.
Chegaram ao grande edifício, pegaram as chaves na recepção e juntos subiram os degraus até o segundo andar, em direção ao quarto de Nº14.
O quarto era grande e confortável, e tinha apenas uma grande — e aparentemente quente e macia — cama de casal. Provavelmente Percy havia se esquecido de dizer que seria uma cama para cada, ou na verdade ele poderia ter feito isso propositalmente, porém nenhum dos casos tinha significância.
Vamos dormir juntos de qualquer forma, pensou Nico, andando na direção da cama e se jogando sobre ela, o corpo afundando na superfície macia do colchão.
– Gostou do passeio de hoje? – perguntou Percy enquanto girava a chave no trinco da porta de madeira de lei.
– Foi simplesmente fantástico! – exclamou Nico, abrindo os braços e se espreguiçando na cama, enquanto tirava os sapatos com os pés.
– Amanhã teremos outro. – disse ele, apertando o interruptor da lâmpada, apagando-a e se encaminhando na direção da cama. – E onde será dessa vez, hein?
Nico pensou por um momento, tentando se lembrar de um lugar que o filho do mar poderia gostar. Quando Nico o havia chamado para ir a Tóquio, e perguntado se ele gostava do lugar ele havia respondido: “Desde que você esteja comigo, qualquer lugar serve.” Mas Nico não queria levá-lo para qualquer lugar. Queria vê-lo feliz após sair de uma nada excitante viajem pelas sombras, e quando se lembrou de um lugar, se sentou na cama rapidamente, exclamando:
– Veneza!
– Veneza? – repetiu Percy, olhando-o enquanto tirava a camiseta.
– Sim! – disse Nico em resposta. – Eu acho que você vai gostar! É uma cidade que foi invadida pelas águas, e ao invés de carros, circulam por suas ruas submersas pequeno barcos!
Percy assentiu, sorrindo, enquanto se sentava na beirada da cama e tirava os sapatos com as mãos.
– Mas você não vai ficar com medo de... sabe? Se afogar? – perguntou Percy, olhando Nico por cima do ombro.
Nico riu alto, se jogando novamente na cama e afundando no colchão macio.
– Claro que não – ele respondeu, fitando o teto branco. – Você vai estar comigo. Existe algo mais tranquilo que andar por uma cidade cheia de água com um filho de Poseidon ao meu lado?
– Eu acho que não – respondeu Percy, também rindo.
Após ter tirado os sapatos e a camiseta, o moreno deslizou na cama até o lado de Nico, deitando de frente a ele, fitando demoradamente seus olhos escuros que brilhavam com a luz tênue da lua que entrava pela janela, simplesmente admirando-o. Percy tocou a mão de Nico, entrelaçando seus dedos num abraço quente.
– Me desculpe ter te abandonado – sussurrou Percy, quebrando silêncio. – Eu quebrei minha promessa.
– Não seja idiota. – disse Nico, olhando nos olhos verde-mar de Percy, lembrando-se do desespero que havia sentido quando viu o rosto dele pálido e sem vida. – Você não quebrou nenhuma promessa – Nico aproximou o rosto do de Percy, sussurrando: — Afinal, você está aqui, comigo. –E beijou suavemente os lábios dele, sentindo seu corpo ser inundado por uma sensação ao mesmo tempo estranha e boa, que Nico havia desistido de tentar entender há muito tempo.
– Eu vou sempre estar com você, Nico. – sussurrou Percy, tocando novamente os lábios de Nico, pedindo passagem com a língua para o interior da boca dele, e Nico consentiu, entrelaçando suas línguas num beijo quente.
E ali, banhados pela luz azulada da lua, que entrava sem empecilhos pelo fino vidro, eles se conectaram novamente, após um longo tempo e depois dormiram juntos, abraçados e nus, sentindo o calor um do outro de em suas peles, como fariam muitas vezes.
Eyes That I Love Both
Fim
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