Eyes That I Love Both (REMAKE)
16 Imagem
Notas iniciais
Nico estava sentado meio sonolento e cansado ao lado da Atena Partenos, com os campistas do Acampamento Júpiter espalhados por toda parte, olhando, fascinados a grande estátua de ouro.
As viagens consecutivas pelas sombras haviam custado demasiada energia do filho de Hades, e ele não tinha mais noção certa de quanto tempo havia se passado desde que havia submergido nas sombras da estatua, só sabia que fazia muito. Reyna, a pretora do Acampamento Júpiter disse que Nico havia dormido por cinco dias certa vez, e que fora um desespero ter de lutar com todos os monstros que tentavam matá-los enquanto ele dormia; mas graças à grande e forte aura de Atena Partenos, os monstros mantinham uma distância segura, e alguns monstros mais desesperados que avançavam eram acertados na cabeça pelo taco de beisebol do Treinador Hedge, virando uma nuvem de pó.
Nico havia acabado de acordar de um sonho alegre com Percy, e se sentia feliz por dentro, embora seu corpo estivesse em frangalhos. Eles haviam chegado ao Acampamento fazia quatro dias, e Nico havia dormido por três, tendo de ficar acordado no dia em que finalmente haviam chegado, tentando de toda forma conter o desespero e o desastre que tomava conta da cidade.
Parecia que havia sido ontem que Nico havia se despedido de Percy; parece que havia sido ontem que ele dissera – mesmo que em mudo – que o amava; parece que havia sido ontem que se beijaram depois de tanto tempo. Mas Nico sabia que já havia se passado um bom tempo, e agora ele se perguntava onde estaria o filho do mar, e, acima de tudo, se ele estaria bem. A promessa feita com afinco entre eles acalmava algumas das idéias e pensamentos negativos que insistiam em invadir a mente conturbada de Nico, transformando-os em apenas hipóteses e medos distantes e fracos.
Nico ergueu os olhos cansados para a figura impotente de Reyna, que caminhava na direção dele segurando uma bandeja metálica que resplandecia com a luz do sol poente.
– Olá, Nico – saudou Reyna, seu tom de voz firme e forte. – Está se sentindo melhor?
Ela se aproximou de Nico e estendeu a bandeja metálica que continha cinco fatias generosas de pão com mel e leite morno, e enquanto agarrava uma fatia com a mão direita, ele respondeu com um meio sorriso no rosto:
– Aos poucos. A viagem foi meio cansativa. – Ela assentiu levemente com a cabeça, se sentando ao lado de Nico na base aplanada da estátua de ouro.
Nico comia avidamente as fatias de pão com mel, e seu estômago implorava por mais, e ele entornava o copo de leite morno, sentindo o liquido quente descer por sua garganta como dedos calorosos, pensando que nunca antes uma simples refeição como essa poderia ser tão deliciosa.
Reyna fitava a mancha alaranjada que desaparecia gradativamente no horizonte com um olhar distante, e Nico soube o motivo daquele olhar, e também o que estava por detrás dele. Confusão.
– Eles vão ficar bem. – disse ele, tentando deixá-la apenas um pouco despreocupada, porque não pensar em coisas negativas em horas como essa é algo quase que impossível. Ela girou o rosto até olhar nos olhos de Nico, e ele percebeu que também havia dúvida no rosto dela, outro dos sentimentos que o filho de Hades conhecia muito bem.
– Como sabe? – perguntou ela, a voz baixa como um sussurro e carregada de medo.
– Eu só sei – disse Nico, balançando os ombros enquanto mordia um grande pedaço de pão com mel. Engoliu o pão seguido de um gole longo de leite morno, e acrescentou: — Se te serve de consolo, se algum deles estivesse... – Nico hesitou por um momento, mas então engoliu a hesitação juntamente do pão e continuou: — morto... eu saberia, afinal, sou um filho de Hades.
Reyna assentiu levemente com a cabeça, e Nico percebeu, sem dar muita importância, de que o que ele tentara fazer não havia dado muito certo.
Nico, em parte, também se sentia assim: com medo, confuso. Sentia medo de perder Percy, mesmo que a promessa entre eles fosse uma onda que lava todo medo; e confuso... não sabia o porque. Apenas sabia que se sentia muito confuso, e não saber o motivo de tal confusão, só a aumenta.
Nico havia terminado de comer o pão e de tomar o leite, e a luz do sol estava desaparecendo aos poucos, dando lugar à escuridão da noite, que era o momento que Nico mais gostava. O filho de Hades estende a bandeja metálica agora coberta de migalhas e com dois copos vazios onde antes tinha leite morno.
– Mais? – ele perguntou, e a pretora arregalou os olhos, estupefata com a capacidade do filho de Hades de comer tanto. – Por favor? – ele implorou com um meio sorriso no canto dos lábios sujos de leite. Ela assentiu. Apanhou a bandeja da mão de Nico e se levantou, andando a passos lentos na direção da construção improvisada com madeiras que era a cozinha, e seus passos levantavam uma pequena onde de poeira.
Enquanto ela se afastava, Nico analisava o cenário ao redor.
Era digno de uma cena de guerra.
Estava tudo parcialmente destruído, queimado, com marcas de lâminas profundas em suas superfícies; mas os campistas estavam arrumando tudo aos poucos, ajudados por suas enormes força de vontade e convicção.
Nico se levanta, incitando a musculatura dormente de seu corpo a acordar, e estica os braços acima da cabeça, ouvindo os ossos estalar a cada movimento. Então, quando se sentiu fisicamente preparado a ponto de não precisar mais ficar apenas sentado, começou uma caminhada pelo perímetro, checando os feridos juntamente com alguns outros campistas, e, para a infelicidade de todos ao redor, recolher os mortos e dar a eles um funeral digno.
Alguns minutos depois, após ajudar cinco feridos e recolher dois mortos, Nico volta à estátua impotente e bela da Atena Partenos, encontrando Reyna em pé ao lado da figura da deusa com os braços cruzados na frente do corpo, encostados na cota de malha e no peitoral de sua armadura brilhante. À luz da lua, os olhos da pretora eram belos e cheios de vida.
– Vejo que já está forte o suficiente para dar uma volta – disse ela quando Nico se aproximou. O filho de Hades assentiu com a cabeça, com a infeliz imagem do rosto dos mortos a lhe perturbar.
Juntos, subiram uma colina, cercados de árvores e com o chão sobre seus pés repleto de agulhas verdes e em puro silêncio. Chegando próximo ao topo, sentaram-se no chão macio que era a relva, fitando a grande cidade de Nova Roma estender-se diante de seus olhos com suas belas construções de mármore branco.
– Eu nunca me canso de admirar a cidade durante a noite – disse Reyna, com voz distante e com olhar focado na cidade à frente. Nico apenas assentiu com a cabeça, não necessitando de palavras, pois a cidade era realmente bela e acolhedora, o tipo de cidade em que semideuses poderiam viver normalmente, sem ter medo de monstros. E ali ficaram simplesmente a admirar Nova Roma.
Subitamente, uma dor excruciante lhe atingiu a área do externo e Nico dobrou-se sobre si mesmo perante a dor, gritando a plenos pulmões.
– Nico? Nico? – perguntava Reyna preocupada enquanto se debruçava sobre Nico, amparando o corpo contorcido de dor dele, segurando os ombros do garoto com mãos trêmulas. – O quê foi? Nico! O quê houve?
Nico apenas queria parar de sentir aquela enorme dor. Apertava com força e desespero o local onde parecia que lhe haviam trespassado com uma grande lâmina, com lágrimas jorrando de seus olhos e gritos guturais de dor de seus lábios. Ainda gemendo de dor, Nico coloca a mão direita por dentro da camiseta até o local que queimava de dor, apertando o local com força e em seguida, ainda sentindo a excruciante dor lhe penetrar a carne e anuviar seus pensamentos, ele retira a mão de dentro da camiseta e a estende diante dos olhos.
Estava limpa. Trêmula e pálida, mas sem sangue.
Tanto Nico quanto Reyna olhavam incrédulos para a mão do garoto, que tentava não gritar e apenas gemia com lágrimas quentes vertendo de suas órbitas. A pretora, num movimento rápido e quase imperceptível, rasga a camiseta de Nico, expondo o corpo trêmulo do filho de Hades à luz do luar, e ali, no externo, no exato local onde a dor excruciante lhe penetrara a carne, arrancando gritos e gemidos de dor, não havia nada, e Nico abaixou o olhar, concentrando todas as suas forças restantes na cabeça, até o local onde o suposto ferimento lhe afligia, e, quando percebeu que não havia o mínimo vestígio de sangue ou o menor corte sequer, um pensamento mais desesperador que a dor sem ferimento passou por sua mente: Não, não, não. Percy, você...
Mas até seus pensamentos não conseguiram se concluir, quando o filho de Hades tombou a cabeça para trás, mergulhando na inconsciência.
Reyna não esperou nenhum instante antes de pegar o corpo frágil e leve de Nico di Angelo sobre os braços e descer a colina quase correndo, implorando e gritando por ajuda.
Nico abriu os olhos lentamente, fitando uma luz vermelho-alaranjada que dançava ao lado de onde estava.
Nico sentia uma enorme dor na cabeça e seus sentidos estavam quase desligados, voltando aos poucos como se tivessem sido atingidos por um blackout.
Sentou-se, apoiando a mão esquerda no tecido fino que estava em cima, e com a mão direita em cima da cabeça. Levantou os olhos para a figura de Reyna com um olhar preocupado no rosto, ainda confuso, não sabendo o que houve ou como havia parado ali.
– O que houve? – perguntou Nico, e olhando ao redor acrescentou: — Onde estou?
– Está tudo bem, Nico – acalmou-o Reyna, tocando os ombros de Nico com as mãos. – Você está no que sobrou de um dormitório.
Nico virou lentamente a cabeça, observando o local ao redor, onde grandes e pesados blocos de mármore estavam caídos no chão, espalhados por toda parte, e algumas camas quebradas e outras estilhaçadas estavam embaixo desses grandes pedregulhos brancos. Havia algumas camas quase intactas ao redor, boas o suficiente para alguém se deitar e dormir, como a que Nico estava, com um archote a queimar onde antes era um grande e maciço pedaço de parede intacta.
– Eu não sei o que houve – começou Reyna, se levantado. -, só sei que você começou a gritar e gemer de dor, apertando com força as costelas, e depois desmaiou.
A lembrança voltou aos poucos a Nico, porém ele ainda não entendia o que poderia ter acontecido. A dor desaparecera, como se Nico nunca antes a tivesse sentido; porém sentiu, e ela foi muito forte e real.
– Por quanto tempo... – disse Nico, antes de ser cortado por Reyna.
– Apenas algumas horas. Três eu diria.
O filho de Hades se levantou, e Reyna não o impediu. Ele estava usando uma camiseta roxa do Acampamento Júpiter, com as letras SPQR gravadas na estampa, e percebendo o olhar confuso de Nico para a camiseta, Reyna explicou.
– Eu tive que rasgar sua camiseta, porque pensei que você estivesse realmente ferido... Mas não era nada. – Ela se aproximou um passo de Nico, e perguntou num tom de voz grave que não deixava de demonstrar uma preocupação cada vez mais crescente: — Nico. O que houve?
– Eu também não sei – começou Nico, mas quando estava prestes a explicitar o que havia sentido, percebeu, com o poder de um filho de Hades, que a chama de vida de um de seus amigos havia se apagado; se extinguido completamente. Um desespero tomou conta de Nico, e ele agarrou os ombros de Reyna, falando em voz alta e atropelada: — EU NÃO SINTO MAIS! – a pretora estava prestes a perguntar do que ele estava falando, quando ele caiu novamente na cama atrás de si, abraçando a cabeça com suas mãos pálidas e trêmulas, dizendo: — Alguém morreu. Um deles morreu.
– O quê? – perguntou Reyna, chocada. – Como sabe?
– Eu senti. Estou sentindo, ou melhor, eu deixei de sentir um deles, só não sei quem é, nem há quanto tempo.
A dor.
As únicas pessoas que Nico poderia ter uma ligação tão forte ao ponto de compartilhar a dor de um ferimento mesmo a uma grande distância seria Hazel, por ser sua irmã e Percy, por ser o garoto que ele tanto ama. Mas ele não queria pensar nisso. Está tudo bem; se forçava a pensar ele, tentando tirar da mente a hipótese de que uma das duas pessoas mais importantes para ele havia morrido.
Reyna ainda fitava Nico com um olhar desesperado e cheio de medo, e Nico planejou uma mentira em sua mente, para assim acalmar tanto ela quanto ele próprio.
– Desculpe, acho que me enganei. – ele disse, e o próprio Nico estava inclinado a acreditar que realmente havia se enganado; de que era impossível e improvável. – Agora estou sentindo os sete novamente. Foi só um engano.
Reyna exalou o ar dos pulmões longa e pesadamente, e seus olhos tremeluziam com as lágrimas que se formaram, rasas, em seus olhos. Ela assentiu com a cabeça e saiu do improvisado dormitório a passos rápidos, tentando esconder as lágrimas.
Após Nico ter absoluta certeza de quê Reyna não voltaria tão cedo, ele pôde se entregar aos pensamentos.
– Fique bem Percy – disse ele para si mesmo em voz alta, e as estrelas presenciaram a lágrima solitária que escorreu sobre a pele pálida de Nico.
Nico deitou-se novamente, recostando a cabeça no travesseiro macio de tecido branco, e logo deitou, dormiu.
E, claro, sonhou. Porém o sonho foi rápido.
Sonhou com o rosto de Percy, branco como leite, lábios sem cor e olhos fitando o vazio, sem brilho e sem vida.
– ELES VOLTARAM! – uma voz alta e esganiçada gritou, e Nico acordou rapidamente, e quando percebeu já corria por entre campistas em direção à sombra projetada pelo Argo II, que descia lentamente em direção ao chão, o casco cheio de buracos, cortes e outros estragos.
Dessa vez Término deixou-os ultrapassar os limites da cidade.
Enquanto o barco descia, uma grande inquietação se agitava dentro de Nico como uma cobra se contorcendo dentro de uma lareira. Formas cobertas de sombras eram visíveis da amurada, mas não era possível distinguir rostos. Reyna não estava ao redor, e Nico correu ao dormitório à procura dela, encontrando-o recostada num pedaço de mármore, dormindo.
– Reyna, acorde – chamou Nico enquanto chacoalhava o corpo mole da pretora. – Eles voltaram, Reyna. Acorde! – ela abriu os olhos rapidamente, levantando-se com um único movimento. Nico indicou o caminho com as mãos e eles correram juntos à sombra do Argo II, que já estava mais próximo do chão, cerca de 50 metros.
Os segundos pareciam não passar, e a inquietação apenas aumentava. Os campistas ao redor gritavam de alegria coisas como: “A guerra acabou.”, “Vencemos!”, mas Nico não conseguia dizer uma palavra sequer.
O casco do navio ficou flutuando no ar quando enfim parou. Uma escada foi jogada e, um por um, começaram a descer: Piper, Frank, Hazel, Leo, Annabeth.
Todos caminhavam de cabeça baixa, fitando os pés levantar poeira a cada passo. Jason saiu carregando um grande funil coberto de tecidos nos braços, flutuando no ar com suas habilidades, e o depositando cuidadosamente no chão, com grande delicadeza. Nico se aproximou, sentindo a inquietação aumentar cada vez mais dentro dele.
– Onde está Percy? – Perguntou Nico quando se aproximou do Navio, com voz tremula e hesitante.
Ninguém respondeu. Cada um olhava para uma direção diferente, evitando olhar no rosto dos campistas alucinados com a vitória ao redor deles.
Nico olhou para Annabeth, e percebeu que ela estava com olhos marejados de lágrimas e vermelhos. Hazel e Frank também. Piper e Leo tentavam esconder as lágrimas. O que está acontecendo?; pensou Nico.
– Onde está ele? – perguntou Nico novamente, se aproximando a passos inquietos na direção de Hazel. Ela ergueu lentamente os olhos vermelhos e inchados de lágrimas para Nico, e tentou abraçá-lo, dizendo:
– Eu sinto muito...
Mas Nico se esquivou do abraço.
Queria encontrá-lo e abraçá-lo.
Queria dizer para Percy que o esperou e que pensou nele todos os dias, rezando para qualquer deus que estivesse ouvindo que ele ficasse bem.
– Annabeth, onde está ele? – perguntou Nico quando Annabeth surgiu em sua frente, os olhos vermelhos e as listras de lágrimas ainda a escorrer em sua pele. Ela não respondeu, apenas balançou a cabeça, e soltou um soluço profundo e carregado de dor.
Nico passou por ela, indo na direção de Jason, que estava ao lado do navio, com o rolo de tecidos ao lado dos pés.
– Jason, onde está o Percy?! – perguntou Nico, agora gritando; segurou os grandes ombros do filho de Júpiter com suas mãos e apertou com força, e tornou a perguntar: — Onde? Onde? – Nico sentia as lágrimas começando a se formar em seus olhos, quentes e confusas. Jason olhou para baixo, para o rolo de tecidos ao lado, e Nico percebeu, com um nó na garganta, que não era qualquer tecido.
Era uma mortalha, com o tridente que era o símbolo de Poseidon estampado.
Nico caiu sobre um joelho, sentido as forças o abandonarem, assim como a tristeza. Tudo o havia abandonado, e ele agora se movia automaticamente, com olhos vidrados e sem vida, de onde escorriam lágrimas constantes.
Estendeu a mão e tocou a mortalha, e sentiu que havia algo mais por baixo dos tecidos. Abriu uma ponta, jogando-a para um lado, depois pegou a outra ponta, jogando-a para o outro lado, até que viu.
Era a mesma imagem do sonho.
Percy estava ali, com o rosto branco como leite, lábios sem cor. Seus olhos verdes que antes tinham um brilho intenso e belo, agora estavam fitando o vazio, opacos e sem brilho. Sem vida. Usava a camiseta alaranjada do Acampamento Meio-Sangue, e havia uma mancha escura e grande de sangue nas suas costelas, onde a camiseta estava com um grande talho, e Nico viu a ferida, um coágulo de sangue seco e escuro.
Nico se levantou, afastando-se de costas, sem deixar de olhar para o rosto morto de Percy Jackson.
Sua mente era um vazio, que aos poucos percebia a gravidade do que ele vira; a gravidade do que estava acontecendo e que sua mente se recusava a processar como verdadeira. Nico virou as costas ao corpo de Percy, e começou a correr desesperado e sem rumo. Sentiu uma mão tocar seu ombro, mas ele se desvencilhou rapidamente do toque e continuou a correr, ouvindo ao longe a voz de Jason gritar seu nome, assim como a tão amada e gentil voz de Hazel, embargada pelo choro.
Nico só queria sair dali; sair de perto do corpo dele, e tirar a imagem que não era ele de sua mente, mas ela se recusava a partir, e voltava; de novo e de novo.
As lágrimas vertiam em cascatas de seus olhos enquanto ele corria em direção a uma grande sombra projetada por uma coluna quebrada de mármore, pulando dentro dela e afundando na escuridão sem vida. Como os olhos dele; pensou ele, desesperado. Queria esquecê-lo; tirar aquela imagem dolorida da mente.
Quando chegou do outro lado, estava no Tártaro, e um som de água era o único som presente ali.
Você prometeu... Você disse que nos veríamos em breve... Você disse...
A imagem voltou novamente, e Nico gritou de dor e desespero, sentindo seu coração sendo esmagado dentro do peito.
[It's not 'cause you're not with me]
Tire essa imagem da minha cabeça... Esse não é o Percy que eu conheço...
Nico olhou ao redor, e parou os olhos no curso do rio que corria pelo Tártaro.
[It's just you never leave]
Um dos rios que corria pelo Tártaro. Mas, qual era aquele?
Ah, sim. O Rio cujas águas lavam as memórias. O Lete.
Fale com o autor