Exílio - A Renegada
1 Capítulo 1 - Apenas Memórias
Notas iniciais
Noxus, uma cidade estado conhecida por seu poder brutal e regras rígidas. Onde acredita-se que a força é movida pelo ódio, e o amor, não passa de uma mísera fraqueza. Não é por menos que é a cidade mais odiada em toda Runeterra, apesar de sua força inabalável e lealdade inquestionável, a população achava os noxianos guerreiros extremamente cruéis e sem coração. Em Noxus qualquer um tem a oportunidade de chegar ao poder, não importante sua raça, sexo, origens ou classe social. Independente de sua ambição ou convicção. Tudo o que importa é o poder.
-Papai! Um dia eu vou ser uma guerreira bem forte e todos vão saber o meu nome! — A menininha de cabelos prateados sorria.
-Não duvido minha filha, e nada faria esse velho mais feliz. — Disse o homem, acariciando os cabelos da filha. — Sua mãe estaria muito orgulhosa de voc- O homem interrompeu-se, der repente sangue escorria de sua boca, sua barba branca já estava vermelha, o velho der repente caiu, de olhos abertos e corpo mole.
-Papai? Papai! O que houve papai? — A criança gritava desesperada, balançando brutalmente o corpo do velho, já sem vida.
-Riven! Riven! Riven acorda!
A garota levantou-se na mesma hora, buscando fôlego e com os olhos arregalados. Sua respiração ofegante tornou-se mais lenta quando olhou o rosto de Talon, que a encarava normalmente.
-Teve aquele sonho de novo não é?! Com o seu pai sendo...
-Não importa, que horas são? — Riven lentamente levantou-se do chão.
-São quase meio dia, temos que nos apressar ou vamos passar fome de novo. — O garoto disse em quanto guardava uma pequena faca no bolso do casaco rasgado.
-Sim, tem razão. — Riven pegou uma espécie de lâmina gigante, era maior que a menina e tão pesada quanto, a arma era enferrujada e mal amolada, não tinha um bom molde e havia sido mal soldada, qualquer ferreiro teria vergonha de chamar aquilo de espada, mas a menina tinha bastante habilidade com o objeto, por mais que Talon estranhasse, ele reconhecia o inegável talento da garota.
-Vamos logo, já sabe o plano né!? — O garoto gritava, correndo para o fim do beco.
Riven amarrou a lâmina nas costas, preso a um cinto velho e rasgado. Subiu facilmente pelas paredes até alcançar o teto, seguindo Talon até a feira.
A feira estava lotada, fedia a peixe estragado e frutas podres, os vendedores gritavam incansavelmente seus produtos e preços. Talon teria sorte se achasse uma barraca onde os alimentos ainda estivessem apodrecendo ou com pouco mofo. Avistou uma barraca onde os pães com sorte estavam apenas com mordidas de rato e algumas moscas em volta, fez um gesto para riven, que em seguida assentiu com a cabeça e desceu dos telhados um pouco distantes do chão.
-Senhor quanto estão os pães? — Talon aproximou-se, encarando-o.
O homem olhava o garoto com desgosto, o cabelo sujo e roupas rasgadas lhe faziam duvidar se realmente tinha dinheiro ou estava apenas tomando o seu precioso tempo.
-Os com buracos são 30 centavos, os com mofo são 20. — Disse o homem, fitando o garoto suspeito.
Riven cautelosamente enchia o saco de pano com o máximo de pães que pudesse carregar, enquanto Talon distraia o grande homem careca e fedido. Rapidamente apoiou o saco em suas costas e sumiu na multidão, fazendo antes um aceno para Talon.
-Tudo bem, vou pedir dinheiro pra minha mãe e já volto. — Mas antes que Talon pudesse deixar a barraca e voltar para o beco, o homem agarrou fortemente o braço da criança.
-Onde está? Onde está os meus pães? C-cade minha mercadoria? — O homem gritava furioso, apertando cada vez mais o braço de Talon.
-E-ei me solta! — O garoto lutava para soltar seu braço direito da mão forte e suada do homem, que quase rosnava para ele.
-Foi você! Você roubou minha mercadoria não é moleque?! Vai pagar caro! — O vendedor tirou de baixo do balcão um facão, enquanto agarrava fortemente o fino braço do garoto que já estava desesperado.
O homem furioso ergueu o facão na mesma rapidez que o abaixou na direção do membro do garoto, que apenas ficou imóvel e fechou os olhos o tão forte quanto pôde. Mas antes que a fria lâmina entrasse em contato com a carne de Talon, uma espada colossal acertou o vendedor na cabeça, fazendo-o desabar na mesma hora e ficar inconsciente.
Talon sentiu seu braço sendo puxado por uma mão pequena que o guiou até o escuro e úmido beco.
-Caramba... — Riven apoiou-se em seus joelhos, ofegante. — Essa foi por pouco.
-O-obrigado. — O garoto disse, encarando seu próprio braço.
-Você ficou com a parte mais difícil, amanhã a gente troca. — Disse a garota de cabelos prateados, com um leve sorriso.
-Amanhã? A quantidade que a gente roubou vai dar pro inverno inteiro. — Talon disse, procurando o saco de pano. — Aonde estão os pães?
-Desculpe Talon. — A garota abaixou a cabeça, desanimada. — Depois que o vendedor desmaiou as pessoas ficaram desesperadas pra roubarem o resto dos pães, acho que nessa confusão roubaram o nosso saco...
-Tudo bem. — O garoto estampou um sorriso confiante.
-P-por que está sorrindo!? Daqui a três dias começa o inverno e sem comida nós vamos... — Riven começou a soluçar.
-Não se preocupe, vamos dar um jeito, sempre damos. — Talon segurou fortemente a mão de Riven. -Se estivermos juntos, garanto que não teremos nada a temer!
Mas as coisas só iam de mal a pior, por mais que Talon e Riven já estivessem muito bem acostumados a passar fome e frio, cada dia que se passava ficava mais difícil sobreviver. Com a chegada do inverno, as condições pioram drasticamente, não tinham comida, água, ou até mesmo abrigo, só tinham um ao outro e ambos sabiam que nesse ritmo não iriam sobreviver nem ao início do inverno, os dias ficaram mais frios, e a fome só aumentava. Em Noxus o inverno era extremamente intenso, a sua chegada era considerada felicidade para os trabalhadores, mas sentença de morte para os desabrigados.
-Está tão frio... — Riven se esforçava para manter-se aquecida.
-Nós vamos sobreviver, eu prometo. — Talon a abraçava o mais forte que podia para aquecê-la. — Não desista Riven, não me deixe sozinho, por favor.
-Você sempre foi... Tão forte... Acho que é hoje que eu vou morrer, Talon... — A garota estava completamente pálida, seus olhos já estavam sem vida e sua pele completamente congelada. — Me perdoe Talon, eu realmente queria poder passar mais tempo com você... — A garota lentamente fechou os olhos, com um pequeno sorriso no rosto.
-Não! Eu vou dar um jeito! Fique aqui! — Disse soluçando.
Talon correu desesperado o mais rápido que pode, mas a verdade era que ele não tinha pra onde ir, e sabia que nenhum milagre apareceria na sua frente dizendo que salvaria Riven, mas ele não pensava em nada, apenas corria pela fria neve que caia sobre seus cabelos, sem qualquer rumo ou direção. Ele sabia que o que realmente estava fazendo era apenas fugir da realidade que estava diante dele, a realidade de que nem ele, nem Riven sobreviveriam.
Fale com o autor