Exílio

1 Capítulo I - Patéticos


Notas iniciais
Spin-Off - Silêncio.

Os corvos alinhavam-se no céu, cobrindo as vestes imundas da história que havia ali. O fogo abraçava o corpo da mulher que jazia erguida por um mastro alto, enquanto o calor abria buraco em suas pernas.

— Bruxa — A multidão de fiéis que se alinhavam em torno da fogueira, lançando pedras para o sofrimento da mulher.

Um homem que jazia ao lado da fogueira, abriu uma bíblia e recitou algumas palavras;

— Do fogo que expurga a alma e queima a pele para purificar para o reino do céu, peço a ti, que rogue esta alma e a lave de seus pecados.

Enquanto a mulher balançava entre os berros na noite, seus gritos se tornaram mais agudos quando o fogo atingiu seu vestido branco encardido pelas cinzas e seu corpo entrou em combustão.

Os últimos anseios e gritos da mulher foram levados ao vento, juntamente com as cinzas que ali, inundavam o centro.

O silêncio tomou conta do ambiente, as pessoas saíam aos poucos e dali, o homem que abrira a bíblia, representando os demais fiéis, retirou-se aos passos rápidos no meio da mata.

Um chalé tão minúsculo quanto às árvores que rodeavam; O pobre homem, não muito velho, empurrou a porta com a sola do pé. A porta rangera e abria aos poucos. O cantil que ali havia, era a única luminosidade que iluminava o canto.

— Dizem que o este mundo que criei é o pior — As pequenas batidas de um cajado que estava apoiado na cadeira ao seu lado, mexiam-se sozinho — E estou perto a concordar.

— Demônio — O homem segurou seu terço abruptamente, orava em latim.

— Odeio esta época — A garota jogou seus ombros na cadeira e ficou a observar o homem proferir diversas orações — Me diga uma coisa.

Os olhos do homem semicerraram, ouviu interessado.

— Porque mataram aquela mulher?

— Uma pecadora, pagã, blasfêmia a Deus — O homem rogava tais palavras brutas, sua hostilidade era como o vento que jazia ali fora.

— Ele só tem um pensamento diferente de você — O cajado veio a sua mão, onde a mesma levantou sorrateiramente, andando em direção ao homem — Mas pelo que vejo você é só mais um da maioria, ou melhor, você é diferenciado, ver o sofrimento alheio, grande seguidor é você.

— Não profira blasfêmias a mim, bruxa! — O homem agitou a mão, abanando o ar não tendo receio do que poderia acontecer.

— Não é minha intenção — Ironicamente, Rita pôs sua mão no peito sentindo uma enorme tristeza — Minha conversa termina aqui.

As palavras saltaram de seus lábios como uma arma. O homem deu uma leve piscada, o ambiente se tornara frio e logo se arrebentou no chão amadeirado.

A porta outrora rangera novamente, a noite densa e fria dava passagem ao vento gélido. Rita vestia-se em um casaco acinzentado, suas botas afundaram na lama que recentemente estava atolada pela chuva.

— Conseguiu? — Modre, um homem alto e de olhos castanhos perguntava com certo receio. Sua manta arrastava-se até o chão, enquanto seu corpo estava sentando sob um tronco recentemente dividido ao meio.

— Não — Rita bufava com vontade, seus olhos escuros demonstravam cansaço e desprezo — É só mais um alienado.

— Então possamos ir — Modre brandiu com certa felicidade, ficar naquele chiqueiro gelado era o ápice da vergonha.

— Creio que sim — Rita bateu com a ponta do cajado no solo úmido, a água que encharcara a terra, rodeou a pequena área em que ambos estavam.

Antes que desaparecessem, Modre olhou para o horizonte, sentiu algo, provavelmente Rita também sentira, mas já era tarde demais, a bolha esvaiu e ali, os dois desapareceram.

Já nos arbustos no horizonte, um olho amarelado, abria frestas entre as folhas verdes. Seu corpo peludo saiu em disparada às sombras, no devido momento em que sua presa já não se encontrava ali.

...

Longe dali, ao extremo dos universos, um mundo em que as bestas corriam livremente pelas florestas secas, com a luz do céu iluminando em tons roxeados, vermelhos e beges. Ali, naquele mundo onde as bestas viviam livres, um castelo de tamanha proporção, ocupando hectares de região.

Sua ponta extrema iluminada de joias vermelhas iluminava a muralha dos lamentos. A muralha dos lamentos, o limite do comando da Deusa de madeixas vermelhas, a ordem da linhagem perfeita. Um reinado de desprezo e astúcia.

Os alicerces da ala real pareciam mortos, os desenhos minúsculos e as escritas impregnadas nas rochas decoravam o ambiente morto e de cor de uvas, era glamourosamente idolatrado por Ela.

— Minha senhora, vossa majestade há visita — O leal mordomo de Ela, corcunda e com a pele acorrentada em ferros sujos e podres.

— Quem teria a coragem de vir aos meus domínios? — Ela sentava-se no seu trono de caveiras, era alto o suficiente para comparar ao teto, os seus olhos roxos que constantemente alternavam em cores, reluzia em desprezo para o indivíduo que estava diante dela, nos grandes portões.

— Momento errado, vossa alteza? — Rita andava em meio aos tapetes empoeirados que já perderam a cor a épocas.

Ela apertou o apoio do trono, as caveiras deterioraram rapidamente.

— O que traz você aqui, velha amiga? — O sorriso forçado era exposto em alta e boa luminosidade. Ela levantou-se e ficou a poucos metros de Rita.

— Ora, vim ver com anda meu recente e jovem mundo — Rita sorriu fundamente, seus olhos pretos ameaçavam a prole de Ela, enquanto Ela fazia o mesmo.

— Seu? Acho que não — Ela riu, seus ombros foram à frente descontroladamente, enquanto o suor descia frio.

— Pobre Ela, acha mesmo que sua ousadia é algo para mim? Já encarei coisas piores do que suas madeixas velhas.

Ela deu um passo para trás, o punho encheu-se de fúria, o lugar tremia intensamente, um terremoto abalara a região.

— Não tente você foi humilhada uma vez e será novamente — Rita virou-se a grande visão que dava a observar pelo castelo. Enquanto a força dos abalos regredia continuamente.

— Você não é bem vinda neste mundo Rita — Ela incorporou a voz grossamente, mas logo deu uma risada irônica. — Havia me esquecido, você não é bem vinda em nenhum lugar.

— Meus mundos, sou bem vinda onde em bem desejar — As torres vieram a atroar pavorosamente, os portões escancararam em um estrondo grave — Lembro passageiramente e aviso a você; este mundo é meu.

O mar, a quilômetros dali, levantava-se como um gigante em um término de hibernação. As árvores dentro das muretas eram incineradas em fogo vivo enquanto o chão deteriorava-se em poeira cristalina.

— Você é só uma convidada que acha que tem algum poder sobre este lugar — Rita já segurava o cajado decididamente, a bengala era pressionada de tamanha configuração deixando abertas as impressões.

Ela observou o monte de água elevar-se cada vez mais, comparável ao castelo em altura. Ela sorriu, olhou a fúria de Rita, ao mesmo tempo em que se encolhia levemente no seu macabro trono.

— Ainda sorrio com sua angústia, pobre Rita — Ela levantou-se abruptamente, estalou os dedos e o fogo que cobria o verde, foi desfeita — Eu não tenho medo dos seus truques de mágica.

— Não quero que tema, só foi um alerta a ti — Rita deu meia volta no tapete e se retirou pelo pelos grandes portões.

Ela cerrou o punho quando ouvira tais palavras, a batida do gigantesco portão, a sala foi tomada por labaredas azuis.

O trono de caveiras, agora estava em chamas, o grito demoníaco enfurecido de Ela foi ouvido por toda região.

Notas finais
O que acharam? :P