Extraterrestres -interativa

15 O Quarteto Fantástico


Yuri Broma

Eu estava agarrando com força o pescoço do guepardo/Karina. A única coisa que me fazia sentir bem era que aquele animal era a minha irmã, mas ainda estava um pouco nervoso, como sempre ficava perto de animais. Oras, eles eram seres irracionais! Preferia falar com humanos, ao contrário da minha irmã maluca.

Infelizmente eu não conseguira filtrar mais nenhuma informação além das que eu contara para Karina da mente dos homens de terno. Eles agiam ás escuras, como se fosse peões em um tabuleiro de xadrez. Eram usados, só sabiam obedecer ordens, mas tinha uma mente inteligente os controlando, dando as instruções. Apesar de tudo isso, os homens que vieram atrás de nós tinham certeza de que as poucas e superficiais informações confiadas á eles eram de extrema importância, e isso os fazia se sentirem importantes e necessários. A mente que os controlava era muito manipuladora também, devia saber com precisão como funciona a mente humana.

Eu também sabia, o que era meio óbvio pelo meu poder. Eu escutava os pensamentos mais intímos das pessoas, conhecia os segredos mais sujos e vergonhosos, conseguia ver cada memória da vida delas. Conseguia descobrir a verdade de qualquer um, ninguém conseguia esconder nenhuma informação de mim.

Bem, a não ser Karina. Por algum motivo oculto, minha irmã gêmea era imune aos meus poderes telepactas, motivo para seu extremo alívio e contentamento e para a minha frustração. Não gostava de ter que acreditar nas palavras dela, não conseguir verificar se ela falava a verdade ou não. Estava acostumado á liberdade de conhecer tudo da vida das pessoas, e a minha irmã conseguia manter segredos de mim. Sempre que eu tentava acessar a sua mente, era como se a porta estivesse trancada. Eu tentava arrombar, mas não conseguia, era muito forte. Tentava pegar ela em qualquer tipo de momento: Quando ela estava fazendo dever de casa, almoçando, dormindo, acordando, com sono, sem sono, conversando com algum animal, irritada, alegre, triste, com raiva, quando estava cansada, durante a aula... Mas a porta sempre estava ali. Acho que era por causa do laço de sangue, ou ela tinha o poder de fechar a mente dela e não tinha me contado. Ela sempre me dizia que era parte dela, porém eu não precisava ler a mente dela para saber que a menina gostava muito da porta trancada que dava para a sua mente.

Balancei a cabeça, e voltei para a realidade.

Estávamos passando pela estrada, quase chegando em San Francisco, pela mata, obviamente. Seria muito estranho se alguém visse um garoto montado em um guepardo no meio da estrada. É, isso não é algo que se vê todos os dias.

Foi aí que ouvi pensamentos que me chamaram a atenção. Um garoto, chamado Henri, que morava em um orfanato e manipulava fogo. Os homens de terno foram atrás dele, mas o órfão incendiou o quarto por acidente, e assim conseguiu fugir. Pelo que eu sabia, o nome científico para a habilidade se chama pirocinese.

E ouvi também outros pensamentos vindos de cima de mim, a mais ou menos seis metros acima do chão. Um menino chamado Louis que conseguia voar, mas que tinha medo de altura, o que explicava a altura em que ele estava voando. Os homens de terno tentaram capturá-lo, porém, o menino conseguiu fugir voando.

Me inclinei para Karina, até a sua orelha peluda, e sussurrei o meu plano. Ela fez que sim com a cabeça de guepardo, pois não conseguia falar enquanto era animal. A menina diminuiu a velocidade, e eu desmontei das costas dela, com prazer.

Admirei a minha irmã virar uma grande águia na minha frente. Poucas coisas me faziam reconhecer Karina dentro daquele animal: seus olhos cor de violeta continuavam os mesmos, a marca do cordão que ela usava no pescoço e as garras eram minúsculas como as unhas dela, não enormes como a das águias comuns que eu via nas fotos dos livros didáticos da escola.

Apontei para ela a direção em que vinham os pensamentos de Louis, e a águia bateu as enormes asas, voando para lá. Em seguida saí da mata e fui atrás dos pensamentos de Henri, que discutia consigo mesmo se era melhor ele dormir sem proteção ou continuar esperando um carro dar carona para ele.

Quando cheguei, vi um menino de dezesseis anos, os cabelos negros e lisos na altura dos ombros bagunçados, o menino vestia uma calça de moletom cinza, uma camisa preta e tênis verdes cobertos de lama e terra. Á sua frente estava uma fogueira pequena, feita de revistas e jornais velhos. Algumas vezes ele pegava uma flama com o dedo indicador, mas em seguida jogava de volta para junto com as outras.

Andei até ele, e me sentei em frente á Henri, que finalmente deu importância á minha presença. Seus olhos verdes cuja eu podia ver as chamas refletidas me encararam, e eu não consegui resistir em dar uma pequena olhada em seus pensamentos para ver o que achava de mim. Era muita curiosidade.

Quem é ele? Será que esse loirinho aguado viu eu pegando o fogo, mexendo com ele? Não, se ele tivesse, saíria correndo gritando por ajuda, como as pessoas são idiotas. Então o que esse filho da mãe que se acha no direito de vir sentar do lado de um estranho quer de mim?

-Sou Yuri, Henri, prazer. Vi sim você mexendo com o fogo, sei que os homens de terno foram até o seu orfanato, que você incendiou o seu quarto e só desse jeito conseguiu escapar das mãos deles. E estou aqui para saber se você quer encontrar outros como nós. -Eu falei calmamente, e a surpresa atingiu os olhos dele.

-Você escutou meus pensamentos? -Henri perguntou.

-Sim, e agradeceria muito caso não me xingasse novamente. Vou explicar o resto quando minha irmã trazer Louis. -Sorri, e o manipulador de fogo franziu as sobrancelhas.

-Quem é Louis? E sua irmã... Espere, aquele cara está voando? -Olhei para cima, e vi Louis voando em nossa direção, sendo bicado pela Karina/águia.

Louis e Karina pousaram, e os dois gritaram quando minha irmã se transformou de volta. Graças a Deus, com roupas. Seria muito estranho se as roupas não viessem junto.

-Esse é o Louis, e esta é minha irmã, Karina. Vamos explicar tudo para vocês agora. -Falei, enquanto a garota de olhos violeta gargalhava abertamente da expressão de espanto dos dois.

Depois que eu expliquei os poderes de cada um e lancei a proposta de procurarem outros E.Ts conosco, esperamos um pouco pela resposta. Eu não entrei na cabeça deles durante o processo, só fiquei esperando.

-Eu vou ir. Por mim, tudo bem a gente formar o "quarteto fantástico". -Henri riu com a própria piada, e Karina o seguiu.

-Está bem. Mas nenhum de nós tem um veículo. -Louis argumentou, mas eu já tinha uma idéia.

-Simples, você vai voando á uma altura razoável para conseguirmos te ver, Karina se transforma em um cavalo e eu e Henri montamos nela. -O acrofóbico me olhou agradecido por eu não ter revelado o seu medo.

-Ótimo. -Minha irmã se levantou. -Mas se alguém passar a mão na minha bunda vai levar um coice, estou avisando. -Ela encarou Henri, que caiu na risada junto com ela.

Notas finais
Gente, eu pulei a explicação por quê fica entediante tanto para mim tanto para vocês explicar isso milhões de vezes.