Extraterrestres -interativa
21 Casa Nem Tão Abandonada
Notas iniciais
Valentina (ou Roxanne)
Estávamos parados na frente de uma casa abandonada. A grama chegava ao meu joelho de tão alta, A pintura verde clara estava descascando e cheia de manchas negras, expondo os tijolos cor de barro. O telhado estava sujo de musgo e eu nem queria pensar em quais animais faziam ninhos ali. Parecia que nenhum ser humano entrava nela fazia anos e anos.
E ali era o único lugar que arranjamos para conseguirmos nos esconder dos homens de terno sem deixar pistas. Ideia de Andrew. Até que não era tão ruim. Ficaríamos protegidos do Sol e da chuva, e seria quase impossível nos encontrar. O grande problema era o trabalho que daria para tornar aquele lugar habitável de novo.
-Bem, vamos entrar? -Falou Karina, a única que não parecia preocupada com que tipos de animais poderíamos encontrar lá dentro. Sem dúvida, o mais nervoso com o pensamento era Yuri, o tal telepacta.
-E se tiver alguma cobra lá dentro? Escorpião? São seres irracionais, não gosto deles. E o veneno? -O loiro definitivamente estava inseguro em relação aos animais. Dava para ver que não era medo, somente desconforto. Chegava a ser meio engraçado.
-Ah, eles não vão nos atacar se eu pedir. E caso não se lembre, foram "seres irracionais" que salvaram todo mundo de ser preso, torturado ou sei lá o que que vão fazer conosco se conseguirem nos pegar. -Ela revirou os olhos, e começou a andar em direção á casa, sem se incomodar com o mato.
A seguimos, os nossos passos abafados pela terra. Vez ou outra Karina mandava algum animal se afastar, e, conforme o prometido, nenhum deles bos atacou. Tenho certeza que isso foi um alívio para May, que já tinha que andar com a ajuda de Zac, de tão desgastada que estava depois de curar tantas pessoas. Apostava que ela seria a primeira a dormir, o que não era para menos. Devia cansar curar tanta gente logo depois de acordar.
Hana abriu a porta devagar, pois Karina estava conversando com um gato de rua sem uma orelha. As dobradiças rangeram pela ferrugem, nos mostrando a sala de estar, ou o que deveria ser uma sala de estar. O cômodo tinha um tapete roído pelas traças estendido no chão em frente á uma lareira onde se encontrava um ninho de serpentes que naquele momento dormiam tranquilamente, sem notar a nossa invasão.
A poltrona amarela estava com o tecido rasgando, deixando á mostra o estofado. A TV era antiga, ao estilo de caixa, e estava aparentemente boa para uso. A mesinha de centro estava sendo lentamente devorada pelos cupins, um vaso simples cor de violeta com várias flores mortas dentro dele.
Seguimos mais adiante, e vimos a porta da cozinha aberta. Lá, os azulejos do piso estavam sujos, da geladeira vinha um cheiro horrível de comida estragada, teias de aranha enchiam os armários, e dentro do fogão havia um ninho de ratos.
Demos a volta, e nos encaminhamos para as escadas, que rangiam a cada degrau. Vimos que no andar de cima havia cinco portas, todas fechadas. Eu, Karina e Jacke fomos para a primeira, Kayla, Hana e Emily foram para a segunda, Andrew e Yuri se encaminharam para a terceira, Nate, Henri e Louis foram para a quarta, e Zac e May andaram em direção a última.
Atrás da nossa porta, tinha um triliche (um beliche com uma cama de puxar embaixo), uma estante que tinha livros, fotos e filmes, todos cobertos por uma expressa camada de poeira. Tinha um baú no canto, fechado e em bom estado. A lâmpada ligava, o que significava que, milagrosamente, aquele lugar ainda recebia eletricidade. Saímos dali, e fomos ver o que os outros acharam, e percebemos que eles também saíam, prontos para relatarem o que viram.
-Na primeira porta é um quarto, tem uma triliche, um baú, e descobrimos que ainda tem eletricidade por aqui. -Falei, tomando a iniciativa.
-Na segunda, tem outro quarto, este de solteiro, mas com uma cama de puxar embaixo. -Kayla disse, mexendo distraidamente na saia de pregas xadrez azul, que se encontrava por cima da legging preta.
-Na nossa tinha duas camas, uma pequena e outra grande. Também achamos três sacos de dormir. -Andrew ás vezes olhava para Hana, baixando os olhos em seguida.
-A quarta porta tem uma cama de casal e um colchão. -Nate corou fortemente, me encarando fixamente com os seus olhos de um azul claro extremo.
-Já a última, é um banheiro. -Zac colocava May, que bocejava, de pé. Ele tirou uma mecha de cima dos olhos da garota, antes que a mesma caísse novamente.
-Muito bem, vamos nos dividir em dois quartos para meninas e dois para meninos. -Yuri passou as mãos pelos cabelos dele, os arrumando ainda mais do que estavam.
-E dês de quando você é o líder? -Henri se opôs, levantando as sobrancelhas.
-Você sugere que nós, garotos, dormirmos no mesmo quarto que as garotas? -Ele perguntou, incrédulo.
-Até que não seria má ideia. -Ele sorriu, enquanto todas as garotas reviravam os olhos.
-Vamos deixar como o Yuri sugeriu mesmo. -Hana bufou, indo para a sala de estar com passos pesados.
O resto da tarde passamos limpando o lugar. Karina convenceu todos os animais á deixarem suas tocas, Kayla nos forneceu itens de limpeza necessários como vassouras e baldes, Nate fazia todos ficarmos animados para trabalhar, May dormia tranquilamente no quarto 2 e o resto de nós fazia o trabalho duro. Passávamos a vassoura, tirávamos as teias de aranha, enfim, tudo sem a ajuda dos nossos poderes. Estávamos exaustos no fim do dia.
Henri se provou útil e acendeu o fogão com o dedo dele, e em seguida, eu fui cozinhar. Fazer o que, morando a vida inteira sozinha dá nisso mesmo. Quando voltei para a sala, carregando o jantar com ajuda de Emily e Nate, vi que todos estavam sentados no chão da sala em um círculo, conversando animadamente.
Me sentei perto da lareira, e comecei á pensar, traçando um caminho nas cinzas distraidamente. Eu não confiava em nenhuma daquelas pessoas, e nem planejava confiar. Só estava com eles pois poderiam me oferecer duas coisas que eu prezava muito: Segurança pessoal e respostas. Queria saber mais sobre o planeta que viemos, mas também era uma prioridade minha estar segura.
Eu nunca fui muito de criar laços com uma pessoa. Tivera vários aliados temporários e muito bem seletos, claro. Porém, nunca realmente me importara com aquelas pessoas. Eu nunca fui do tipo que morreria para salvar alguém. Aquilo não era a minha cara. Sempre preferi fugir das situações ao invés de enfrentá-las. Não por covardia, mas simplesmente por cuidado comigo mesma. Eu era desse jeito. Uma eterna viajante.
-Oi, seu nome é Roxanne, né? -Perguntou o Nate, uma mecha dos seus cabelos castanhos escuro caindo sobre a testa com tamanha leveza que nem pensara ser possível. Ele sustentava um sorriso charmoso nos lábios finos e avermelhados, tomara a liberdade de se sentar ao meu lado.
-Sim. E você é Nate, estou certa? -Perguntei, sorrindo de canto, porém, nem um pouco afim de conversar. Ele também não parecia totalmente seguro comigo.
-Exatamente. Enfim, o que você está pensando dessa loucura toda? -Ele indagou, seus olhos penetrantes se encontrando com os meus na segunda vez naquele dia.
-Não sei. -A mentira escapou com facilidade de minha boca, como sempre. Esta acostumada á mentir para tudo e para todos. Já fazia parte de mim.
-O quê vamos fazer agora? Quer dizer, não vamos ficar aqui só esperando os homens de terno nos pegarem. -Louis perguntou em voz alta, nos interrompendo, sua expressão um tanto preocupada.
-Você realmente quer pensar nisso agora? Acabamos de chegar, iremos deixar isso para amanhã, pois eu estou com sono. -Karina bocejou, e subiu as escadas para o andar de cima, seus cabelos curtos e negros balançando atrás de suas costas.
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