Extras - A Revolução
2 Nós somos os Extras
Quando acordou, Aiden estava em um carro estranho. Todos os seus vidros eram escuros, fazendo com que ele mal conseguisse ver o que se passava lá fora. Quando sua cabeça parou de girar, ele percebeu que o carro não se movia, e que Aiden nem sequer estava preso a algum lugar, algemado ou amarrado. O carro era muito luxuoso, com dois assentos paralelos, todos revestidos em couro preto e costurados por uma fina linha branca. No centro, se encontrava uma pequena mesinha, onde estava um aparelho estranho, pequeno e com a forma de um diamante, embora não fosse tão brilhante como um. Ainda assim, o carro era muito espaçoso, onde cabiam pelo menos duas pessoas em cada assento, e era assim que o carro estava preenchido. Sentados na poltrona paralela a dele, estavam os dois homens que o perseguiram na escola, ambos olhando fixamente para ele, mas Aiden sentia uma maior intensidade no olhar do menor, loiro, que estava bem na sua frente. E ao seu lado, Aiden percebia que também havia alguém, este, completamente estranho, olhando para fora.
— Nosso convidado de honra acordou – dizia o grandalhão quando percebeu que Aiden já estava consciente.
— O que, o que estou fazendo aqui? – indagava Aiden ainda um pouco atordoado.
— Muito bem, — agora dizia o loiro e mais baixo – normalmente perguntam “onde eu estou”, mesmo vendo que estão dentro de um veículo. Me chamo Michael, e este, – apontava para o grandalhão – é Vicky.
Por um segundo, Aiden quase deixou escapar uma risadinha de leve. Era estranho ver um homem daquele tamanho com um nome tão feminino e ridículo.
— Algum problema garoto? – dizia Vicky, fitando seriamente Aiden, que agora se afundava no seu assento sem responder.
A seriedade agora voltava aos olhos de Aiden, e isso era claro pela sua expressão.
— O que querem comigo? – perguntava Aiden, que embora estivesse ainda alterado, tentava manter a calma pela sua segurança.
— Primeiramente saiba que não iremos te machucar, apenas ignore Vicky, ele é realmente um grandalhão, mas só serve pra impor medo, e não precisamos usar isso em você, precisamos?
Aiden apenas olhava para os dois sem dizer uma palavra.
— Muito bem, você é um garoto esperto, todos nós somos.
— Tá, e?
— Mantenha a calma, garoto. – a expressão no rosto de Michael mudava para algo ainda mais forte. – Apenas nos escute e prometemos que nada lhe acontecerá. Você tem minha palavra.
— Considerando o tanto que te conheço, isso não é lá grande coisa.
Michael deu um sinal de olhar para o homem ao lado de Aiden, e este desferiu um forte soco na cara do garoto, que teve que segurar seu corpo com o braço para não acertar o vidro da porta ao seu lado. Usando a manga direita do casaco, Aiden limpava o pequeno filete de sangue que começava a escorrer de seu lábio, mas ainda assim não perdera seu sarcasmo.
— É, sabia que essa sua palavra não era mesmo grande coisa.
Aiden sentiu outro soco, dessa vez vindo de frente, da grande e forte mão de Vicky, o atingindo direto no estômago. Michael apenas fechou os olhos levemente e continuou a falar.
— Você tem todo o direito de ficar quieto, mas se não o fizer, as consequências serão piores.
Aiden pensou em meia dúzia de respostas para debater com Michael, mas prevendo que iria sair dali espancado se o fizesse, resolveu ficar calado, deixando Michael terminar seu discurso.
— Muito bem. Continuemos. Aiden, a única coisa que queremos de você é que venha conosco. Junte-se a nossa causa, precisamos de você.
A surpresa se estampava de ponta a ponta no rosto de Aiden, então eles o sequestram, o agridem e depois dizem que precisam dele? Aquilo não fazia o menor sentido. Percebendo a surpresa e a inevitável curiosidade do rapaz, Michael continua.
— Aiden, nós iremos matar todos os humanos.
Aquelas palavras caíram feito uma bomba na cabeça de Aiden, seu corpo fraquejara e até seus cabelos se arrepiavam. Mesmo sendo impossível matar todos os humanos, Aiden sentiu que aquele homem dizia a verdade e que ele iria, ou pelo menos tentaria, concluir seu objetivo. A tranquilidade na voz de Michael era assustadora, ele dizia isso como se fosse a coisa mais normal do mundo. Rapidamente, Aiden sentiu que aqueles homens eram insanos.
— Me tira desse carro, vocês são loucos! – exclamava Aiden tentando abrir o carro, em vão, pois percebeu que estava trancado.
Michael, Vicky e o terceiro homem que se sentava ao lado de Aiden o observavam calmamente, sem dizer uma palavra sobre a reação do garoto. Assim que Aiden se acalmou, Michael prosseguiu.
— Está vendo só? Você não acha mais a ideia tão estranha, acha?
Essa foi a verdadeira revelação, pois era uma verdade. Assim que Aiden se acalmou, ele viu que a ideia não parecia tão ruim, por algum motivo sem explicação, ele se acostumara com a ideia e simplesmente passou a aceita-la. O garoto duvidava das próprias capacidades de fazer algo assim. Exterminar todos os humanos, isso não significa a própria destruição também? Seriam aqueles homens na frente de Aiden realmente humanos? Ou seriam uma raça alienígena planejando acabar com a Terra? E porque precisariam de Aiden para isso? As perguntas apenas fluíam na cabeça do garoto, que sem saber o que dizer, permaneceu em silêncio, apenas fitando fortemente Michael.
— Você não pode negar que quer isso. Aiden, quantas vezes você já pensou nisso? Em acabar com todos eles. Eles não chegam aos seus pés não é? Nenhum deles é tão bom como você, nenhum deles merece sua atenção ou respeito, nenhum deles merece dividir o mesmo mundo com você. Você já pensou nisso várias vezes, estou enganado?
Aiden, por si nada dizia, apenas observava aqueles homens estranhos. Como eles simplesmente aparecem ali na sua escola em uma manhã fria de inverno e sabem tanto sobre ele? Sobre coisas que ele nunca comentou com ninguém, até porque ninguém era digno, não na sua visão. Michael estava certo, Aiden sentia tudo aquilo. Aquela vontade de desaparecer, largar tudo e todos aqueles indignos de sua companhia. Aiden não só se sentia superior, como era superior, e ninguém podia negar isso. Aiden nascera para a vitória, e isso era um fato.
— Aiden, nós sabemos disso, porque somos iguais a você. Temos os mesmos ideais, os mesmos sentimentos. Isso está na nossa mente, na nossa alma, na nossa essência.
— Essência? – perguntava Aiden, soltando entre os lábios a única palavra que conseguiu.
— Tudo será explicado com o tempo.
Aiden continuava a observar fixamente aqueles homens. Todos os três estavam muito sérios e o observavam incansavelmente. Michael, com um controle remoto, abre o painel negro que se encontrava atrás de Aiden, fazendo com que todos pudessem ver o motorista do veículo. Assim como os outros três, o motorista vestia um terno preto e rente ao corpo, aquilo não parecia um uniforme e o homem nem sequer usava um quepe. Aiden logo presumiu que ele também era um deles, e não um simples motorista. O garoto então ouviu Michael pronunciar algumas palavras estranhas que pareciam mais uma língua estrangeira, pois o homem que estava ao volante acenou positivamente com a cabeça e começou a dirigir.
— Onde estão me levando? Onde estamos indo? – perguntava Aiden começando a se alterar.
— Acalme-se, – respondia Michael enquanto pressionava o botão novamente, fechando o painel que dava visão ao motorista – você ainda não credita em nós, não por completo. Te levaremos a um lugar onde todas as suas perguntas serão sanadas. Mas é claro, você não pode saber onde é.
O homem que sentava ao lado de Aiden, até então silencioso, acerta o garoto na cabeça, fazendo com que o garoto perdesse todos os seus sentidos novamente.
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