Expressão Psicopata
1 Suicídio
O que significa a palavra “psicopata”?
Um psicopata é caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, narcisismo, egocentrismo, falta de remorso e de culpa para atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições. Geralmente uma “expressão psicopata” é mentalizada como alguém com os olhos arregalados e um sorriso enorme.
...
Cidade de Cerranilla. Uma cidade remota, interiorana, porém rica em tecnologia graças ao Sr. Melo, o morador mais rico e velho da cidade. Grande parte de Cerranilla era mato. A população era muito pequena, cerca de 600 moradores, e não haviam turistas, nunca.
Em meio ao mato, um homem corre desesperadamente, sem olhar para trás, quebrando os pequenos galhos que atrapalhavam seu caminho. Ele grita:
—Vá embora, garoto! Me deixe em paz!!
O tempo estava chuvoso. Eram 18:40. O homem, não aguentando mais correr, encontra grandes rochas atrás de uma árvore enorme e se deita com a respiração ofegante, assustado com o “menino” que o seguia. Depois de acalmar a respiração, o homem fica agachado atrás das rochas, espiando, tentando ver algo. Ele se vira para trás e se depara com um urso de pelúcia escorado em uma das inúmeras árvores. O homem olha desesperadamente para os lados, tentando encontrar alguma coisa. Ao sentir-se seguro, ele se levanta, anda em direção ao urso, pega-o na mão e se indaga.
—Mas que diabos... Um ursinho de pelúcia... Nesse mato...?
O homem encara o urso por alguns segundos. Ele estava gasto e velho. O ursinho esboça um leve sorriso. O homem sente um arrepio subindo sua espinha, vira para trás e se depara com um menino de pele alva, vestido com trapos velhos e um cabelo longo que tapava seus olhos. Era deste menino que o homem fugia. Assustado, ele cai no chão e grita em tom desesperador:
—Não, por favor, não me mate!!
O menino ficou em silêncio, imóvel. O homem, atônito, não sabia se corria ou esperava a morte, parado. Em um movimento vagaroso, o garoto estende a mão e diz com uma voz baixa e rouca:
—Urso...
Ao que o homem responde, gaguejando e em alto tom:
—V-você quer ele?? Eu te dou! Pega ele, mas por favor, não me mate!!
Ele estende o urso em direção ao menino, trêmulo. O garoto começa a rir em deboche. Ele recolhe o braço e diz, desta vez em alto tom:
—O urso vai ser a última coisa que você vai ver!!
O homem fica ainda mais assutado. Ele olha de novo para o urso, mas agora o bichinho está com um rosto triste. O homem parece estar em transe. Ele fica com uma expressão séria, larga o urso no chão e pede para o menino:
—Me dê a corda.
Ele estende a mão para o menino, esperando que ele faça o que foi pedido, e o garoto puxa uma corda de qualquer lugar. O menino ri mais alto ainda e some entre as árvores. O homem sobe na árvore que o urso estava escorado, amarra a corda em um galho alto e depois faz um nó de forca. Coloca a corda no pescoço e se joga da árvore.
No outro dia, pela manhã, o Delegado Jhonatan Silva, um homem com expressão triste, barba comprida e sua farda policial, bate na porta da casa da família Mendes. A Senhora Mendes abre a porta, preocupada.
— Ah! Delegado, então você veio me trazer noticias sobre meu marido? Achou ele? Ele está bem ?
À sua cintura estava abraçado seu filho, Anderson Mendes, triste pelo fato de seu pai não ter voltado para casa. O delegado suspira e diz:
—Não tenho boas notícias. Por favor, vamos sentar... O que eu vou dizer não vai ser nada agradável.
A Senhora Mendes percebeu que alguma coisa havia acontecido com seu marido e começou a chorar. O pequeno Andy, como todos o chamavam, correu até seu quarto, batendo a porta forte.
O delegado tenta acalmar a mulher e os dois entram na casa, sentando-se à mesa. Jhonatan respira fundo antes de dizer as más notícias.
—O seu marido foi encontrado morto na floresta, perto da lagoa... Estamos levando o caso como suicídio.
—COMO ASSIM SUICÍDIO?? Meu marido tinha amor à vida, ele não deixaria a família assim!! Ele saiu de casa feliz, não teria motivos pra se matar!!
O delegado diz:
—Acalme-se senhora... Estamos levando o caso como suicídio porque... Bem... Você quer mesmo a explicação?
—Claro, eu preciso saber, ele era meu marido!!
—Tudo bem... Ele foi encontrado enforcado em uma árvore, não encontramos pegadas de outra pessoa nem digitais. Ele não tinha lesões no corpo. A única coisa que encontramos foi um bilhete no bolso dele, escrito “A expressão dele vai te fazer feliz”. Seu marido também estava...
—Chega, não aguento mais ouvir isso... – A senhora Mendes interrompe o delegado, com as mãos no rosto, chorando.
Os policiais continuaram procurando pistas no local durante todo o dia, mas não encontraram nada. Perto das nove da noite, o delegado Jhonatan chega em casa, exausto e desapontado consigo mesmo por não ter achado a solução do caso. Ele pensava em investigar a vida do homem para achar o motivo do suicídio. Ele tira o casaco e coloca no cabideiro. Estranha o fato de sua mulher e sua filha não estarem na sala, então chama:
—Filha, cadê você? Papai chegou!
Ele aguarda resposta, mas o silêncio o deixa intrigado. O delegado procura pelos cômodos da casa e não encontra ninguém. Perto do banheiro ele encontra água no chão e corre até lá, abre a porta e vê a banheira transbordando. Boiando nela está um urso de pelúcia com uma expressão triste e um bilhete colado em seu corpo. O delegado vai até a banheira e pega o urso na mão para ler o bilhete, que dizia “Apenas sorria, fomos dar um passeio no inferno!”.
Ele, assustado, larga o urso molhado, saca sua arma e grita:
—Quem está aí? Filha?? Amor?? Cadê vocês?!
O delegado está quase saindo do banheiro, escorado na porta, esperando algum barulho, quando escuta algo na água. Ele vê uma cabeça subindo, cabelos pretos e longos, não conseguia ver os olhos. Assutado, aponta a arma:
—QUEM É VOCÊ??
Aquilo na água simplesmente some, junto com o urso e o bilhete. Assutado, senta-se no chão, coloca as mãos na cabeça e pensa estar ficando louco. Ele olha para os lados, levanta e corre até sua camionete que estava estacionada no quintal. Ele liga o farol e vê sua filha pregada na parede com um sorriso demoníaco, e sua mulher enforcada por uma corda presa ao telhado. Rapidamente ele desce do carro e grita:
— NÃO!! NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO!!!!
Os poucos vizinhos saíram de casa para ver o que estava acontecendo e se deparam com o delegado ajoelhado em frente à sua mulher e sua filha, com a arma na mão, chorando desesperadamente. Os vizinhos, apavorados, ligaram para a polícia rapidamente. O delegado coloca a arma na cabeça e grita:
— EU VOU TE BUSCAR NO INFERNO, SEU DESGRAÇADO!! – O delegado dispara a arma. Os vizinhos que estavam vendo ficam aterrorizados, gritando e chorando.
A senhora Mendes e seu filho eram vizinhos do delegado. A mulher coloca as mãos na boca, assustada. Andy vê a cena sem entender direito. Ele observa a casa e ao lado vê um menino andando na parede, movendo o corpo de maneira retorcida. O menino corre até atrás da casa pela parede quando percebe que foi visto e some. Andy corre até lá, querendo ver o menino, e encontra um urso no chão. Ele estava novo e até mesmo cheiroso. Ele cheira o urso e abraça, gostando muito daquele brinquedo, e então percebe um bilhete no chão. Como ele ainda não sabia ler, coloca o bilhete no bolso. Percebe que sua mãe está procurando ele e corre até ela.
A mulher pergunta para o seu filho:
—Que urso é esse? Você roubou?? Filho, isso é feio, devolva ele agora. Você não deveria ter saído de perto de mim!
Andy diz:
—Não mamãe, eu conheci um menino, foi ele que me deu!
Sua mãe não se importou muito de seu filho ter aceitado um presente de estranhos, ela até achou que seria bom, pois assim seu filho desviava a atenção daquela cena horrível dos corpos.
O garoto olha para o urso, feliz:
—Você vai se chamar Molo, e vai ser meu melhor amigo!
A mulher percebe que a polícia e a ambulância estão chegando e abraça seu filho. O menino diz:
—Vou abraçar o Molo também, mamãe!
Andy abraça Molo como se estivesse abraçando uma pessoa especial. O urso, pelas costas do garoto, esboça um leve sorriso...
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