Expressão Psicopata

6 Massacre no Orfanato


Alguns minutos depois do pequeno acidente entre as duas crianças, Andy e Júlia estão sentados debaixo da árvore, onde há uma pequena mesa de pedra. O menino queria ter alguma amizade naquele orfanato, já que havia acabado de chegar, e também queria descobrir algo sobre aquele local. Talvez alguém soubesse de alguma sala trancada do orfanato. Andy iria procurar depois, agora ele estava conversando com a garota que havia conhecido. Tinha tempo até Jhonny chegar para os dois irem visitar a testemunha do caso de 1950. O garoto, um pouco envergonhado, desculpa-se novamente com a menina:

—Perdão mesmo, Júlia. Quantos anos você tem?

Ela sorri timidamente e o responde:

—Eu tenho 11 anos, e você?

Andy diz com um sorriso envergonhado, por estar conversando com uma garotinha tão bonita e da sua idade.

—Tenho 11 também. Fico feliz em conversar com alguém daqui, acabei de chegar. Podemos ser amigos?

—Claro! Eu gostaria muito de ter uma amizade aqui, cheguei há uma semana e não tenho ninguém pra conversar, as meninas daqui só gostam de brincar...

Andy ficou um pouco chateado, pois achou que Júlia estava ali há tempos e poderia dar informações sobre o orfanato. Ele puxa algum assunto para conversar.

—Hum... Você conhece algo desse orfanato ou é tudo novidade para você também?

—Ah, é tudo novo para mim... Afinal, por que você está aqui?

—Minha mãe morreu por causa de um... incêndio.

O garoto disfarça, porque não queria dizer coisas que o fizessem parecer maluco. Ele continua:

—E meu pai se suicidou quando eu tinha 6 anos.

—Ah... Eu sinto muito. Antes que você pergunte sobre mim, eu já vou dizer. Meus pais foram vítimas de uma armação e acabaram sendo mortos.

—Se você não se incomodar, pode me dizer o que aconteceu exatamente? É que estou fazendo uma pequena investigação sobre algumas coisas da cidade e talvez isso poderia me ajudar...

Como Júlia era curiosa, quis saber mais:

—Que tipo de investigação?

Andy mal conhecia essa menina, então ele preferiu não dizer a verdade por enquanto. Não sabia se era ela de confiança.

—Ah, é só uma pesquisa sobre a história da cidade, como ela foi construída, as pessoas mais importantes, essas coisas...

—Tudo bem, vou te contar tudo, mas é uma história grande.

—Pode contar, eu gosto de histórias!

—Há 5 anos, meus pais trabalhavam para a prefeitura. Minha mãe era secretária do prefeito, e meu pai, segurança dele. Ela anotava tudo que o prefeito precisava, agendava reuniões, festas e tudo mais. Meu pai andava sempre com o prefeito, protegendo ele, tem pessoas da cidade que não gostam do jeito que ele administra e acabam perdendo a cabeça. Meu pai estava sozinho com o prefeito em um acampamento que não sei onde fica. Sei que ele ia ser inaugurado no outro dia, pela manhã. Era para ser um lugar tranquilo, para acampar sem riscos de algum animal feroz atacar, mas houve um ataque, e o prefeito parece que mentiu. Quando meu pai foi anunciar o ataque pelo comunicador, a única coisa que ele disse foi “O urso est—“ e aí a gravação acaba.

Andy observava atentamente as gesticulações da garota, imaginando as cenas.

—O prefeito disse que foram atacados por um urso enorme, mas não tem ursos por aqui! Até hoje ele se nega a falar sobre esse caso. Enfim... Quando meu pai foi atacado, o prefeito conseguiu fugir de carro. Ele ligou para a minha mãe, que era a secretária dele, dizendo para chamar a polícia. Nas gravações ele fala assim: “Alô, ligue para a polícia. Seu marido morreu.”, falando com toda naturalidade, como se não estivesse assustado nem nada, mas isso assustou a mãe. No dia eu estava em casa com a babá. Ela desligou na cara do prefeito e procurou o telefone, mas quando viu em cima da mesa tinha um bilhete escrito “A expressão te espera”. Minha mãe apenas leu e ligou para a polícia dizendo tudo isso, e como ela era secretária e anotava tudo, ela disse que aquele bilhete não era dela. Na gravação de ela ligando para a polícia ela grita dizendo que não quer brincar com um menino, como se ela tivesse muito assustada, e a ligação cai. Sabe por que isso foi uma armação? Aquele “acampamento” nunca existiu, ninguém da cidade sabe de alguma inauguração. Era uma desculpa para o prefeito se esconder, ele estava devendo algo para um tipo de sociedade, então essa sociedade foi atrás dele. O prefeito sabia que eles iriam vir atrás dele, então meus pais acabaram morrendo de forma horrível... Meu pai foi encontrado despedaçado no chão e a cabeça pendurada em uma árvore. Minha mãe foi encontrada sentada na cadeira do prefeito com um corte na garganta e os dois braços quebrados, e até hoje nas investigações não encontraram o assassino.

Júlia falava cabisbaixa, com a voz triste. Andy não sabia se deveria ficar feliz ou triste em ouvir isso, pois mesmo sendo uma história horrível, é relacionada com os casos da “expressão”, e poderia ter pistas de por que seu pai foi morto. Andy pensou se esse caso era um dos que Jhonny tinha resumido e entregado para ele, mas era difícil de se lembrar, junto de tantos outros casos descritos detalhadamente. O garoto fala:

—Sinto muito, Júlia... Espero que algum dia alguém encontre o culpado de tudo isso. Mas como você sabe de tantas coisas, em tantos detalhes?

Ela, um pouco incomodada por ter que se lembrar dessas coisas, respondeu:

—Meu tio era detetive, eu morei com ele durante esses anos, eu conseguia mexer nas coisas dele sem problemas. Quando ele morreu em um desses casos sem solução, eu vim parar aqui no orfanato.

Andy novamente diz:

—Eu sinto muito...

Os dois decidem parar de conversar sobre esses assuntos tristes e começam a falar sobre gostos pessoais, contam histórias e brincam um pouco. Ao meio dia, eles almoçam no grande refeitório. O almoço era ótimo, com várias opções, um verdadeiro banquete. Ao terminarem de almoçar, Andy lembra-se de que Jhonny viria buscá-lo.

—Júlia, você tem horas?

—Tem um relógio bem grande ali na parede.

Andy olha para o relógio e percebe que já está na hora.

—Nossa, já é uma e vinte e cinco! Vou ir no hospício atrás de novas informações, gostaria de ir junto?

Júlia ironicamente o responde:

—Eu não sou “louca” de ir em um hospício, imagina que arrepiante deve ser!

—Acho que não é tanto, já que é moderno. Deve parecer mais um hospital, por isso que chamam de Clínica Psiquiátrica. Se você fosse, poderia me ajudar nas investigações, mas não pode contar nada a ninguém.

—Certo, então eu vou! Prometo não falar nada.

As crianças se arrumam e vão até a recepção para esperar Jhonny. Eles pedem a autorização para sair do orfanato, mas a funcionária diz que o responsável deverá chegar e assinar a autorização. Ela dá os papéis para as crianças, que assinam o próprio nome na linha indicada, concordando em sair com o responsável.

13:40, Jhonny não tinha chegado ainda. Andy conta para Júlia quem é o Jhonny. Passado mais 10 minutos, o homem finalmente chega, já pedindo desculpas.

—Desculpem pelo atraso, de verdade... Recebi suas mensagens, Andy, dizendo que sua amiga iria com você e ela iria ajudar. Mas tem certeza que é uma boa ideia ir ver a testemunha?

—Claro que sim, ele é uma das melhores testemunhas sobre o caso de 1950!

Jhonny responde, um pouco receoso de ir até o local:

—Mas ele deve estar bem velho agora, não deve nem lembrar seu próprio nome, imagina algo que aconteceu há décadas!

—Não, eu tenho certeza que ele deve lembrar, foi uma coisa violenta, assustadora. Vamos tentar arrancar alguma informação. Ah, você precisa assinar uma autorização.

Jhonny vai até o balcão e assina os papéis, dizendo que sairia para ir ao cinema com as crianças.

Jhonny pede para Júlia e Andy entrarem no carro, mas no momento em que o garoto vai fechar a porta, acontece uma grande explosão no orfanato. O local começa a pegar fogo, gritos de socorro e de dor podem ser ouvidos com clareza. Todos saem do carro desesperados. Jhonny imediatamente pega seu celular para ligar para os bombeiros e para a polícia, mas ele fica misteriosamente sem bateria. Andy olha para uma enorme janela no segundo andar do orfanato e vê um menino. É o mesmo menino que ele viu em sua casa, de cabelos compridos e negros. Andy fica assustado, apavorado, e aponta para a janela, gritando:

—É ELE! É ELE!

No momento que ele grita, crianças pulam daquela janela, seus corpos em chama caem no chão imóveis. Os vidros da janela caem sobre os corpos, perfurando-os. O orfanato começa a cair de um lado, esmagando os funcionários. As crianças que fugiram pela porta da frente eram atingidas pelos cacos de vidro, blocos de cimento e objetos flamejantes. Mesmo os que corriam para a floresta eram atingidos, pois as árvores estavam caindo em cima de todos, formando uma cena horrível. Diante desse incêndio, a única coisa que Andy, Júlia e Jhonny fizeram foi se afastar até a parte de fora do orfanato, na rua. Júlia abraça Andy, chorando. Jhonny tentava ligar o celular, sem sucesso.

Andy olha para o fogo e vê aquele menino novamente o observando. Ele corre furiosamente até o orfanato em chamas. Júlia e Jhonny gritam para ele, respectivamente:

—O QUE VOCÊ ESTÁ INDO FAZER AÍ? VOCÊ VAI SE MACHUCAR!!

—SAIA DAÍ GAROTO, O FOGO ESTÁ AUMENTANDO! VOCÊ É LOUCO??

Andy pula através do fogo, conseguindo sair ileso, e fica fora do campo de visão dos que estavam na rua. Andy fica em um local do orfanato que ainda não estava pegando fogo. Ele olha para o garoto e percebe que ele está com uma mão para trás do corpo. Ele pergunta, quase chorando:

—Por quê?! Por que matou minha mãe?! Por que está matando as pessoas?!

O garoto sorri, estendendo sua mão, e nela estava o Molo, o “querido” ursinho de pelúcia de Andy. O garoto, assustado, apenas grita:

—M-MOLO??!!

O garoto havia sumido em um piscar de olhos, e o urso estava no chão. Perto dele, havia um bilhete. Andy, que sabia que ao tocar o bilhete poderia ser afetado pela maldição, não encostou. Ele apenas chegou perto e leu “A expressão dele vai te fazer sorrir”. Andy correu sem medo até o urso e o chutou em direção ao fogo.

—Você não vai matar mais ninguém, seu maldito!! Eu sei que você foi morto injustamente, mas pare de matar mais e mais pessoas, SEU MONSTRO!!

Molo está queimando no fogo, com um rosto triste. Enquanto isso, Andy volta para a rua, onde Júlia e Jhonny o esperavam. Eles xingam o garoto, mas ficam aliviados por ele não ter se machucado gravemente. Andy olha para os dois, pensando em algo para dizer, então olha para a janela do carro. Lá está Molo, sentado no banco de trás, sorrindo. Andy fica furioso.

—Quer brincar, Molo? ENTÃO VAMOS BRINCAR!!

Notas finais
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