Expressão Psicopata
7 Ilusão
Anderson está fervendo de raiva por causa do fantasma do tal menino que aparentemente está dentro de Molo. Este menino já tinha matado dezenas de pessoas, tantas famílias haviam sofrido, Andy não podia suportar que esse garoto, Edgar, continuasse criando mais vítimas. Ele corre até o carro, segura Molo e olha fixamente nos olhos feitos de botão do ursinho.
—Por que você não me deixa em paz, Molo?? POR QUÊ?!
Andy começa a chorar, como se ele se sentisse culpado pelo o que ocorreu com todas as pessoas do orfanato. Parecia que Edgar queria tirar tudo que ele tinha, pouco a pouco, mas ainda não sabia por que tinha que ser justamente ele. Júlia e Jhonny ficaram boquiabertos com o aparecimento do urso dentro do carro. Caído no chão, ajoelhado, Andy fica encarado Molo. Os seus companheiros chegam ao seu lado.
—Andy, o que houve? –Pergunta Júlia. Jhonny também fica intrigado.
—Que urso é esse?
Andy percebe que não pode mais esconder o que ocorre com ele.
—Desculpe, pessoal, se eu estou agindo feito um louco, mas está na hora de eu contar tudo que sei para vocês, senão eu mesmo vou acabar achando que estou louco.
Todos entram no carro e seguem pela única faixa que havia no local. Logo que entram, Andy começa a falar. Depois de ter esclarecido toda a história, todas as informações que possuía, todas suas “loucuras” e momentos de horror, Andy olha para o urso que ele ainda estava segurando e joga ele com força na porta do carro, e após isso coloca as mãos no rosto, apoiando os cotovelos nos joelhos. Júlia e Jhonny custam a acreditar que tudo isso seja verdade, mas acaba fazendo muito sentido para eles. Andy fala em um tom sério:
—Eu não sei o que vocês estão pensando de mim, se estão achando que eu tenho problemas mentais ou se acham que é verdade, mas estou decidido a ir até o fim de tudo isso, acabar com esse fantasma e descobrir por que minha família estava envolvida nesse caso. Na verdade não é só minha família que estava envolvida, a cidade inteira também está, porque aqui aconteceram dezenas de assassinatos sem explicação, sem suspeitos presos. Envolve seus pais, Júlia, e envolve o caso de 1950 acima de tudo. Entendeu por que eu pedi os documentos para você, Jhonny? Quero evitar que esse monstro acabe com mais vidas... Então galera, quem está dentro e vai até o fim comigo?
Jhonny prontamente diz:
—Pode contar comigo. Vimos aquela cena horrível do orfanato, tudo pegando fogo e foi tudo tão de repente que nem tivemos reação. O mais sobrenatural foi que mesmo as pessoas que saíram de lá acabaram morrendo no pátio. Isso significa que tem algo muito anormal ai. Isso está me dando medo, não quero ser a próxima vítima desse garoto. Vamos achar o culpado e acabar com isso.
Júlia também responde, um pouco receosa:
—E-eu estou dentro, vou com você até o fim, Andy. Quero fazer justiça pelos meus pais. Esse bilhete que minha mãe encontrou só pode ter sido do fantasma. Jhonny, acelera, precisamos ir logo até a polícia e contar sobre o orfanato!
Jhonny rapidamente acelera o carro, tomando cuidado para não acontecer nenhum acidente. Andy retira a chave do bolso, observando-a. Se ela levava a algum lugar no orfanato ou era de algum móvel de lá, já era tarde demais. Ele poderia jogá-la fora, mas preferiu não fazer isso. Molo estava jogado no assento do carro. Andy decidiu que usaria ele como pista.
O orfanato era muito longe da cidade. Quando chegaram perto da delegacia, já era quase três horas da tarde. Eles entram correndo no local, Andy é o primeiro.
—Precisamos de ajuda! Socorro!
Jhonny vem logo atrás dele.
—Socorro, o orfanato pegou fogo! Tem muitas pessoas mortas lá!!
Os policiais prontamente vão até o local do incêndio, mas não iriam conseguir salvar ninguém. Provavelmente iriam com os bombeiros, para evitar um incêndio na floresta. Na delegacia, Jhonny assina um documento. Logo após, eles vão até a praça, que fica do outro lado da delegacia, para descansar um pouco. Jhonny diz:
—Bom... Vocês estão sem casa agora. Talvez vocês possam ficar na minha casa, essa noite vou investigar no sistema da cidade se há arquivos secretos.
Andy sorri, sentindo-se tranquilo, e responde:
—Está bem, não estou com muita vontade de ir no hospício hoje... Depois de tudo que aconteceu lá no orfanato... É melhor a gente deixar para ir amanhã.
Eles vão até a casa de Jhonny, passam a tarde jogando e brincando, tentando descontrair um pouco, já que no outro dia iriam continuar as investigações. À noite, todos dormiram no mesmo quarto. Na madrugada, Júlia levanta para beber água. Indo em direção à cozinha, percebe uma figura estranha no fim do corredor. Estava escuro, não conseguia ver direito o que era, mas estava flutuando. A menina se assusta.
—Q-QUEM É VOCÊ??
Aquela figura flutuante começa a se aproximar lentamente, e a garota se assusta mais ainda.
—AAAAAHH!!!
Andy e Jhonny acordam assustados, quando percebem que Júlia não estava no quarto. Eles se levantam rapidamente, saindo do quarto e chamando pela garota. A luz do banheiro está acesa.
—Júlia! O que aconteceu?! Cadê você?!
—Estou no banheiro! Saiam logo daí, ele pegou uma faca!! –Responde a menina, gritando.
—Ele quem??
A garota, chorando de medo, aponta para o fim do corredor.
—O URSINHO!!
Os dois rapazes se olham e correm para o banheiro, ficando juntos com a Júlia. São 03:27 da manhã. Os três, ainda acordados e muito assustados, decidem ficar ali. De repente ouve-se um barulho metálico. Jhonny corre até o interruptor da lâmpada do corredor e acende a luz. No chão havia uma faca e um ursinho.
—Este aqui não é o Molo... –Jhonny pega o ursinho do chão enquanto fala. Ele continua:
—Este é meu mini-Chewbacca!
Jhonny volta ao banheiro, mostrando seu brinquedo para os outros. Ele comenta:
—Acho que não há mais nenhum perigo...
Dito isso, as luzes começam a piscar. Andy olha para o espelho no meio disso. Entre uma piscada e outra da luz, ele vê o menino no espelho, dessa vez os cabelos não cobriam o rosto. No lugar dos seus olhos estavam botões. O garoto grita de susto ao ver isto. Júlia pergunta:
—O que houve??
—E-EU VI O MENINO NO ESPELHO! ELE ESTÁ AQUI, VAMOS SAIR!!
Jhonny e Júlia olham para o espelho, não vendo nada. Jhonny diz para o garoto:
—Não tem menino nenhum no espelho...
Após isso, Andy vê uma expressão de pavor nos rostos de Júlia e Jhonny. Os dois começam a se afastar.
—N-não olha pra trás... Não olha pra trás! –Júlia fala com a voz trêmula.
Andy, assustado, vira o rosto lentamente, com medo do que estaria atrás dele, mas mesmo assim decidiu virar-se, e quando ele se vira totalmente está cara a cara com o fantasma, vendo bem de perto os olhos de botões, sentindo o cheiro horrível de podridão que exalava da boca demoniacamente sorridente, o cabelo sujo encharcado de sangue tocando seus braços. Essa visão dura um segundo e as luzes se apagam. Andy grita e chora de pavor, correndo no escuro até seus companheiros, esbarrando neles. Eles se abraçam e ficam sem falar uma palavra, atentos a qualquer barulho. Assim ficam até o amanhecer. Quando os raios de sol começam a aparecer pela janela no banheiro, os três saem de lá. São seis e meia. Eles ouvem palmas na frente da casa, Jhonny vai até lá e vê um policial do outro lado do portão. Ele sai de casa, junto com as crianças. O policial pergunta:
—Você é Jhonny Alves?
—Sim, sou eu, por quê?
—Você está preso por falso testemunho, seu panaca! Acha que a cidade é brincadeira? A polícia é brincadeira?
Jhonny fica confuso, não entende a acusação. O policial começa a algemá-lo e as crianças perguntam:
—Mas como assim??
—O que ele fez?
—Como assim o que ele fez?! Dizer algo tão sério sobre o orfanato, que ele pegou fogo e todos morreram, sendo que nada aconteceu! Todos estão lá vivos, e o orfanato está inteiro! E vocês dois, entrem na viatura, vou levar vocês de volta para o orfanato. As funcionárias estão desesperadas por um menino e uma menina que não voltaram de noite após saírem com um homem, e obviamente são vocês.
Andy e Júlia ficam se olhando confusos. Jhonny é levado em outra viatura por outro policial. As crianças entram na viatura e o policial dirige até o orfanato, deixando Molo na casa de Jhonny.
Chegando na frente do orfanato, Júlia e Andy ficam sem palavras, confusos e apavorados. O orfanato estava inteiro, as crianças brincavam no pátio, não havia nenhum estrago. Nada mais fazia sentido.
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