Explosivo amor
19 Capitulo 19
Notas iniciais
Capitulo 19
– Você tá...diferente...- ele a olha, surpreso. Minene estava diferente. Mais madura, cabelos curtos.
– Bem...muita coisa aconteceu nesse tempo sabe? Eu virei mãe...- ela se levantou e colocou as crianças no carrinho. O cachorrinho ficou olhando pra Nishijima, como se o encarasse e dissesse: “o que quer com minha dona?” . As crianças ficaram levantando os bracinhos. Minene sorriu a elas e lhes disse, em tom carinhoso – Amores, acalmem-se. Mamãe só vai conversar com o moço aqui, tá? — e se vira pra Nishijima.
– Como chamam? — ele as olhava, os olhos brilhando.
– Akemi , a menina e Takeshi, o menino. É o nome dos meus pais. — ela cora.
–Eles são...lindos..parecem tanto..
–Com você? É o que o besta do Takao sempre diz, mas eu prefiro não pensar.
–Você então está com ele?
Minene cai na risada
–Eu e Takao? Você então acha que realmente estou com ele, Masumi? — Ela o olhava com as mãos na cintura, fingindo indignação.
–Bem..eu pensei que...- ele não termina a frase. Minene revira os olhos e o corta.
–Eu estou sozinha desde que rompemos, Masumi. Resolvi viver por eles, mesmo que tivesse que juntar os cacos e lamber minhas feridas sozinha. Como sempre fiz.
Nishijima fica sem saber o que responder. Aquela declaração da ex-noiva simplesmente o atingira como um tapa na cara.
–E você acha que foi a única, Uryuu ? Eu me senti mais traído do que nunca.
– Você nem me deixou explicar as coisas, Masumi. Só porque disse que eu e Hiyama eramos namorados, não significava que tínhamos voltado. Além do mais, eu nem sei porque tô perdendo a porcaria do meu tempo discutindo com...-o celular dela tocava. — Sim? Não..esqueci. Ah..pode deixar que termino e mando por e-mail. Amanhã antes da conferência tá na sua mão, caramba. Uhum. tá. Eu? Tô no parque com a Akemi e o Takeshi. Sei. Tô esperando, que raio de padrinho é você? Tá, tchau. — ela desliga o celular e vê Nishijima brincando com as crianças, todo besta, e o cachorro latia.- posso saber quem te deu permissão, Masumi?
–São meus filhos, não são?
–Até onde sei você se abdicou desse direito. -ela se aproxima e junta as coisas, pegando o cachorro pela coleira. — Agora se me der licença, tenho um trabalho a fazer.
–Ainda na bandidagem, Uryuu? — Ele pergunta sério.
– Porra! Mesmo que tivesse, isso não é da sua conta. Mas não, não é. Trabalho honestamente agora. Já disse que mudei muito. Eu sou assistente do Hiyama. Ele parou com bandidagem também. E se tornou padrinho das crianças. E eu moro sozinha com elas e com a empregada. Quer minha ficha inteira, Policial Nishijima? — ela dizia em tom irônico, se lembrando que quando romperam, ele dissera a ela que pra ela, ele era o Policial Nishijima.
–Minene...para...tá? Não vem me atacar agora. Quem deveria estar indignado aqui, sou eu. Depois de tudo que fiz...você tinha feito aquilo. — ele respira fundo.
–Eu não pedi pra você me salvar. E muito menos ficar comigo. Você sabe que eu sou cheia de defeitos. Sempre fui. — ela suspira – Enfim , eu vou embora. — ela começa a caminhar, empurrando o carrinho e levando o cachorro na coleira. Sente a mão de Nishijima em seu pulso.
–Espere...Uryuu..- ela se vira e o vê parado, a olhando.
–O que foi, Masumi? — ela percebe que o rapaz suspira e fecha os olhos, se aproximando dela.-P-para...n-não se aproxima. — Mas era impossível. Nishijima não a ouviu, simplesmente se aproximou mais e a beijou. Minene sentiu as pernas fraquejarem e não responderem. Não conseguia se mover. Nishijima pediu passagem com a língua, que depois de muita resistência, ela concedeu. Minene retribuiu o beijo. Sentiu que Nishijima retirou a coleira do cachorro da mão dela e a soltou. O cachorrinho latiu um pouco e depois se sentou, percebendo que era inútil. Nishijima enroscou os lábios aos de Minene, que retribuiu o gesto, se colando a ele, ambos conseguiam sentir as batidas do coração um do outro, nenhum dos dois ousava interromper ou dizer algo.
Até que o chorinho de Akemi interrompe os dois, que se afastavam, ofegantes. Minene olhava pra Nishijima de olhos arregalados e o rapaz ofegava, com as mãos na cintura. Parecia que haviam corrido uma maratona. (Leia-se, são silvestre haha).
Minene pega a menina no colo, afobada.
–Ei meu anjo, o que foi? — A menina olha pra ela e começa a dar uma risadinha. Nishijima fazia careta sem que Minene estivesse vendo – Mas o que? Porque tá rindo Akemi? — ela se vira e vê Nishijima fazendo careta. Aquilo era demais. Minene acaba caindo na risada sem pensar. — Pow Nishijima, precisava disso? — ela tentava disfarçar.
–É que sei lá...eu quis...tentar ajudar...-ele dizia sem jeito. Minene bufa.
–Olha, tá bom, você já conheceu seus filhos. Agora eu tô indo mesmo.- ela então empurra o carrinho e pega a coleira do cachorrinho e começa a andar. Nishijima resolve não segui-la, resolveu dar espaço a ela. Mas dentro de si, algo lhe dizia que deveria saber onde ela morava e tentar reconquistá-la.
MINENE'S POV ON
Cheguei em casa, e soltei o cachorro. Em seguida dei banho nas crianças e as deixei no cercadinho, peguei o notebook e comecei a fazer o relatório para o Takao. Mas mesmo assim, aquela tarde não me saia da cabeça. Ver Masumi ali, e sentir os lábios dele novamente, mexeu comigo. Naquele momento, tinha sentido meu corpo todo tremer, algo em meu íntimo, se umedeceu. Meu coração acelerou, senti que aquele ano que fiquei longe de Masumi não significou nada. Eu não o esqueci. Eu apenas o havia congelado em um freezer, e agora ele estava ali, e havia me beijado. Senti uma necessidade de matar minhas saudades, de dizer que eu ainda o amava, que me arrependi de tudo que havia feito. Senti saudade do calor do corpo dele, dos abraços, das carícias, do peso do corpo dele sobre o meu. Nishijima era a pessoa mais doce e maravilhosa que havia conhecido. E eu deixei escapar nas minhas mãos. Percebi que estava perdendo o foco. Chacoalhei minha cabeça e resolvi mergulhar no trabalho.
MINENE'S POV OFF
NISHIJIMA'S POV ON
Ter visto Minene só me fazia crer que eu não havia a esquecido e que eu a amava ainda. Mesmo depois de tudo que ela havia feito, ter beijado a boca dela, me fez me derreter aos seus encantos de novo. Percebi que senti saudade daquele jeito espontâneo e ao mesmo tempo, explosivo da minha ex-noiva. Senti vontade de abraçá-la e pedir que voltasse pra mim, e que me deixasse tocar novamente o corpo dela. Sentia saudades dos toques dela, do jeito dela quando fazíamos amor. Eu tinha que reconquistá-la. Eu queria isso, eu precisava disso.
Abri a gaveta do meu quarto, e retirei um cartão dali. Era o cartão com o telefone de Takao Hiyama, descobri por acaso quando fui fuçar na casa da Minene, umas duas semanas depois de rompermos. Disquei o número até meio desesperançado, até que ouvi uma voz masculina dizer:
–Takao Hiyama falando.
–Quero saber onde Minene Uryuu mora.
–O que ?
–Quero saber onde mora sua assistente, Hiyama.
–Você é o ex dela, certo?
–Sim, algum problema?
– O que quer com a roxinha? — ele dizia em tom possessivo ao se referir a ela
–Eu a reencontrei hoje no parque, e decidi que quero reconquistá-la
–Já não basta o que ela sofreu? Os cacos que ela teve de juntar sozinha? O fato de ela ter encarado um parto de 12 horas , sozinha? Se eu não estivesse lá, ela teria tido um troço.
– E DAI? — Eu gritei, irritado – EU A AMO, O SUFICIENTE PRA VOLTAR ATRÁS E QUERE-LA DE VOLTA. E VOCÊ? VOCÊ SÓ ATRAPALHOU A VIDA DELA, HIYAMA.
–Não. Ela me devia. Ela me fez uma promessa. É algo nosso , policial. Você nunca entenderia.
–Sim, entendo. Hoje eu entendo. Você vai me ajudar, ou vou ter de fazer da forma mais difícil?- eu suspirei.- Olha, Hiyama. Sei que errei. Sei que não dei chance dela se explicar. Mas eu a amo. Ela tem dois filhos meus. Eu quero me casar com ela. Eu tô arrependido do que fiz, amargamente. Eu percebi que não a esqueci, nesse tempo todo. Minene é a mulher mais linda do mundo. Eu a amo, a desejo, preciso dela, preciso acordar ao lado dela, todos os dias, e sentir ela me dando um beijo de bom dia.
Ouvi ele suspirar e resmungar alguma coisa.
–Tá bem , policial – ele dizia em um tom cansado. — Você ama mesmo a roxinha?
–Amo.
–Então eu vou te passar o endereço dela, mas antes quero que me prometa uma coisa.
– Diga
–Você vai fazê-la feliz. Se eu souber que você a fez sofrer novamente. Eu quero que você me prometa, que você vai se suicidar.
–O QUE?
–É. Se você fizer Uryuu chorar novamente, que não seja de emoção, você pode se suicidar. Porque se não, eu mesmo irei atrás de você, arrancar seus órgãos um por um, e dar pros meus cachorros. — O tom dele era de ameaça. Fiquei até assustado, mas entendi. Era pura proteção.
–Tá bem. Eu concordo.
Ele me passou o endereço. Desliguei e sorri. Era hora de eu reconquistar a cabeça dura da Uryuu, aquela que eu tanto amava.
NISHIJIMA'S POV OFF
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