Exodus

5 O Começo do Fim


Depois de algumas horas andando chegamos a outra aérea urbana de uma cidade, esta, também estava em ruínas por causa dos bombardeios. Não paramos para comer, ninguém estava com fome.

Continuamos pelas ruas. Estavam vazias também. Haviam montes de corpos em meio aos destroços e, na sarjeta, pedaços de cadáveres estraçalhados para todos os lados. Foi quando de repente escutamos a voz de algumas pessoas conversando e rindo bem alto. Não falavam nossa língua. Deve ser o inimigo!

O som ficava mais alto. Ficamos parados sem fazer barulhos para tentar identificar de onde vinha o som. Está na rua ao lado, eram provavelmente soldados. Shelley se desesperou, andou para trás, e, em um tropeção, caiu no chão fazendo algum barulho. Paramos de escutar as vozes. Agora só escutávamos passos. Eles estavam vindo em nossa direção. Corremos silenciosamente para trás de uma parede do lado esquerdo da rua, metade ainda estava de pé o resto tinha sido destruído pelas bombas. Havia uma falha bem no meio do muro que separou a gente. Nikki ficou do lado esquerdo, onde havia menos espaço e fiquei do lado direito com a Shelley. Ela estava desesperada.

Finalmente os passos estavam na mesma rua que nós. Nikki já empunhava o rifle. Meu coração parou novamente. Se eles acharem a gente aqui agora vamos morrer. Não podemos deixar que isso aconteça.

Shelley se desesperou e deu um gemido. Rapidamente tapei a boca dela, mas alguém olhou para a parede onde estávamos e começou a se aproximar. Olhei para a Nikki ao meu lado. Ela se levantou rapidamente empunhando o rifle e começou a atirar. Do lugar onde eu estava só dava para ver ela. Fez alguns disparos e escutei o barulho de uma metralhadora atirando do meio da rua. Vários tiros perfuraram o corpo dela, que caiu atrás da parede novamente toda ensanguentada, não havia mais vida em seus olhos, um pequeno córrego de sangue escorria por sua boca e pelos furos que as balas fizeram em seu corpo.

Shelley não aguentou ver aquilo, começou a chorar imediatamente e se desesperar. Um soldado apareceu por trás de nós e outro pela frente empunhando metralhadoras em suas mãos com baionetas nas pontas. Eles vestiam fardas dos Estados Unidos.

– Hey Kyle! Look what we’ve just got here! – O homem atrás de nós disse algo em inglês, mas não dominávamos esta língua.

De repente apareceu um soldado por cima da parede, segurou minhas costas com sua mão e me jogou longe, no meio da rua. Olhei para a Shelley. Esses desgraçados não podem! Não podem fazer com nós o que fizeram com eles!

Agarraram Shelley e a jogaram no meio da rua. Alguém me levantou por trás e me acertaram com o cabo de uma arma na barriga, ajoelhei no chão de dor. Tiraram a mochila das minhas costas. Olhei para frente novamente. Também arrancaram a mochila de Shelley, mas não pararam. Eles começaram a tirar as roupas de seu corpo enquanto ela gritava. Pareciam um bando de animais selvagens.

– Não! Parem! – Gritei.

Alguém pisou na minha cabeça por trás e a segurou contra o chão com a bota. Havia um soldado na minha frente. Ele olhou para seu companheiro e disse alguma coisa:

– Wait on a sec. I got a special gadget for this occasion!

O cara abriu um bolso e tirou um tiro todo branco, carregou em um outro cano bem mais grosso, montado em baixo de seu fuzil. Me seguraram novamente dessa vez com dois homens, um de cada lado. Ele apontou para mim e disparou. Senti aquilo penetrando meu corpo e uma dor insuportável. Caí no chão e comecei a gritar de agonia.

– Hahahaha! Salt Bullet! – Falou o homem bem alto gargalhando. Seus companheiros começaram a rir também.

Desgraçado, era um tiro de sal!? Toda a parte frontal do meu corpo ardia e parecia queimar por fora e por dentro. Fiquei deitado no chão agonizando enquanto via o que eles faziam com a Shelley.

Após arrancarem sua roupa, eles a estuprara um a um. Ele gritava de dor e desespero, sangue escorria de sua vagina e seu ânus, mas eles continuavam e estuprá-la. Me senti tão inútil, tão amaldiçoado, caído no chão naquela situação, sem poder fazer nada novamente. Eu vou... EU VOU MATAR TODOS ESSES FILHOS DA PUTA! Tenho que fazer algo, Shelley precisa de mim!

Tentei levantar com muita dor, mas alguém pisou em minha cabeça novamente:

– Stay on your place piece of shit! You’re gonna see your little hore get fucked by our men!

Não consegui mais me mexer. A dor era terrível, e a bota do soldado estava esmagando minha orelha.

Depois que acabaram de estuprá-la, um soldado tirou uma faca de seu sinto e a encravou na Vagina da Shelley de travessado. Ela gritou ainda mais alto. O soldado removeu a faca brutalmente e desferiu outro golpe em seu ânus. Não sei como ela estava aguentando tudo aquilo. Estou perdido. Esses desgraçados estão matando a Shelley! Levei um tiro, não consigo me levantar.

Eles a viraram de costas no chão e começaram a atacá-la repetidamente com as baionetas, todos juntos, perfurando todo o seu abdômen. A vida se esvaiu de seu corpo, seus olhos, já não brilhavam mais com antes, um rio de sangue escorria das Feridas e de seus genitais, mas eles continuavam a perfurá-la.

Quando se satisfizeram e se dispersaram, um soldado descarregou o pente de munição de sua metralhadora atirando no cadáver de Shelley. Ela ficou irreconhecível.

Eles então vieram em minha direção.

– Your turn scum!

Me levantaram pelos cabelos e me jogaram contra uma parede onde permaneci sentado.

Um deles acendeu um cigarro, deu uma tragada forte. O tirou de sua boca, chegou bem perto de mim e agachou. Enfiou o pequeno bastão aceso em brasas dentro meu olho esquerdo. Comecei a gritar.

– Do you think you are Strong hum? Do you think you can win? You and the rest of this miserable country are going to be exterminated, just like we do with the all dirty cockroaches we see in from of us. Just like we did it with your friends. The prize is ours motherfucker…

Ele continuou falando, esfregando o cigarro em meu olho, insultando eu e o resto do país. Não aguentava a dor, não estava conseguindo raciocinar direito. Olhei para o cinto dele com meu outro olho que ainda estava inteiro. Ele carregava munições e três granadas penduradas.

Sem pensar duas vezes reuni todas as minhas energias restantes, toda a minha força física e toda a minha força de vontade. Hina, Lucca, Nikki, Shelley... eu sinto muito por tudo o que aconteceu. Gostaria de estar junto com vocês, queria que nada disso tivesse acontecido. Mas acho que não dá para mudar o que já foi, não é mesmo? Então por favor, EMPRESTEM-ME SUA FORÇA!

Estendi minha mão a toda velocidade que pude e puxei um dos pinos da granada do cinto do soldado a minha frente. Sua expressão mudou instantaneamente, de valentão ele passou a desesperado. Todos os outros soldados em volta apontaram suas armas para mim no mesmo momento e dispararam todas a balas carregadas nos fuzis em meu corpo. Algumas acertaram meu braço que havia pego o pino e arrancaram-no fora. Senti uma dor indescritível. Ela ficou tão forte que de repente parei de senti-la.

Em minha face havia um sorriso. Hina, Shelley, Lucca, Nikki, eu consegui, eu peguei eles! Conseguimos pessoal, nós finalmente... finalmente estamos livres!

Desviei o olhar para a lateral e de repente vi todos os meus amigos, reunidos em torno de mim. Todos estavam felizes e sorridentes, assim como sempre foram.

Quero ficar com vocês aqui e agora, mas estou cansado. Minha visão está ficando embaçada. Estou com frio e com sono. Desviei o olhar para frente de novo. Eu via o soldado em câmera lenta desesperado tentando tirar o cinto. Alguns tentavam ajudá-lo, outros corriam para longe. Fechei meus olhos. Me sinto estranho, como se estivesse flutuando.Tudo ficou escuro. Acho que estou perdendo a consciência. De repente tudo ficou claro senti um calor muito forte em meu peito. Obrigado por tudo pessoal, todo o tempo que passei com vocês, as brincadeiras, os jogos, a escola, a simples companhia de vocês. Tudo foi ótimo. Vocês foram muito gentis e agradáveis comigo, mas agora é a minha vez de partir. Eu acredito que algum dia poderei revê-los, em algum lugar. Até lá vou esperar por vocês, onde quer que eu vá, para onde quer que eu fique. Nikki, Lucca, Hina, Shelley, isso não é um adeus. Apenas uma despedida, por isso não fiquem tristes. Estaremos sempre juntos, debaixo deste mesmo céu.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!