Exilados
32 Capítulo 32: Uma madrugada quente parte 1
Notas iniciais
Baby, você não vê?
Estou chamando
Um cara como você, devia ter um aviso
É perigoso, estou caindo
Não tem escapatória, não posso esperar
Preciso, baby, me dê isso
Você é perigoso, estou amando isso
Muito alto, não pode descer
Perdendo a cabeça, girando pra lá e para cá
Você me sente agora?
Toxic – Britney Spears
Devia ter superado todos os calafrios
Mas estou a fim de você (estou a fim de você)
E baby, mesmo nas nossas piores noites
Estou a fim de você (estou a fim de você)
Deixe-os se perguntarem como chegamos tão longe
Porque eu realmente não preciso me perguntar
Sim, depois desse tempo todo
Eu ainda estou a fim de você
Eu ainda estou a fim de você
Eu ainda estou a fim de você
Still Into You – Paramore
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Gaara POV´s:
Nem mesmo esse frio é capaz de fazer-me abrir os olhos. Não achava que conseguiria dormir ao menos uma hora essa madrugada, e cá estou... Inundado nessa sonolência que somente ela conseguiu despertar em mim, tendo supremacia com relação a dor em minhas costelas. Ela fez com que me esquecesse totalmente deste fato. Desse latejar que... Que não dói tanto quando das mãos finas e macias dela estão em meu cabelo. Nunca pensei que adormecer assim pudesse ser tão reconfortante. Minha mãe costumava fazer esse tipo de coisa em Temari, sempre quando ela brigava com nosso pai após algum dia de prova no colégio. Eu apenas observava, quieto, da minha própria cama.
Sempre tive uma repulsa extremamente forte a verem-me chorando. Ele dizia que um garoto não deveria chorar na frente de ninguém, e acho que acabei sugando esse costume dito por ele. Acho que acabei o fazendo por puro medo. Medo dele tentar quebrar meu braço como naquela vez... Realmente, nossa família era tão sólida quanto água. Um desastre de família. E quando o mórbido assunto de divórcio começou a entrar pelas janelas da nossa casa, o que era um desastre se resumiu a pó. Eu passava horas naquele banheiro, na segurança de que ninguém veria-me chorar. Mas minha irmã sabia. E já está decidido, falarei com ela amanhã. Temari sempre soube do quanto Ino significava para mim, desde que a vi pela primeira vez saindo de um shopping, passando na TV. Naquele dia, aquele noivado sem sentido passou a fazer algum sentido, pelo menos para mim. Soube que minha futura esposa era a mesma garota pelo qual em toda Olympia eu me interessava. Mas havia aquele anêmico no caminho...
Apertei meus braços envolta de sua barriga. Sempre perdi minha cabeça por ela, ainda não consigo acreditar completamente que a tenho aqui... Tão próxima de mim. Ela ainda está dormindo, e... Não, não acredito que ela está fazendo isso... Sorri de canto e olhei para o meu jeans, ouvindo essa risada travessa e melodiosa dela. De fato ela gosta de me provocar e de burlar regras. Loira abusada... Ela não tem noção do que pode despertar acordando um cara assim.
_ Também estou sem sono. — ela disse, mostrando -me a língua. Ela não pode acordar um cara masturbando-o. Simplesmente não pode. Puxei-a pelos cabelos e a beijei com pressa. Adoro esses cabelos assim, soltos... Perfeitos para que eu possa puxar com força exatamente da maneira como ela gosta. Entrelacei em sua língua na minha, abafando um gritinho dela. Não vai ser legal se acordarmos o escandaloso do Naruto ou a Hyuuga. Eles estão na barraca improvisada logo ao nosso lado. _ … Me ajuda... a tirar? Isso sempre fica preso na minha cabeça. — afastei meus lábios dos dela e ri, não sei como ela pretende suportar esse frio ficando apenas de lingerie. Mas o que posso fazer? Ela não deveria ter me acordado desse jeito. A culpa é toda dela.
A ajudei a tirar a blusa branca de moletom que Tenten emprestou a ela, trazendo-a para mim novamente. Admirei seus seios cobertos por um sutiã vermelho igualmente rendado como a calcinha dela. Ela é perfeita. E eu não tive como conter um suspiro ao senti-la movendo as mãos em meu membro com mais rapidez. Aaaarh... Hum... Já sinto boa parte do meu sangue descer até ele. Apenas a observei escapar dos meus braços e sentar-se a minha frente, transpassando suas pernas ao meu redor e abrindo por completo o fecho do meu jeans. Sorri, ela é tão...
_ Safada. — comentei, com meu tom baixo habitual, vendo-a se divertir com meu comentário.
_ Mas você gosta... — ela rebateu, jogando os cabelos para trás e libertando de vez meu membro. Suspirei em alívio... Ele já está rígido, por culpa dela. E tenho de admitir, eu gosto. Gosto bem dessa forma. Ela moveu suas mãos por meu membro mais alguns minutos, encarando-me sorrindo. O que essa loira tem em mente hein? Quando sorri assim... Ah droga!! Quando finalmente me dei conta do que ela faria, seus lábios já estavam no topo de meu membro, começando uma singela carícia que ela sempre termina com fugacidade. Sorri e acariciei seus cabelos, focando-me em assistir cada segundo do que ela fará. Sua língua macia pincelando minha glande, e mesmo nesse frio macabro, a língua dela continua quente como sempre.
_ É melhor não me acordar assim outra vez. — afirmei, um pouco vacilante. Não podemos transar por alguns dias e ela sabe disso. Terei que pará-la se ela resolver avançar para algo a mais que um oral. Teimosa, deve ter dado um trabalho e tanto para os pais quando era criança. É somente questão de segurança, não quero correr o risco de feri-la. Não se passou nem uma semana desde que ela perdeu nosso bebê, recebeu uma pancada forte naqueles túneis. E do mesmo modo que ela prometeu-me aquilo, prometi internamente o mesmo a ela. Irei cuidar dela... Irei cuidar dela com todas as minhas forças.
_ Tenho o sono agitado, é melhor se acostumar. — ri de sua observação, sei o quanto o sono dela é agitado... Voltei a olhá-la, vendo-a retornar a lamber a extensão de meu membro, olhando sapeca somente para que eu perca ainda mais meu autocontrole. Então é melhor ela se acostumar também com a minha insônia. Gemi, vamos estar mortos amanhã... Ela começou a chupar-me, lentamente. É tão bom ser envolvido pela boca avermelhada e molhada dela...
_ Mais rápido. — ordenei, se eu tenho de acostumar a teimosia dela, é melhor ela se acostumar também a ter limites. Como minha irmã, minha paciência não é lá muito alta. Senti seu tapa em minha coxa, e ri. Acho que jamais sorri com tamanha frequência antes.
Somente ao lado dela. Protegerei Ino desses caras. Apesar de todas as nossas brigas e dos momentos de dor, prefiro sofrer em dobro a vê-la sofrendo. Ao meu modo, manterei essa promessa. Nem que tenha de dar um tiro em minha cabeça. Que aquele filho da puta do Kimimaro venha, eu tenho alguns presentes para entregar diretamente a ele. Ou melhor, a cara dele. Ele vai desejar estar drogado ou morrer de uma vez, o que eu certamente não farei. Nunca tive piedade com filhos da puta do tipo dele, não será agora que terei.
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Hinata POV´s:
Encolhi-me abaixo dos meus casacos e também dos que ele gentilmente oferecera a mim, permanecendo com apenas um, aquele em tom alaranjado que parece ser muito mais do que especial a ele. Está tão frio... Posso assegurar que de ontem para hoje, as temperaturas caíram intensamente. Meus lábios devem estar roxos, provavelmente. Ainda me lembro bem de quando tinha dez ou onze anos. Sob o frio do inverno na França, minha tão amada França, eu vivia com os lábios arroxeados, por mais que me agasalhasse e tivesse todo tipo de produto para proteger-me do frio. Aqui já não tenho tudo que o dinheiro de meu pai acarretava, e a cada dia que se passa... Vejo como o dinheiro da minha família mantinha-me em uma bolha. Eu nunca conheci o mundo de verdade. Não acreditava no sofrimento... Na dor... No desespero e, sobretudo, na amizade sincera. Todos que me cercavam não arriscariam-se por mim. Não mesmo.
Emiti um fraco suspiro, nós estamos tão próximos... Eu nunca estive deitada tão próxima de um garoto antes... Mas está tão frio, tenho a impressão de que posso congelar. Meu corpo está pesado... Isso não é um bom sinal. Apenas espero que seja uma singela impressão errada minha. Não posso ficar doente!!! Não!!! Não posso!!!! Já sinto minha cabeça rodar em desespero. Tenho que falar com a Ino. Se... Se eu ficar doente... Não conseguirei acompanhar os outros nas migrações e também somente atrapalharei. Tenho que fazer alguma coisa, rápido. Coloquei ligeira minha mão direita sobre minha testa, ah não!!! Estou muito quente!!! Não posso estar com febre!!!! Ergui meu tronco correndo e olhei na direção dele. Está dormindo... Parece tão calmo. Por um único segundo, esqueci-me de tudo que estava a pensar e repensar. A face dele é tão singela... Sorri, quem o vê assim, calado e inexpressivo, jamais pode imaginar como ele pode falar tanto, ter tantas expressões em um minuto. “Oh Gaara...!!” me petrifiquei. Não acredito que eles estão... estão... Ai que vergonha!!! Cobri meu rosto depressa com as mãos. Ino!!! Agora minha ideia de pedir ajuda a ela foi totalmente por água a baixo. Totalmente. Eu é que não apareço lá mesmo!!! Ai que vergonha...
_ Que merda é essa?! — Naruto acordou exaltado, jogando o casaco para o lado com força e acertando-me na cabeça com ele. O senti olhando-me e se dando conta do que fizera, mas quando pretendia retirar seu casaco laranja do meu rosto ele mesmo o fez, rindo da sua e da minha confusão. _ Foi mal... — ele se desculpou, ainda rindo, e tentando de uma maneira atrapalhada arrumar minha franja. Ele não precisa fazer isso. Ai céus... Ai céus... Ele está tão próximo... Tão próximo... Ah céus!!! Devo estar semelhante a uma pimenta de tão vermelha!!! Engoli seco e toquei sua mão, retirando-a do meu cabelo para que eu mesma possa evitar um desastre. Fico horrível quando minha franja está desalinhada. Soltei a mão dele depressa, ela é tão quente!! Minha mão, por mais que meu corpo esteja pesado e minha testa ardendo, minha mão ao menos não está muito quente. Agora entendo como ele suportar esse frio tão forte com apenas um casaco. A pele dele já é quente o suficiente...
_ Não foi nada. — falei, no entanto, minha voz saiu muito mais baixa e aguda do que eu pretendia. Por mais que as meninas falem ou me encorajem, eu nunca vou conseguir ser como elas... Como elas fazem? Meu corpo não segue minha mente quando estou assim, tão próxima de um garoto. Ou... Tão próxima dele. Ele é tão altivo, corajoso, positivo... Eu sempre fui o total oposto. Gostaria de aprender, me esforçar para melhorar. Mas eu nunca irei melhorar nesse tipo de assunto. Acho que meu destino está selado... Eu nunca vou conseguir como a Ino faz... O que é isso Hinata?!?! Por que você está pensando essas coisas?!?! Ah, com certeza são esses... Sons. É isso!!! É por isso que estas coisas estão passando pela minha mente. Bem que a Ino e o irmão da Tema poderiam ser mais... Silenciosos. Mas me sinto feliz por eles. Não sei se agora finalmente se acertaram de vez, afinal, trata-se do complicado do irmão da Tema e da Ino, mas... Acredito que aquele anjinho os uniu. De alguma uma forma, essa criança fez o que eu um dia já achava impossível: abrir os corações dos dois. Olhei para as minhas sandálias, não consigo encará-lo. Ai céus!!! Será que voltei a estaca zero?! Eu estava conseguindo falar tão normalmente com ele, agora parece que a pequena dose de coragem que ele mesmo ensinou-me, se esvaziou em meu sangue. Mais uma vez, corei da cabeça aos pés. É a Ino. Olhei automaticamente para ele, e o vi se levantar do chão.
_ Já chega!!! Que falta de vergonha é essa?!?! Tem gente civilizada querendo dormir! Nessa porra!! Cabeça de pimenta dos infernos, nem pensa nos outros!!! — Naruto falou irritado, e eu não pude conter um riso. Ele fica engraçado até mesmo alterado.
Mas assim que me dei conta de que ele estava a abrir a barraca, senti meu corpo congelar. Ah não!!! Não!!! Ele não pode ir lá!!! Esses dois demoraram tanto para chegar em um quase acerto!!! Tenho que fazer alguma coisa. Em um ímpeto de coragem que nem sei como me surgiu, ergui-me depressa do chão e o parei, segurando sua mão. A pele dele é mesmo muito quente... Senti minhas bochechas arderem novamente. No entanto, ele se virou para encarar-me e eu respirei fundo. Não vai ser legal se arrumarmos confusão com eles... Nesse momento. Além do mais, não acho que eles devam estar... Vestidos. Ai nem posso pensar!!! Que vergonha!!!
Também, o Gaara ficará furioso. Muito furioso. E não vai ser nada legal se os dois entrarem em uma briga. Violência é a pior maneira de se resolver os empecilhos em que somos colocados. Ainda lembro-me de meu avô repetindo isso ao Neji uma vez, quando ele arrumou briga com um amiguinho no jardim de infância.
_ … N-Não vai lá!! O Gaara vai brigar com a gente e... — pedi, mas não consegui terminar minha frase. Ai... ! Não estou conseguindo vê-lo direito. O que está acontecendo? Minha cabeça está tão pesada...
_ Hinata!!! — o ouvi exclamar, e perdi por completo a força em minhas pernas. Senti longos braços evitando que eu levasse um baita tombo, estou muito zonza. Droga!! Estou mesmo com febre!!! Isso não poderia acontecer... _ Oi Hinata!!!! Hinata fala comigo!!! — o tom desesperado do timbre dele deu-me uma última força para abrir os olhos, tentei sibilar alguma coisa mas foi em vão. Minha voz não saiu.
Tudo que vi foi seu rosto levemente bronzeado, nervoso, começando a se misturar com o ambiente em uma imagem difusa. Seus olhos azuis encararam-me com uma preocupação que... Em algum momento, fez com que eu me entregasse a essa perda de consciência. Ele estava ali.
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Naruto POV´s:
RAIOS!!! Que isso mano!!! O que eu faço agora?!?!?! Não!!!! Hinata!!! Ela desmaiou?!?! Tenho que chamar o teme!!!! Sei lá, alguém!!! Olhei-a mais uma vez em meus braços. Droga, merda e todos os palavrões relaxantes que existem!!! Ela está absurdamente quente!!! Só pode estar com febre. E como se não bastasse eu estar com mais essa para resolver, o cabeça de pimenta está lá com a projeto de stripper brincando de conhecer o corpo humano!!! Ah, faça-me o favor!!! Bando de imbecis!!! É isso que eles são!!! Olha só o que fizeram!!!! Fizeram a Hinata passar mal de tanto ouvir essas merdas!!! Na moral, essa garota está mesmo com febre. Anda Naruto!!! Pensa!!! Pensa... Pensa!!!
Uma compressa!!! É!!! Com esse frio a água do riacho deve estar no mínimo morna e isso já ajuda.
Nunca tive que acordar ninguém desmaiado. Não sei nem como acordar um sonâmbulo!!! Aliás, pode acordar um sonâmbulo?! Aaaah!!! Não faço ideia se isso vai dar certo!!! Mas até que conviver com o Neji e o Shikamaru me serviu ao menos para isso!!! Quem sabe não abaixando a temperatura do corpo dela... ela não acorda?!?! Cara ela tem que acordar!!! Pelo amor de dessa droga de planeta, ela tem que acordar!!! Não sei como nem porquê, mas estou até tremendo. Nunca tive que ajudar ninguém doente. Nem mesmo... Tive alguém para cuidar de mim quando pegava qualquer doença. Meu padrinho jamais entendeu de primeiros socorros, sempre que me enfurnava no primeiro hospital que lembrasse, até quando era uma simples gripe de inverno. Ainda me recordo como se fosse hoje de como a rosada conseguiu cuidar da Ino, ela parece ser fera nesses troços de socorro, talvez eu deva procurar é ela. Tenho certeza de que ela vai conseguir acordar a Hinata.
Há mas eu mato o cabeça de pimenta amanhã!!! Mato!!! E o teme imprestável se não acordar!!! Vou gritar nos ouvidos dele até ficar surdo se for preciso!!! Melhor amigo excelente esse meu... Nunca está aí quando eu preciso. Respirei fundo, se eu surtar agora posso acabar fazendo besteira e nesse instante, acho que tenho que tentar agir com calma sei lá. Não posso deixar ela assim. Não posso!!! Olhei mais uma vez para a face dela. Tão branquinha... Tão delicada... Tenho a impressão de que posso quebrá-la com esse meu jeito desastrado por natureza. E é por isso que tenho que tentar ser com os caras. Pelo menos uma vez. Minha vontade é de chutar a barraca do cabeça de pimenta e gritar por uma ambulância, mas dessa vez, vou ativar meu modo sério. E o Shika que se cuide!!! Uzumaki Calmo Naruto na área!!!
Olhei para tudo a nossa volta. Preciso arrumar algo macio para deitá-la enquanto vou buscar ajuda. Peguei os casacos que cedi a ela e puxei minha mochila. Arg!!! Abrir uma mochila com uma mão só é o ó!!! Vamos porcaria de fecho!!! Isso. Acho que tenho mais um casaco aqui, o extra que nesse momento, agradeço muito a minha intuição por ter colocado na mochila. Ele é bem resistente, muito fofo, nunca usei essa merda... Fico parecendo um boneco de posto com isso, mas tudo bem. Ele vai ser útil agora. O estendi no chão, e coloquei por cima os outros casacos, criando uma espécie de forro. Já é o bastante para ela não ficar nesse chão frio e coberto de terra seca e neve. A estendi com cuidado em cima dos casacos e retirei os cabelos dela de seu rosto. Fica aí Hinata!!! Eu já volto!!!
Abri a barraca correndo e fui em direção a última barraca improvisada, a do teme e da rosada.
_ TEME!!!!! EMERGÊNCIA!!!!! — gritei. Não quero saber se ele está dormindo, quero é que ele acorde e me ajude a acordar a Hinata. Ele não anda cumprindo com o papel de melhor amigo dele, então vai ter os tímpanos estourados. Não quero nem saber. _ TEME!!!!! SAKURA!!!! — que droga eles estão fazendo que não acordam?!?! Se esse dois embarcaram na ideia do cabeça de pimenta, aí vai ser o que faltava!!! Merda viu. Pelo visto estou sozinho nessa. Mas não antes de... _ VALEU HEIN TEME!!! Grande melhor amigo que você é seu folgado!!!!! VAI ARDER NO INFERNO VIU!!! — berrei, pronto. Se ele está fingindo que não ouviu, vai dormir com essa. Vai dormir com a consciência pesada também. Suspirei. É melhor ir de uma vez àquele riacho. Eu mesmo vou tratar a febre da Hinata. Já que não se tem uma alma decente para acordar nesse lugar!!!
Peguei velocidade e atravessei os pinheiros. Meu corpo não está na melhor das formas. Sério, depois de toda aquela experiência maluca com a zumbi da Tayuya, estou quebrado. Muito quebrado. Abaixei-me e encarei a água do riacho, analisando meu reflexo. Acho que eu quem está mais para um zumbi nessa parada, que isso!!! Estou mais branco que o teme e o Neji juntos!!! Mas se bem, que minha pele está somente refletindo meu desespero. E agora um detalhe fundamental veio-me a mente!!! Não trouxe a garrafinha!!!! Que ótimo Naruto!!! É, meu lance não é mesmo com a racionalidade. Prefiro a ação! Retirei meu casaco sem pensar mais, e o afundei nessa água, que está morna, ideal. O torci de leve e estou pouco ligando para esse frio, ele não é um fator a se considerar agora. Voltei depressa a barraca e para meu alívio, Hinata ainda estava ali, exatamente da maneira como a deixei.
Afastei a franja dela de sua testa, garotas não gostam que molhem suas franjas. Torci mais um pouco meu casaco na abertura da barraca e coloquei a ponta dele em sua testa. Respirei fundo. Tomara que dê certo... Ajeitei-me no chão. Agora é repetir isso até ela acordar, e ir até aquele riacho quantas vezes for necessário.
Olhei-a. Ela está tão diferente de quando topei com ela naquele refeitório horrendo. Seus cabelos estão maiores... E não ver o sorriso gentil nos lábios dela está tirando-me do sério. Tirando-me completamente do sério. Ela fica mais linda quando sorri, não é justo estar apagada desse jeito. Suspirei, e meus olhos recaíram sobre suas roupas. Nunca compreendi a razão dela usar roupas com uma numeração maior do que seu rosto diz... Ela tem um rosto tão detalhado, parece um desenho realizado pelo melhor dos desenhistas. Certamente essa quantidade de tecido não satisfaz sua real silhueta. Então porquê? Por que ela se esconde atrás dessas roupas? É tão linda... Tão brilhante, ao contrário de mim. Sempre achei que fosse o frio, que ela sentia muito frio, por isso usava tantas roupas. Mas algo diz-me que estou errado, completamente errado.
Desviei meus olhos e cerrei os punhos... Droga de curiosidade cortante, droga de brisa noturna... Esse vento gélido lembra-me de quando a vi pela primeira vez, apesar de toda desajeitada em comparação a Ino e a Tenten naquele dia, ela chamava mais atenção... Justamente por seu caráter, em estar ajudando uma garota em pânico. Provavelmente o primeiro dia naquele lugar como no nosso caso, que estávamos lá há pouquíssimo tempo também. Gaara e Shikamaru nem tinham chegado ainda. Éramos somente eu, teme e Neji. Lembro-me desse dia com toda minha força mental. O dia em que dei-me conta de que nós três não éramos os únicos naquele lugar horrendo, pelo contrário, haviam milhares lá. Milhares que não ouvíamos a noite.
_ Naruto... — sua voz fraca acordou-me com um estalo de meus devaneios.
_ Oi!!! Oi Hinata!!! Hinata, fala comigo!!! Eu estou aqui!!! — exclamei depressa, aproximando-me dela e pegando em sua mão. Está meio gelada. Será que a pressão dela está caindo?!?! Ai merda!!!! Coloquei minha outra mão em sua testa. Pelos céus!!! Ela está mais quente!!!! Peguei meu casaco ainda muito úmido e o torci mais uma vez fora da barraca, dobrando-o direito e colocando uma parte em sua testa. É meu casaco favorito, o que ganhei no último natal do meu padrinho. Mas isso não me importa, se for para ajudá-la, a deixo até mesmo rasgá-lo. Não, espera. Aí também não. Rasgar não.
_ Ino... — eu não sou a projeto de stripper, que comparação sem fundamento!! Não, ela deve estar delirando. É isso. Pessoas em febre altas estão sujeitas a delírios. Não faço ideia de onde ouvi isso, mas tenho uma certeza anormal de que é verdade. Mas de qualquer maneira, vê-la assim, delirando em febre, é demais para mim. Tenho que fazer alguma coisa ou vou surtar!!! Olhei novamente para as suas roupas. Preciso abaixar a temperatura dela mais depressa, isso não está funcionando. Vamos lá Naruto, você é um humanista... Faça algo que dê certo somente dessa vez.
Lentamente, toquei o fecho de seu casaco. Esse frio com certeza deve ter auxiliado a deixá-la desse modo. Logo que a temperatura dela abaixar, tenho que aquecê-la de novo. Deslizei o fecho até a barra de seu casaco lilás, isso deve estar aquecendo muito ela e piorando a febre. A segurei mais próxima de mim, erguendo seu tronco. Mas quando ia retirar seu casaco por completo, meus olhos se voltaram a sua verdadeira forma. Congelei. Não... Que isso mano!!!! Ela não é nada gorda. Com certeza nada gorda... E cara, que peitos são esses!!! Duas vezes os da Ino!!! Céus... Coloquei-a de volta sob os casacos para poder admirá-la. Ela é muito gata!!! Por que será que usa esse mundo de roupas? Não tem razão para isso!!! Joguei os braços para cima. Nossa, ela vai me matar!! Estou sendo muito idiota e estúpido. Ela está doente seu anta!!! Se liga!!! Foca no que interessa. É isso, não olhe para eles Naruto. Não olhe...
Foquei todo meu corpo e espírito em olhá-la no rosto, só no rosto, e prossegui em minha tarefa. Pressionando a manga do meu casaco em sua testa, eu retirei seus cabelos, que estavam espalhados por seus ombros, e os coloquei para o lado. Nada que possa aquecê-la além do necessário agora ajudará a febre passar. Deve ser mais de três da manhã... Estarei um bagaço amanhã na trilha. Se ela não melhorar, vou atrás daqueles dois incompetentes de novo. Hinata não pode fazer uma trilha enorme estando doente, ela não vai aguentar. No entanto, não podemos ficar aqui de jeito nenhum. Então, se tivermos que carregá-la, carregaremos. Nunca devemos desistir de um amigo, é o ato mais podre que um ser humano pode cometer.
Toquei sua testa novamente, ah céus!!!! Obrigado!!! Muito obrigado mesmo!!! A temperatura dela está abaixando... Verifiquei também seu pescoço, e mesmo que pouco, já está menos quente. Suspirei em alívio e sorri. Agora tenho de aquecê-la outra vez, para enfim tentar acordá-la. Mesmo que delirando, ela precisa descansar. Fechei seu casaco com cuidado, para não estragar o fecho, e apertei sua mão firmemente sua mão.
_ Naruto... V-Você precisa dormir... — ela disse-me, abrindo levemente os olhos e olhando-me. Não acredito que ela está se preocupando comigo em uma hora como essa. Ela não deve se preocupar comigo. A doçura dela chega a me espantar. A forma como ela se importa com os outros... É algo especial. Muito especial.
_ Não se importe comigo, só fica acordada okay? Não deixa isso te vencer. Aguenta firme, eu sei que você consegue. — respondi, e pude vê-la assentir de cabeça. Sorri, mal acredito que ela acordou mesmo... É uma felicidade estranha, que nunca senti, mas é forte. É a força do nosso ideal, estamos todos juntos nessa.
_ Estou com frio... — frio. Eis a questão. Molhei meu último casaco disponível. Como vou fazer agora?!?!
_ Não tenho mais casacos, foi mal. Tive que molhar esse. — acho melhor mandar a real mesmo. Não sou de mentir. Mas posso tentar algo. Nunca me imaginei nessa situação, teria repulsa só de imaginar essa situação meses atrás. Eu não a conhecia de fato, a julgava por seu comportamento, maneira de falar e de se portar. E tudo porque... Ela era aquilo que eu jamais seria.
Me abaixei, ajeitando-me ao seu lado, sem tomar os casacos que estão forrando o chão para ela. A abracei e fechei os olhos. Não se preocupe Hinata, eu não vou permitir que nada lhe aconteça. Nada... Nem que passe frio.
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Neji POV´s:
Não sei onde está minha cabeça. Não sei... Afastei meus lábios dos dela, deixando-a respirar. Somente de ouvi-la assim, ofegante, e ter o sabor dos lábios dela ainda nos meus, está tirando minha sanidade. Devo ter ficado louco. Tenho que considerar essa hipótese seriamente. Com uma dose de coragem em meu sangue, abri os olhos e a olhei. Sua expressão em um misto de choque e de confusão está me fazendo sentir o babaca que me tornei nesse ato impensado. Jamais poderia tê-la beijado sem consentimento!!! O que diabos eu fui fazer?!?! Tenho que dizer algo... Tenho que me explicar. Mas não sei nem por onde começo. Pela primeira vez, estou sem resposta. Totalmente sem resposta.
_ Tenten eu... — comecei a falar o que nem mesmo pensei em uma fração de segundo para dizer. _ … Eu... Me desculpa. Não devia ter feito isso. — afirmei, eu não deveria ter feito isso mesmo. Não sei o que está havendo comigo. É a loucura iminente nessa merda de situação que estamos sendo forçados a estar. Certamente minha mente está afetada. Encarei seus olhos castanhos. Os olhos dela são tão marcantes, realmente brilhantes, até no escuro. Afastei-me alguns centímetros de sua face. Agora que ela vai pensar tudo errado a meu respeito mesmo. Está tudo perdido. No mínimo, vou levar um tapa em 3...2...1...
_ Esquece, precisamos dormir. Boa noite. — olhei-a mais uma vez, piscando algumas vezes. Eu não posso acreditar. É como se sua voz altiva não tivesse adentrado meus ouvidos, como se eu tivesse compreendido errado. _ … Cavaleiro.
“Cavaleiro”... Seu breve suspiro e sorriso sincero, como se estivesse a divertir-se com meu desespero, despertaram-me para a completa realidade. E a realidade é... Que foi apenas um beijo. Eu devia estar interpretando exatamente como ela, nem sei porque... Porque estou importando-me tanto. Ela tem razão. Não é uma hora perspicaz para perder a razão. Isso Neji, não perca a razão. Mas não consigo deixar de ouvi-la. Essa palavra está percorrendo minha mente como se tivesse acesso aos meus pensamentos mais ocultos. “Cavaleiro”... “Cavaleiro”... “Cavaleiro”... Eu? Não consegui me controlar, e sorri. É um bom título. Certamente um bom e nobre título. Por mais que sempre tive muitas garotas tentando algo comigo, nenhuma despertava-me interesse. Sasuke já teve muitas, cada uma que adentrava seu caminho lhe era conveniente para uma noite de diversão. Mas isso não se aplica a mim. Talvez, porque nenhuma garota tenha me desafiado como ela. E provavelmente é por isso que estou agindo assim, como um adolescente idiota perdendo as próprias rédeas. É, é isso. Esqueça Neji. Lembre-se de manter-se são.
Porém ainda não consigo crer que ela não meteu-me um baita tapa no meio da cara. Jurava que dessa vez, não iria escapar. A observei ajeitar-se de novo por entre seus casacos, está muito frio. E tenho a sensação de ter ouvido a voz do Naruto... Bom, com certeza é algum alarme em falso dele. No entanto, até mesmo minha pele está reagindo a essa insensatez. Mesmo diante desse frio intenso, sinto minha pele arder. Droga... Mil vezes droga. O que diabos está havendo comigo hoje? Parece que tudo resolveu dar uma volta de 360 graus. Essa “visita” da Tayuya... Temos que nos apressar. Temos que nos apressar o máximo que der, eles estão em nossa cola. Não podemos ser surpreendidos novamente. Assim como em número, eles devem aumentar a força de nossos futuros adversários. Não irão parar enquanto não estiverem com as nossas cabeças em mãos. Bom... É melhor tentar dormir um pouco. Já estou há horas acordado... Devido a ela. Merda!!! Parece que estou em chamas. O brilho da pele dela... Esse maldito perfume adocicado que emana dela...
Se controle Neji!!! Concentre-se em dormir. Dormir. Inspirei e expirei fundo. Tenho de me acalmar imediatamente. Virei-me de costas para ela. Talvez, se eu não a encarar, essa merda de calor passa e eu finalmente conseguirei dormir, nem que seja algumas poucas mas necessárias horas. Nunca senti isso antes. Estou de mãos atadas, pela primeira vez, por uma garota. Eu não acredito isso. Não consigo acreditar!!! Quando foi que isso aconteceu?! Quando foi que as minhas defesas falharam?! Não consigo nem dar-me conta da data exata. Os números fugiram do meu controle, a história fugiu do meu controle... E meu corpo também. Ah, merda!!! Pare de buscar o sabor dela em seus lábios Neji!!! Pare. Parece automático. O perfume adocicado dela está em todos os lugares. Cada vez que inspiro, é somente o perfume dela que vem até mim. O ar também me traiu...
No entanto, já sinto as consequências do cansaço em meu corpo. Ao menos a exaustão para me ajudar em um momento como esse...
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Shikamaru POV´s:
Ela é perigosa. Essa garota é muito mais perigosa que a minha mãe em união com todas as amigas dela de salão. É Sabaku no Temari... Declaro-lhe que é garota mais perigosa entre as garotas perigosas. Ela é um risco ao mais forte dos caras.
_ Qual foi, preguiça humana? Quer um babador? — tive que rir da ironia dela, é, acho que aceito um babador. Agora compreendo porque ela gosta tanto de moletons e camisas de basebol. Pois se ela usar roupas como as da Ino, faria um estrago no trânsito americano.
_ Tenho que admitir que você está tão em forma quanto a Tenten. — comentei, rendendo-me a minha condição atual. Quando é pego no flagra, um homem nunca deve abandonar a raia. Ainda me lembro do meu pai me dizendo isso, no primeiro dia em que visitei sua base de trabalho. Quando era pequeno, pensava que jamais poderia conhecer a base do exército onde meu pai trabalhava, mas com o passar dos anos, meu pai realizou-me esse pequeno sonho, me dando a oportunidade de ver como uma real ala de inteligência funciona.
Entretanto, que se dane o exército agora. Sei que não conseguirei redirecionar o foco de meus pensamentos, então, não lutarei contra a corrente. Olhei-a novamente. É um milagre que ela esteja se trocando na minha frente sem me agredir com o primeiro objeto que estiver no caminho. Como o senhor peixe que deixou uma bela marca nas minhas costas. Essa com certeza terei de esconder dos meus filhos. Que já apanhei de um peixe...
_ Por que não me mandou dar o fora? — tive que perguntar, essa pergunta está martelando na minha cabeça. Não é possível que ela esteja tão bondosa assim hoje, a ponto de enfim notar que eu preciso conversar o máximo de energia que der para não morrer congelado nesse frio infernal.
_ Seria um saco, um estresse a mais te mandar dar o fora preguiça humana... E eu sinceramente não estou afim de me estressar hoje, preciso dormir um pouco. — não acredito!!! É o fim do mundo!!! Não contive minha expressão de surpresa. É sério mesmo? Eu ouvi direito? Ela não vai me acertar com nada?
_ Dias atrás eu diria que o apocalipse tinha chegado. — respondi, mandando a real e colocando meus braços atrás da minha cabeça. Esse chão é incrivelmente rígido. É péssimo para valer, quando o assunto é dormir. Ah o que eu não daria pelo meu colchão agora...
_ Que bom que estamos no futuro, isso me poupa dos seus chiliques, preguiça humana. — ela debochou, sorrindo de canto. Não sei qual o motivo que ela tem para adorar tirar uma com a minha cara viu. Mas confesso que ela fica legal assim, sorrindo. Especialmente trajando somente aquele top vermelho que há segundos atrás, ah... Bons segundos. Não esperava que a problemática-mor tivesse tantos “atributos” frontais. Ela e Hinata vivem usando essas roupas largas em excesso, isso sempre prejudicou qualquer análise. Mas no caso da Hyuuga, eu acho que tem algo a mais aí. A problemática-mor sempre gostou desse estilo de roupas, mas a Hyuuga não aparenta gostar. Isso é algo nítido.
A personalidade dela não é moldável como a da Hyuuga. Com toda certeza não. E talvez seja isso que a fez ser a única a chegar perto de me vencer em um jogo de xadrez japonês. Voltei minha atenção a ela novamente. É a primeira vez que a vejo de cabelos soltos também. Seus cabelos são bem moldados... É, eu não ando no melhores dias. Estou reparando no cabelo de uma mulher, algo que eu nunca dei tanta importância. Ou seja, é a psicose que está afetando todos nós. Chegou até mim. Mais essa... Acho que chegou muito antes, e eu que apenas estou carimbando esse fato agora.
_ Está soltando os cabelos para quê? — perguntei, mesmo já sabendo da provável resposta: para se aquecer. Com esse frio, até ela, que não retira seu fiel penteado, deve estar pensando em opções.
_ Por que eu quero idiota, simples assim. — sorri junto dela. É, ou talvez porque ela queira me dar uma má resposta... Como ela sempre faz. Porém, é estranho como as más respostas dela não vem me afetando da maneira que afetava antes. Aliás, nunca liguei muito, mas deve ser o costume. Me acostumei com cada reação dessa problemática.
Observei-a aproximar-se de mim lentamente, e mantive meu sorriso. Não faço ideia do que essa maluca pretende, mas se for me agredir, não será muito original. E se tem algo que ela é e faz questão de manter, é sua originalidade agressiva e... Tenho de admitir... Inteligente.
_ Vai dormir antes que minha paciência desça mais. Estou relaxada por ter dado uns bons golpes naquela ruiva tingida, mas não teste minha paciência... Ela é...
_ … Menos um. — completei, vendo-a perder a fala. Taí... Essa expressão surpresa dela eu ainda não conhecia.
Ela entreabriu os lábios, como se fosse dizer alguma coisa, provavelmente rebater-me e... Não!!! Ela vai... Só tive um único segundo. Um único segundo para vê-la fracassar em sua tentativa de aproximar-se mais para ganhar nossa pequena disputa e tropeçar na minha mochila ao meu lado, caindo sobre mim.
E eu mais uma vez encontrei algo do qual não havia notado. O verde dos olhos dela são da mesma cor da pedra que carreguei comigo durante muitos anos, acreditando dar sorte.
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Neji POV´s:
Acordei em um pulo, sobressaltado e ofegando o máximo de ar que meus pulmões puderam aguentar. Droga, não devo ter pegado no sono nem uma hora e... Ela já estava lá. Invadindo até os meus sonhos!!! Fazendo dos meus costumeiros pesadelos um sonho erótico sem tamanho. As palavras que ela disseram não descolaram-se de minha mente e as simples letras que formam “cavaleiro...” transformaram-se em sussurros, gemidos que fizeram deste, o sonho mais perturbador que tive em toda minha vida. Meu membro dói, e eu não consigo crer que estou em uma situação como essa. Preciso de um banho. Já.
Levantei-me. Chega. Chega desse perfume que mais parece um feitiço. Chega desse calor insuportável. Chega dessa pele brilhante. Eu preciso me acalmar urgentemente ou ficarei louco de vez.
Passei pela porcaria da entrada da barraca e encaminhei minhas passadas em direção ao riacho. Não acredito que passarei essa noite em claro. Se eu conseguir seguir caminho amanhã, será pura sorte ou dádiva divina. E também, não poderei voltar para aquela barraca improvisada de maneira nenhuma. Ou cometerei uma besteira. Terei de permanecer aqui, suportando esse vento gélido pelo restante de madrugada que ainda se tem.
Tenten... Não consigo prever nada que venha dela. E para alguém que aprecia explicações nos mínimos detalhes como eu, essa falta de rumo pode ser letal. Mas infelizmente, tenho de admitir, ela é a primeira garota a passar pelo meu controle inabalável. Tenho de rever minhas defesas... Pelo visto, quando ela é o único ponto que vejo, minhas defesas falham. Falham sem que eu possa fazer algo. Não é como nossa antiga competição particular, é algo mais sério. Mais forte e... Que estou perdendo.
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Sakura POV´s:
As estrelas sempre foram minhas minhas amigas. Minhas verdadeiras companheiras... Quando era menor, cada estrela, para mim, era como um sonho. Um sonho que brilhava nas noites escuras para que as outras crianças pudessem descansar calmamente, como eu raramente descansava aos finais de semana. A lua era mais interessante, o brilho das estrelas era mais interessante para mim... E cá estou, observando o céu noturno e completando milhares de espaços vazios em minha mente, para frear minha ansiedade de sair depressa daqui. De buscar pelo nosso único objetivo. O nosso mais precioso sonho.
Talvez seja essa a questão das sensações. Temos de vivenciá-las para corrigir velhos erros. E aqui, sozinha, permito-me a refletir sobre tudo isso. Sozinha, não preciso manter minha armadura. Não preciso sustentar nenhuma face em prol de um resultado futuro satisfatório. Essa água... Por mais que o frio faça as folhas dos pinheiros verdadeiros espinhos... Essa água não congela. Não se rende ao frio. Pois sua essência é quente... E é graças a essência que a mudança acontece.
_ Sabe, você tem que parar de querer ser tão sozinha. — a voz dele adentrou meus ouvidos, causando-me um pequeno susto. Sabia que ele também estava aqui, mas não esperava que fosse denunciar tão descaradamente sua presença, ainda mais sentando-se ao meu lado nessas pedras e fazendo como eu, colocando os pés dentro da água.
_ Gosto de estar sozinha. — respondi, observando seu reflexo obscuro mover-se a medida que o riacho fluía em sua calma e serena correnteza de inverno. Tudo que eu mais queria, meses atrás, era seguir a carreira do meu pai. A carreira na medicina que ainda estivesse lá, estaria somente no começo da aprendizagem. Mas aqui... Agora... Onde tudo me é negado... Nunca parei para pensar em como meu futuro estaria sendo construído, se nada disso tivesse ocorrido.
_ Ficar sozinho nem sempre é a melhor escolha. Às vezes, é a pior. — as palavras firmes dele fizeram-me erguer a cabeça e encará-lo. Ele fala a respeito da solidão como se a conhecesse melhor que o próprio punho. É um mistério. Um mistério terrível que aguça minha cada vez mais fraca curiosidade, quando ele está envolvido. Ele está me tirando do sério... Mas eu tenho de resistir. Tenho. Jurei a mim mesma que não cairia nos truques dele. Por mais que uma segunda voz em minha mente faça a inevitável pergunta: “porquê? Qual motivo você tem para isso?” Eu não sei explicar. Talvez, porque meu orgulho seja tão forte e sedento para manter-se blindado como o dele. No entanto, eu ando com todas minhas defesas... Afetadas. E é por esta razão que essas palavras simplesmente escaparam dos meus lábios, ansiando conhecer um pouco mais dele:
_ Você fala com tanta certeza Uchiha... O que sabe da solidão?
Diante da minha pergunta, vi seus lábios moverem-se em um leve curvar de canto. Irônico, eu diria. Ele não esperava por tal pergunta tão direta vinda justamente de mim, que estou a fugir dele. Ou melhor, é o que ele deve pensar. Não estou fugindo... Quero acreditar que não desci e recorri a essa medida desesperada para conter um desejo idiota e sub humano, que eu não faço ideia de como foi brotar em mim.
_ Sei muito mais que você, e isso eu posso garantir... Como também posso afirmar que está me evitando. E isso está começando a me irritar. — irritar? Ele chamou-me de irritante? Quem esse cara pensa que é? Se ele pretende entrar em um duelo, pois bem. Que lance suas cartas. Eu as revidarei. Olhei-o, encarei-o de frente; mas mais uma vez, ele quebrou minhas defesas, surpreendendo-me ao arrastar-me para o pinheiro mais próximo, sem que eu pudesse me mover. Prensando-me contra a madeira do pinheiro, seus olhos ônix miraram-me, sérios. Uma seriedade que me faz... Preocupar com o que se passa dentro dele. _ Pare com isso, Sakura. Vamos viver isto... Vamos viver o hoje. Enquanto ainda o temos. Não sabemos quando um de nós irá tombar.
Não sei com precisão qual foi o efeito que suas palavras me causou, o que sei, é que o choque de suas palavras... De ter seus olhos tão próximos dos meus, passando minha linha de pensamento, fez-me refletir sobre o que verdadeiramente está acontecendo aqui. A qualquer minuto, posso nunca mais vê-lo...
Ele se aproximou mais, mantendo seu corpo prendendo o meu, sem que eu mantivesse qualquer resistência dessa vez. Não sei o que farei se esses olhos desaparecerem do meu campo de visão... Sinceramente não sei. Senti suas mãos em meus cabelos, retirando-os de meu rosto, para serem reunidos em suas mãos. Posso sentir sua respiração... O que farei, se não ouvi-la mais? Não, eu tenho de resistir. Não posso cair assim no mais velho dos truques...
_ Pare. Não resista. É sua essência, Sakura. Ela me chama. Você a única exceção na minha vida de merda. Deixe-me amá-la, por favor... — sua grave súplica adentrou em mim como um gatilho. Um gatilho que foi ativado sem minha permissão, mas que não me traz sentimento algum de arrependimento. É isto, é a minha essência. É a antiga Sakura orientando-me de que... Não tenho mais armas para lutar contra isso. Ele tornou-se importante demais. Mais do que eu gostaria. No entanto, nada posso fazer agora. Ele prendeu-me de vez em sua armadilha, e eu, como sua estranha presa, não quero ser solta.
Seus lábios roçaram nos meus, fazendo minha respiração sair do normal. É sempre assim. Algo em mim o chama. E é por chamá-lo que... Segurei depressa em seu casaco azul, trazendo de uma vez por todas ele até mim. Mordi seus lábios, beijei-o com toda raiva que sinto de mim por, no fim, ter me rendido a ele. Depressa, entrelacei sua língua a minha, sentindo-o apertar minha cintura e praticamente tirar meus pés do chão. Eu não quero saber. Não quero saber do amanhã. Viverei ao menos esse hoje. Eu não suporto mais.
Mesmo que minha opinião quando minhas antigas amigas falavam que teria de ser com o cara certo sempre fosse negativa, nesse momento, acho que ela é positiva. Uchiha metido, gostaria que você não fosse o cara certo. Seu jeito agressivo de colar-me a ele... Estou reagindo a isso. Puxei desesperadamente o fecho de seu casaco, tentando tirá-lo de qualquer maneira. Ele ajudou-me na tarefa, sem retirar sua boca da minha. Desse beijo voraz, saudosista. Em seguida, foi a fez de suas blusas, que ele trajava por debaixo do casaco. Porém, o ar me faltou e tive que buscá-lo imediatamente. Ele prensou-me outra vez contra o pinheiro, erguendo minhas pernas ao redor de sua cintura, com meu silencioso consentimento interno. As firmei bem ao seu redor, enquanto ele puxava-me para mais um beijo do qual necessitamos... Chegamos ao nosso limite, e eu não tive como conter um gemido quando ele finalmente chegou ao meu pescoço, mordendo-o com força. Meus olhos caíram por um segundo em seu peito alvo, onde uma fina cicatriz marcava seu abdômen. Mesmo presa a ele, minha mente não conseguiu ignorar essa cicatriz. Quem o feriu? É uma cicatriz antiga...
_ … O que houve? — o ouvi perguntar, notando de imediato meu silêncio repentino e enfim olhando na direção onde meus olhos analisavam com cuidado.
_ O que é isso? Alguém te esfaqueou? — interroguei direta, não é preciso nenhum rótulo em um momento como este. Agora, mais do que nunca, eu preciso saber de seu passado.
_ Não é nada. Importa para você? — olhei em seus olhos. E dentro deles pude ver algo que jamais pensei em ver tratando desses pequenos infinitos ônix: dor. Por hora, não. Não importa. Mas eu irei descobrir. Assim como ele adentrou sem permissão em meu mundo, eu adentrarei no dele.
Um sorriso fino contornou seus lábios úmidos, e novamente, os tive sobre os meus... “Sasuke, você também é a única exceção.”
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Konan POV´s:
Esse deveria ser somente mais um banho. Mas vejo nos olhos de Nagato que há algo atormentando-o em extremo. Uns anos atrás... Nunca imaginaria que estaria aqui, segurando-o para que não caia. Ele não consegue se sustentar mais. Ah meu grande amigo... O que fez consigo mesmo? Tudo por minha causa. Sua doença como seu ciúmes também doentio não passa de mais um de meus irreparáveis erros. Erros dos quais eu me envergonho. Fui tão tola, tão inocente... E Nagato quem está pagando esse preço por mim. Nunca imaginaria que teria de cuidar dele como uma criança ferida. Mas não tenho outra alternativa, devo minha vida a ele. Não posso abandoná-lo. Por mais que seu ciúmes me amedronte e diga-me a todo minuto para sair o quanto antes desse lugar, não posso deixá-lo.
Seu gemido de dor fez-me voltar a realidade. Ah céus!!! Estou apertando seus braços além da conta!!! Soltei-os e em um susto, Nagato recaiu para frente, recorrendo a esses azulejos como amparo. Ah, o que eu estou fazendo?! O segurei imediatamente, evitando que caísse.
_ Me desculpa Nagato... Me desculpa. Não sei onde ando com a cabeça. — tentei rapidamente me explicar, tomando as devidas precauções para não tocar nas inúmeras feridas em suas costas. Feridas que aquela máquina maldita sempre provocam no que restara de seu corpo. Emitindo mais um gemido, pude ver seus olhos encarando os meus, no leve virar de sua cabeça para trás. Ele anda sentindo muito mais dor do que comumente sentia. Está agravando... A doença está agravando rápido demais.
_ Eu sei por onde sua cabeça anda Konan... Você tem medo de mim. — ele disse em palavras de tom arrastado; fraco; doente. Não esperava por essa. Essas palavras acertaram-me como o mais bruto dos golpes. _ Mas não é a única. Eu também tenho medo de mim. — respirei com um pouco de dificuldade. Nagato...
Fechei a torneira. As últimas gotas de água pingaram em seu cabelo de vermelho sangue, passando diretamente para as minhas mãos, em seus braços. Algo em mim grita que aqui, perante a mim, é o antigo Nagato quem afirma tal coisa. O Nagato inocente, isolado e carinhoso. Que um dia... Fora o melhor dos amigos que já tive.
_ Não tenho medo de você Nagato. — assenti, vendo-o puxar com dificuldades a toalha estendida sob o box e enrolá-la ao redor de sua cintura. Em um ritual que se repete tantos dias...
_ Tem, tem sim. Tem medo dessa caveira andante e incompetente que me tornei. Você ainda o prefere. — não... No início, poderia dizer com toda certeza que sim, que meu coração não iria preferir a nenhum outro que não fosse Yahiko. Mas aquele que usa de seu corpo não é o Yahiko. É o que ele fizera com o corpo de Yahiko, transformando-o em uma criatura semi-viva. Criatura que tanto já me iludi, vendo minha primeira paixão por detrás dela e provocando a fúria de Nagato. A culpa de tudo isso é minha. Inteiramente minha. Da dor do meu melhor amigo... Da morte daquele que um dia era o homem mais cheio de vida de todo Canadá.
E mais uma vez meu corpo enganoso e mente confusa diz-me algo que não sei como lidar. Diz-me que me apaixonei pelo meu melhor amigo, apesar de todo temor que seus ciúmes me causou, e apesar também de seu corpo tão frágil, praticamente de vidro.
_ Não, eu não o prefiro mais. Prefiro você.
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