Exilados

30 Capítulo 30: Quando os mortos deixam seus túmulos parte 1


Notas iniciais
Ohayo!!!! Esse cap. voltou ao tamanho normal, mas não fiquem decepcionados. Tentarei o possível para voltar ao meu ritmo de postagens de antes ;). Tinha me esquecido de como uma narração do Shikamaru era trabalhosa, mas espero que gostem *---*.

Ei meninos! (ei, meninos)

Um minuto da sua atenção

Eu sei como vocês estão vivendo

Uma vida tão inconsequente, tragédias sem fim

Bem-vindo à família

Ei!

Tem alguma coisa faltando

Só o tempo irá alterar a sua visão

Nunca em questão, injeção letal

Bem-vindo à família

Welcome To The Family — Avenged Sevenfold

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Sakura POV´s:

A noite foi completamente gélida e cinzenta. As poucas horas de sono que tive não foram suficientes para apagar as marcas dele em mim. Esse lugar inspira guerra; combate; sangue. E foi em meio a isso que naquele lugar nosso pacto foi selado. Agora, não consigo desfazê-lo. Simplesmente não tenho forças o bastante para desfazê-lo. Aquele Uchiha maldito parece ter feito algum tipo de acordo com meu corpo, que não consigo controlar totalmente diante da presença dele. Ah... Eu tenho que tirar qualquer resquício dele que ainda esteja em mim... Tenho que tirar!!!

_ ... Sakura! Sakura!!! O que está fazendo?! – a voz de Ino fez-me voltar a este mundo outra vez. E encarar a face confusa das meninas a minha frente. Arg, droga! Devo estar parecendo uma louca me esfregando dessa maneira.

_ Vai arrancar sua pele garota. – Temari comentou, e até que não é má ideia. Quem sabe assim todo vestígio do Uchiha sai de vez do meu corpo. Soltei o pedaço de tecido branco que estava em minha mãos. Tenten cortou uma de suas blusas para que pudéssemos usar as tiras de pano para nos lavar. Foi a única saída que encontramos para não gastarmos o sabonete além do necessário. Precisamos manter esses produtos pelo máximo tempo que der, pois certamente não encontraremos outros em meio à floresta, isso é mais do que óbvio. No entanto, sinto que temos de dar o fora desse lugar ainda hoje... Há algo muito estranho pairando sob o ar. Pode ser que não passe de intuição minha, mas até agora, nenhuma de minhas intuições falhou.

_ O que foi Sakura? Está um pouco nervosa... – Hinata proferiu, desembaraçando as pontas de seu cabelo com os dedos e o auxílio da água morna. De fato, o melhor que nos ocorreu foi a descoberta desse córrego. Se tivéssemos que nos lavar com água de temperatura tão fria quanto à do mar, estaríamos doentes. Tudo está soprando a nosso favor... Só nos resta não dar motivos para que tudo vire de ponta cabeça outra vez.

_ Impressão sua Hina, não estou nervosa. – respondi, tentando manter meu tom imparcial, assim como minha inexpressão. Isso tudo é culpa dele. Dele e de seus truques malditos, que por mais que eu queira me convencer que sou imune, não posso me dar mais a esse luxo. No entanto, prometi a mim mesma que não iria cair nos truques baratos dele. Nunca fui uma garota de rótulos, não será agora que ele conseguirá de mim essa proeza pejorativa. Sei muito bem o que quero. E sei também que ainda está longe... Só demos o primeiro passo. O primeiro de muitos. Ainda há uma grande e tortuosa estrada por aí. Sim, tortuosa. Por que eles não darão uma de bonzinhos agora e facilitarão para gente. Há mas não vão mesmo! Nem mesmo em algum embriagado sonho. Eles certamente vão querer nos capturar.

Vivos ou mortos. Nossas vidas já não valem mais nada para eles. Somente o fato de termos saído daquela prisão já deve ter causado algum alvoroço no lugar. Eles vão querer nossas cabeças para exibir a todos, como prova de que se tentarem fazer o mesmo, terão o mesmo fim que a gente. É completamente previsível. Enfim nós conseguimos arranhar o poder deles...

_ Tenten, me passa o sabonete. – ouvi Ino pedir, e Tenten passou-lhe o sabonete. Confesso que não me sinto confortável tendo de tomar banho na companhia delas. Mas todavia, não é tão ruim assim. Estamos entre mulheres, e querendo ou não... Entre amigas. É como se esse ambiente ao nosso redor se tornasse menos importante, e por alguns minutos alguma leveza tomasse conta de nossas mentes em capacidade máxima. É, um laço forte se formou entre nós perante cada prova, cada noite naquele pequeno quarto... Talvez eu não tivesse me dado conta disso até o dia em que Ino confiou a mim a notícia de sua gravidez. Sem perceber, fui apegando-me a elas. Sem nenhuma dose de arrependimento.

_ Eu ainda não acredito que estamos longe daquele lugar... – Tenten revelou suspirando e afundando mais de seu corpo dentro da água. De alguma forma, acho que todos nós ainda não tivemos nossas fichas caídas por completo. Era uma meta muito arriscada, praticamente impossível. E quando o impossível torna-se possível, a mente demora a assimilar.

_ Pois eu acredito. Só de não ter que acordar as seis da manhã com aquela praga da Konan me tirando da cama, eu acredito e muito! – Temari ironizou, e as garotas riram de canto. Konan... No último momento, ela acabou ajudando-nos. Naruto corria risco de vida. Eles queriam sua cabeça e a única forma que tínhamos para evitar isso era trocando-o de barraca. Mas Neji entrou em uma baita saia-justa a acabou nos propondo sair naquela mesma noite. Talvez... Foi a coisa mais sensata que fizemos. O que quer que estava lá, que eles estavam tentando esconder a presença a todo custo de nós, logo iria embora, já que as barracas eram provisórias, e assim que fosse embora, eles voltariam com força total. E algum de nós, ou todos, poderíamos estar mortos em alguma prova insana.

_ Não fale assim dela Tema... Há algo de bom nela. – Hinata mais uma vez defendeu Konan, e eu não pude deixar de sorrir de canto. Não há nada de bom em nenhum deles. Não sei porque Konan nos ajudou exatamente, mas de certo foi por pura gratidão por Hinata e Naruto terem soltado-na no dia da verificação dos túneis. Não há nada de bom neles... Nada.

_ Corta essa Hina, aquela lá jogava água gelada na gente toda manhã!!! Fora que ela é uma deles. Isso por si só já basta. – Tenten argumentou, soltando seus cabelos. É a primeira vez que a vejo sem seus costumeiros coques. E devo dizer que seus cabelos são muito bonitos! Tem cachos largos nas pontas, e são enormes. Agora que o Hyuuga está com os cabelos na metade das costas, acho que Tenten o passou. Tenten e o Hyuuga... Eles estão muito estranhos. Meio sem graça um na frente do outro. Noite passada, quando ambos foram apagar a primeira fogueira para ascender a segunda, não me passou despercebido o jeito que se olharam. Algo houve entre eles, tenho certeza.

_ Você é muito boa Hinata. Mas o mundo não é. Então se lembre disso. – Temari falou de modo duro, sério. Mas para mim, essas palavras não são totalmente para Hinata. E sim para Ino. O clima entre elas também está igualmente pesado. Temari certamente deve estar muito ressentida pelas atitudes da Ino, e não só isso, mas pelo ruivinho principalmente. Os laços entre eles podem ter sido estreitados nas circunstâncias daquele lugar, mas ainda são irmãos. Laços dessa magnitude são difíceis de serem simplesmente cortados ou desfeitos. Eu mais do que ninguém sei disso. Meus pais... Desde que me vi dentro daquela garganta do inferno, não deixo de pensar neles uma só noite. Um só dia. Como também não deixo de pensar no dia em que eles estarão mortos... Para compensar e justificar cada um que por eles tiveram a vida cessada. Cruéis, doentes, desprezíveis... Eles não passam de uma grande reunião do que de pior pode conter nessa humanidade.

O modo com que Ino olhou para Temari foi percebido não só por mim, mas acho que a Hinata e a Tenten também sacaram a indireta. Ino e Gaara passaram a noite juntos ontem, e estava visível o quanto Temari gostaria de ter ido atrás do irmão e tirado-o de lá. Mas ela não o fez. Não o fez porque o estado da Ino comoveu a todos nós. Inclusive a mim, que não faço a mínima ideia da dor que ela sentiu e acredito que ainda deve estar sentindo. Não hesitei e parei a todos quando o choro dela tornou-se alto demais. Isso é assunto apenas dele e dela... Ninguém deve se meter. E é aí que Temari está errando feio. Mesmo que o desejo dela de proteger o irmão seja compreensível, não acho que Ino seria capaz de ferir e ele e a si mesma outra vez. Um está precisando do outro.

_ Não precisa falar assim com ela. – Ino se manifestou, defendo Hinata ou a si mesma.

_ Gente, vamos parar com isso. Somos amigas. – Tenten lembrou, em uma tentativa de ponderar a situação. Ino e Temari se entreolharam, mas não disseram nada. Acho que isso deve ser acertado uma outra hora, agora não é um momento apropriado para essas duas discutirem isso. Precisamos retirar um pouco dessa tensão absurda, mesmo que ao fim do dia, tudo volte outra vez.

“Somos amigas”... Quando acordei e me vi naquele lugar, não imaginava concordar com essa frase um dia. Uma frase tão forte. Forte a ponto de fazer as duas se calarem e recordarem-se da importância dessas palavras. Tenten e Hinata me olharam com um sorriso estampado no rosto. Mesmo que eu quisesse, seria muito árduo me desapegar delas... Sorri. Um pouco dessa leveza é bom para acalmar o sangue. E mais uma vez o rosto dele veio-me a mente. Não acredito que tive de me sujeitar a fugir dele daquela forma ontem... Não acredito!!! É como se ele tivesse decifrado o código de minhas barreiras, e eu não consigo expulsá-lo. Tenho que o manter longe. Ou vou acabar deixando-me levar de vez por cada um de seus truques.

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Gaara POV´s:

Sinto-me deslocado, como se minha mente estivesse a vagar por outra dimensão sem minha permissão. Estou perdido entre realidade e ilusão, mais uma vez... Respirei fundo. Ontem foi a primeira vez que dormimos juntos. Por incrível que pareça, todos os dias que passamos naquela barraca, lado a lado, não se igualam a ontem. Dentro daquela barraca éramos dois seres vazios, cada um no topo de seu limite. Nos tocávamos por pura necessidade, insanidade... Nunca tive alguém dormindo ao meu lado, tão pouco abraçado a mim da maneira como ela abraçou-me noite passada. E naquele frio cortante, nos aquecemos sem precisar... Sem precisar nos unirmos da nossa forma sedenta e precipitada. Estive esperando por isso por muito tempo... Agora que a tenho, não sei onde está minha cabeça. É como se não conseguisse dar-me conta do que realmente está acontecendo a minha volta, como se tudo não passasse de um papel em branco.

De qualquer modo, não suportei vê-la naquele estado. Fiquei completamente sem ação. A ausência de uma família efetiva colocou-me assim: um desastre completo com tudo isso. Afeto... Carinho... Sou uma verdadeira negação. Mas ao menos nisso combinamos. Tanto eu quanto ela não temos esses sentimentos em nossos dicionários. Minha tentativa de fazer-lhe um carinho foi por água a baixo, e também pela primeira vez, me vi rindo de minha própria falha. Estamos tentando construir novamente aquilo que destruímos, e por mais louco que pareça, estamos aprendendo com nossa inexperiência. Inexperiência que nunca foi ligada a nós, justamente por não precisarmos de sentimentos como esses para prosseguir. O ódio dela por mim e minha fúria por ela alimentava a nós dois. Mas como uma droga, nos viciamos um no outro e as consequências ficavam mais evidentes a cada dia naquele lugar repugnante, a cada noite que nos rendíamos inteiramente a nossa raiva. Raiva que uma parte de mim não está disposta a retornar. Não há mais espaço para dor em meu corpo. Cheguei a meu limite definitivo, e a maior prova disso foi ter buscado o abraço de Temari. O abraço que por anos, foi o único que tive. Ainda não consigo processar as palavras dela... “Eu vou cuidar de você” Apenas espero que dessa vez suas palavras sejam tão verídicas quanto o beijo que ela arrancou de mim, surpreendendo-me. O sabor dos lábios dela é de um adocicado narcotizante... Devo estar com uma cara de idiota semelhante a do Naruto. Mas não me importo. Quero ter a chance de protegê-la. Chance que não tive quando ela e nosso bebê estavam em perigo. Nosso bebê... Mesmo que minha dor não se equipare a dela, é agonizante saber ele não está mais lá. Dentro dela...

_ Hey cabeça de pimenta!!! Dá para levantar daí ou está difícil?! Precisamos da sua ajuda para uma vistoria que o teme quer fazer!!! – a vistoria... Não sei para quê diabos o Sasuke quer tanto vistoriar a entrada do forte. O máximo que podemos encontrar por entre os destroços são algumas armas que nem devem funcionar. Mas, é bom acreditar na sorte às vezes. Na melhor das hipóteses podemos encontrar algum mapa que nos auxilie a sair dessa mata de pinheiros e nos distanciar corretamente do mar Báltico.

_ Vai indo... Eu já vou. – preciso entregar a Ino seu casaco. Mesmo que ela esteja com aquele moletom branco da morena, não quero que ela passe frio. Ainda não se recuperou da pancada que levou nos túneis... Quando entrou naquela fenda minúscula. Ela garantiu nossa saída, se não fosse pela coragem dela não estaríamos aqui. Tudo não passou de acidente. E agora que estou conseguindo racionar com mais eficácia, tenho toda certeza disso. Não vou deixar que ninguém a culpe pela morte dele. Se alguém tem culpa nisso, esse alguém sou eu. Ela achou que eu não iria querê-lo, e por isso, não pude protegê-los.

_ Vê se não demora!!! O Neji e o Shika já estão lá. – Naruto disse saindo desse lado da parte coberta do forte. Não entendo como ele pode ter tanta energia logo de manhã. Eu estou acabado, dormir nesse chão não é nada confortável. Mas sinceramente é muito mais satisfatório do que dormir sob a vigília deles. Não duvido nada que eles devem estar nos caçando como moscas sobre a carne morta. As imagens daqueles cães horrendos estão vivas em minha mente até hoje. Naquele dia tive outra opinião com relação a Hyuuga. Aliás, todos nós mudamos nossos conceitos uns sobre os outros. Aquelas provas terríveis trouxeram isso... Esse plano trouxe isso. Confesso que, de início, não dava nada por esse plano. Agora, vejo o quanto me equivoquei em muitas situações.

Coloquei-me de pé e peguei o casaco verde de Ino. Ela deve estar próxima do córrego ainda com o restante das garotas. Levei uma de minhas mãos as minhas costelas esquerdas. Droga!! Essas costelas não dão-me sossego até hoje. Deveria ter dormido de outro jeito, agora além dessa dor de cabeça dos infernos, vou ter de aturar essas costelas latejando. Era só o que me faltava...

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Sakura POV´s:

Ainda bem que Ino ajudou-me a dar um jeito nas pontas do meu cabelo, assim fica muito mais fácil desembaraçá-lo com as mãos e evitar um estresse desnecessário e com algo banal. Amarrei bem meu all star, há quanto tempo meus coturnos queridos não viam água... Mas como eu sempre dizia quando fora daquele lugar, all stars sempre limpos não são all stars. Levantei-me da pedra em que colocamos nossas coisas e coloquei depressa meu fiel escudeiro. É impressionante a baixa temperatura desse lugar.

_ Sakura!! Pode me ajudar, por favor? Acho que o fecho emperrou... – Hinata chamou-me e eu fui até os pinheiros onde ela e as outras garotas estão terminando de se vestir. _ Não sei como consegui emperrar esse fecho... – Hinata comentou, levemente divertida e com seu tom gentil rotineiro. Ela é mesmo um doce. Acho que nenhuma das garotas do meu antigo colégio tem a educação que ela carrega e faz questão de manter. Puxei o fecho de seu casaco lilás com um pouco mais de força, e para nossa sorte, ele deslizou em seguida.

_ Acho que não estava emperrado. – permiti-me brincar, e ela sorriu. Está na hora de voltarmos ao forte.

_ Temos que voltar logo para o forte, sabe-se lá o que aqueles bananas devem estar fazendo. Perigoso terem inundado ou explodido o lugar. Homens reunidos nunca fazem algo que presta. – Temari comentou terminando de fazer sua última amarra nos cabelos, e até mesmo eu ri. Ela é tão sutil com os garotos que chega a espantar.

_ Ah Tema, nem é para tanto. – Hinata opinou sorridente e indo ajudar Ino a desembaraçar seu cabelo. Estar sem uma escova de cabelos é um tanto complicado, mas nada que não possamos resolver. Olhei para as duas e pude ouvir um “Ai Hina!” vindo de Ino. Ou quase. Os cabelos de Ino e tem são muito longos. Talvez fosse mais seguro se elas cortassem um pouco, evitaria o risco de acidentes.

_ Não é para tanto?!?!?! Tem cinco garotos sozinhos lá fora, e nenhuma garota para segurança!!! – Temari zombou, fazendo-se de chocada. Tinha me esquecido de como passar um tempo apenas com elas, como no início de meus dias naquele lugar, pode ser um verdadeiro sarro.

_ Nisso você tem razão, eles são uns patetas sem a gente!! – Ino zombou, terminando de ajustar a calça branca de moletom que Tenten emprestou a ela. Ino aprecia tanto roupas curtas, mas fica bem do mesmo modo com roupas de inverno. Taí algo que a convivência com elas modificou em mim: nunca liguei muito para roupas. Agora acho que posso considerar-me não tão alheia assim nesse quesito.

_ Quero só ver o que eles vão arrumar para o almoço... – Tenten ressaltou, finalizando seus coques e colocando um de seus casacos. Não sei o que seria de nós sem a mochila da Tenten. Certamente estaríamos horríveis e sem nada para vestir, tendo que nos sujeitar as roupas dos garotos. Ainda lembro-me muito bem do dia que eles tiveram de vestir nossas roupas. O loiro ficou irado com a blusa de panda que a Hina cedeu a ele.

_ Eles nem devem ter arrumado algo para o almoço Tenten. – Ino falou, saindo a frente dos pinheiros. Isso é a mais concreta verdade. Esses caras não devem ter movido uma palha com relação ao almoço, certamente estão esperando a gente voltar para resolver esse porém. Hinata e eu caminhamos em linha reta para sair desse amontoado de pinheiros, ou certamente iríamos levar um baita tombo. A senti parar de andar, mas logo identifiquei o motivo: o que o irmão da Tema está fazendo aqui? Sabia que esses garotos não iriam aguentar esperar pela gente...

_ Gaara? O que está fazendo aqui? – a Ino perguntou, indo até ele.

Tenten e Temari se posicionaram ao nosso lado, e está perceptível o olhar de Temari sobre os dois.

_ Você deixou seu casaco lá no forte. Vim trazê-lo, você não pode tomar esse frio. – o ruivo disse, para surpresa não só minha, mas acho que geral. Ele estendeu a ela seu casaco verde, e Ino o pegou também tão surpresa quanto nós. Ambos ainda estão deslocados, sobretudo ele. Mas a preocupação excessiva que ele detém por ela continua intacta. Sem nenhum arranhão após o vendaval que enfrentaram.

_ Obrigada. – Ino agradeceu sorrindo, abraçando-o sem aviso e, sem escolhas, o ruivo correspondeu, apertando-a contra ele. Essa cena está causando-me um mal estar. E de quem é a culpa? Do Uchiha. A culpa é toda dele por me deixar... Assim. Desde que cortei meus cabelos naquele lugar, cortei também o máximo que pude de minhas emoções. Mas cada vez que sua pele toca a minha, é como se ele trouxesse todo o turbilhão de emoções que eu deixei para trás, trancadas.

Acho que finalmente a loucura de toda essa situação está afetando-me. Afetando-me intensamente, além da conta. Acho que aquele loiro falante está com a razão outra vez. Há pó de lua entre nós. Nossas mentes não são mais as mesmas, tudo está recaindo sob nós rápido demais, com uma velocidade que não estamos conseguindo se quer acompanhar. E, pelo que estou vendo, minha imunidade contra essa loucura está baixa. A ponto de fazer-me desejar que... Ele não sai da minha cabeça!!! Tenho que esquecer isso!!! Não posso perder o foco do plano!!! Simplesmente não posso permitir que o pouco que resta em mim de resistência a ele, desapareça.

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Shikamaru POV´s:

Estamos há mais de trinta minutos revirando esses destroços de guerra e tudo que encontramos foi: destroços. Destroços e mais destroços Por mais que em tese a ideia do Sasuke seja eficiente, estou começando a acreditar que na prática, tudo isso vai nos servir é para nada. Tomara que eu esteja errado nessa, mas não encontramos nada de útil para nossa defesa aqui, quanto mais alguma pista de qual posição do mar Báltico estamos. Seria muito bom se encontrássemos um mapa ou algo do gênero, daria a nós algo efetivo para traçar uma rota de trilha. Deveríamos partir daqui ainda hoje... Costas são locais muito vulneráveis. Historicamente vulneráveis. Se eles tomarem o mesmo caminho que nós, o primeiro lugar que vão chegar será pela costa, isso muito mais do lógico. É geográfico. E em questão de geografia, não estamos muito favorecidos. Sem uma possível ideia de para onde partir, vamos ser apenas mais algumas agulhas dentro de um palheiro gigante. Mas, se não nos restar outra alternativa, vai ser o que teremos que fazer. Se embrenhar por entre esses pinheiros altos e seguir um rumo qualquer, confiando no que a intuição nos disser.

_ Hey!! Acho que isso vai nos ser útil. – Neji tomou a voz, mostrando para mim e para o Uchiha uma faca de tamanho médio, que junto à faca que o Naruto pegou do lunático do Hidan, já nos soma tempo e proteção. Neji e eu confirmamos de cabeça, tenho certeza de que ele pensou o mesmo.

_ Certo. Acho que não vamos encontrar mais alguma coisa nesse lugar. Vamos voltar, as garotas já devem estar lá. – Sasuke se manifestou, suspirando em frustração. E somente agora que esse moleque dá sinal de vida!!!

_ Valeu pela ajuda viu Gaara!! – o Naruto ironizou, pegando de Neji a faca que ele encontrou e tratando de mergulhá-la no mar, para tirar esse excesso de concreto em pó e sujeira. Gaara somente nos olhou com sua expressão irritadiça de costume. Isso não era hora de estar com a loira, estamos fazendo algo importante aqui. Ah, mas repreender o Gaara é como dar murros em um espelho. Nunca deu certo e agora é que não vai dar...

_ Vamos cabeça de abacaxi, eu estou com fome. – ouvi Naruto pronunciar, tocando-me no ombro para eu me apressar. Mas acho que irei ficar por aqui mais alguns minutos. Não sei, a maldita sensação que me roubou o sono madrugada passada... Essa intuição está de volta. Não sei o que está havendo comigo, já que ser alguém intuitivo nunca foi o meu forte. Pelo contrário, se fosse seguir minhas intuições e não a lógica, já teria despencado de muitos penhascos nessa vida.

_ Vão na frente, eu vou ficar mais alguns minutos. Acho que vi alguma coisa. – disse, por via das dúvidas, não posso simplesmente ignorar isso. É melhor dar uma última checada nesse lugar.

_ Falou então, mas vê se não demora. – Sasuke falou jogando a faca que Neji encontrou a mim, e os caras foram na frente. Realmente não pretendo demorar nesse lugar, esse aroma de sangue impregnado em cada pedaço de concreto... Esse lugar é uma ruína viva da guerra. Quantos soldados não devem ter perdido suas vidas nesse forte, quantas famílias perderam seus patriarcas em meio a essa construção... Sem falar que se me atrasar, é capaz daquela problemática me acertar outro peixe nas costas.

Garota mais problemática... Mas devo admitir que originalidade é mesmo com ela. Ela não é como as outras. Não é como a legião de problemáticas desse mundo. Ela consegue ser mais problemática que a minha mãe. E chegou a quase vencer-me no xadrez japonês. Mas ela ainda terá que percorrer um longo trajeto até conseguir a proeza de me vencer... E eu um longo trajeto até conseguir cozinhar daquele jeito. De fato ela manda muito bem nisso, e se não fosse por ela, acho que teríamos passado fome, porque Ino e Tenten são um desastre com alimentos. Aquela rosada eu não faço a mínima ideia do que pode fazer, e a Hyuuga também manda bem com culinária, mas ainda não chega ao nível da problemática-mor. Jamais imaginei que ela pudesse se virar tão bem, ser tão independente assim. Mas acho que tenho de aprender de uma vez por todas que subestimá-la nunca dá muito certo, ela parece fazer questão de provar que estou errado. Sorri, até que ela fica legal irritada... Droga, acho que minha cabeça não está mesmo no melhor dos estados. Levando em conta os fatos, só pode ser.

Passei por cima de mais um amontoado de concreto partido. É, por mais difícil que seja de acreditar, foi somente uma intuição ou ilusão da minha mente não tão confiante nas últimas horas. É melhor voltar, não há mais nada para ser achado por aqui. Desci, e tratei de passar por mais alguns amontoados de concreto, seguindo o caminho de volta a entrada do forte. No entanto, tive uma prova e tanto de que estou mesmo ficando maluco. Muito maluco!!!! Estou começando a ver almas penadas!!!! Cacete!!! O que diabos está acontecendo aqui?!?!?! Pisquei várias vezes, que isso!!!! Só posso estar viajando!!!! Tenho que estar viajando!!!! Senti meu sangue parar de fluir dos pés a cabeça, e apertei com força a faca em minhas mãos. Eu realmente não estou em um bom dia, só pode ser. Só pode ser!!!

_ T-Tayuya...??? – questionei após piscar mais algumas vezes. Que merda é essa?! Como essa garota pode estar aqui se... Se ela morreu?!?! Olhei bem para sua silhueta. Cara, eu devo estar viajando muito... Ela continua com o mesmo rosto de antes, usando a mesma touca cinza na cabeça. Dei um passo para trás, e tive a impressão de que ela soltou algo na areia com a mão que está atrás de si. Mas não tive tempo de se quer questionar-me mais alguma coisa ou fugir, ela atirou sobre mim um punhal prateado com muita rapidez, e tudo que pude fazer foi me abaixar por puro reflexo. Droga!!!!!! O que diabos está acontecendo aqui?!?!

Mais e mais punhais voaram em minha direção, e tudo que se passou na minha mente foi: correr. Correr e correr com muita pressa!!!! Caralho, o que é isso?!?! Estou sendo atacado por uma garota que foi dada como morta!!! Passei por entre dois pinheiros, ouvindo seus passos incrivelmente rápidos na minha sombra, e o som dos punhais batendo violentamente contra os pinheiros. Pulei correndo por entre um pinheiro caído no caminho e olhei para trás, apavorado. Como é que essa garota ficou rápida desse jeito?!?! Nenhum humano consegue correr assim!!!! Merda!!!! Estou lascado!!! Totalmente perdido!!! Anda Shikamaru, pense!!! Pense!!!!! Opções, opções!!!!!! Zigue-zague. Essa é a única maneira de não ser fatiado até encontrar a galera. Mais um punhal passou raspando em minha cabeça, e com toda a adrenalina que está em meu sangue nesse momento, comecei a correr por entre os pinheiros em zigue-zague, ouvindo esse som terrível dos punhais fincando-se contra a madeira. Caralho!!!!! Tenho que encontrar os caras!!!! Merda, cadê o Neji quando se precisa dele?!?! Continuei correndo por entre os pinheiros, enganando-a com êxito, mas repentinamente o som de seus passos sumiu. Parei e olhei para todas as direções possíveis. Cadê ela...? Cadê ela...? Para onde foi?

Fiz a merda de olhar para cima, e lá estava ela, praticamente no topo do pinheiro. Não acredito que não saquei essa... Em segundos o peso surpreendente de seu corpo caiu sobre o meu. Abri os olhos por um instante e pude encarar um punhal maior que os anteriores em sua mão direita. Como também que suas íris não são do castanho que eram antes, estão completamente pretas. Não, essa não é a Tayuya. O que fizeram com ela?!?!?! Fechei os olhos por reflexo ao ver o punhal aproximando-se de meu rosto. Mas para minha sorte, alguém fez uma estrela na neve e a retirou de cima de mim. Abri os olhos novamente, e não acreditei quando a vi na minha frente.

_ Caralho!!! Como você fez isso?!?! – perguntei incrédulo, tratando de me levantar o mais ligeiro que pude desse chão.

_ Já fui líder de torcida, acredite ou não preguiça humana. – ela falou, virando-se para mim e dando um sorriso. Gostaria de ter tido mais tempo para admirar a primeira vez que ela sorriu tão abertamente diante dos meus olhos, mas tão rápido como ela chegou, nossa adversária nos atacou, jogando-me longe com o impacto de um chute totalmente certeiro.

Bati minha cabeça no chão, e pude ver Temari com a faca que os caras deram a mim, tentando acertar Tayuya, que certamente irá matá-la se eu não fizer alguma coisa. Essa garota não está normal, parece até que... Foi alterada.

Notas finais
Gostaram??? Não posso garantir quando o próximo sairá, mas tentarei postá-lo até no máximo domingo. Beijocas, Nane-chan =^.^=.