Exilados

29 Capítulo 29: Refugiados parte 2


Notas iniciais
Yo pessoal!!!! Perdoem-me pelo longo tempo longe. Mas tive alguns problemas pessoais e familiares. Também, um parente meu faleceu e foi uma barra para a minha família. Mas agora já estamos bem e eu estou voltando a minha velha rotina, ao meu tempo livre e totalmente bem-vindo!! Exilados de cara nova, em fase nova e com muito mais ação, espero que vocês curtam!!! *----*. Optei por fazer este capítulo mais detalhado devido a minha ausência, e não há narração da Sakura nele pois no próximo ela terá mais de 50% do capítulo. Boa leitura a vocês :-)

Eu posso fazer você se sentir totalmente melhor, apenas aceite

E eu posso te mostrar todos os lugares, que você nunca esteve

E eu posso fazer você dizer tudo, o que você nunca disse

E eu vou deixá-lo fazer tudo, novamente e novamente

Agora você está na minha e não pode sair

Hot — Avril Lavigne.

Dê-me apenas um motivo

Só um pouquinho já basta

Só um segundo, não estamos quebrados, apenas curvados

E podemos aprender a amar novamente

Está nas estrelas

Foi escrito nas cicatrizes dos nossos corações

Não estamos quebrados, apenas curvados

E podemos aprender a amar novamente

Just Give Me A Reason — Pink feat Nate Ruess.
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Ino POV´s:

Meu corpo inteiro dói, como se tivessem passado um trator muito potente sobre meus ossos e músculos. Arg... Onde estou? Perdi qualquer noção de tempo e espaço, no entanto, sinto-me apoiada em algo firme, mas também suave, macio. Rangi os dentes em função do cansaço extremo que meu corpo todo parece compartilhar, e abri os olhos, fechando-os rapidamente outra vez. Droga!!! Enfim todas as noções retornaram-me a mente junto do árduo brilho do sol, tudo... A fuga... As lágrimas... A dor... Ele. Não compreendo mais o que passa comigo. Entretanto, as palavras de Hinata ainda estão presentes em minha cabeça com uma absurda nitidez. Minha amiga, minha pequena irmã de espírito, que dentro daquele fosso horrendo sempre esteve comigo. E mais uma vez, sei que ela está.

“Todos sentimos que está ficando doente Ino...” Ele sente. Por mais dolorosa que essa constatação pode ser em meu sangue, é a mais pura verdade. Mais uma vez, não suportei vê-lo assustado e abalado daquela forma, novamente, por minha culpa. Nossas dores mesclaram-se tornando-se uma só, e finalmente meus braços me confirmam: ainda estou abraçada à ele.

Tomando uma dose de coragem, abri os olhos novamente erguendo com dificuldades minha cabeça, que parece mais pesada que chumbo puro. Ele ainda está dormindo, sua face pálida demonstra os resquícios da nossa pavorosa noite. Noite com sabor de lágrimas, dor e deste abraço que acalentou-nos de alguma insana maneira. Sorri de canto, devo estar um completo bagaço, totalmente horrível. Descabelada, exausta e com marcantes olheiras roxas, certamente. Toquei a face singela dele, jamais pensei em fazer isto com tanto esmero. Ele queria o nosso bebê. Não iria rejeitá-lo. Fui uma covarde... E com relação a ele, acho que nunca passei disso. Assim tão calmo, ele não parece ser o monstro repugnante que um dia acreditei fielmente, julgando-o somente por seus atos, não por seus motivos.

Como um fleche, sinto outra vez essa dor corrosiva me tomar. Garanti que cuidaria dele. Será que conseguirei mesmo fazer tal proeza? Pedaços de meu passado tomaram meus pensamentos. Eu nunca cuidei de ninguém antes... Não sei fazer nada a um homem além de...

_ Por que me está me olhando tanto? – seus opacos olhos verdes estão à mostra, encarando os meus, que nem se ainda conservam o azul de antes. Quando acordou? Como não notei que ele havia despertado? Esse timbre rouco... A voz dele me causava irritação, muita irritação. Agora, é como se estivesse aprendendo a ouvi-la realmente.

_ Nada... Só não queria acordá-lo. – respondi, desviando meus olhos em direção as minhas pernas. Meu jeans está imundo, eu estou imunda! Preciso de um banho urgente!!!

_ Não acordou. – ele se limitou, emitindo um suspiro trêmulo, como se estivesse diluindo seu cansaço com alguma insegurança. Preciso dar a ele a segurança que assenti, quero tentar conhecê-lo, tentar... Dar uma chance à loucura que construímos juntos a cada briga, a cada cerrar de olhos em ódio extremo, a cada grito, a cada tapa, a cada... Noite de prazer e confusão mental. Não sei até onde serei capaz de suportar e de esforçar-me para tentar enterrar Olympia. Hinata está mais do certa e, por incrível que pareça, aquela preguiça do Shikamaru também. Às vezes, nossos amigos são nossa consciência. Agradeço a cada instante ao lado da minha bonequinha meiga, que veste dois números acima do seu real tamanho, mas que mesmo assim cativa a todos. Não com sua aparência física, mas por aquilo que carrega por dentro. Caímos em uma armadilha invisível: aqueles que menos pensávamos ter como aliados, hoje são quase amigos.

Senti as frias mãos dele moverem-se por minha cintura, em receio. Ele está com medo de mim? Levantei minha fronte e o encarei, sentindo as mãos dele se afastarem, as segurei. É normal que depois de tudo, ele não acredite totalmente em nenhuma palavra que eu diga.

_ Como está se sentindo? – indaguei, recostando minha cabeça em seu peito. Sua respiração está alterada, e aqui, posso ouvir o coração que desacreditei que ele detivesse. É rápido, vívido.

_ Cansado. Dolorido. – ele afirmou sem mover-se, suas costas devem estar inertes já de tanto tempo apoiadas nesse tronco de pinheiro, sustentando a ele e a mim. Segurei-nos braços, puxando-o em minha direção. Mais um fraco suspiro pôde ser ouvido de seus lábios. Suspiro de dor, mas também de alívio.

_ Sua coluna está doendo não é? – perguntei guiando-o a inclinar a cabeça em meu ombro, para descansar as costas. O abracei, e o escarlate de seu cabelo integrou-se a minha visão. Sinto-me desconfortável fazendo isso, desajeitada. Sou um desastre com carícias e gestos que reúnem somente afeto... Carinho. Estou tão assustada quanto ele, somos dois incrédulos. Nunca fiz isso antes e a surpresa de vê-lo aceitando esse contato de minha parte, é grande. Porém, chega a ser divertida, de tamanha a minha inexperiência. Taí uma palavra que normalmente não associam a mim. É o mesmo que colocar “Naruto” e “silencioso” em uma frase. Por falar nisso, onde estão todos? Neji e Sasuke... Será que já voltaram? Lembro-me vagamente a respeito deles terem ido analisar essas ruínas em que estamos. Shikamaru e aquele loiro foram atrás dos dois enquanto ainda me situava da notícia da perda do meu bebê e... Dele já estar sabendo.

Deslizei meus dedos por suas costas, sei que ele ainda não deve estar crendo em mim e em suas próprias atitudes. Acho que ele jamais imaginou-se em uma cena desta, tão pouco comigo. As palavras de Temari sobre seu modo recluso e isolado de ser ainda estão vivas em minha mente. Ele é tão fechado...

_ Pare. Não precisa mais manter isso. – ele de fato não está acreditando no que eu disse. No entanto, sei que ele não quer se afastar. Ele precisa de alguém para ajudá-lo a sair do choque que provoquei. E estou disposta a... Tentar.

_ Eu lhe prometi que cuidaria de você, e em minuto algum estava mentindo. – decretei, essa descrença dele chega a ferir-me. Mas no fundo, ela apenas representa tudo que cultivei na nossa estranha e sádica montanha-russa particular.

Ele se ergueu, olhando-me diretamente. Não estou vendo a fúria que ele comumente carregava dentro desses olhos, a dor e tudo que ocorreu ontem a sufocou. Não acredito que estou buscando a fúria dele! Realmente, acho que me acostumei de tal forma a agressividade dele, que agora estou flagrando-me por buscá-la em seu olhar. Ele carrega a mesma dor que fora crava em mim a ferro. É como se a ficha não tivesse caído ainda, por pura questão de sanidade. Meu corpo está agindo por conta própria, para que não comece a definhar de vez. Ainda não consigo acreditar que meu bebê não está mais em mim. Que o matei... Não tive tempo suficiente para pensar em nada a respeito dele. Somente uma noite, minha mente inconscientemente formulava seu possível rostinho, contra minha vontade, contra minha razão.

_ Que nome daria para ele? – sua pergunta pegou-me intensamente desprevenida. Encarei os olhos fixos dele. Por um breve momento, senti algo brilhar em mim. Algo que fez-me petrificar dos pés a cabeça, apenas olhando para ele. Jamais esperaria algo parecido com isso saindo de seus lábios. Seus arroxeados lábios em função do frio.

_ Não pensei em nenhum nome... Acho que nem tive tempo. – respondi, colocando uma mecha de meus cabelos atrás de minha orelha esquerda. Desviei meus olhos dos dele, realmente não esperava por essa pergunta. Não sei exatamente porquê, mas sorri de canto, e ao mirá-lo novamente, pude ver que ele fazia o mesmo, encarando o chão coberto das folhas do pinheiro logo atrás de si. A dor ainda está ativa em nós, agindo em nosso sangue lento. Todavia, o corpo dele também está tomando as rédeas da situação. Estamos sorrindo mediante a tragédia, encontrando um efêmero motivo para reconstruirmos tudo novamente. De fato, somos suas pessoas incompreensíveis. Os mais complicados dos complicados.

_ Não está com fome? – indaguei em uma tentativa inconsciente e costumeira de não avançar com isso. Com essa cumplicidade incomum que formou-se entre nós em meio a acidez que vivemos em poucas horas, mas que corroeu-nos por uma eternidade. Ainda tenho de me acostumar a ele. Acostumar-me a tudo que o represente de forma distinta a nossa louca união. Sorrisos... Definitivamente não era algo comum entre nós. Mas por esses poucos minutos, agradou-me. Talvez, nossa fugacidade seja devido a isso: ausência de conforto.

_ Tinha me esquecido dela. – ele falou, voltando a me observar. _ Hinata deve estar preocupada com você.

_ Sua irmã também deve estar preocupada com você. – completei imediatamente. Sei mais do que ninguém do quanto Temari preocupou-se com ele ainda naquele exílio pavoroso, e ainda preocupa-se. Por mais que não sejam mais próximos, ironicamente por minha causa, sinto que estão restabelecendo novamente o sentimento que tentaram findar. Não duvido nada que nesse exato minuto, Temari deve estar com uma imensa raiva de mim. Pelo jeito que o deixei noite passada. Nunca pensei em vê-lo daquela maneira... Tão torturado como eu. Torturado pela a nossa agonia. Mas não julgo Temari, e mesmo que o fizesse, não teria esse direito.

Não sei se terei toda a resistência necessária para encarar o olhar de todos. Entretanto, terei de tê-la. Jamais temi o olhar de ninguém, a exposição. Não entendo porque estou sentindo-me assim agora... Tão vulnerável. Olhei-o, esperando sua resposta. No entanto, ela não veio. Mas somente seu silêncio confirma-me que ele sabe que sua irmã também deve estar aflita, mas a distância estabelecida entre os dois ainda existe. Existe e pesa sob ele. Esse mundo brando e feroz que ele criou para si... Todas as cicatrizes que marcam seu interior e sua pele alva, como as marcas de minhas unhas em seus ombros, que eu sei que ainda estão presentes nele, tudo isso também está gravado em mim. E apenas agora parece que meu insciente está dando-se conta disso. Apenas agora cada parte de mim está dando-se conta disso.

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Hinata POV´s:

Não consegui deter um grunhido de dor. Minhas unhas estão ardendo desde a madrugada... A gélida madrugada que tenho certeza que todos não dormiram bem. Minhas roupas ainda estão úmidas por conta do frio potente que praticamente congelou-me pelas últimas horas. Certamente estamos em um ex-forte soviético montado para conter o avanço das tropas nazistas durante a Segunda Guerra. Mas tudo está em ruínas... Literalmente em pedaços... Como Sasuke bem inferiu a gente quando finalmente retornou com meu primo da vistoria da área, nos disse que este lugar provavelmente deve ter sido bombardeado ou alvo de um grande ataque. Toda a estética desse lugar causa-me arrepios! No entanto, não tenho palavras o bastante para expressar minha felicidade em estar fora daquele local cruel e desumano. Realmente não tenho. Há alguns momentos que minha mente simplesmente não crê nisso, e fico em estado de alerta, desorientada e buscando por algum deles a nossa volta, como se ainda estivesse lá. O céu também felizmente está mais límpido que ontem à noite, fiquei com um grande medo de que caísse uma baita chuva. Com esse frio, alguém poderia ficar seriamente doente e os únicos locais cobertos desse lugar tem perímetro estreito. Ficaríamos todos muito apertados. Ah... O sol... Mesmo que de luminosidade baixa, já é um grande amigo. Enfim poderemos tentar lavar nossas roupas, sinto-me tão imunda, tão coberta de sal, que nem minha pobre franja escapou. Meu cabelo também está repleto de sal e isso com certeza o ressecará. Se der sorte, talvez apenas as pontas se ressequem... Mas acho bem difícil. Irei pedir ajuda a Ino, acho que até mesmo a Sakura fará isso. Enquanto vagamente conversamos pela madrugada, lembro-me dela ter comentado algo a respeito das pontas de seu cabelo também estarem sem vida devido ao enorme período que passamos na água. Por falar nessa água salgada, temos de buscar algum local em que se tenha água potável, pois a água do mar é totalmente sem condições de tomarmos! Os meninos foram tentar encontrar água caminhando em direção ao leste. Espero que Shikamaru e Naruto tenham encontrado algum córrego vindo das montanhas, seria extremamente útil a nós.

Tenten está fazendo curativos em minhas unhas. Das nossas mochilas, das garotas, somente a dela resistiu a nossa jornada. A minha tive de soltar, não tive opção! Estava faminta, praticamente sem forças e fazendo muito esforço para não afundar naquele mar congelante, denso e profundo. Tenten inegavelmente tem o melhor preparo físico entre todos nós, e tê-la conosco é realmente uma baita sorte. Mesmo molhadas, ela tem algumas roupas disponíveis que podemos dividir entre as garotas. Já os meninos tem todas as suas mochilas. O lamentável é que a maioria dos alimentos que eles trouxeram se desmanchou, fruto da grande entrada de água. Com isso, estamos sem muita comida também. As frutas que meu primo e o Sasuke encontraram ontem à noite já estão quase no fim.

Meu primo... Ainda não consigo acreditar que seus longos cabelos agora estão pouco abaixo do ombro. Ele não está nada confortável quanto a isso, posso sentir. Está incomodado, mais irritadiço que o normal. Talvez, esteja triste... Mas pelo que Sasuke relatou brevemente para nós, eles não tiveram nem tempo de pensar em qualquer outra saída, as armadilhas ao norte os pegaram. Bem, o único consolo perante isso é que este lugar aparentemente está de fato abandonado. Estamos seguros... Não há mais armadilhas e a que os pegou é do tipo que não retorna ao estado original, que só pode-se usar uma vez. Todavia, mesmo com os cabelos cortados, meu primo continua com sua valentia nata, consigo ver em seu rosto. Às vezes, tudo que gostaria de ter era essa coragem contínua... Mais uma vez, os reluzentes olhos azuis e a pele bronzeada dele vieram-me a mente. Naruto foi incrivelmente gentil com todos noite passada... Seu coração é tão grande, tão nobre que...

_ ... Hina? Hey Hina!!! – pulei em susto. O que houve?!?! Só então assimilei a aguda voz de Tenten, assim como sua face de frente para minha. Do que ela está rindo?

_ Do que está rindo? – perguntei em tom baixo, sorrindo a ela. Minha garganta está doendo um pouco.

_ Terminei faz uns cinco minutos. Estou falando contigo e você está aí olhando o céu como se estivesse no mundo da Lua!! – senti grande parte do meu sangue se concentrar em minhas bochechas. Ai que vergonha! Tenten estava falando comigo e eu... Perdida em lembranças e constatações. Sobre ele... _ O Naruto foi um verdadeiro cavalheiro ontem, não acha? – Tenten perguntou sorrindo de canto e erguendo uma das sobrancelhas exatamente como faz quando pretende desafiar meu primo.

_ S-Sim... Ele foi muito gentil. – respondi, desviando meus olhos em direção a areia. Não entendo porque ela está fazendo essa pergunta ou tocando nesse assunto, tão pouco porque está sorrindo dessa forma. Não temos nada... Somos, somos amigos. Amigos.

_ Por que está vermelha assim Hina? É o “efeito Naruto”? – Tenten sorriu ainda mais e eu abri a boca, fechando depressa em seguida, surpresa. Efeito Naruto? Como assim? Não há efeito algum dele agindo sob mim! Arg, porque a Tenten está perguntando essas coisas??? A vi se levantar e bater as mãos nas coxas, retirando o excesso de areia em sua pele. _ Vou indo nessa, vou ajudar Tema com os pescados dos garotos. Não mergulhe suas mãos no mar, okay? Ou vai infeccionar.

Afirmei rapidamente de cabeça. Ela teve um grande trabalho esforçando-se para que eu não sentisse muita dor com o anti-séptico que ela trouxe. Tomarei muito cuidado, realmente não almejo que minhas unhas se infeccionem. Ela sorriu em minha direção, e foi caminhando em direção a parte coberta do forte, onde Temari está improvisando uma refeição para gente com alguns pescados que, surpreendentemente, foi Shikamaru quem conseguiu capturar. Mas claro que a Tema criticou toda a empreitada dele, zombando de cada caixote que ele tomava no mar. Observando-os a pouco junto de Tenten, tenho que concordar com ela. A Tema e ele são muito parecidos... Bem sistemáticos e altamente lógicos, sempre dizem a verdade independente do quão dolorosa seja. Por mais que eles neguem veemente, ambos são muito sinceros. Sorri de canto ao recordar-me de Sakura. Sinto-a cada dia mais próxima de nós... De todos nós. Ela era severamente racional, sempre tentando inibir o que sentia por alguma estranha razão. Mas depois da proposta, não somente ela, mas todos nós nos unimos de alguma forma. A nossa singela forma.

Porém, ainda tenho a impressão que ela está fugindo do Uchiha. Fugindo desesperadamente dele, no entanto, ela estava aflita com a demora dele ontem, pude perceber apesar de sua costumeira inexpressão. Acho que finalmente estou conseguindo conhecê-la melhor. Ela teme tudo que sente, mas não consegue enterrar tudo com sucesso. Sobretudo com relação a ele. A maneira como se olham é diferente, como se silenciosamente se identificassem em seus próprios medos. Sasuke jamais havia apegado-se a uma garota, todos sabiam disso. Entretanto, algo me diz que... Justamente por ela não responder a sua personalidade que normalmente encantava todas as meninas, que ele apegou-se. Apegou-se naquilo que tecnicamente não conseguia ter. Bem confuso, mas ao mesmo tempo, simples.

_ Hina!!! – a voz de Ino fez-me virar de imediato o rosto. Passei quase toda a minha noite em angústia devido a todos os acontecimentos envolvendo a ela e ao ruivo. Fiquei realmente aflita, temendo que eles pudessem acabar brigando outra vez e algo acontecesse a ela. Ino teve uma considerável hemorragia.

_ Ino!!! – exclamei depressa, sorrindo ao vê-la aproximar-se com certa lentidão nos passos, e sentar-se ao meu lado. Não esperei por nenhuma palavra, somente abracei a minha melhor amiga. A abracei fortemente. _ Ino, estou tão preocupada com você!! Como está? Está sentindo algo...? – indaguei cessando nosso abraço e analisando-a dos pés a cabeça. Ela parece bem, não estou vendo nenhuma marca resultante de briga.

_ Estou bem. – ela respondeu-me firme, mas vejo muita dor em seus olhos...

_ O que houve, amiga? Vocês discutiram? – perguntei olhando o rosto pálido dela. Ino não comeu nada desde a nossa chegada, e ele também não. Devem estar fracos e exaustos. Tanto fisicamente quanto emocionalmente. As memórias do estado dela quando recebeu aquela notícia ainda não descolaram-se da minha mente. Jamais vi a minha amiga sempre tão confiante, sofrendo daquele jeito. Do mesmo modo que a maneira como o irmão da Tema reagiu quando soube da verdade. Eles já feriram-se demais. Não há mais espaço para dor... Sinceramente, espero que ao menos uma vez ela tenha ouvido meu conselho. Todo esse passado faz um mal enorme para ela, esse Sai faz muito mal a ela.

Toquei os cabelos dela, tão claros como o próprio sol que está a iluminar-nos suavemente. Ela ajeitou-se na areia e abaixou o olhar, mirando nossos pés.

_ Estou muito confusa Hina, não sei o que fazer. – ela proferiu em fio de voz, em um suspiro sôfrego. Compreendo como ela deve estar se sentindo, ou ao menos tento imaginar. O ódio irrelevante que ela sentia por ele era tudo... Tudo que mantinha-a até agora.

_ Ele está bem? – questionei, pergunto-me como Gaara deve estar. Provavelmente assim... Desse mesmo jeito... Perdido; confuso. Não o conheço muito bem, mas o pouco que conheço é o suficiente para afirmar tudo que afirmei a Ino noite passada. Ele sente muito, e esse sentimento, desde o início, era por ela. Ele sofria por vê-la com outros caras, é muito possessivo, dominador. Talvez porque como a Tema mesmo nos disse, por ele não ter tido muito ao que se apegar. O dia em que fugimos daqueles cães horríveis na tarefa do labirinto... Foi ali, naquele instante que passei a conhecê-lo. Antes tinha como base sobre ele tudo que Ino me contava, sem levar junto dessas conclusões o lado dele da história. Hoje arrependo-me de tê-lo julgado tanto... Apesar de muito introspectivo, ele não é nada do que eu e Ino supúnhamos. E acredito que essa verdade, agora tão nítida diante dos olhos dela, seja um dos motivos dessa confusão que ela está sentindo...

_ Está... De alguma maneira, estamos bem. – ela assentiu, como se estivesse criando coragem para dizer-me algo importante, conheço Ino. Algo que está afetando-a bastante. Segurei com firmeza suas mãos, fazendo-a olhar-me.

_ “Estamos”? – perguntei, sorrindo. Sinto-me tão feliz ouvindo-a falando isso... Não sei se foi por puro impulso ou modo de dizer, mas gostaria muito que tivesse um fundo de verdade em meio a essa palavra. Gaara pode ser agressivo, ter um pavio curto e muitas vezes ser um pouco rude também, mas ele sente algo tão forte por ela que acredito que seja mais do que capaz de curar a dor da Ino. De encorajá-la a... Aprender tudo novamente. A recomeçar.

Rimos juntas. Há alguns bons dias que não ficamos assim, somente eu e ela, com nossos papos que não precisavam de muitas frases.

_ Você está ficando muito atenta a esses assuntos Hinata. Se a Sakura não fosse tão na dela, diria que é influência dela. – Ino brincou, rindo mais um pouco. Ah não!! Ela também?! Eu não mudei tanto assim!!! Aliás, acho que continuo a mesma Hinata de sempre. _ Ou do Naruto. – não acredito que ela disse isso. Sério, eu vou descobrir o que essas duas estão mancomunando.

_ Ino!!! – exclamei, incrédula. Por que em todo assunto ele tem que surgir?! Ele apenas teve um gesto de cavalheirismo, algo que sinceramente, muitos homens deveriam ter. Gentileza é uma dádiva que deveria ser cultivada por todos.

_ Okay, parei! Parei!! Mas é que você ele andam dando uma boa dupla. Uma parceria e tanto, devo ressaltar. Vocês foram muito corajosos aceitando ficar por último na ida aos túneis, mesmo. – Ino afirmou tocando com carinho por cima dos curativos feitos por Tenten em minhas unhas. Por mais que essa louca seja tão... Tão... Louca! Eu a amo. Amo muito. E jamais irei recriminá-la.

_ Ah... Não fizemos tanto assim... Só demos sorte e soubemos cooperar um com o outro. – opinei, movendo minha cabeça de um lado para o outro, para que essa brisa que está passando por nós ajeite minha franja.

_ Hina... – ela começou, suspirando em um nervosismo que me fez focar inteiramente no que ela pretendia dizer. Minha amiga precisa de mim. _ ... Eu prometi que cuidaria dele. – assim que os lábios de Ino se fecharam, pude ouvir seu suspiro de pesar, algo semelhante à insegurança. Confesso que realmente não esperava por essa. Não esperava mesmo por essa. Mas, de alguma maneira, meu coração está aliviado com essas palavras. Ino sempre agiu por instinto, e isso significa que algo dentro dela quer realizar essa promessa.

_ E o que ele disse? – perguntei, olhando-a com carinho. Tento imaginar a reação do irmão da Tema ouvindo isso, certamente ele deve ter duvidado das palavras dela... E eu mais do que ninguém sei como Ino fica incomodada quando as pessoas não dão crédito ao que ela diz. Sua sinceridade é uma grande qualidade, apesar de que o exagero desta sempre lhe trouxe problemas. Mas dentre nós, ela e Shikamaru são os mais sinceros.

_ Não acreditou de início. Mas eu acho que qualquer um no lugar dele não acreditaria... – sua resposta saiu com um toque de tristeza. Esses dois... Ambos não agüentam mais todo esse martírio. Ergui o rosto de Ino com uma de minhas mãos, fazendo-a tirar os olhos da areia e olhar-me.

_ Dê um tempo para ele, Ino. Não deve estar sendo nada fácil para ele também... Para vocês dois. Por mais que ele tenha ficado transtornado quando soube do bebê, deu para ver o quanto ele também ficou triste. Acho que ele nunca iria te abandonar. – opinei, abraçando minha amiga, e ouvindo um doloroso “eu sei”, como um sussurro, de sua parte. Eu acredito. Acredito que eles se resolverão. Assim como que nós um dia voltaremos para casa e colocaremos esses criminosos que interromperam nossa vida e nos forçaram a viver naquele lugar assombroso.

Finalmente demos o primeiro passo. O primeiro passo concreto! E, por hoje, por mais que nossa situação não seja muito confortável ou fácil, sinto-me contente. Muito contente!!!

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Tenten POV´s:

Realmente, acho que devo seguir o conselho do Shikamaru e nunca mais tentar mexer com peixes na vida. Eu sou desastre nisso!!! Não sei como a Tema consegui preparar tantos sushis como esses, ela sim leva jeito para culinária. Olha só esses sushis!!! Meu estômago já está chamando por eles, de tão bonitos que ficaram.

_ Tenten, sabe onde está a Sakura? Estou me sentindo totalmente imunda!! Ela que está com a sua mochila não é? – Temari indagou-me, levantando-se do chão e colocando uma das mãos na cintura, em sua típica posição de inabalável. Por mais que o Shikamaru esteja quase no meu nível com culinária, temos que admitir que Naruto e ele fizeram um excelente trabalho pescando tudo isso sozinhos para que não morrêssemos de fome.

_ Sim... Minha mochila está com a Sakura, mas não faço ideia de onde ela está Tema. Deve estar na parte coberta organizando o que temos com o Sasuke. – supus, erguendo-me também da areia. Acho que temos peixe até a noite...

_ Por falar nisso, é melhor que a gente tenha lenha suficiente para queimar a noite toda, ou vamos morrer congelados dessa vez. – Shikamaru ressaltou, fazendo o mesmo que nós. Ele tem toda razão, hoje os ventos estão soprando mais forte que ontem. Ainda bem que ontem não estavam assim, ou alguém certamente estaria doente a essa hora. Estávamos tão exaustos que retiramos praticamente nada das mochilas para nos proteger!

_ Você e o Neji poderiam cuidar disso preguiça humana, já que não fizeram nada. – Temari proferiu com ar cansado, olhando suas unhas. É incrível como ela adora alfinetar o Nara. Entretanto, assim que o nome do Hyuuga foi pronunciado, olhei instintivamente para os pinheiros adentro. Ele ainda está lá... É notável que está chateado. Quando o vi chegando na parte coberta do forte junto do Uchiha, que por sinal não estava muito em melhor estado, não acreditei no que vi. No entanto, os cabelos dele não estão tão curtos. Passam do ombro e o quão lisos são está mais evidente agora. Ele ainda continua o mesmo de sempre, isso que importa. E... talvez... Esteja mais bonito agora. Não crio mais briga comigo mesma toda vez que esse fato passa como uma brisa por minha mente. Ele sempre fora muito bonito, somente não o era por dentro. Ou eu que não havia tido oportunidade de conhecer um pouco melhor aquele arrogante.

_ Não fizemos nada?! – o Nara questionou incrédulo, olhando para a Tema e eu podia jurar que ele mandaria um “problemática” e rebateria essa na hora, mas, para a minha surpresa, ele apenas soltou a faca que Naruto pegou de Hidan e deu as costas, cruzando os braços acima da cabeça e não dando a mínima.

_ Aonde você pensa que vai? – Temari perguntou, seguindo-o. Prevejo briga... Se tem algo que a Tema odeia é que deixem-na falando sozinha.

_ Vou aproveitar o silêncio desse lugar e tirar um cochilo. Já que não estou fazendo nada, vou continuar não fazendo nada. – o Nara respondeu, caminhando vagarosamente e sorrindo de canto em ironia para a Tema. Esses dois são mesmo muito parecidos... Se taí algo que a Temari responderia a alguém, seria isso. Sorri de canto, conheço a Tema como a palma da minha mão. Nunca tive uma amiga tão próxima quanto ela. Aquele exílio era um terror em vida, mas trouxe-me uma amiga que levarei para o resto dos meus dias. Assim como cada um que está aqui. Acho que acabamos criando um laço muito resistente querendo ou não...

No entanto, saí bruscamente das minhas reflexões ao ver um peixe voando na direção de Shikamaru. O quê?! Ela atacou ele com um peixe?!?! Arregalei os olhos, mas não contive o riso. Céus... É, pode-se esperar tudo da Tema. Até que ela agrida você com um peixe. Bem a cara dela!

_ O quê?! Você me bateu com um peixe...?! – ouvi o Nara se manifestar, completamente surpreso, com o peixe em uma das mãos.

_ Bom, é o que parece preguiça humana... – Temari disse, exibindo os dentes em um sorriso de deboche.

Novamente, foi como se tudo ao meu redor retornasse a ele. Algo me diz que ele não está nada legal, e por alguma razão, sinto-me incomodada com isso. Não é nada legal ver alguém para baixo, do mesmo modo que o ruivinho recostado à árvore ali está. Caramba, jamais pensaria que a Ino estava grávida, tão pouco dele. Ela nos garantiu que estava tomando os remédios receitados por Shizune com regularidade, mas pelo visto, o que ela nos garantiu que não teria falhas, falhou. E bem naquele dia. Lembro-me como hoje de quando ela com a cara mais lavada do mundo contou-nos que havia transado com ele. Tema quase teve um troço engasgando com a coca que tomava. Porque sim... Para ser de três semanas, foi naquela vez.

Olhei outra vez para os sushis a minha frente. Ele não comeu nada desde ontem, é melhor levar algo. Peguei alguns dos sushis maravilhosos que Temari preparou e montou, e encaminhei-me até os pinheiros que rodeiam a parte coberta do forte. Onde ele está? Será que saiu e foi até o córrego que Naruto encontrou? Hum, provável. Estamos todos com aparências horríveis. Eu então!! É melhor não ressaltar o tanto que os meus cabelos ressecaram com aquela água salgada e gélida... Olhei para dentro do forte, a procura de Neji, e pude encontrá-lo sentado, com os olhos fixos no chão cimentado, ao longe.

Tomei cuidado com meus passos, caminhando com mais sutileza. Quando era criança, sempre adorava quando minha mãe trazia-me um doce sem avisar, surgindo quando eu menos esperava. Bom, trocando-se minha mãe por mim e os doces por sushis, quem sabe não dê certo e ele se anime? Ver os olhos perolados dele tão afundados em desânimo e tristeza entristecem-me também. De todos aqui, ele é de longe o mais valente, é como se tivesse alma de um guerreiro medieval, de um cavaleiro, sei lá. Ele até mesmo se parece muito com um! Caramba, okay, acho que estou viajando. Mas não sei bem, a determinação dele lembra-me os fortes guerreiros de Ilíada.

_ Hey cavaleiro, vai ficar aí parado até quando? – chamei, abaixando-me e sentando-me de frente para ele. Os olhos dele agora estão confusos, com certeza pelo que disse. Ri de canto, passar de “arrogante” para “cavaleiro” só poderia ter vindo dessa minha mente que sofre interferência quando o assunto torna-se ele, Hyuuga Neji. _ Trouxe sushi. – informei, colocando o pequeno pote branco com o lanche que Temari nos fez sob seu colo.

_ Cavaleiro é? – ele interrogou-me, erguendo uma de suas sobrancelhas em nosso jogo particular. Respondi, fazendo o mesmo e sorrindo. Ele riu brevemente, olhando os sushis. _ Não me arrependo de ter te tirado daquela câmara se... – não o deixei continuar, ele acha que estou chamando assim por conta daquela vez? Não passei a tolerá-lo melhor por isso, tão pouco me arrependo das nossas conversas quando fomos transferidos para aquelas barracas. Aliás, ele é tão certinho... Me lembro com detalhes do que ele disse. Assim como me lembro da frase que ele me falou antes de dormirmos.

_ Acha que te chamei assim por assim por isso? Não perca seu tempo Hyuuga, eu colocava apelidos nos meus colegas de sala sem ter nenhum motivo. – respondi, observando-o comer os sushis devagar.

_ Então me chamou de “cavaleiro” do nada? – ele indagou com seu timbre grave. Timbre que acabei acostumando-me sem querer.

_ Não... – confessei, sorrindo. Ai que merda! Por que minha boca tem que ser tão grande??? Devo estar parecendo a Hinata nesse minuto. _ ... Ah, sei lá... Porquê você parece um. – expliquei, mirando o chão cimentado. Ótimo Tenten, pague de idiota!!! Porque eu disse isso para ele?! É óbvio que ele vai rir da minha cara como antes.

_ Um cavaleiro de cabelo curto? – ele interrogou seriamente, olhando-me diretamente; e eu encarei a imensidão perolada que seus olhos formam sob a luz do sol.

_ Um cavaleiro continua sendo um cavaleiro, mesmo que perca seu escudo na guerra. – afirmei, tão séria quanto ele. Não vou permitir que ele deprecie-se dessa forma. Os olhos dele são uma intensa armadilha. São como a lua, e tal como ela, tem que continuar brilhando sobre a escuridão. Avisando os pássaros de que os lobos se aproximam, e mostrando-lhes o caminho mais curto para escaparem da morte. Arrastei minha mão, movendo-me para trás. Ele está aproximando-se demais... E como um lobo, estou sendo distraída pela lua em seus olhos. Ele tomou-me os lábios, e eu arregalei os olhos, completamente sem ação.

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Naruto POV´s:

Mano, essa água pode ser mais fria que sorvete norueguês, mas tem algo mais divertido que o mar? Fala sério! Meu padrinho e eu íamos a praia todas as férias de verão. Ah... Meu padrinho... Finalmente estamos na reta para a liberdade. No caminho de volta para casa. Aqueles bandidos malditos vão se ver com a gente! O que quer que sejam, qual for a ação dessa quadrilha de merda, vamos liquidar. Vamos liquidar um por um e mandá-los para a cadeia!!! Que é lugar deles. Às vezes minha cabeça não consegue dar-se conta totalmente que estamos fora daquele lugar. Quando o impossível torna-se possível, nem sempre acreditamos de cara. Acho que todos estão sentindo-se assim.

Mas tenho que admitir que estar desse jeito prestou para algo. Há tanta energia em cada fibra do meu corpo que simplesmente não estou conseguindo ficar parado! Shikamaru e eu passamos a manhã pescando, e o teme tinha que ter estado aqui para ver como eu posso ser um verdadeiro gênio com animais. Os peixes me adoram!!! Aquele cabeça de abacaxi do Shikamaru, como o Neji diz, apenas recolheu os pescados, a corrida atrás dos peixes foi de toda e completa autoria de Uzumaki Naruto. Prendi o ar e mergulhei mais uma vez na água, nadando depressa. Eu preciso descarregar essa energia ou não irei dormir de novo. Noite passada, por mais que meus olhos clamassem para serem fechados, meu corpo simplesmente não permitia. Estava com a cabeça em mil lugares, em mil mundos ao mesmo tempo. Minha cabeça estava com o teme, que demorou um século para voltar da vistoria dessa área. Minha cabeça estava junto do cabeça de pimenta, não consigo nem imaginar como ele estava se sentindo e como ainda deve estar se sentindo. Por alguns instantes, quando a rosada nos disse que a projeto de stripper estava grávida de sei lá quantas semanas, achei que o Gaara iria surtar de vez. Hoje pela manhã, quando apenas Shikamaru e eu estávamos acordados, os vi dormindo, e enfim me senti aliviado. Gaara pode ser uma variedade de coisas, pode esconder muito da gente, mas ainda é nosso amigo, e eu me preocupo com ele. Como me preocupo com qualquer um de que está aqui, até mesmo com elas. Sem querer, passamos a ocupar o mesmo mundo e ter o mesmo objetivo. O objetivo de deixar aquele canil imundo e ver a luz do sol sem que nenhuma grade obstruísse nossa visão. Também, ver o Neji com os cabelos na metade das costas me deixou igualmente tenso. Ele pode ser o cara mais chato do planeta algumas horas, não, o cara mais chato do planeta às vezes é o teme. Mas não importa, ele sempre foi muito vaidoso. Na certa isso deve estar afetando ele, mesmo que ele feche a cara e nos diga que não está ligando. Porém, acho que temos que ver o lado positivo disso tudo. Estamos fora daquela droga de prisão!!! Isso é mais do que motivo para esquecer os problemas um pouco e comemorar. Comemorar sem o receio de que algo estrague nosso grande passo. Duvido que eles irão achar que ainda estamos vivos, que conseguimos enfrentar esse mar. Ou se acharem, estaremos à frente deles. Esse forte está abandonado, podemos nos refugiar por aqui por quantos dias for necessário, até que encontremos algum sinal de cidade.

Meus pulmões já estão pedindo ar outra vez, voltei a superfície, e a primeira imagem que os meus olhos detectaram foi a dela. Sentada tranqüilamente na areia, segurando os cabelos para que o vento não os atrapalhe. Será que ela não vai querer vir nadar? Ser o único para cima nesse lugar é foda...

_ Hey Hinata!!! Não quer vai vir nadar?! – perguntei, acenando para ela. Mas ela somente gesticulou com a cabeça, movendo-a de um lado para o outro. O quê?! Ela não vai vir nadar?! Eu não aceito!!! Quero alguém para nadar aqui comigo, que raiva. O teme é um imprestável mesmo... Belo melhor amigo o meu, me trocando por aquela rosada. Ela é tão na dela, tão analítica; quando se está feliz, o bom é estar ao lado de pessoas nada racionais. E é exatamente assim que me sinto hoje.

Não esperei, corri em direção da Hinata. Ela está um tanto vermelha... Caralho, será que ela está passando mal? Me abaixei para olhar para ela mais de perto. Nossa!! Ela está mesmo vermelha!!!

_ Você está legal? – perguntei, olhando bem o rosto dela. Ela é tão branquinha, delicada como uma boneca de porcelana. Olhei para os curativos em seus dedos. Isso foi culpa minha... Não consegui pegá-la daquela hiena do Hidan a tempo. Meio que em automático, suspirei. Machuquei cada unha dela, sou mesmo um avoado... Um imbecil de primeira.

_ E-Estou... – ela respondeu, com a voz baixinha, mas doce. Eu achava cada nota de seu timbre de voz irritante. E, é como se agora, esse timbre não me incomodasse mais. Não me incomodasse nenhum pouco. Ela me olhou, acho que percebeu meu olhar em suas unhas... _ A Tenten disse logo irão sarar. Só não posso molhá-las, por isso não posso entrar no mar. O sal pode infeccionar.

Tem razão. Completa razão. Eu sou um anta mesmo, como não pensei nisso antes? Se ela entrar no mar, os curativos vão se deslocar também.

_ Mas podemos fazer outra coisa. – outra coisa? Que outra coisa....? Ah!!! Um jogo!!! Não contive minha euforia, e bati um de meus punhos sob a palma da minha outra mão. É isso. Um jogo. É... Mas qual jogo? Olhei em volta da praia. Praia... Praia... Areia... Vôlei!!!

_ Podemos jogar vôlei!!! – exclamei. Problema resolvido. Vamos jogar vôlei.

_ Boa ideia... Mas não temos bola. – bufei irritado. Merda, é verdade. Onde vamos arranjar uma bola? Deixei que meu corpo caísse para trás na areia. Não tem nada legal para fazer aqui.

_ Que tédio... – comentei, olhando para o céu. O céu daqui é tão coberto de nuvens, já deve passar de umas quatro da tarde, estou certo. _ ... Hinata, acha que vai chover? – perguntei. Não sei, essas nuvens estão meio acinzentadas. Se chover não sei como faremos. A parte coberta do forte é muito pequena, melhor falar com o Shikamaru. Vamos ter que usar as lonas que ele trouxe para montar uma espécie de acampamento, ou vamos tomar muita chuva, provavelmente.

_ Não sei. Mas não é melhor ficarmos na parte coberta do forte? Ninguém pode se dar ao luxo de ficar doente. – Hinata disse, levantando-se do chão. Sorri de canto, sua calça jeans está coberta de areia.

Em um pulo, me levantei. Sorri um pouco mais, a cara dela também está um pouco engraçada. Acho que já se esqueceu do quanto versátil eu posso ser. Não ganhava do Lee naquele lugar em acrobacias, mas agora, só com a gente, ninguém me passa nisso.

_ Eu nunca tentaria fazer algo assim. – Hinata comentou, rindo.

_ Ah, nem é tão difícil... É só você... Fazer. – expliquei, sentindo meus pés afundarem-se levemente nessa areia.

_ Você é tão simples. – sorri. Não sei se sou simples, apenas não gosto de complicar o que as palavras são insuficientes para explicar. Complexidade demais no dia a dia cansa, e eu sempre me cansei disso. Temos de viver um dia após o outro. E confesso que ter passado tanto tempo naquele lugar me reforçou essa sensação. Não saber se estará vivo no dia seguinte é realmente algo agonizante. Eles testavam-nos até o último fio de cabelo, até o limiar de nossa sanidade e força. Na moral, ela anda tão devagar. Que isso!! Assim não chegaremos na parte coberta do forte ainda hoje.

A peguei no colo, segurando-a firmemente nos joelhos e em suas costas. Ela é muito leve, e tê-la assim, só me faz lembrar do sufoco que passamos fugindo naquelas barracas em direção aos túneis. Cara os túneis... Não sei o que me deu, mas ver aquele maldito do Deidara arrastando ela de volta fez meu sangue ferver. Não vi praticamente nada na minha frente, só afundei a faca que de Hidan na perna daquele louco. De fato, parece que já estamos aprendendo a lidar com a morte como vizinha. Mas não quero aprender a lidar com ela. Quero estar longe da morte... E enfim acho que nos distanciamos dela. Um pouco. Desviei meus olhos para Hinata. Até que a pele branquinha dela fica legal com esse rosar em suas bochechas. Vai ver, é isso. Ela deve ficar vermelha assim de natureza.

_ P-Porque está sorrindo? – ela perguntou, segurando-se mais forte em meu pescoço. Tanto ela quanto o restante das meninas estão muito cansadas, é nossa obrigação como homens não cansá-las ainda mais.

_ Estou feliz em estar fazendo algo para o plano. Não ajudei muito nas idéias, mas finalmente estou me sentindo mais útil. – confessei, recebendo um sorriso por parte dela. Não compreendi totalmente o porquê, mas esse sorriso somente fez-me sorrir ainda mais. Há umas semanas atrás, eu jamais admitiria isso, mas é como se esse jeito singelo dela de sorrir trouxesse uma calmaria a tudo. É, minhas energias estão começando a drenar...

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Sasuke POV´s:

A noite já surgiu novamente. E acompanhado dela, esse interminável frio toca nossas peles, cortando-as levemente. Vai chover, e não será uma chuva nada branda. Nessa época do ano, costuma chover consideravelmente no leste europeu, que é onde muito provavelmente estamos. Nas divisas da Rússia com algum país ex-socialista recente... Essa atmosfera de guerra. É como se cada centímetro desse lugar carregasse uma dose de sangue, de radiação, de pólvora. E é nesse lugar mortífero que finalmente a felicidade começou a brotar em nós, mas eu ainda não sinto seus efeitos em mim. Ainda há algo errado, posso sentir. Eles não irão deixar nossa fuga por isso mesmo, como um arquivo policial antigo que é entregue as traças em uma gaveta trancada. Eles não irão arquivar nossas faces, não vão desistir de nos procurar. Se já não estão a fazer isso nesse exato momento. Nossa principal prioridade agora é nos recuperarmos de cada sequela que essa fuga nos deu. Nossos corpos estão desgastados, seremos alvos fáceis se eles descobrirem este lugar antes de migrarmos para o norte. Temos que encontrar uma cidade. Uma cidade agora é nosso total foco. Nossa próxima meta. Encontrando uma cidade vamos estar assinando nosso passaporte de volta, e também o deles para a cadeia que os espera. O dobe os denomina como uma quadrilha, mas eles são uma verdadeira máfia. Todo aquele lugar é algo sub-humano, com uma infraestrutura que para eles manterem, somente uma máfia. Não sabemos e talvez nunca saberemos com precisão o que eles são, mas não importa o quão grande tudo for, vamos botar abaixo. Vamos explodir cada local como aquele, cada um dos campos de concentração que eles tenham.

Eu já não acreditava nisso, todas as minhas cartas haviam sido descartadas. Mas desde o momento em que a vi naquele lugar, uma parte de mim teve a exímia certeza de que daria certo. De que se juntássemos cada vantagem contida em nós, conseguiríamos fazer esse plano dar realmente certo. E eis que o êxito finalmente chegou, uma pequena porcentagem dele. Isso ainda não acabou, e por mais que meu subconsciente queira acreditar nisso, sei que não acabou. Toquei o tronco do pinheiro ao meu lado. Vim até aqui avisá-la de que a chuva irá dar suas boas vindas, mas vendo-a assim, refletindo sobre água, parece um hediondo crime interrompê-la.

_ O que quer Uchiha? – a astúcia dela é mesmo impressionante. Não sei como ainda surpreendo-me com isso. Os olhos verdes dela enxergam por dentro das sombras, em exatidão aos meus. Sorri de canto, aproximando-me da pedra na qual ela está sentada, imergindo os pés nesse córrego que parece fluir lentamente, seguindo a lua. A noite nesse lugar leva o sangue daqueles que aqui tombaram.

_ Vim lhe chamar para voltar ao forte. Vai chover e os caras e eu montamos um acampamento improvisado. Hoje vamos passar a noite mais protegidos desse frio. – revelei, encarando o céu negro acima de nós. Poucas estrelas brilham, nenhum som é ouvido. No entanto, saber que não estamos mais presos a aquelas grades enferrujadas é animador, ou ao menos um pouco.

_ Isso é ótimo, mas é bom sairmos daqui amanhã mesmo. Tenho certeza que eles estão no nosso enlaço. – ela disse, retirando os pés da água. Ainda não me encarou, está fugindo de mim. Nenhuma garota fugiu de mim. Mais uma vez, ela é a única exceção.

_ Vamos. – ela proferiu, erguendo-se e saltando da pedra. Fiz o mesmo, encarando o tom cor de rosa de seu casaco.

No entanto, ela sabe que não poderá fugir por muito tempo. O que já criou-se em nós clama para ser completado, para ser descoberto ainda mais. Deixei-a dar mais alguns passos, e desviei meus olhos para localizar o próximo pinheiro. Está ficando difícil, quase árduo encará-la e não ter outra vez o sabor intrigante de seus lábios nos meus. Neji está mais do certo, ela pregou-me algum feitiço. Um feitiço poderoso e torturante, mas que não irei mais lutar para resignar. Quando o vício torna-se mais forte que a capacidade de respirar, tudo que se resta é ceder a ele. Ceder... Ceder e ter mais. Segurei seu braço rapidamente, prensando-a contra o pinheiro em nosso caminho. Seus lábios se abriram na vã tentativa de falar algo. Isso, vã. Eu não permiti que ela prosseguisse, tomei-lhe os lábios com a pressa que está a brotar em mim, e que sei que também está nela. Invadi sua boca sem consentimento, mas logo ela me dera este e mordi seu lábio inferior, saboreando cada segundo desse beijo.

_ S-Sasuke... – ela sussurrou, ofegante, tentando empurrar-me. Mas segurei a cintura dela com firmeza, apreciando a pronúncia do meu nome vinda dela.

_ Não adianta fugir de mim, eu sempre vou trazê-la de volta. – assenti aproximando minha face de seu ouvido direito, e retirando seus cabelos macios com uma de minhas mãos, segurando-os com fugacidade. Pude ouvir seu suspiro sôfrego, e com força mediana puxei-lhe os cabelos, para que seu pescoço esteja livre para saciar minha pressa.

Rocei meus lábios na pele de textura fina dela, mas segundos depois pude sentir suas mãos espalmarem meu peito, em um empurrão potente. Ágil, ela correu por entre o chão coberto de neve, e ouvir sua ofegante respiração afastando-se junto de seus passos, desajeitados, fizeram-me curvar o mais satisfeito dos sorrisos. Não adianta o quanto ela procure um refúgio, o quanto ela tente fugir, aí está a prova viva de que... Que eu ainda estou nisso. Ela me quer na mesma medida... E eu irei quebrar sua típica inexpressão de vez. Estou no começo, e sei que a tarefa não será nada fácil, tratando-se das munições dela, mas irei derrubar as paredes que ela reconstrói dia após dia. O ardente som dos trovões despertou-me do estado de transe que somente ela consegue colocar-me. É melhor dar o fora daqui... Essa chuva não será nada amigável.

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Temari POV´s:

O barulho dessa chuva está impressionante. Acho que em muitos anos em Olympia, jamais presenciei um temporal como esse. Ainda lembro-me muito bem de como o clima lá era algo desprezível. Sendo uma cidade historicamente universitária, o clima não é tão importante como os dilemas vividos pelos estudantes. Ah... Essa noite vai ser longa, muito longa. Mas tenho de admitir, até que esse acampamento improvisado que os rapazes montaram não está nada mal. Dá para sobrevivermos a mais essa noite. Sobrevivermos... Há meses isso é tudo que vínhamos buscando. Nossa sobrevivência no dia de amanhã. Cada noite naquele lugar fétido e irritante era uma noite sem amanhã, se é que isso é possível...

_ Muito obrigada Ino, você me salvou! – ouvi Tenten falar, e então voltei meus olhos para a cena que está logo diante de mim. Ino está arrumando os cabelos de Tenten e Hinata. Refez os coques da Tenten e aparou um pouco das pontas com o auxílio da faca que o loiro conseguiu com aquele pirado do Hidan. Tenten passa tanto tempo com esses coques que já havia me esquecido do quanto os cabelos dela são bonitos. Não sei aonde cada uma das críticas dela cabe. Os cabelos dela são versáteis, dá para deixá-los cacheados ou lisos, e ela ainda coloca defeito sobre eles, não sei como. Os meus são complicados de deixar soltos, igual ao de minha mãe. Quando soltos, eles ficam lisos além da conta, e meu rosto dobra de tamanho. Ai, um horror!! Por isso os prefiro assim, desorganizados ao meu modo, está mais do que ótimo.

_ Sua vez, amiga. – a voz de Ino adentrou meus ouvidos. Rangi os dentes. Não sei se nossa amizade irá ser como antes. Ela não poderia ter escondido essa gravidez da gente, ainda mais do Gaara. Depois de quase dois anos... Meu irmão abraçou-me novamente. Nunca o vi daquela maneira antes, completamente devastado, sem onde se apoiar. Essa garota passou dos limites, todas nós confiamos umas nas outras, e ultimamente, até a rosada se enquadra nisso. Ela tornou-se realmente nossa amiga. E ao contrário da Ino, mesmo que ela nos omita muito a respeito de sua vida, ela sempre agiu dessa maneira, não mudou de um dia para o outro e escondeu-nos algo além de sério. Nem mesmo a Hinata ela contou alguma coisa, poderia ter morrido naqueles túneis e foi uma irresponsável de primeira categoria. Arriscou tanto sua vida quanto à do meu sobrinho, e taí o resultado: o matou. Meu sobrinho... De fato não esperava pensar algo desse tipo tão cedo. É, a vida é uma grande pegadora de peças. Não devemos traçar caminho algum com convicção total, que a vida sempre virá e nos recordará de sua supremacia sob nós, meros mortais. Sei que receber uma notícia tão forte quanto essa não deve ter sido lá fácil para ela, mas ela deveria ter usado a cabeça pelo menos uma vez e pensado no que era seguro. Pensado no que carregava dentro de si. Não sei quando essa raiva que está tomando conta de mim agora vai passar, mas eu também estava ligada aquele bebê. Confesso que crianças nunca chamaram-me atenção, pelo contrário, sempre quis distância delas. Mas se algum dia fosse mãe ou tia, daria tudo de mim para cumprir meu papel. Meus irmãos e eu jamais tivemos uma família concreta, simplesmente um pequeno esboço, que quando pequena, era nada mais do que o meu esboço. Esboço que eu fazia questão de ingenuamente agradecer, até que com o passar dos anos fui dando-me conta de como nossa família era desestruturada. E é exatamente por isso que se fosse mãe ou tia, tentaria o diferente. Mas agora já não tem mais volta, não há o que se fazer... Uma parte de mim grita que estou a cometer uma injustiça com Ino, e talvez eu esteja. Não faço ideia do que ela passou, mas não cometerei o mesmo erro com Gaara de novo. Dessa vez, irei proteger meu irmão. Fui uma completa imbecil deixando-o sozinho anos atrás, condecorando-o como não mais meu irmão. Laços são difíceis de serem cortados, e algo diz-me que minha raiva tem uma dose desse fato. Eu queria ter ajudado Ino.

_ Caramba hein projeto de stripper! Você leva jeito para essas coisas. – Naruto comentou, ajudando o Hyuuga a ascender outra fogueira com o isqueiro que o Nara trouxe.

Ino apenas arqueou uma de suas sobrancelhas, acho que ela já havia se desacostumado a ser chamada de “projeto de stripper” pelo Naruto. E pensando bem, cada um dos apelidos que colocávamos uns nos outros está caindo. É, querendo ou não, a convivência nos aproximou. Já não o chamo de “preguiça humana” com a frequência de antes, e tudo isso deve-se aqueles dias que fomos rebaixados a dormir em barracas. Realmente, ele é muito inteligente, e joga xadrez japonês como nenhum outro. Naqueles dias, tivemos uma convivência tão pacífica e... Legal, que quando as memórias voltam a vagar em minha mente, parecem até ilusão. Foi bom, tenho que ressaltar. Mas bater nele ainda é extremamente recompensante. Seja com meus próprios punhos, seja com um peixe.

_ É Ino, você tem as mãos muito leves. – Hinata disse de modo gentil, inclinando a cabeça e sorrindo para Ino.

_ Você daria uma boa mãe, meio maluquinha, mas uma boa mãe. – as palavras de Tenten pegaram-me de surpresa, assim como a Ino. Hinata sorriu em concordância, e pude constatar o olhar fixo de meu irmão nela. Meu olhar também dirigiu-se a ela.

Não havia parado para pensar, mas talvez... Tenten tenha razão.

Ino desfez o sorriso que a pouco tinha no rosto, olhando por alguns segundos para baixo. Duvido que todos tenham percebido, mas acho que agora que a fica dessa garota está caindo. Não sei o que faço. Não sei se devo conversar com ela. Ino nunca foi de ouvir ninguém. Mas... Não sei, tenho a impressão de que ela irá desabar em breve. Ela ainda não se deu conta do que realmente houve.

Vi os olhos do Hyuuga sob Tenten, de novo. O que houve entre eles? Para eles olharem-se em seguida e desviarem o olhar, houve algo. Posso estar vendo coisas, afinal, sei perfeitamente que não estou no meu melhor estado por hoje. Mas a minha amiga parece meio desconfortável. E esse garoto também. É, se não houve algo, estou com sérios problemas de visão. Percorri meus olhos por esse lugar mais uma vez. O Uchiha foi chamar Sakura mas até agora não retornaram. Não sei, taí outro caso que as informações não andam se encaixando. Mas que ela está fugindo dele como o diabo foge da cruz, isso está!

_ Chega de lenha, Naruto!! Está ótimo já. – a fraca voz de meu irmão fez-me voltar ao planeta. Esse moleque está mesmo gastando lenha demais, assim não vamos ter lenha para queimar a noite toda.

_ Precisamos de lenha para queimar a noite toda, esse lugar já está mais do que aquecido. – é incrível a capacidade desse idiota de adivinhar o que estou pensando! Sério, estou começando a achar que os fundamentos sem noção de Tenten não são tão sem noção assim. Me recusava a acreditar, mas é. Até que temos algo de parecido. E eu irei derrotá-lo no xadrez japonês. Sorri da minha maneira imperceptível. Esse banana está ferrado... Ou ao menos, vai ser uma batalha interessante. Estiquei minhas pernas sobre o casaco que coloquei no chão para sentar-me. Minha sorte foi ter vindo com dois casacos, porque como temos só a mochila da Tenten com roupas femininos, seria maçante ter que pedir roupas emprestadas a esses malas.

Outra imensa sorte foi o loiro ter encontrado aquele córrego com águas termais, o que não é tão raro, considerando que estamos em uma área bem montanhosa. Fragmentos nas rochas são muito comuns. Se não há ninguém aqui que entenda mais de história que o Hyuuga, não há ninguém aqui que entenda de geografia tanto quanto eu. Espero que isso me ajude a colaborar mais com o plano. Por que é mais do que evidente que não podemos ficar aqui para sempre, temos que encontrar alguma cidade ou vila, sei lá. Qualquer coisa que se assemelhe a isso já está valendo. O tenso será que muito provavelmente se encontrarmos pessoas, elas não irão falar a nossa língua. Mas acho que a Hinata pode resolver esse empecilho, ela fala mais quatro línguas além do natural francês dela. O ótimo é que finalmente me sinto limpa outra vez! Mas teremos que economizar no shampoo também. Tenten só trouxe um vidro, e para dividir entre todas nós, com certeza vai acabar rápido. Arg, temos que encontrar uma cidade o mais depressa que der. Nada contra essa mata de pinheiros, mas confesso que prefiro o mínimo de conforto a viver perdida no meio da vegetação.

_ Vai te catar Shikamaru! Eu sei o que estou fazendo! Você disse que eu não iria conseguir pescar? Então, aqueles peixinhos assados ali provam a minha eficiência na vida fora dos recursos da civilização. – “recursos da civilização”? Nós estamos em um ex-campo de concentração nazista, não sei onde esses recursos estavam disponíveis em abundância para gente.

_ Naruto, acorda!! Nós estávamos em um ex-campo nazista. Isso não faz sentido. – a qual é o truque? Esse cara só pode estar de brincadeira!!!

_ Uou!!! Quer que a gente ligue para o 911, Sakura? – Naruto zombou rindo e encarando a entrada da parte coberta do forte. Nossa, essa garota tomou uma bela chuva e está totalmente descabelada e até meio desconjuntada. Para alguém como a Sakura, é no mínimo incomum uma imagem como essa.

_ Vai a merda dobe... – o Uchiha surgiu logo atrás dela, defendendo-a. Olhei para Tenten, claro que ela está pensando a mesma coisa. Acho que o 911 não vai resolver nada. Afinal acho que o moreno ali já deve ter dado uma de bombeiro. Mas pelo visto, ela não gostou dele a ter defendido. Somente o olhou com a pior das expressões, como se silenciosamente dissesse que não precisa de nada vindo dele.

_ Vai a merda você teme. Melhor amigo mais ingrato. Sumiu o dia todo e nem deu satisfações. – Naruto rebateu cruzando os braços e bufando irritado.

A risada do Hyuuga misturou-se a rouca risada dele. Esses dois sempre concordam de cabeça quando pensam o mesmo, mas não costumam rir juntos.

_ Não conhecia a sua versão carente de melhor amigo, Naruto. – o Hyuuga debochou, colocando seu casaco cinza. Os ventos estão começando a soprar com mais violência sobre nós. E além de chuvosa, essa madruga vai ser de novo uma geladeira. Se não pior, um freezer.

O loiro ergueu o dedo médio na direção do Hyuuga, que apenas sorriu e devolveu o carinhoso gesto. Eles são assim o tempo todo? Um provocando o outro como um bando de cães? Que coisa mais infantil. Não é à toa que as mulheres são biologicamente mais maduras...

_ Sakura, você muito molhada!!! Vem aqui, ainda sobraram algumas roupas da Tenten... – Hinata chamou e ela caminhou inerte até o cantinho onde Ino está aparando as pontas do cabelo de Hinata. Acho melhor esses manes não mexerem com ela hoje. Sobretudo o Uchiha, é quase palpável a instabilidade dela.

_ Se troca do outro lado Sakura, lá também está coberto. – Ino informou, e Hinata entregou a ela a calça vermelha e a blusinha branca da Tenten. Eu adoro essa blusinha, se não fosse tão justa, teria escolhido ela. Esse é o problema da Tenten, essa mania de roupas justas. Mas ainda bem que a mania dela não passa nem perto da mania da Ino. Porque as roupas da Ino não são justas, são mais que isso. Mas aqui, só com as roupas da Tenten a disposição, é a primeira vez que a vejo com uma calça de moletom e uma blusa também de moletom. Se bem que esse frio não nos dá muitas escolhas.

Enquanto Sakura caminhava até o outro lado dessa parte do forte, pude perceber que esses moleques de nível jardim de infância comentavam algo, e mais uma vez Neji e Tenten entreolharam-se. Um olhar meio cúmplice, na minha opinião. Há mas essa garota vai ter que me contar o que diabos ocorreu! Ela sabe o quão perigosa eu fico quando curiosa. Olhei-a, passando um dedo em reta pelo meu pescoço, sei que ela entendeu.

_ Gente, se não se importarem, eu vou ajudar a Sakura com as roupas. – Ino proferiu, se levantando do ninho de casacos que Hinata formou abaixo de si, com uma grandiosa contribuição do loiro barulhento. De novo, ele emprestou seu casaco alaranjado para ela. Não entendi qual foi essa de dar uma de lorde, mas confesso que aprovei. Enfim um desses caras fez algo útil a gente.

Meu olhar novamente encontrou o dele. Não sei como ele faz isso. Como adivinha exatamente o que se passa pela minha cabeça e tem a capacidade de me olhar no mesmo minuto que eu o olho, mas vou descobrir. Não gosto de ser invadida dessa forma. É como se ele estivesse ultrapassando as faixas sem que meus sinais permitam. Preguiça. Uma verdadeira preguiça em forma humana.

_ Qual foi problemática? – ele indagou, sorrindo de canto. Acho que ele quer outro peixe nas costas.

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Ino POV´s:

Sakura sabe muito bem se vestir. Mas não me veio outra desculpa para sair depressa de lá. Esse ardor dentro de mim está insuportável, tem um vazio aqui. Um vazio que parece que apenas agora minha mente reconheceu. Levei minhas mãos ao rosto, tenho que suportar por mais alguns minutos. Não posso chorar na frente de alguém.

_ Ino? – Sakura se pronunciou, já está vestida. E está muito bonita com esse conjunto, tenho de admitir. Para garotas como ela, Hinata ou Temari, esse tipo de roupa fica bem casual. Não consigo ver-me assim. Só não tiro esse moletom brando porque o frio está consideravelmente presente, e hoje não tenho forças para enfrentá-lo.

_ Deveria ir até a fogueira, seu cabelo está muito molhado, pode pegar uma gripe. – alertei, escorando-me na parede de tijolos ao meu lado.

_ É, sei disso. Não se preocupe. – ela afirmou, aproximando-se. Não posso dar bandeira agora... _ Você está bem? Estou te achando um pouco abatida. – droga! Nunca fui muito boa em disfarçar meus sentimentos, talvez devesse pedir a ela alguns conselhos. Sakura é realmente muito boa nisso.

_ Só estou um pouco cansada. – preferi por dizer algo que em parte é verdade, quem sabe assim não consiga passar pelo olhar biônico dela. Sakura capta tudo no ar, e tem uma força impressionante. Eu gostaria de ter algum resquício de resistência agora.

_ Okay, vou indo. – ela proferiu, caminhando para o outro lado do forte novamente. Pelo menos alguém compreende minha vontade de ficar sozinha, de poder enterrar-me viva sem incômodos.

Logo que sua sombra se foi, sentei-me nesse chão de puro concreto. Mas para meu azar, outra sombra surgiu. A dele, parado na entrada dessa lacuna. Uma brisa gélida moveu meus cabelos, assim como os vibrantes fios escarlate dele. Esse escarlate... Eu havia o imaginado com os cabelos nesse mesmo tom... Novamente fortes nós formaram-se em minha garganta, essa dor contínua, dilacerante. Esse vazio insuportável... No fim das contas, algo em mim se apegou a ele, e chora interminavelmente por sua morte. Levei depressa minhas mãos ao rosto, não conseguindo mais conter essas malditas lágrimas. Ah!!!! O que está acontecendo comigo?!?! Dói tanto!!! Minha mente apagou outra vez, dando lugar a essa terrível imensidão de escuro e vazio. Quando finalmente a sensatez voltou-me em poucos respingos, estava chorando desse modo compulsivo e sufocando-me com meu próprio fôlego. Na frente dele.

_ Ino!!! Ino!!!! – ele chamava-me em total desespero, mas eu não conseguia responder, tão pouco retirar minhas mãos de meu rosto como ele está tentando fazer. Não!!! Não quero que ele me veja assim!!! Estou assustando-o mais do que já fui capaz de assustar. Sou uma completa inútil, sempre fui. Não fui útil nem em ao menos proteger o meu bebê. Tudo em função do medo dele rejeitá-lo, do meu medo de aceitá-lo!!! Agora é tarde demais. Tarde demais para querê-lo de volta...

Meu choro deve estar demasiadamente alto, pois ouço passos se aproximando apressados de nós. Nem quando pretendo esconder-me obtenho sucesso, sempre acabo fazendo alguma merda e chamando atenção. Mas não era isso que eu sempre tinha em mente? Chamar atenção?! Arg, quero sumir... Quero ir junto do meu bebê. Senti as mãos dele puxarem as minhas com mais força, e não pude vencê-las. Não tenho forças suficientes para isso.

_ Para!!! Olha para mim!!! – o tom autoritário e suplicante dele fez-me encarar embassadamente seu rosto, em pânico. Nunca vou conseguir isto também, nunca vou conseguir manter o que disse a ele. Só sei assustá-lo, enraivecê-lo e piorar seu estado. Deixei-me cair sobre ele, inerte, sem qualquer aparato para sustentar-me mais. Mas ele sustentara-me, e a forma firme como seu corpo trêmulo acolheu ao meu, despedaçado, apenas fez-me chorar mais. Apertei meus braços ao redor de seu pescoço. Eu preciso contar a ele que não o protegi, que não evitei que nosso bebê morresse. Que fui uma covarde.

_ Eu não fiz nada Gaara... Você sempre teve razão... Sou uma inconsequente... – proferi, tentando buscar o ar que falta em meus pulmões.

_ Se não fosse por você nunca teríamos deixado aquele lugar, foi um acidente Ino... Um acidente. – ele disse, e sua voz rouca soou como um consolo para mim. Pelo menos ele não me culpa totalmente. Reconheci a voz de Sakura ao fundo, pedindo para que todos saíssem, e mais uma vez, ela trouxe-me um pequeno porto seguro. Que vergonha, todos me vendo nesse estado... Chorei mais, desde pequena sempre odiei que me vissem chorando, e hoje em dia percebo o quanto isso ainda está marcado no que me tornei. Na merda que me tornei.

_ Ino, para. Não tenho ideia do que posso fazer para te ajudar... – o baixo pedido dele fez-me abraçá-lo mais um pouco. Eu não vou conseguir manter essa promessa, não vou. Eu só sei confundi-lo, só faço mal a ele. Sempre fiz. Não vai ser agora que vou conseguir mudar o rumo da estrutura torta que de alguma maneira, construímos.

_ Gaara... Me perdoa. Eu faço tudo errado!! Não vou conseguir cuidar de você. Eu não fui capaz nem de cuidar nosso bebê... – desabafei. Nunca pensei que abraçar um garoto fosse tão reconfortante, quanto mais sendo ele o garoto em questão. É como se os braços dele estivessem levando um pouco desse vazio que se abriu em mim, me trazendo a superfície outra vez.

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_ Ino... Se tem algo que esses caras me ensinaram, foi que nunca é tarde para a gente tentar concertar as burradas em série que cometemos. E como um assassino, posso dizer isso com certeza. – o peso em suas palavras é tão perceptível como a dor que está se apossando do meu peito nesse instante. Mas a sinceridade nessas mesmas palavras trazem-me alguma liberdade. Ele também não me culpa pela morte de Sai. E isso somente me faz enxergar que a Hina está certa. Temos que tirar de vez das nossas vidas o passado trágico que nos uniu. Suspirei, tentando me acalmar e finalmente consigo notar uma pequena dose de força em mim. E com esta afastei-me dele, usando das mangas desse confortável moletom branco para secar minhas lágrimas e quem sabe deixar-me menos horrível.

_ Não acha que é tarde demais para... Para tentarmos começar de novo? – perguntei, focando-me em nada além do rosto dele. Já havia notado o quanto ele é bonito, mas acho que me tinha passado despercebido como somos iguais. Dois confusos, briguentos, nada normais. Mas eu o prefiro assim. Exatamente assim. Os gritos dele são muito irritantes, o jeito como ele sempre achou que mandava na minha vida. Mas eu também não tenho muito a falar, sempre o chamei de nomes nada delicados. Jamais me senti tão nervosa como agora. Não na frente de um cara. Preciso saber o que ele vai...

_ Não acho.

Não foi necessário que ele dissesse mais nada para que minha mente assimilasse essas duas simples palavras. Quando dei por mim, tinha esquecido-me da minha aparência deplorável e estava pedindo passagem em sua boca. Passagem que concedeu, compartilhando de minha febre. Seus braços rodearam-me outra vez, e minhas pernas transpassaram as suas. Meu estômago está inquieto, e nunca senti isso beijando outro homem que se não esse esquentado. Esquentado que foi o único a colocar-me limites algum dia.

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Ele POV´s:

Aonde quer que esses moleques estejam, vou achá-los. Vivos ou mortos. Estão achando que simplesmente podem sair daqui? Mas certamente não devem estar longe. Não... Não estão longe. Se morreram ou não no mar, quero seus corpos. De cada um. Não posso arriscar toda minha glória... Meu prestígio... Por causa de meros moleques que acreditam em utopias. Como o próprio nome diz, não corresponde a realidade. E estar fora daqui não corresponde mais a nenhum deles.

Maldito Itachi... Se esses fedelhos acharem o projeto de tropa que ele criou, será a nossa ruína. Tenho que dar um jeito em Itachi. Agora não terá como ignorar sua intrometida presença. Também ao general Nara. Outra pedra no caminho. Mas que não passarão de pó. Como esses fedelhos imprestáveis.

_ O plano A2 está formado senhor. – excelente, até enfim esses incompetentes compreenderam o significado de agilidade.

_ Mas somente a ruiva e respondeu positivamente ao processo. – Orochimaru imprestável. Não sei porque ainda o mantenho comandando os experimentos. Mas logo ele estará fora daqui. E talvez, matar Itachi seja um desperdício.

_ Não importa, eu quero aqueles moleques venham arrastados para cá antes do amanhecer. Mande-a para o leste. Para o forte que foi bombardeado. Se bem conheço meu sangue entre eles, foram para o leste...

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Shikamaru POV´s:

Não estou conseguindo dormir. É como se esse vento gélido trouxesse os mortos de volta e levasse meu sono com ele. Minha primeira noite sem pegar no sono desde que entendo-me por gente. Mas talvez seja a pressão disso aqui. Demos um passo muito grande. Maior do que imaginávamos quando começamos essa parceria, que tenho que admitir, que não foi nada mal. Porém, essa sensação é estranha demais. Nunca fui alguém intuitivo, apenas uma vez isso me ocorreu. Naquele dia... Em que ao invés de Tayuya, poderia ter sido eu a ser encontrado morto de manhã por abrir a porta naquele apagão que até hoje, nunca obtivemos respostas de qual era realmente o propósito deles. “Que você arda no inferno, seu mentecapto de merda!” Tayuya não era uma grota muito amigável, mas ainda assim, sua morte foi bastante estranha. Não havia motivos para eles terem dado um fim a ela. Não um motivo aparente. Não faço ideia do porque diabos estou lembrando-me disso justo agora.

O que sei, que como meu pai costumava dizer, é que quando o mortos tem seus túmulos abertos, o amanhecer não é azul. É cinza.

Notas finais
E aí pessoal??? Gostaram do capítulo?? Beijocas à todos, Nane.