Exilados
27 Capítulo 27: Esta noite
Notas iniciais
Boa leitura.
É o jeito como estamos sentindo
Esta noite
Como se tudo fosse irreal
Tudo bem
Meu amor, você não vai voltar para ...
Nosso amor, você sabe que eu vou reagir
Ao sangue que move meu corpo
Que agora cobre o chão
O sangue que move o corpo
O sangue que move o corpo
Não há nenhum lugar para ir
Esta noite
Empreste um pouco de calor a nossas frias
E solitárias vidas
The Blood That Moves The Body — A-ha
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Naruto POV´s:
Sinto-me como um condenado a morte. Preso. Olhando a todos os lados a procura de uma salvação que não irá chegar. O desespero que tomou conta de mim no momento em que ela anunciou nervosa sobre o bilhete de Konan, não sei nem se consigo descrever. No entanto, por outro lado, isto apenas motiva-me a fugir desse lugar. A sair daqui e de longe... Enviar uma linda banana para esses otários cruéis e doentes. Então o plano deles é me executar? Pois digo-lhes que para conseguir terão de comer muito lamén!!!! Estou certo. As vezes, é melhor encarar os momentos extremos com garra, competitividade, ou simplesmente o mesmo desespero que se apossou de mim quando ouvi aquelas palavras dos lábios dela toma conta. E se o desespero tomar conta... Minha atenção fica afetada. E isso é o chato, ter que ficar de sentinela a toda hora. Como uma criança perseguida pelo conceito de bicho-papão. Droga...
Bufei irritado. Nem comer esse maldito sanduíche estou conseguindo. Ainda por cima, jamais imaginei que aquela mulher fosse nos propor ajuda. Quanto mais... Ajudar-me. Talvez ela esteja fazendo isso por simples sensação de dívida, e eu prefiro acreditar nisto do que como Hinata, exalar esse ar de que acredita muito além disso nela. Hinata... Logo que adentramos esse refeitório ela veio correndo ao nosso encontro, não gostei de vê-la daquele modo... Nervosa... Agoniada... Por minha causa. Será que ela preocupou-se comigo? E isso seria bom ou ruim? Não sei... Tudo que sei é que não posso deixar-me abater por ela. Não quero ver ninguém triste por minha causa. Sobretudo ela. Não sei bem porquê... Mas não gosto de ver alguém que sempre preocupou-se com os outros, sempre tratou a tudo e todos com gentileza... Sempre com um sorriso amigável e sincero... Não! Não posso permitir que o sorriso dela desapareça por minha culpa. Não posso demonstrar medo. Por mim. Por ela. Pelo teme e por todos.
Hoje está ocorrendo uma situação que como diria meu bom e velho Shikamaru é “problemática”... Nunca pensei em ver algo assim um dia. Estamos todos na mesma mesa. E eu não sei o que pensar em relação a isso.
_ Dobe! Dobe!! Naruto!!! Está me ouvindo?!?! – a voz do teme me fez voltar a atenção a ele. Porque estão todos me olhando?
_ O que foi?! – perguntei irritado. Detesto quando o teme começa com a gritaria.
_ O que foi?! O que foi?! Naruto você está correndo risco de vida!!! Nós temos que tomar uma providência!!! Não dá para deixar você dormir naquela barraca com o Kiba. – o que ele está querendo dizer com isso?
_ Relaxa Sasuke... O cachorro vermelho é insuportável mas não iria fazer nada contra mim não. Eu acabaria com ele rapidinho. – afirmei pegando minha lata de coca-cola e tomando um bom gole.
_ Naruto para com essa ceninha de que não está nem aí!!! Você sabe muito bem que eles nunca estão de brincadeira! Não que o Kiba fosse fazer algo contra você, mas certamente se você for atacado, ele não vai mover um braço para te proteger e você sabe disso! Fez toda questão de ficar sempre aí importunando ele, agora, não tem como você ficar lá e ponto. Me ouviu?! Você tem que dividir a barraca com alguém de nós. – Neji me repreendeu como se eu fosse uma criança de cinco anos. Ai odeio quando ele se acha o manda-chuva daqui.
_ Neji está totalmente certo Naruto... Seria ideal você dividir a barraca comigo, com o Sasuke ou com ele. – Shikamaru se pronunciou inclinando-se para trás na cadeira. Tomara que cai! Porque todo mundo acha que eu não sou capaz de me cuidar sozinho?!
_ E porque não com uma de nós? – a esquentadinha da irmã do Gaara perguntou como se tivesse ficado ofendida.
_ Não me leva a mal não okay? Mas não seria muito útil ele dividir a barraca agora com uma garota. – isso já está ficando maçante... Aliás, aprendi essa nova palavra: maçante. A Hinata a disse ontem durante a volta dos túneis e eu perguntei o significado e achei legal. Ela é tão inteligente... E tão modesta... Ao contrário do primo dela.
_ Está nos chamando de fracas sua preguiça humana?! – ouvi a Temari retrucar mas estou meio fora do ar. A Hinata ainda parece estar preocupada e não está encarando a ninguém. Está cabisbaixa comendo o sanduíche. Não gosto de ver as pessoas cabisbaixas. Gostaria de fazer alguma coisa... Mas, tenho a sensação de que não posso e isso me devora ainda mais. Talvez por ter tido poucas pessoas a minha volta na minha vida, não gosto de vê-las assim. Sempre tento ajudar porque quando precisei, estavam lá... Ela também esteve lá. Ainda não consegui esquecer o dia em que ela viu-me chorando. Deveria ter sentido vergonha por uma garota ter me visto naquele estado, mas na hora, não senti. Tudo que se passou em mim foi cada expressão que a face alva dela demonstrou, e em como ela deveria estar se esforçando por mim. Aquele que um dia só sabia zombar dela.
_ Tema chega!! Não é hora para esse tipo de coisa gente!!! Shikamaru só está preocupado conosco não é? – Tenten tentou ponderar a situação e eu não pude deixar de sorrir de canto. Acho melhor o Shika concordar...
_ É. – ele falou meio que engasgado com a palavra. Está na cara que a intenção dele não foi essa, mas, era a solução mais plausível agora. Concordar. Ou a irmã do Gaara iria partir para o fight. Ah ah, tem horas que essa garota é pior que o irmão!
_ E-Eu poderia dividir a barraca com ele... – as palavras dela simplesmente me fizeram olhá-la e parar tudo a minha volta.
O quê? Ela está se oferecendo ao perigo por minha causa...? ...
_ Não! De jeito nenhum Hinata! Vai ter que ser um de nós. Gaara, você topa? – Neji a cortou e eu praticamente despenquei de um penhasco. Penhasco? Devo estar mesmo ficando maluco... E esses caras não ajudam em nada... Querem mesmo que eu fique biruta.
Olhei para o ruivo. O Gaara por um momento permaneceu com sua inexpressividade costumeira acompanhada da irritação nata dele. No entanto, foi como se ele repensasse algo.
_ Eu troco. Aí Neji, você dorme com o Naruto e eu não tenho problema algum com o Kiba. – Tenten disse.
_ Não!! – Neji exclamou de um jeito que todos nós nos viramos para ele.
Como assim mano? Qual o problema da Tenten dormir na mesma barraca que o Kiba? Não... Não... Isso é inacreditável! O quê? Será que ele está com ciúmes dela? O Neji?
_ Qual problema Neji? – o teme perguntou em meio ao silêncio.
_ Não tem problema nenhum... Eu só... Eu só acho que... Não seria necessário esse lance de barraca e trocas se saíssemos ainda hoje. – nossa! Velho, tenho que aprender com ele a ter umas saídas assim de saias-justas.
Mas, se bem, que... Sair hoje seria o dia mais feliz de toda minha vida. Não vejo a hora de dar o fora desse lugar. O plano já está traçado. Tudo que resta agora é colocá-lo em prática.
_ Hoje? Mas não acha mais seguro esperarmos mais um dia? – a rosada pela primeira vez se manifestou e eu notei o olhar do teme sobre ela. Mano, isso vai acabar mal. Ele está cada vez mais deslumbrado com ela. Jamais o vi assim e chego a temer por ele. Sasuke está embarcando de cabeça em algo incerto e eu não quero que ele sofra.
_ Bom, tecnicamente... Já temos condições de sair hoje. – Neji respondeu tomando um bom gole da sua limonada.
_ É, mas a gente ainda precisa estabelecer um horário concreto e saber como vamos distrair eles para que a gente consiga chegar até os túneis... – a projeto de stripper falou pela primeira vez hoje. Ela é outra que eu também me permito ficar preocupado. Ela anda mal esses dias. E está na cara que isso está deixando o Gaara louco. Toda hora ele olha discretamente para ela como se tivesse checando algo.
_ E além disso precisamos reunir tudo de alimentos, primeiros socorros sei lá, para a gente levar. Porque não vai ser nada fácil sair daqui e certamente vamos passar dias na mata. – Temari lembrou e eu concordei de cabeça. Isso acabou de passar pela minha mente agora também.
_ E ainda tem o fato de que vamos sair no mar... – ela completou com esse tom de voz suave dela e eu sorri. É. Ando mesmo ficando doido.
_ No mar Báltico. Mar de temperaturas baixas... Ou seja, vamos nadar muito. – a rosada acrescentou.
_ Mas isso teríamos de fazer de qualquer forma. – Neji afirmou e realmente... É.
_ Neji tem razão. Temos que vazar daqui hoje. Não sabemos se eles podem dar uma prova amanhã, ou depois e estragar tudo. Não podemos correr esse risco. Essa calmaria... Esse silêncio deles está muito estranho, e com certeza, quando o que quer que seja for embora, vão voltar com força total e podemos estar mortos. – o teme tomou a voz e olhou para mim. _ Todos nós.
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Sakura POV´s:
Fugir hoje. Sair desse fosso finalmente. Fugir. Não sei se estou pela primeira vez contente nessa droga de lugar ou se estou receosa demais. Não sei... Talvez sair hoje seja muito arriscado. Mas, por outro lado, nunca estivemos tão próximos de sair daqui. De conseguir de fato nosso objetivo. Nosso. Meu... Nosso... Jamais pensei em encontrar pessoas como todos eles aqui... Meu objetivo parece ter se transformado em nosso. Ainda lembro-me com detalhes do dia em que me dei conta de que estava longe de casa... De que estava na garganta do inferno. Sinto tanta falta da minha antiga vida, da minha família... Mas, parece que muito foi anestesiado. Nem ao menos acredito que de fato, agora meu único sonho nesse lugar está a horas de se tornar realidade. Hoje. Hoje é o dia!!! Vamos conseguir sair dessa prisão e fazer esses caras pagarem por cada atrocidade que cometeram. Desgraçados. Enquanto viver, farei de tudo para que eles acabem mortos. Para compensar a cada um que foi morto nesse lugar brutal. Jamais pensei em ter esse senso de justiça por outras pessoas, mas... Acredito que devo ter mudado. Bastante... Toquei a ponta de meus cabelos. Ainda me recordo do dia em que os cortei. Foi meu gesto de tentar pelo menos tolerar minha nova realidade. Foi a promessa de que deixaria a antiga Sakura de lado e me tornaria uma Sakura com as características necessárias para sair desse buraco. Entretanto, ainda tenho que conviver com essa sombra. Que faz toda questão de aflorar quando o Uchiha vem com seus truques e armadilhas...
O Uchiha... Nunca um cara foi tão longe por mim. Mas, não compreendo porque ele ainda insiste nisso. Não irei me envolver com ninguém aqui. Prometi a mim mesma que não iria deixar-me cair nas armadilhas dele. Mas sinto-me tão impotente às vezes. Simplesmente não consigo evitar. Em muito já estive errada com relação a ele. Talvez... Se tivéssemos nos conhecido em outro lugar... Em outras circunstâncias... Tudo fosse diferente. Eu gostaria mesmo que fosse diferente.
_ Sakura meu bem, o que está fazendo aqui? – a voz de Shizune retirou-me bruscamente dos meus constantes devaneios e eu me virei já pensando em alguma desculpa convincente.
Precisava contribuir de alguma maneira importante para o plano. Ontem, ver Neji e Shikamaru praticamente fazer tudo deixou-me com uma sensação ruim no estômago. Já que vamos vazar hoje, alguém tinha que tratar de pegar coisas úteis em primeiros socorros. Ainda me recordo bastante do que aprendi no início do curso extra-curricular de medicina. E sinceramente, não desejo que o que houve com as costelas do Gaara aquele dia se repita nessa operação. Nada pode dar errado. E com certeza se alguém se machucar gravemente, será nossa ruína. Todos voltarão para ajudar e tudo estará acabado.
_ Ah... Oi Shizune, eu só estava procurando a Ino, soube que ela tinha vindo até aqui. – inventei levando como base a situação atual da Ino. Arg droga, ainda não consegui abrir nenhuma das gavetas de primeiros socorros aqui.
_ Ah sim... a Ino. Ela está ali dentro em uma das macas... – o quê? A Ino está aqui?!?! O que diabos ela está fazendo aqui e ainda por cima em uma das macas?!
Tive que conter minha surpresa e agir naturalmente. No entanto, o tom usado por Shizune não foi lá muito bom. Será que está havendo algo sério com a Ino?
_ Posso vê-la? É... O que houve com ela? – tomei a liberdade de perguntar e Shizune suspirou, o que para minha surpresa, causou-me uma certa... Agonia.
_ Claro, assim você me ajuda a dar a notícia. – Shizune falou pegando minha mão e arrastando-me.
Notícia? Que notícia?
Adentramos a sala onde há todas as macas. O lugar vazio, apenas com Ino em uma delas. Nos aproximamos dela, e eu pude notar que ela está pálida. Céus... Que diabos de notícia é essa?
_ Sakura? O que está fazendo aqui? – ela perguntou-me arqueando uma das sobrancelhas.
Eu iria respondê-la, no entanto, Shizune cortou-me antes mesmo que eu pudesse pronunciar algo:
_ Ino... Sakura está aqui para me ajudar a dar a notícia sobre o que realmente está acontecendo com você. – eu estou?
Ino olhou-me confusa e novamente voltou-se para Shizune.
_ O que eu tenho? Anda, Shizune!!! Fala!!! – ela disse apavorada e com uma certa raiva pela enrolação.
Shizune suspirou e disse o que eu suspeitava, mas mesmo assim, ainda esperava que fosse invenção da minha cabeça:
_ Ino, você está grávida. De aproximadamente três semanas.
Apenas fechei os olhos e não soube o que pensar. Eu já suspeitava. Mas, ainda tinha uma pequena pontada de esperança de que não fosse a verdade.
_ O quê?!?! Como assim?!?! NÃO!!! Isso é mentira!!! – Ino se desesperou sentando-se na maca e olhando suplicante para Shizune.
_ Eu não brincaria com algo desse tipo Ino, você me conhece há bastante tempo! Eu lhe disse várias vezes para tomar cuidado, mas pelo visto, você não me ouviu. Mas... Bem... Agora já é tarde demais. E não vai adiantar nada arrumar ou não um culpado. Tudo que você precisa fazer de agora em diante é levar sua alimentação a sério, procurar não se estressar e ficar o máximo de repouso que puder. E, claro, contar ao pai da criança. Tudo que precisar pode contar comigo... Mas, por agora, eu acho melhor você ficar um tempinho com suas amigas e aceitar isso... – Shizune decretou tocando a mão de Ino com um misto de pena e carinho, que a Ino logo tratou de dispensar.
Shizune olhou-me e balbuciou algo para mim, no entanto, eu não entendi e ela deixou-nos a sós. Ótimo! O que eu faço agora? Não sei o que falar, não sei o que fazer...
Quando dei por mim, quando voltei ao mundo real, Ino estava abraçada aos seus joelhos, aos prantos, chorando alto. Sem jeito, sentei-me na sua frente e toquei-lhe o braço.
_ Ai Sakura...! Sakura isso não pode ser verdade!!! Não pode!! – ela disse em meio ao choro.
Eu não soube o que dizer, apenas continuei olhando-a.
_ Sakura... Por favor... Me promete que você não vai contar isso para ninguém. Ninguém! – ela pediu-me segurando minha mão com força e olhando-me com terror. Senti-me insegura. Não sei o que devo fazer. _ Promete! Se souberem... Se souberem que eu estou... Não vão me deixar fugir com vocês... Por favor, por favor Sakura, me promete que não vai contar! Eu não posso ter um filho dele! Eu não quero essa criança! – ela completou chorando mais e levando as mãos ao rosto de um modo que de fato pude sentir resquícios de sua dor.
_ Ino eu... – tentei dizer alguma coisa, mas, não consegui.
_ Por favor! Você sabe o quanto eu sempre quis fugir desse lugar!!! Por favor!! Não posso deixar que um erro me impeça!! Sakura, essa criança é um erro. Um erro. Eu não a quero. – ela afirmou com irritação e nervosismo, enquanto colocava os cabelos em seu rosto para trás. Então pude ver completamente sua face. Está úmida por inteiro, os olhos dela estão apagados.
Senti minha mão ser apertada com mais força e então criei coragem para encará-la. Se ela prefere assim, tudo que me resta é respeitar. Não posso e não tenho o direito de intervir nisso. É bom mesmo que ela saiba o que está fazendo e os riscos que está correndo.
_ Está bem Ino... Eu prometo não dizer nenhuma palavra. Mas ainda acho que você deveria ao menos contar para Hinata e... É o Gaara né? – questionei abraçando-a. Talvez seja o mínimo que posso fazer.
_ Não! Não posso contar para Hina! Ela vai me impedir de ir, e, talvez nem vá também por minha causa, não posso fazer isso com vocês, não posso e não vou! – ela falou retribuindo meu abraço. _ Ele também me impediria e com certeza também não quer essa criança. – ela falou retornando a chorar.
Definitivamente, por essa, eu não esperava. Todavia, não acredito que ela esteja agindo certo não contando para ele. Afinal, é um direito dele saber. No entanto, por mais que ela afirme isso, não acredito que o Gaara diria uma coisa dessas ou desejasse algo desse tipo. Certamente ele ficaria sem rumo, perdido e pelo que já analisei nele, com muito medo, mas não pelo bebê, e sim por ele. De não poder fazer nada ou... De dar um péssimo pai. Também, acredito que talvez ele ficasse em pânico ou algo assim no momento da notícia. Mas, ao contrário dela, duvido muito que ele permitiria que ela abortasse.
_ Obrigada Sakura... Obrigada... – ela falou enquanto nos separávamos.
Ajudei-a a arrumar os cabelos e tratei de deixar bem claro:
_ Espero que saiba o que está fazendo.
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Tenten POV´s:
Estou muito além de ansiosa. Neji e eu já preparamos nossas mochilas. Antes de irmos para esse projeto de “aula” que temos todos os dias, tanto os caras quanto nós, as meninas, pegamos nossas coisas mais essenciais e as colocamos em mochilas. Cada um levará uma mochila. Tudo hoje pareceu passar como se durasse uma eternidade toda. Contava os minutos ouvindo as falas desnecessárias da Anko, viajando em como tudo seria hoje à noite. Três e meia da madrugada. Este é o horário em que finalmente vamos ir em direção aos túneis. Pude sentir o nervosismo até mesmo em Shikamaru, que nunca antes vi nervoso ou sem paciência. Entretanto, estou preocupada com a Ino. Logo que arrumamos nossas mochilas e fomos em direção as “aulas” ela pediu autorização para ir a enfermaria e a Anko surpreendentemente permitiu. Mas, também, a aparência dela estava péssima. Ela nos disse que estava com aquele mal estar outra vez e eu sinceramente espero que ela esteja bem. Sakura nem mesmo apareceu naquela sala e a Anko nem notou sua presença, o que foi ótimo, já que segundo a Tema, ela iria em busca de artefatos de primeiros socorros e tudo que pudesse conseguir a mais nos nossos quartos que coubesse na mochila dela, já que diferente das nossas, a mochila rosa da Sakura é bem grande.
Vamos sair em duplas em direção a floresta. Não podemos ir todos de uma vez e eu sinceramente espero que tudo dê certo. Naruto está na barraca da Tema agora, junto com ela e o Nara. Hinata também já deve estar a caminho de lá. Tivemos um enorme trabalho em convencer o Kiba de que ele deveria dividir a barraca com a Karin por hoje, e até aquele mala daquele Suigetsu vira-folha entrou no meio. Não sei se ele acreditou no que a Tema, eu e o Nara dissemos, mas, se não acreditar problema. Já temos o esquema perfeito para manter ele e aquela nojenta da Karin bem longe no momento da fuga.
Cerca de vinte minutos antes, Sasuke e Sakura, que serão os primeiros a se encaminhar para floresta, irão amarrá-los em uma árvore distante. Conseguimos essas cordas com o Lee, que as ganhou do maluco do Gai por ser seu aluno preferido.
Claro, há o risco do Suigetsu se desamarrar, mas aí, já estaremos longe. De acordo com a rota que Neji e Shikamaru traçaram, a Sakura e o Uchiha teriam mesmo que ser os primeiros a ir para a floresta, pois apenas os dois para conseguir distrair a Karin e o Suigetsu. Sakura tentará fazer aquele intrometido acreditar que ela está na dele, e para o Sasuke, será mais fácil ainda, já que aquela vaca ruiva é apaixonada por ele.
Neji e eu seremos a terceira dupla a se encaminhar para a floresta. Devido a localização da nossa barraca e também, pois se acontecer algo com a Sakura, o Sasuke, o Gaara e a Ino, que serão os segundos, podemos intervir e já chamar de cara a Tema, o Shikamaru, o Naruto e a Hinata. Por isso, céus... Tomara... Tomara... Tomara que nada saia fora do previsto.
Finalmente me dei conta de que estou andando de um lado para o outro nessa barraca. E ainda são dez da noite de acordo com o relógio velho que eu tive que implorar para a Tema me ceder. Já que o relógio era nosso. Pertencia ao nosso quarto.
Sem graça, parei com minha andança ao notar o olhar de Neji em mim. Certamente devo estar o irritando. É melhor parar com isso. Sentei-me em meu saco de dormir e o vi terminar de colocar mais algumas coisas em sua mochila.
_ Não acha melhor colocar mais um casaco? Vamos nadar em temperaturas muito baixas. – ele se pronunciou virando-se para mim enquanto fechava seu casaco branco.
Encarei os olhos perolados dele. A cada dia parecem ter mais e mais brilho. Um brilho que antes, jamais detectei além da imensidão cinza. Com certeza ele deve estar mesmo muito contente por sair daqui. Assim como todos nós.
Um arrepio se passou em mim. Não compreendi porque hoje mais cedo... Não... Deve ter sido a minha imaginação... Além disso... Há muito mais que não consigo compreender nele. Assim como o que ele disse noite passada... Aquelas palavras não me saem da cabeça e eu não sei de que maneira posso interpretá-las.
_ Não, acho que esse casaco está legal... – respondi vendo-o se aproximar e sentar-se ao meu lado.
Mordi o lábio inferior. Devo estar mesmo perdendo minha razão. Estou nervosa. Nervosa somente por estar próxima dele. Daquele que um dia, eu simplesmente detestava. Desviei meus olhos lentamente do chão e o olhei com receio. Ele não prendeu os cabelos o dia todo hoje. E quer saber? O prefiro assim? Com a faixa branca ao invés da preta na testa e de cabelos soltos. Os cabelos dele são lindos.
O vi suspirar e olhar-me com uma segurança que me fez recuar internamente. Não consigo entendê-lo.
_ Eu ainda lhe devo mais um obrigado. – obrigado? Pelo quê?
Olhei na direção dele confusa e ele sorriu de canto.
_ Lhe devo um obrigado por cada vez que me ajudou. Principalmente em relação ao meu sono. Nunca esperei que algum dia... Fosse justamente você a me ajudar com o que eu menos sei lidar. – as palavras dele saíram sinceras, verdadeiras, de um modo que eu não pude deixar de:
_ Que isso... Você sempre foi muito forte, eu não fiz nada além de... – tentei dizer, mas, ele parou-me tocando minha mão.
Direcionei receosa meus olhos nos dele, e só então pude ver o quão mais perto ele está. E o quanto os olhos dele são mais do que impressionantes, assim... Tão próximos.
_ Pode acreditar... Você fez muito mais do que imagina... – ele disse encostando sua testa na minha e sua voz saiu como um sussurro. Sussurro este que fez fechar os olhos e simplesmente esquecer tudo a minha volta.
Levemente, senti os lábios dele tocarem os meus. No entanto, rapidamente me afastei. Não posso fazer isso. Não... É... Não sei...
Levei uma de minhas mãos a mecha de meus cabelos que caiu sobre meu rosto e a coloquei atrás da minha orelha esquerda. Ele continuou a fitar-me, como se não estivesse ligando para o que eu acabei de fazer.
_ Deveria soltar seu cabelo às vezes... – ele falou sorrindo e levantou-se do meu saco de dormir, voltando a se sentar no seu.
Soltar meu cabelo as vezes? Virei meu rosto na direção do lampião. Devo estar mais rubra que a Hinata, não posso deixá-lo me ver assim. Baixinho, disse a mim mesma:
_ Droga.
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Sakura POV´s:
Três horas. Daqui há a dez minutos já temos que ir a procura daquela idiota da Karin e do Suigetsu. Estou sentindo meu sangue ferver. Permanecer aqui, nessa espera contínua, e ainda por cima de frente para ele, é torturante, agonizante. Aliás, agonia foi algo que hoje mais cedo, senti pela primeira vez aqui, com relação à outra pessoa. Não sei o que sentir com relação a Ino. Realmente, espero que ela tenha consciência do que escolheu. Mas, mesmo assim, ainda não posso simplesmente descartar esse sentimento de que devo ajudá-la, protegê-la durante essa fuga. No entanto, sei que não posso fazer nenhum milagre.
Arg... Que espera eterna... Suspirei e tratei de manter minha inexpressão e não me deixar vencer pela vontade de sair andando de um lado para o outro na barraca.
Ainda tem a presença dele aqui... Ele parece ocupar todo o espaço. Todo o ar. Todos os malditos átomos. Ainda não sei como é que vou conseguir fazer com que o Suigetsu pense que estou na dele e atraí-lo até a árvore marcada, mas, com certeza, movendo céu ou terra, vou conseguir. Tenho que conseguir. Mas, não deixa de ser horrível e incomum fazer isso. Jamais me imaginei submetendo-me a um papel desse. Entretanto, é o mais sensato para que tenhamos pelo menos a segurança de alguma boa distância logo após entrarmos naqueles túneis. Eles com certeza vão vir atrás de nós... Vão vir com tudo... E agora, realmente estamos entrando no campo de guerra. É como se tudo que enfrentamos antes, não passasse de um aperitivo, de um aquecimento.
Certamente vai difícil... Mas vamos estar fora daqui. Fora. Nem mesmo acredito que finalmente conseguimos esse meio de fugir. Várias cabeçadas na parede e vários pensamentos e planejamentos em vão... Porém, é como se tudo compensasse agora.
_ Porque você demorou tanto na enfermaria mais cedo? – a voz dele como sempre, invadiu meus pensamentos e eu me dei conta de que era real. De que ele de fato estava falando comigo... Direcionando seu melhor olhar prisioneiro a mim... Esses olhos ônix... Como foi que ele chegou tão perto de mim e eu não consegui notar? Desde quando ele está aí? A minha frente olhando-me como se conseguisse me decifrar, como se para ele, fosse muito fácil detectar o que está se passando na minha cabeça.
Puxei meu capuz. Prontifiquei minha muralha e tratei de respondê-lo:
_ Apenas tive que distrair a Shizune... Caso contrário, acha mesmo que ela iria me entregar tantos objetos de primeiros socorros sem me questionar nada?
Ele sorriu de canto e voltou a olhar-me. Porque desse sorriso? Por acaso eu disse alguma coisa contendo graça? Ele puxou com uma certa violência meu capuz e eu retirei sua mão do meu rosto com a palma da minha.
_ Para de se esconder atrás desse capuz... Estamos somente você e eu aqui... Não precisa mentir para mim. – me esconder por trás do meu capuz? Ah esse cara está passando dos limites! Eu faço o que quero e não autorizei ninguém a achar que pode mandar em mim.
_ Não estou mentindo. Se não quiser acreditar é simples: não acredita e me deixa em paz. – decretei empurrando-o levemente da minha frente.
No entanto, outra vez ele sorriu e esse sorriso dele está passando a me irritar. O que diabos ele tanto quer hein? Porque não me deixa na minha? Daqui a pouco mesmo vamos estar longe daqui.
Me estressei e me levantei em cólera. Chega! Ele vai aprender a parar de sorrir e vai ser agora.
_ O que você quer?!?! – esbravejei vendo-o se levantar também.
_ Nada que não possa ser feito em poucos minutos antes de sairmos daqui. – o que ele quer dizer com isso?
Meu maior erro foi ter perdido esses preciosos segundos que eu tinha para escapar tentando compreender mentalmente o que ele queria dizer. Ele puxou-me pelo braço direito e tudo que pude sentir foi seus lábios. Pressionados contra os meus urgentes. Raivosos. Foi como se tudo que tivesse planejado para detê-lo, foi como se todos os anticorpos que eu tinha preparado simplesmente virassem-se contra mim, fazendo-me corresponder na mesma volúpia e raiva os lábios viciantes dele.
Senti-me jogada fortemente contra meu saco de dormir, e tudo que pude ver foi meus cabelos caindo junto do corpo dele, como se o tempo passasse a ser como em uma câmera lenta. Levei meus braços até sua nuca, por puro impulso, enquanto tratava de tentar não corresponder na mesma intensidade que ele esse beijo que está fazendo-me perder todas as noções.
Senti como se fosse meu fim. Como se a partir de agora, não fosse conseguir mais parar. Porém, ainda posso crer na sorte... Pois o velho relógio que tinha no quarto que dividia com Ino e Hinata despertou indicando que tínhamos que ir atrás de Karin e Suigetsu.
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Hinata POV´s:
Acredito que devo estar parecendo como eu era menor. Voltei com minha mania de bater os dedos quando muito nervosa, e gostaria que isso não tivesse retornado agora, que estou em frente dele, da Tema e do Shikamaru. Ai... Devo estar mesmo parecendo uma criança medrosa... Mas, realmente estou com medo. Medo de que ocorra alguma falha e tudo dê errado... Que algum de nós se machuque... Que eles nos peguem depois de tudo. Ai... Por favor Hinata! Controle-se! Pense positivo!
Olhei para ele timidamente outra vez. Fiquei tão preocupada quando finalmente assimilei o bilhete de Konan... Não me perdoaria se algo acontecesse com ele. Afinal, fomos juntos para aquela floresta. Não seria justo ele pagar por algo que fizemos juntos.
_ Mano... Essa espera está pior que aturar o Hidan gritando na cabeça logo de manhã... – ele se pronunciou fechando o casaco laranja e preto que ele escolheu para a fuga.
_ Está mesmo de matar... – a Tema falou olhando-me.
_ Hinata... – Shikamaru me chamou em um cochicho e eu me virei. _ Lá está ela... Vai lá...
Na hora compreendi o que ele quis dizer e olhei para a sombra de fora da barraca. Ela veio. Peguei o bilhete no bolso do meu casaco lilás e o abri, lendo comigo mesma rapidamente antes de ir, apenas por precaução:
Três e meia. Esse será o horário. Muito obrigada por nos avisar o que pretendiam fazer ao Naruto, realmente, não tenho palavras para lhe agradecer pelo que fez por mim, e por todos nós. Também, muito obrigada por aquele dia... Espero que também consiga sair daqui... Eu sei que você não é como eles.
H.
O fechei e assenti de cabeça para a Temari, caminhando até a saída da barraca. Abri o fecho depressa e saí, indo ao encontro dela tentando não ser vista por ninguém. O ar está muito mais do que congelante, e realmente, vai ser complicado nadar nessas condições. No entanto, nadar no frio é pouco próximo do valor que nosso objetivo tem.
A vi. Escorada em uma árvore, olhando-me. Fui a passos rápidos até lá e assim que me vi cara a cara com ela, apenas estiquei minha mão e ela pegou o bilhete, ainda com seu olhar em mim. Sorri, e não poderia deixar de dizer:
_ Obrigada. – sussurrei antes de sair correndo novamente em direção a barraca em ele, Shikamaru e a Tema estão.
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Sasuke POV´s:
Estou mesmo tentando conter o riso nessa situação mas não está dando. Ah como eu sonhei em fazer algo desse tipo com o Suigetsu e essa pegajosa da Karin um dia... Apertei com mais força as cordas dele e o vi protestar, sacudindo-se tentando falar algo que a mordaça que arrumamos não está deixando.
_ Está bem amarrado? – ouvi ela perguntar.
_ Claro que está... – disse ainda sorrindo na direção desses dois.
Karin está dando um piti tentando se soltar, mas quer saber? Não tinha reparado nisso antes, ela é perfeita para o Suigetsu. Escandalosa, cínica e chata como ele.
_ Aproveitem para se conhecer... Tenho certeza de vocês vão se dar muito bem. – falei antes de seguir ela, que já está há alguns passos daqui.
Os vi protestar novamente e me permiti rir levemente, antes de alcançá-la e puxá-la pela cintura.
_ É para irmos juntos. – decretei.
Finalmente... Mal posso acreditar que estou vazando desse inferno de lugar... E, com ela ao meu lado. Não importa o quanto ela lute, o quanto resista e quanto tente fugir de mim. Esse momento é nosso.
Mentalmente, disse para mim mesmo ao olhar na direção da floresta: “É agora...”. Apertei a mão dela na minha e logo tratamos de correr. O tempo agora é totalmente precioso. Nenhuma fração de segundo pode ser desperdiçada.
Notas finais
Beijocas,
Nane.
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