Exilados
17 Capítulo 17: Papo feminino
Notas iniciais
Eu não consigo escapar desse inferno
Tantas vezes eu tentei
Mas eu continuo preso por dentro
Alguém poderia me tirar desse pesadelo?
Eu não consigo me controlar
E daí se você pode ver o lado negro em mim?
Ninguém mudaria esse animal que me tornei
Ajude-me a acreditar que isso não é realmente eu
Alguém me ajude a domar esse animal
Eu não consigo escapar de mim mesmo
Tantas vezes eu menti
Mas ainda há raiva por dentro
Alguém me tire desse pesadelo
Não consigo me controlar
Alguém me ajude a sair desse pesadelo
Eu não consigo me controlar
Alguém me acorde desse pesadelo
Eu não consigo escapar desse inferno
Animal I have become — Three Days Grace
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Ino POV´s:
Tentei me mexer mais uma vez, mas ele me segurou com mais força. Quando foi que esse parasita insuportável ficou tão forte? Ele encarava-me nos olhos. Nunca havia reparado, mas os olhos desse garoto são verdes. Um verde carregado de fúria e súplica. Será que estou ficando maluca? Também não havia notado o quanto a pele dele é mais alva do que parece, e como esses fios escarlate combinam perfeitamente com ela. É o assassino de Sai, um moleque ridículo, imbecil e o maior parasita em minha vida. No entanto, não posso negar que é um cara extremamente atraente. Droga!!! Porque ele não me solta nem diz nada?! Tentei outra vez me desvencilhar dele, mas não estou conseguindo merda! Ele sorriu de canto. Parece que está adorando me ver nessa situação, totalmente refém dele.
O que ele pretende droga?! Preciso dar um jeito de me livrar dele!!! Definitivamente, ele não deveria ter tocado no nome de Sai. Como se atreveu a inventar todas aquelas mentiras sobre ele? Sai jamais iria me trair. JAMAIS. Ele amava-me. Eu sei disso.
_ Você realmente não deveria ter dito aquilo... Retire já o que disse! – a voz dele está soando novamente como uma intimação. Quem ele pensa que é para achar que tem algum controle sobre mim? _ Nunca! O que eu disse é mais pura verdade: você não é um homem! – decretei erguendo um pouco minha cabeça e despejando todas aquelas palavras na cara dele.
Ele rangeu novamente os dentes de raiva e apertou mais ainda meus pulsos naquela cômoda chegando a machucá-los. Acabei proferindo automaticamente um “ai!”. Não quero demonstrar qualquer tipo de dor ou algo assim perante ele, eu vou acabar com esse ruivo dos infernos!!!
Olhei-o nos olhos, e repentinamente aquele lunático beijou-me. Fiquei totalmente estática, sem nem saber ao menos como reagir. Jamais alguém beijou-me com tamanha volúpia e brusquidão assim antes. Entretanto, arg merda! Estou correspondendo, porque diabos estou correspondendo? Merda, estou totalmente fora de mim, como se não controlasse meus atos em função dele. Esse garoto beija absurdamente bem, e não posso negar, estou sentindo-me atraída por ele como nem mesmo Sai foi capaz de fazer. Parece que meu coração está pedindo para sair do peito, estou sentindo-o pulsar desesperado em mim.
Levei minhas mãos aos cabelos vermelho-sangue dele. Os cabelos dele são macios e mais lisos do que aparentam. Somente agora estou dando conta de que ele já soltou meus pulsos há muito tempo. Ele retirou as mãos da cômoda e as levou a minha cintura, apertando-a com tamanha força que chegou a aprofundar o beijo. Ele ergueu-me e finalmente permitiu que eu respirasse. Já estava completamente sem fôlego! Puxei o ar ofegante olhando para minha saia cinza para não ter de encará-lo. Como foi? Como foi que eu fui capaz de beijá-lo? Estou sentindo nojo de mim mesma ainda mais por ter gostado. Tudo que eu queria nesse momento era levantar dessa maldita cômoda e sair correndo daqui, ou se não, acertar-lhe um belo tapa. Porém, não tenho direito a nenhuma dessas alternativas. Não posso dar um tapa nele porque por sabe-se lá porque, eu correspondi o beijo dele. E não posso sair dessa merda de quarto porque ele está segurando-me com muita força. Droga! Gastei todas as minhas energias tentando golpeá-lo mais cedo e andando a passos apressados para chegar o mais depressa aqui para acabar com ele.
_ Ainda tem coragem de dizer não sou homem o bastante quanto aquele imbecil do teu ex-namorado anêmico? – manifestou-se ele aproximando-me mais ainda dele. Tentei me soltar. Que ódio! Que ódio! Não estou conseguindo escapar dele!
_ Nunca mais diga nada sobre o Sai seu assassino!!! Parasita insuportável!!! Eu te odeio!!! – exclamei com raiva. Raiva dele e raiva de mim por ter me descuidado tanto a ponto de estar nessa situação.
Ele outra vez deu aquele sorrisinho cínico de canto. Está achando graça no que eu disse? Será que ele é tão retardado que não percebeu que eu estava falando sério?
Realmente, estou na pior situação que eu poderia estar agora. Sentada na cômoda do loiro enxerido, de saia, com meu corpo colado ao desse ruivo dos diabos. Como se ainda não bastasse tudo isso, ele está apertando dominantemente minha cintura, e todo e qualquer golpe que eu desfira nos braços dele parece não ter efeito. Além disso, minhas pernas estão rodeando a cintura dele, e estou totalmente presa a esses olhos verdes tentativos.
_ Se me odiasse não teria correspondido ao meu beijo, Yamanaka. – Yamanaka? Entreabri os lábios surpresa. Ele jamais me chamou de qualquer outra forma que não fosse “vagabunda”, nem mesmo pelo meu nome. _ Infelizmente não posso dizer o mesmo... Sempre quis, mas não consigo lhe odiar. Anda. Cai fora daqui antes que eu me arrependa do que estou fazendo.
Para minha total surpresa, ele me soltou e deu as costas para mim, voltando a se sentar em sua cama como se eu nem mesmo estivesse ali. Como se não tivesse beijado-me a minutos atrás. Qual é a desse garoto afinal? “ Infelizmente não posso dizer o mesmo... Sempre quis, mas não consigo lhe odiar.” Essas malditas palavras estão rodando em minha cabeça. Não...! Não! Sacudi minha cabeça. Eu não posso acreditar no que estou mesmo refém desse moleque. Droga... Ele está mesmo parecendo sincero... Se for assim... Se for assim... Será que o que ele disse a respeito de Sai é de fato verdade? Será que Temari tem mesmo razão e ele foi apaixonado por mim?
Pulei da cômoda e me coloquei ao lado da cama de solteiro dele. Ele continuou me ignorando e fechou os olhos, como se também não estivesse me vendo, ou talvez... Está apenas controlando a si mesmo, quem sabe para não revidar todos os tapas que desferi nele. Tenho que tirar isso a limpo. Mesmo que isso seja de fato verdade, não irá mudar muita coisa. Não consigo me ver de bem com ele ou algo assim. É muito incompatível para mim.
Ele retirou a blusa vermelha e continuou a fazer aquilo que estava ocupado fazendo antes da minha entrada aqui: terminando de enfaixar esse ferimento dele nas costelas. Na certa, pela prova da câmara, e sobretudo por aquela prova maluca do Gai ontem, o ferimento dele não deve estar se cicatrizando.
_ Não finja que não estou aqui!!! – me irritei. Esse garoto consegue me irritar profundamente! Ordinário.
Ele finalmente abriu os olhos e me encarou.
_ O que quer que eu faça hã?! Não disse que sou um moleque?! Então o que ainda quer comigo? – ele disse levantando novamente da cama e se colocando de frente para mim. _ Pelo visto o moleque aqui está te deixando sem fala não é?
Ele sorriu de canto eu senti a necessidade de acertar mais um tapa no rosto dele. Quem esse cara pensa que é?! Idiota! Ele não é homem para mim.
Já estava pronta para repetir o ato, quando ele segurou-me pela cintura da mesma forma como havia feito anteriormente, colocando-me junto dele e obrigatoriamente face a face com ele. Ele olhou-me nos olhos e eu novamente conseguia identificar a fúria e a súplica contidas nos olhos dele. O que será que os olhos dele tanto suplicam? Será que estão desesperadamente pedindo para que surja alguém que tire toda essa raiva dele?
Como da outra vez, senti-me incondicionalmente atraída por esse garoto. Ele aproximou os lábios dos meus e beijou-me com uma certa calma, que eu acabei correspondendo por puro instinto. Arrastei-o em direção a cama, não importa quem ele depois voltará a ser, nesse momento, meus instintos estão falando mais alto. Eu preciso dele em mim. Coloquei-me por cima dele, retirando a mexa de cabelo que tapava-me o olho direito, apenas deixando minha costumeira franja sob meu olho esquerdo. Ele retirou minha blusa depressa e eu a joguei sabe-se lá para onde. Olhei outra vez nos olhos dele. Jamais vi olhos como os dele...
Levei minhas mãos aos ombros firmes dele, enquanto o sentia acariciar minhas pernas. Desci um pouco minhas mãos em uma carícia desesperada, onde tanto eu quanto ele, estamos desperdiçando completamente qualquer envolvimento afetivo. O ouvi gemer de dor e parei de imediato ao ver que estava tocando justamente por cima das ataduras que protegem o ferimento dele. O encarei. Então é mesmo sério? Achei que ele estava blefando ontem quando disse a Temari, no meio daquela discussão horrorosa que tivemos, para não o tocar.
Ele apertou-me contra seu corpo e senti os lábios frios dele tocar a pele quente de meu pescoço. Suspirei. Ele está deixando-me excitada. Levantei um pouco do colo dele e retirei a calça bege que ele usava, deixando-o apenas com sua boxer vermelha. De uma maneira um pouco violenta ele puxou-me de volta e eu pude sentir o membro dele encostar-se a minha calcinha úmida por debaixo de minha saia cinza.
Olhei para aquelas malditas ataduras. Elas despertaram-me do que estava prestes a fazer. Não acredito! Não acredito que estava pensando em... Arg. Levantei-me apressada do colo dele e peguei minha blusa no chão colocando-a. Ele olhou-me sem compreender absolutamente nada e a imagem de Sai me veio à mente. Já sinto meus olhos marejados. Não acredito que estava me deixando envolver por aquele ruivo dos infernos, não acredito que cheguei a cogitar a alternativa absurda do que ele disse a respeito de Sai ser verdade. Também não acredito que... que... eu... com esse assassino... Chega! Vou dar o fora o daqui! Estou ficando cada dia mais confusa com tudo isso. Cada dia mais perdida em relação a esse lugar, e em relação a ele. Já iria secar a lágrima que teimou em cair de meu olho direito, quando senti ele segurar-me pelo pulso.
_ O que houve? Porque... Porque você está chorando? – ouvi ele indagar. _ Olha para mim!!! – ele ordenou levantando meu queixo.
O ele quer que eu fale? Bem que gostaria de culpá-lo inteiramente por tudo isso. Mas agora, não tenho raiva dele, tenho de mim por ter ido tão longe.
_ Acha que é fácil para mim te ver assim? Se quer saber, não consegui esquecer até hoje o dia em que brigamos aqui nesse quarto, que o Shikamaru teve de te segurar. Também não esqueço cada “eu te odeio” que você me diz. Então para de drama porque quem deveria estar chorando aqui sou eu. Você faz toda questão de me lembrar que me detesta mais que tudo, já desejou que eu estivesse morto, e nem preciso falar o quanto você me bate né? Quem deveria estar chorando nessa merda toda sou eu!!! – ele soltou-me e deu as costas para mim. A voz dele é tão autoritária, como se eu fosse propriedade dele ou algo assim. Jamais havia notado isso antes.
_ Sempre fiz de tudo para que você não soubesse que o menino-monstro aqui, é bem mais fraco que você... – o ouvi dizer quase em um suspiro.
Senti meu corpo paralisar por completo. Esse cara... Eu estraguei a vida dele. Fui eu que o coloquei sozinho. Céus... Ele suportou todo esse tempo todas as ameaças que eu desferi a ele, suportou me ver com muitos caras aqui sendo que é tão dominador, suportou todo meu ódio... Ele passou por tudo isso calado? Qual é a dele?! Mesmo assim, por mais que me sinta responsável pelo que ele se tornou, eu nem tinha conhecimento de que fomos noivos um dia! Também jamais cheguei a pensar que ele pudesse de fato sentir alguma coisa por mim. Não... o único responsável pelo que a vida dele se transformou foi ele! Então porque? Porque me sinto culpada pelo que ele passou?
No entanto, ele é alguém totalmente descontrolado e possessivo. Talvez tenha sido novamente eu que o tornei assim. É isso que os olhos dele tanto suplicam. Ele tem muito medo de perder mais alguma coisa.
Apesar de rude, irônico e violento, está tão perdido quanto eu. E por trás dessa fachada fria que ele criou, talvez não passe de um garoto...
_ Sai daqui... Não sei o que ainda está fazendo aqui... Já disse tudo que queria dizer, então cai fora. Não preciso da sua pena. Aliás, prefiro que continue como estava. Lido muito mais fácil com seu ódio do que com qualquer outra coisa que venha demonstrar por mim. E não precisa se preocupar, não sou do tipo de cara que sai por aí contando da vida. Vou fingir que nada disso aconteceu. – ele finalizou voltando a se sentar em sua cama como se não estivesse me vendo.
Estou completamente de mãos atadas. Não sei nem mesmo o que devo dizer à ele. Preciso ficar sozinha.
Optei por não dizer nada e fui em direção à porta.
_ Para de chorar. – soou outra vez como uma intimação. _ Ou minha irmã vai achar que te bati.
Claro, claro que ele sabe que quando sair daqui, as garotas vão me questionar a respeito de onde eu estava.
Abri a porta e olhei bem para ver se havia algum deles no corredor. Por sorte, não havia ninguém. O encarei pela última vez e saí completamente sem chão. Nunca... Nem em meios devaneios mais loucos, poderia imaginar que um dia estaria aqui: surpresa por sentir a dor dele e me questionando seriamente se ele é mesmo o monstro que sempre supus.
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Hinata POV´s:
Não agüento mais mover meu braço para cima e para baixo para pintar esse muro tão extenso... Também, estou preocupada com Ino. Sei que ela foi atrás do ruivo. Porque ela não me ouve? Olhei mais uma vez discretamente para o lado. O Uzumaki já está praticamente terminando a área delimitada para ele pintar. Como alguém pode ter tanta energia? Não consigo compreender.
Para minha total surpresa, ele não desferiu nenhuma palavra até agora. Nem mesmo se referiu a mim com um “burguesinha isso...” “burguesinha aquilo...”. Ele parece mesmo concentrado em terminar a tarefa e analisar o perímetro a procura de alguma pista ou informação útil para o plano. A cada dia me surpreendo mais com esse garoto. Acho que posso tê-lo julgado mal algumas vezes...
Sorri de canto ao me lembrar da determinação dele na prova do pirado do Gai. Ele é totalmente oposto a mim. Literalmente. Jamais conseguiria ter uma determinação daquela, não sou corajosa o bastante. Eu não sou o bastante. Ainda lembro-me de quando Neji e eu disputávamos partidas de xadrez japonês por imposição de meu pai. Eu ficava em pânico ao notar que estava sem saída em algumas jogadas dele, e logo desistia. Já desisti de muita coisa em minha vida, mas não irei desistir novamente. Não vou desistir de sair daqui. De alguma maneira, ele me inspira. Já havia reparado isso antes... Inclusive, se ele de fato leu a redação que escrevi a respeito dele, citei algo sobre a persistência dele.
Eu admito isso. Ele é muito persistente e corajoso, e isso são qualidades nobres.
_ Hey burguesinha... Terminei antes de você! – ele se manifestou colocando a língua para fora em um gesto infantil.
Sorri de canto e virei meu rosto ao sentir minhas bochechas esquentarem. Ele está próximo demais para meu gosto. Porém, não posso negar que essa pose feita por ele foi muito engraçada. Pareceu um garotinho de seis anos quando ganha um doce a mais que o irmão. Se bem que... Lembro-me dele ter me dito no dia da redação que não tinha irmãos. Aliás, nem irmãos nem mesmo pais. Assim como a Tema e meu primo, ele também é órfão. Não deve ser nada fácil não ter seus pais por perto...
_ O que houve? Você está passando bem? – ouvi ele perguntar abaixando a cabeça para ver meu rosto. _ Levanta essa cabeça! Aqui você não deve abaixar a cabeça para ninguém está me ouvindo?!
Ergui minha face e ajeitei minha franja, encarando-o. Ele tem uma auto-confiança admirável, e deu-me um conselho? Sinceramente, acho que esse plano de fuga está nos aproximando e nos tornando mais fortes. Um exemplo disso? Neji, meu primo. Jamais estive tão próxima dele como nos últimos dias. Ele salvou a minha vida e a de Tenten. No entanto, não é por isso que estou me esforçando em me dar melhor com ele. É porque aqui, ele é minha única família. Lá fora, eu posso ser como o Uzumaki e já não ter mais meus pais... Não aprecio nem ao menos pensar nisso! E rezo por cada membro de minha família todas as noites. Entretanto, vivemos em uma incerteza. Hoje podemos estar aqui, vivos, e não chegar a acordar no dia seguinte. Por isso, estou realmente me esforçando para aproximar-me de meu primo. Sempre fomos tão distintos, tão distantes...
_ Nossa sua lentidão com isso está me dando nos nervos!! Dá esse pincel aqui! – ele falou tirando bruscamente o rolo de tinta das minhas mãos e assumindo meu lugar na tarefa. Olhei assustada na direção dele. Esse garoto é “pura combustão” como Ino diz.
_ Naruto, você já terminou a sua parte! Não acha melhor procurar alguma pista para o plano? – indaguei. Não posso permitir que ele insulte-me assim. Okay, eu estou muito lenta com isso mesmo, mas estou dando o melhor de mim! De uns dias para cá, decidi que não vou continuar ignorando-o completamente só para não causar alguma briga. Irei respondê-lo às vezes. Apesar de tudo, ele ainda continua o mesmo loiro idiota de antes.
_ Ah você vai demorar um ano!!! Porque você não procura pelas pistas? Vai se sair bem melhor que eu com certeza.
_ Naruto, não foi isso que dizer... Você também é muito inteligente. – afirmei. Não tinha a intenção de ofendê-lo.
Ele encarou-me e depois voltou ao muro.
_ Porque você tão assim com todo mundo? Ainda mais comigo! Não consigo te entender sabe. – hã? O que ele quis dizer com isso?
Olhei desentendida para ele.
_ Ah... Você é sempre tão delicadinha, tão gentil... – ele falou meio sem jeito, e confesso, está deixando-me sem jeito também.
_ Obrigada. – agradeci automaticamente e ele sorriu de canto. Ai, acho que o interrompi.
_ Mas eu tenho minhas teorias. – disse ele fazendo aquele sinal com o dedão igual ao que o Lee vive fazendo. Eu acho tão hilárias essas poses dele. É como se caminhasse por dois campos. Ora, um garoto cheio de ideais e com uma persistência digna de um adulto. Ora, uma total criança.
_ Teorias? – perguntei abaixando-me. Acho que vi algo brilhante por aqui. O que será? Pode ser útil para o plano? Coloquei minhas mãos na grama a procura do objeto brilhoso. Bem... acho que pode ter sido só minha imaginação. Não tem nada de anormal aqui nessa grama! Somente... grama, grama, grama, e formigas. Formigas?!?! Senti meu sangue parar de fluir.
_ Aaaaaaahhhh!!!!! – gritei retirando minhas mãos correndo do chão e levantando-me. Essas formigas são enormes!!! Poderiam ter me picado!!!
_ O que foi?! – Naruto perguntou.
_ Nada. – disse. Não quero que ele ria de mim por ter me assustado com formigas. Porque na certa, é o que ele vai fazer. _ Me diga a respeito dessas suas teorias... – falei em tom baixo tentando mudar de assunto.
_ Eu acho que essas provas daqui viram a cabeça da gente, e acho que vocês estão nos deixando doidos. – disse ele olhando-me. Encarei os olhos azulados dele. São mais azuis na luz do sol... Os meus não tem nada de especial. Apesar de apenas minha família ter a íris dos olhos em tom pérola desse modo, nossos olhos não mudam nunca. Nem com a luz, nem com a falta dela.
Porque estamos os deixando doidos? Será que esse “vocês” é referente a nós, as meninas?
_ Como assim? – perguntei.
_ Ah, esquece. – ele olhou-me dos pés a cabeça e senti minhas bochechas esquentaram outra vez. Fico extremamente constrangida quando alguém repara em mim dessa forma.
_ O que foi...? – questionei com a voz um pouco trêmula.
_ E que você usa roupas uns dois números acima do seu. Porque você faz isso? Sente muito frio ou quer parecer mais gorda? Mas a maioria das meninas não quer ficar mais magra? Caraca, está vendo?! Estamos perdendo a cabeça! – ele começou a rir da confusão e não pude não acompanhá-lo.
_ Sabe, acho que esse plano está até trazendo benefícios. –disse.
_ Ah é?! Qual que eu ainda não notei? – ele começou a rir de novo e eu sorri. É, ele até que tem razão, só embarcamos em furadas e ainda não conseguimos nada concreto para começar a traçar uma rota de fuga.
_ Tem razão, Naruto. Não teve benefícios... – concordei.
_ Ah até que teve! Você aprendeu meu nome! – ele disse apertando aquela faixa preta que coloca na testa.
É, mas ele não aprendeu o meu. Suspirei. Será que os outros conseguiram alguma coisa para o plano? Tomara que sim. E também, estou preocupada com minha amiga. Tenho medo que aquele irmão da Tema a machuque. Se bem, que no final das contas eu acho que aquele garoto ainda gosta dela. Temari nos disse que não tem certeza quanto a isso, mas que também acredita. Eu não gosto muito dele. Mas tenho uma certa pena. A vida dele não deve ser e ter sido nada fácil, sem falar que ele é praticamente um solitário. Ao contrário do Uzu... Naruto, ele parece não se abrir para os amigos e raramente conversa como a Sakura em nossa mesa de manhã.
Por falar em Sakura, já fico até meio corada. O Uchiha tentou beijá-la! Será que está acontecendo algo entre eles? Acho meio difícil. Ela é totalmente 100% focada no plano, e já disse a Ino e a mim que não pretende se envolver com ninguém enquanto não sair daqui. Porém, as garotas o acham bonito. Ele não deve ser qualquer um. Particularmente, não vejo nada de especial nele, exceto a liderança e inteligência. Acho que deve ser isso que as atrai. E “a carinha marrenta” que a Ino disse que as garotas gostam. Eu não consigo entender! Sou mesmo muito diferente. Esses garotos que se acham o último biscoito do pacote não me encantam. Prefiro caras alegres e simples. O que eu acredito que não vou encontrar aqui... Ou melhor, não vou encontrar tão cedo. Sou péssima com isso de coisas amorosas. Apenas beijei um garoto na vida. Sem mencionar que fico tão envergonhada que já cheguei a desmaiar uma vez quando havia acabado de entrar no segundo colegial. Minhas colegas tiveram de ser solidárias e me tirar dali para não pagar mais mico.
Ino e eu somos muito amigas. Mas ela é muito diferente de mim. Já foi para cama com muitos caras, eu nem sei se serei mãe algum dia se depender da minha vergonha. Entretanto, eu sonho em encontrar o “amor de minha vida”, parece careta, e pode até ser para alguns, afinal, estou na prova viva de que o mundo pode se tornar um inferno quando menos se espera. Ino fala que nada disso existe, e já insistiu várias vezes que Sai foi e será seu único amor. Porém, eu acredito que as pessoas podem reconstruir seus caminhos, e torço para que ela consiga reconstruir o dela.
Naruto e o Uchiha também são muito diferentes. Mas acho que são as diferenças que unem verdadeiros amigos. Um tem o suporte que o outro precisa.
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Sakura POV´s:
Fechei o chuveiro. Precisava mesmo dessa água fria caindo por meu corpo. Enrolei-me na toalha e fechei o pequeno Box que há no banheiro também minúsculo desse quarto.
Olhei-me no espelho embaçado. Com certeza essa foi uma tarde muito complexa. Aquele Uchiha não larga do meu pé! Não sei o que deu em mim ontem para estar cedendo tão fácil aos truques dele. Por mais que não consiga nem mesmo expressar minha raiva por aquela maldita luz ter voltado na situação em que estávamos e repentinamente encarar todos nos olhando espantados e curiosos, eu agradeço por ela ter impedido-me de cometer uma besteira. Jurei a mim que não iria cair nos truques dele. No entanto, quando estou muito próxima dele e daqueles olhos ônix nebulosos que ele carrega, me sinto sob uma espécie de efeito. O Efeito Uchiha.
Suspirei em um misto de irritação e cansaço. Retirei o vapor de água do espelho com as mãos e me encarei. Sinto que a cada dia estão quebrando mais minha inexpressão. Isso não é bom. Meu único foco e objetivo é deixar esse lugar a qualquer preço e saber o que houve com minha família. Voltar ao meu mundo. Meu real mundo.
Pelo menos o Uchiha hoje compartilhou desse ideal comigo e focou-se mais em buscar qualquer pista em prol do plano depois de muito evitá-lo e desconversar qualquer assunto que ele colocasse em pauta. Será que não está suficientemente claro para ele que eu não pretendo me envolver com ninguém aqui? Que menos para mim é mais? Apenas estou junto das garotas e deles por conta do plano. Delas, porque além disso também dividimos o quarto e eu não pretendo arranjar confusão com ninguém. E também, pois elas são boas garotas. Não digo que são minhas amigas, mas gosto de estar com elas. Mesmo que não me encaixe com Ino e Hinata. Tenten é a única que falo um pouco mais, porém, ela já tem sua melhor amiga, e não sou do tipo de garota que faz intriga por ciúmes bobos para estragar amizades. E ter uma melhor amiga em um lugar como esse também confesso que não está lá nos meus planos.
Fechei os olhos. Aquele maldito Uchiha me veio a mente outra vez. Ele é muito insistente. Tanto quanto aquele amiguinho loiro dele. Não tocou no assunto do “quase beijo”, mas puxava papo a todo instante, sabendo que não sou do tipo que fala muito. Nossa relação é estreitamente profissional, posso dizer assim, deixei bem claro no dia em que selamos este acordo que não pretendia me tornar amiguinha dele. Ainda sinto os lábios dele roçando nos meus, e acho que por simples instinto estou sentindo-me assim. Será que ele se sente da mesma forma? Pelos céus, Sakura! Não acredito que pensou isso!
Suspirei novamente e tratei de me secar e colocar as roupas que Shizune deixou em cima de minha cama. Ela deixou um bilhete dizendo que “minhas roupas chegaram”. Coloquei todas as peças na parte que me cabe do guarda-roupa, que estava praticamente vazia anteriormente, apenas com minhas roupas de cama e algumas peças de Ino e Hinata que elas me cederam definitivamente.
Essas roupas são horríveis, mas Hinata disse que ela e Ino podem me ajudar mais tarde a customizá-las. Coloquei uma blusa branca de mangas longas e um short vermelho. Curto demais na minha humilde opinião, mas como hoje os garotos não irão aparecer por aqui, já que concordamos em nos reunir amanhã para analisar tudo que conseguimos para o plano. Todos concordaram que precisamos desta noite para descansar, e eu também fui a favor quando Neji sugeriu. Há quase dois dias não descanso bem. Sim, descansar. Ainda não tive uma longa noite de sono nesse lugar.
O Uchiha e eu analisamos bem o perímetro da área externa, e acredito que temos informações importantes para a próxima reunião. Neji e Tenten foram os mais empolgados com isso. Nos disseram na volta para os alojamentos que descobriram algo decisivo. Ótimo!!! Espero que seja mesmo decisivo. Bem, mas vindo do Hyuuga eu não posso duvidar. Ele é muito inteligente e analítico, isso não há dúvidas. Temari e Shikamaru pelo visto mais discutiram que chegaram a algum ponto. No entanto, confio um pouco no Nara, ele na certa deve ter feito um bom trabalho. E ainda precisaremos muito dele pelo jeito, ele é o estrategista que irá liderar nossa fuga. Sei disso.
Olhei-me mais uma vez no espelho e coloquei as mãos na maçaneta. Hinata e Ino estão conversando desde que nós chegamos da área externa. Ino não me pareceu com cólicas ou algo assim. Aliás, no momento em que Hinata nos avisou que ela não iria permanecer lá na área, logo saquei que ela com certeza iria atrás do ruivo. Esses dois são um problema muito grande. Fico até um pouco sem graça de adentrar o quarto agora e findar o papo das duas, já que é provavelmente isso que elas irão fazer. Ino não gosta de falar quando o assunto é o ruivinho esquentado. Acho que ela não quer demonstrar na minha e na frente de Temari e Tenten, que não odeia da forma como diz.
Só espero que não tenham se agredido como sempre, e que não seja esse o papo delas.
Abri a porta e as encarei.
_ Até que enfim saiu desse banho não é, Sakura? Achei que estivesse morrendo lá dentro. – Ino se manifestou sorrindo de canto para mim.
_ Não exagera, Ino. – Hinata falou pegando seu travesseiro das mãos dela.
Caminhei até minha cama e me deitei nela, olhando-as.
_ Como foi hoje na área? Vocês descobriram alguma coisa? – Ino indagou encarando-me.
_ Tive que ficar na companhia do Naruto, acredita? – Hinata contou com aquele tom de voz baixo e doce dela.
_ O quê?! Como assim? Porquê? Naruto hein... Do nada você resolveu chamar aquele loiro avoado pelo nome Hinatinha? Que história é essa? – Ino começou a interrogar com um sorriso malicioso nos lábios. Segurei um riso. Coitada da Hinata está parecendo uma cereja de tão vermelha. Se bem que ela tem razão, que parada é essa de “Naruto”?
_ Para com isso Ino... Não é nada demais. Não é o nome dele? Então. Apenas resolvi parar de chamá-lo de Uzumaki. Talvez assim ele pare de me chamar de burguesinha. – Hinata explicou-se e Ino olhou-me para ver se eu também acreditava nessa.
De fato, ela pode estar falando a verdade. Hinata não faz o perfil de garota muito boa com desculpas.
_ E você Sakura? Quem compartilhou de sua companhia? – Ino perguntou e eu gelei. Não estou afim de responder essa. Mas se não o fizer, elas vão começar a me encher por conta também do que houve ontem.
_ O Uchiha. – resumi já deixando claro que não pretendia estender aquele assunto.
_ Hum, e vocês descobriram alguma coisa? – ela perguntou em seguida.
Já iria responder, quando Hinata tomou a vez:
_ Ino, vamos nos dar esse restinho do dia para esvaziar a cabeça quanto ao plano! Nós estamos ficando muito obcecados com isso! Amanhã a gente já vai se reunir no quarto deles e falamos disso. Sabe que o Naruto tem razão? Estamos ficando doidos!
Arqueei uma sobrancelha. Quando foi que a Hinata passou a concordar com ele? E mais, temos que estar sempre atentos. Sempre na retaguarda. Não sabemos se o amanhã pode chegar, então temos que estar sempre ligados no plano sim!
No entanto, optei por não dizer nada. Acho que não há mesmo nada que possa acontecer nesse final de dia.
_ E o ruivo, Ino? – perguntei apenas para confirmar se ela havia ido ou não atrás dele.
Hinata a encarou e eu fiz o mesmo. Ela suspirou e ajeitou a franja que ela faz questão de manter sob o olho esquerdo.
_... Como sabem que fui atrás dele? – surpreendentemente ela perguntou. Achei que ela fosse esconder o jogo ou dar uma bela desculpa.
_ Não somos bobas, Ino. – Hinata respondeu por mim e por ela.
Pelo visto, ela não comentou com Hinata sobre isso. Então elas estavam falando tanto a respeito de quê? Será que era a respeito de mim e do Uchiha? Aliás, não tem eu e o Uchiha.
_ Por você foi comprar briga com ele de novo hã?! Eu não entendo essa necessidade de vocês dois de ficarem tentando se matar! Porque você foi atrás dele, Ino?!?! Ele é perigoso! Já cansei de te dizer isso!!! Porque você não me escuta?! – Hinata já começou a repreendê-la quando ela a cortou:
_ Eu precisava deixar bem claro para aquele imbecil que falso, mau caráter e ordinário é ele!!! Hina você não ouviu o tanto de insultos que ele falou para mim ontem?! Você sabe que eu não sou de ficar com desaforos entalados na garganta!!! Eu não sabia que ele era meu noivo!!! Não sabia de nada!!! E ele já foi me acusando como se eu soubesse e tivesse tirando onda com a cara dele esse tempo todo!! – defendeu-se ela.
_ Deixa ele acusar!!! Ignore!!! Ignore!!! Você por acaso se preocupa com o que ele pensa? Porque se foi até lá está acabando de confirmar que preocupa sim! – Hinata argumentou e em partes concordo com ela. Não digo que ela se preocupa com o que ele pensa dela, só acho que por ele ter matado o tal Sai, Ino criou essa imagem monstruosa dele, e se ofende a cada vez que ele a critica. Talvez por o considerar o pior dos piores, ela não aceita uma crítica partida dele. E também, não quer aceitar que o garoto mexe com ela, e que assim como qualquer pessoa, tem seus receios. Ah, ele tem!!! Lembro-me com total clareza do dia que coloquei as costelas dele no lugar. Jamais vi alguém tão nervoso por ver o próprio sangue.
_ Não me preocupo com o que ele pensa!! Só não agüento mais esses showzinhos dele! Não agüento mais ele ficar para cima e para baixo me ofendendo! E não agüentava mais saber que ele está vivo depois do que fez com Sai! – Ino completou.
_ Ele te ofende porque você faz o mesmo com ele! Se parasse, se ignorasse, ele ia parar! – Hinata disse.
_ E por acaso o loiro avoado parou contigo? – É, o loirinho sempre continuou independente de Hinata quase nunca respondê-lo.
_ É... – admitiu ela em um suspiro.
_ Agüentava? – questionei. Ela usou o verbo no passado, isso quer dizer que após essa ida atrás dele algo mudou em seu modo de pensar?
Hinata e ela olharam-me surpresas. Pelo visto nem Ino mesma notou o que disse.
Ela puxou um pouco mais o cobertor e sentou-se na cama.
_ Talvez ele não seja tão desprezível quanto eu imaginava. – ela soltou cabisbaixa e Hinata e eu nos olhamos incrédulas. Será que ouvimos bem ou isso é uma ilusão?
_ O que...?... – Hinata perguntou com a voz até meio surpresa.
Ino suspirou e olhou em nossa direção.
_ Não sei... Não sei, mas ele está perdido da mesma forma que eu Hina, só que diferente de mim, que tenho vocês, ele é sozinho. Não confia tanto nos amigos dele e tecnicamente foi renegado pelos irmãos. E me sinto culpada por isso. Pelo menos é mais humano do que pensei! – Ino explicou e Hinata e eu nos entreolhamos, só agora que ela notou isso? Até mesmo para mim, que tenho contato zero com ele, é notável que o garoto é sozinho.
_ Vocês brigaram de novo lá, foi isso? – Hinata perguntou meio receosa.
Ino fez uma cara estranha, depois tentou dizer algo mais não teve êxito.
_ Não quer nos contar o que fizeram? – perguntei automaticamente e me surpreendi. Estou dando opinião em assunto alheio? Essa é nova.
Ela fez de novo aquela cara estranha e disse em um tom quase inaudível e rápido demais:
_ Brigamos, nos beijamos, brigamos, quase transamos e brigamos de novo.
Hinata fez a cara mais surpresa do mundo e eu tive de acompanhá-la mais discretamente. Como assim se beijaram? E mais!!!! Que história é essa de que quase transaram? Eu não estou ouvindo direito, só pode. Ficaria menos incrédula se ela dissesse que tinha chegado a matá-lo.
_ Ah! Parem com essas caras!!! As duas!!! Nada muda entre eu e ele!!! Nada!! E não é porque nos beijamos e quase fomos para cama que o acho mais humano como disse. Nada lá teve significado para mim. – Ino decretou. _ E isso também não sai daqui, okay?!
Hinata e eu afirmamos de cabeça.
_... Mas... porque vocês... se beijaram? E, e... ah! Vocês sabem! – Hinata se pronunciou quase roxa de tamanho constrangimento.
_ Ele que me beijou! E, ah!!! Foi tudo meio no instinto sabe? Pronto, acabou o assunto. – Ino se irritou e cruzou os braços.
Ouvimos a porta se abrir e Hinata ajeitou desesperadamente a franja e o cabelo, como se aquilo fosse mesmo deixá-la menos corada. Eram Tenten e Temari, que como de costume, para não chamar a atenção deles, entraram voando no quarto e fecharam a porta.
_ Olá gatinhas de plantão! – Tenten cumprimentou sorridente e sentou-se na ponta de minha cama.
_ Hinata, você está rosa! Sobre o que estavam falando? – Temari perguntou sentando-se na ponta da cama de Ino.
_ Sobre sexo. – Ino disse apenas para provocar ainda mais a coitada da Hinata, que conseguiu ficar mais vermelha que aquilo.
Tenten e Temari sorriram de canto e a encararam.
_ Para, Ino!!! Vamos mudar de assunto!!! – Hinata bradou um pouquinho irritada em meio a toda aquela vergonha.
_ Amanhã vamos nos encontrar para reunião no quarto deles? – Tenten perguntou ajudando-a.
_ Vai ter que ser, não sabemos qual é a dessa tal de Konan, é mais seguro lá. – Temari opinou falando em tom mais baixo para não correr o risco de sei lá, a mulher ouvir o nome dela sendo pronunciado aqui.
_ É, mas vai ser mais complicado para sair daqui também. – lembrei.
_ Sabe que eu o Hyuuga funcionamos muito bem como dupla? Acho que esse mundo está mesmo perdido... – Tenten comentou rindo junto de Temari e Ino.
_ Claro que está. – disse baixinho e vi que Hinata disse junto comigo.
Nos entreolhamos. Pela primeira vez estou compartilhando aquele olhar cúmplice entre amigas. Sorrimos levemente juntas e ela tomou a vez:
_ Ino é muito promíscua.
_ O quê?! Que isso, Hina!!! – Ino se fez de ofendida, rindo em seguida com as duas.
_ Muito é pouco. Meu irmão pira com isso... – Temari acabou pensando alto, e todas olhamos para Ino. _ Foi mal, pensei alto. – ela tentou se explicar para não criar alguma briga ou algo assim. Ah se Temari soubesse do que ela nos contou há pouco...
_ Tudo bem, Tema. Seu irmão tem mania de achar que controla minha vida mesmo. – disse Ino. Pelo visto ela está mesmo disposta a deixar tudo como estava, disse que nada daquilo teve significado para ela. Será mesmo? Eu acho o contrário, ela está começando a ver o lado dele, como aquele loiro avoado mesmo disse, talvez ela esteja ficando um pouco mais “humanista”. Me pergunto a onde ele ouviu essa palavra! Definitivamente não deve fazer parte do vocabulário dele.
_ Ai ele o ó mesmo! Ele é tipo possessivo assim desde criança Tema? – Tenten perguntou.
_ Não, mas ele era muito cheio de fobias sabe? Tipo, quando éramos crianças toda vez que ficava triste ou chorava por qualquer motivo que fosse, se trancava no quarto ou no banheiro. Ele detestava que vissem daquele jeito. Não gostava de ficar muito tempo sozinho, ainda mais se fosse a noite, corria para o meu quarto. E ele era muito quieto, digamos assim, não era uma criança bagunceira tipo eu, então não costumava se machucar muito. Mas um dia ele se machucou para valer, ou melhor, nosso pai bateu nele para valer por conta de uma coisa na verdade o Kankuro que tinha feito, ele meio que ficou muito noiado com isso de ver o sangue dele. Não sei se é assim até hoje, afinal, não conheço mais meu irmão. – Temari respondeu e notei Ino prestando atenção em cada palavra dita por ela. Quanto ao negócio do sangue, posso afirmar que é assim até hoje.
_ E do Neji, Hina? – Tenten perguntou e olhamos para ela. Porque diabos ela quer saber do Hyuuga?
_ Como assim? – Hinata perguntou para ela ser mais específica.
_ Ele sempre foi esse poço de arrogância? – explicou Tenten rindo junto de Temari.
_ Ah, eu e ele nunca tivemos muito contato. E ele não era de falar tanto comigo, por conta do que houve com meus tios, os pais dele. Mas especificamente com a mãe dele. Neji se fechou muito na época em éramos pequenos, e por incrível que pareça falo mais com ele aqui hoje do que já falei a minha vida toda fora dessas cercas. – Hinata relatou já recomposta.
_ Pena que não tenha ninguém aqui para falar se aquela preguiça humana é assim de nascença. – a voz de Temari se fez presente.
Elas estão preocupadas demais com esses caras, nem mesmo parece que estavam trocando farpas a semanas atrás quando cheguei.
_ Ou para falar se o Naruto nasceu sem parafusos na cabeça mesmo. – Ino brincou e todas rimos.
Aquele moleque é mesmo muito hilário e doido! Apesar de ser um completo pateta idiota como todos os outros às vezes, tem de se reconhecer que ele também é parte vital dessa aliança. Realmente foi muito admirável o que ele fez na prova do Gai, era algo praticamente impossível e ele burlou qualquer dificuldade. Sem dúvidas isso é vital não só para a aliança que formamos, mas para o plano também.
Novamente a imagem do Uchiha e do que disse-me mais cedo me veio a mente. Droga!
_ Ou alguém para decifrar o Uchiha. – acabei falando sem pensar. Céus! Eu disse mesmo isso? Merda. Encarei-as, elas faziam o mesmo.
_ Ontem, vocês não... – Tenten ia comentando quando olhei com o mais claro de meus olhares demonstrando que não pretendo MESMO continuar com esse papo.
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Sasuke POV´s:
Ajeitei minha cabeça outra vez no travesseiro. Não sei ao menos do que os caras estão falando, não estou prestando a mínima atenção se quer. Tudo que está atormentando-me agora é ela, Sakura. Evitou-me durante o dia todo, como se não tivéssemos quase nos beijado ontem. Arg, qual a dela? Porque não consigo conquistá-la?! Definitivamente ela é bem diferente de qualquer garota que já conheci. Tão semelhante a mim, ao mesmo tempo tão mais complexa, tão distinta. Consigo analisar cada passo dela, cada ação dela. No entanto, não consigo prever o que ela irá fazer quando o assunto sou eu. Suspirei cansado. Apesar de tudo isso, conseguimos analisar bem o perímetro da área externa e temos algumas informações fundamentais para a próxima reunião. Há algumas partes do terreno em que ele é muito irregular, isso significa que o muro é mais baixo em alguns determinados locais da área externa. E ainda tem aquelas árvores para o lado da câmara de gás, será que há muros atrás delas? Entretanto, é muito difícil chegar até lá, tentamos, mas o imbecil do Hidan nos deteve e disse que estávamos fugindo do “local a ser pintado”. Esses caras estão nos usando como empregados! Ou melhor, como escravos isso sim! Esse lugar só não está mais aos pedaços porque vivemos sendo obrigados a concertar as coisas. Mas o terreno irregular fica para os lados da câmara mesmo, o que só confirma nossas suspeitas a respeito de uma possível saída por lá, já que nunca fomos aquele lugar antes da prova da câmara. E acredito que não iremos voltar tão cedo já que Neji descobriu que trata-se de uma câmara de gás e gritou isso a plenos pulmões para muita gente. Mas ele salvou muitas vidas, incluindo a da prima e a de Tenten arriscando a sua.
_ Sério! Nunca pensei que aquela garota fosse tão boa com análises. Demos uma boa dupla hoje. – ouvi Neji comentar referindo-se a Tenten.
_ E eu nunca pensei que a burguesinha fosse tão lenta. Eu pintei toda a minha parte e ainda metade da dela!! – o dobe contou com aquela cara dele de revoltado dele quando tem que “fazer tudo”, ah ta bom! Ele passou pela minha cama e entrou no banheiro com sua escova de dentes. Ainda está cedo para dormir, então porque diabos ele está com essa escova na mão? Vai entender o Naruto...
_ Eu nem pintei aquela bagaça... Deixe-me dizer uma coisa meu caro Gaara: tua irmã é a mulher mais problemática do planeta. – Shikamaru disse sentando-se no chão.
_ Não é não. – discordei junto de Gaara.
Olhei para ele e senti os olhos de Neji e Shikamaru na gente.
_ O que houve contigo ô cabeça de pimenta?!?! – Naruto praticamente gritou de dentro do banheiro.
Gaara nada disse, apenas suspirou um pouco irritado e voltou a encarar a janela como estava fazendo.
_ É, você está diferente cara... Foi na enfermaria? – Neji interrogou.
_ Não, a dor passou. – ele respondeu rapidamente. Acho que não sou só eu, mas todos aqui sabemos que ele não foi na enfermaria porcaria nenhuma. Apenas não desceu para área externa para não encarar a loira.
_ Cara, está um cheiro de perfume de garota aqui ou sou eu ficando doido? – o dobe falou saindo do banheiro aspirando o ar.
_ É você ficando doido. – Gaara cortou.
Não sei não hein... Estou achando ele muito estranho mesmo. E o dobe não está ficando doido, está um cheiro sei lá, meio floral aqui. Eu diria até que esse perfume é da...
_ Ino. – Shikamaru disse como se tivesse adivinhado meus pensamentos. Ela esteve aqui? Ah, agora sim tudo faz sentido. Eles devem ter se esmurrado como de costume. Se bem que até que o Gaara saiu ileso dessa, não estou vendo marcas de agressão nele.
_ O que ela veio fazer aqui? – Neji já foi direto ao ponto.
_ Brigar comigo. Nada mais. – Gaara resumiu e todos acreditamos. Afinal, é o mais provável mesmo.
O dobe me acertou um travesseiro do nada e eu o devolvi. Babaca!
_ Acorda velho, parece que você está em outro planeta! – falou ele.
_ Planta Haruno Sakura. – Neji zombou. Arg, não sei porque ainda sou amigo deles!
Não sei, mas estou com um péssimo pressentimento em relação a amanhã. Tomara que seja apenas intuição...
Notas finais
Beijocas, Nane.
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