Exerion

2 Capítulo II - Império


Quando tudo clareou-se novamente, os três encontravam-se ao centro de um branco salão circular enorme.

Os seres em frente a eles se curvaram em respeito.

— Nossas saudações de Tvashtar.

Caldus deu um passo em frente.

— Eu, Caldus, rei do império de Exerion, exijo uma explicação para nossa deselegante acolhida.

— Senhor, mil perdões. Este é o método tradicional de recepção aqui na fortaleza...

— Certo... sou clemente. Irei poupá-los.

" A Coroa de Exerion...! Ou coroa quadrangular, como outros a chamam... ela foi forjada com metais escuros hoje só encontrados aqui na região de Tvashtar... Este guerreiro, ao possuí-la... possui de fato o poder sobre o império de Exerion. "

— Diga-nos, então, imperador Caldus de Exerion, o que devemos fazer?

— Ora, esta é uma pergunta simples. Fomos expulsos de nosso castelo pelas mãos de meu irmão, Luganno, que junto a outros guerreiros, tomaram o castelo de Exerion e se proclamaram governantes de Orehalion nestas terras.

— Orehalion? — O tvashtariano brilhou com uma cor estranha, que vinha de dentro. — Está me dizendo que... o herdeiro da chama...

— Sim. O herdeiro da chama de Orehalion é meu irmão, Luganno Quilgich.

— Então finalmente aconteceu... agora eles têm a posse dos últimos resquícios de energia Orehalion ainda restantes neste satélite... entendo. E estes últimos resquícios estão em um único recipiente, seu irmão, é isso que você diz?

— É. De fato foi isto o que aconteceu. Eu cheguei a concorrer pelo torneio, mas...

Lisanne, então, puxou uma das mangas da camisa de seu noivo, como em correção. -Cale-se! — disse, bem baixinho.

— O torneio? Entendo, entendo. Então também participou. Bom, vejo que deve ser realmente alguém puro? Ou, de fato, queria só o poder da chama?

— De fato, isso não me interessa no momento. Meu único desejo sobre a chama de Orehalion era poder, nada mais do que isso. Poder este que agora encontra-se nas mãos de meu irmão. O que precisamos agora é de uma estratégia para retomar o castelo.

—Crê, mesmo, que esta seja a melhor solução? — perguntou o tvashtariano. — Não crê que deveria dá-lo de presente ao seu querido irmãozinho?

— Presente? O que está dizendo? Enlouqueceu?

— Meu senhor, é um simples castelo... Poderia ter muito mais, não acha?

Lisanne sorriu. O sacerdote ainda estava ajoelhado, em gesto de devoção.

— Que meios de tecnologia temos disponíveis para criar um arsenal bélico? — Caldus perguntou?

— Suficientes... — respondeu o tvashtariano.

— Ótimo.

Neste momento, um alarme soou na fortaleza de Tvashtar.

— Identificamos outros intrusos!

O alarme cessou e, instantes depois, os três alienígenas que os tinham trazido, minutos atrás, traziam outras duas pessoas. Uma era um homem coberto por um pano surrado. Segurava um bastão, e seus longos cabelos negros também eram cobertos por uma longa peruca amarela. Ao seu lado, um homem de armaduras feitas de um couro vermelho escuro. Seus longos cabelos verdes contrastavam com a cor de suas vestes. Ambos se encontravam mobilizados e não podiam mexer seus membros.

— Vocês dois...?

— Então lembra-se de nós... — disse Dot Sanders.

— Lembro que também lutaram no torneio Orehalion, há onze anos atrás.

— De certo... não deve saber que já estive em posse daquela coroa de Orehalion que agora está nas mãos de seu irmão.

— Então foi de você que ele a obteve? — perguntou com um certo desprezo.

— Tsc...

— Soltem-nos, e os desarmem. Devolvam suas armas somente quando eu o ordenar.

— Sim.

E assim o fizeram.

— Ouça, Dot Sanders. Não sou o rei de Exerion, sou o Imperador. Este, agora, é o meu império. Consegue entender isso?

— Sim, Vossa Majestade! — os dois responderam ao mesmo tempo.

— Que bom que tenham entendido. — Caldus virou-se para os tvashtarianos. — Levem-nos até um local onde possamos lutar pacificamente, sem atrapalhar a paz de vossos senhores?

— Será feito, mestre. — e os cinco foram teleportados pelos tvashtarianos até uma enorme cúpula oval com um teto de vidro, que parecia um galpão para decolagem de alguma espaçonave.

— Está brincando? Este teto não vai quebrar?

— Só se forem muito violentos... podem testar à vontade. Não creio que irá quebrar, mas reparos não são tão simples assim.

— Certo. Sacerdote, fique com minha coroa. Também estou sem armas mas consigo lutar facilmente contra estes dois sujeitos sozinho. Além disso, devolvam o bastão a Pointers.

— Não irei precisar! Vamos nessa! — E acendeu chamas de fogo real de suas luvas negras.

Dot Sanders não disse uma palavra, e acendeu suas chamas escuras, que rodeavam todo o seu corpo.

— Interessante... venham! — bravejou Caldus.