Exchanged Sex 2.
8 Capítulo 7 - Dor.
Notas iniciais
Capítulo 7
POV Zoro
A plateia do lugar de repente fica muito agitada. Todos olham para nós.
— Droga. Todo aquele plano não adiantou merda nenhuma! – sussurra Nami. Eu retiro algumas farpas de madeira das minhas mãos e olho para meu capitão.
— Luffy. — chamo. Ele me encara. – Vamos sair daqui.
Ele assente e libera seu Haoushoku, fazendo todos desmaiarem. Faz-se silêncio, e não demora muito para eu ouvir sons de agitação nos bastidores. Claro, eles devem estar estranhando a ausência de gritos.
— Luffy, você procura o chefe. Ele deve estar lá dentro, em algum lugar. Se não achar, use o Den Den Mushi e fale comigo. – ordena ela.
— Entendi.
— E você Zoro... Vai atrás do Jovem Mestre. Ache-o, de qualquer jeito. E quando acha-lo... Dê uma surra. – fala.
— Nem precisava lembrar. – garanto. Pego minha bandana em meu braço, e amarro em minha cabeça, respirando fundo em seguida.
Nós três descemos até o palco e eu abro a cortina, entrando.
—-------X--------
Entro em outro corredor. Não consigo encontrar nada, nem ninguém. Entro em outro à esquerda, e por fim, sinto a maldição da Kitetsu. Minhas katanas estão perto. Muito perto. Se eu conseguir pega-las, vai ser ainda melhor.
Ando um pouco mais a frente, e a sensação fica mais forte. Começo a correr, quando ouço uma respiração. Tem alguém lá na frente. Quase no final do corredor, vejo um cara gordo e estranho, e tento passar por ele.
— Não pode passar. – avisa. Eu o fuzilo com os olhos.
— O que pensa que está fazendo? – pergunto. – Vai me impedir?
— O Jovem Mestre disse para proteger essa área.
— Então você conhece o Jovem Mestre? – pergunto, e solto um sorriso. – Ótimo.
Agarro seu pescoço e seguro-o na parede.
— Cadê minhas katanas? – pergunto. Eles tenta se libertar. – Responda, ou eu te enforco.
— Eu... Não... Sei de katana nenhuma... – fala, entre tosses.
— É mentira. Sinto vestígios da maldição da Kitetsu em você. E sinto a energia da Wadou Ichimonji. – falo. Ele se assusta. – Diga onde estão.
— Entendi... – diz, e eu o solto. Ele cai de quatro e começa a tossir. Eu odeio fazer isso, mas... É necessário.
— Agora me diz onde estão. E se estivermos indo para outro lado, eu vou saber, seu filho da puta. – xingo. Ele assente, e eu o levanto, sem soltar o aperto em seus braços. – Vamos.
Ele me leva para o fim do corredor e para de andar em frente uma porta.
— É aqui.
Abro a porta e empurro com a perna, vendo várias armas penduradas nas paredes. Entro com o gordo e pego uma algema, prendendo seus braços para trás. Olho para o canto da sala e vejo minhas três katanas: Kitetsu, Shuusui e a Wadou. Desembainho as três, e ao vê-las em perfeito estado, solto um mínimo suspiro de alívio.
Olho ao redor e vejo outros tipos de arma. Entre as algemas, algumas de uma cor mais escura que aço e também algumas katanas da mesma cor.
Chego perto e, pelo peso e textura, percebo que é Kairouseki. Coloco junto com as minhas próprias katanas, só por precaução.
— Bom, você que morra aqui, se quiser. – falo, e saio da sala.
— Ei, a chave da algema!
Ignoro-o e saio correndo dali, procurando o cheiro do Sanji. Ele está tão ferido... Eu quero cura-lo, quero fazê-lo seguro novamente. Quero leva-lo para o navio e nunca mais desgrudar dele... Quero abraça-lo.
Os corredores quase não têm luz ou ventilação, e não são muito largos. Isso eu entendo, pois estou abaixo da superfície.
Continuo correndo e entro à direita, seguindo para a esquerda depois. Ao entrar à direita novamente, vejo uma luz no final do corredor, e corro na direção dela. Ao chegar, vejo que é um corredor atravessado. Suspiro, e sinto o cheiro do Sanji mais forte. Misturado com cheiro de sangue.
Olho para a esquerda e decido pela direita, correndo o máximo que posso. O corredor vai ficando um pouco mais escuro, e começam a surgir celas no lugar das paredes, com portões fortes de Kairouseki. Então é nessas coisas que as mulheres ficam...
Já quase no final do corredor, a iluminação volta, e uma luz amarelada e um pouco fraca preenche o lugar. O cheiro do Sanji é quase palpável. Olho para a direita, e para minha surpresa, o Jovem Mestre está dentro da cela, encostado na parede. Com o portão aberto, encosto a mão no metal.
Ele retira um cigarro da boca e assopra a fumaça para cima, se desencostando da parede. Minha raiva é tanta... Sinto que ela pode transbordar a qualquer instante. Aperto os punhos e tranco a mandíbula, fechando os olhos. Acalme-se, Zoro. Se controle. Você não pode mata-lo ainda. Faça-o sofrer e implorar por sua patética vida. Faça-o sofrer e arquejar, faça-o sentir dor e sangrar. Torture-o. Soque-o. Corte-o.
Entro no lugar a passos lentos, tentando olhar para o chão o máximo que posso. Paro de frente para ele. Se eu olhar em seu rosto, com certeza vou arrancar sua cabeça. Não posso fazer isso.
— Então você me achou mesmo... – murmura, tragando o cigarro mais uma vez e jogando a fumaça para cima. Olha ao redor, no chão, e vejo alguns objetos suspeitos. Um chicote, grosso como um cabo de aço, dois tipos de algema, cordas e três tipos de vibrador – um é totalmente liso e metálico, o outro é cheio de caroços e é feito de plástico, e o último é mais fino, constituído por várias bolas ligadas por uma corda fina.
Esse lugar também tem o cheiro do Sanji.
— Onde está? – pergunto. Percebo minha voz mais potente, grave e intensa.
— Está se referindo à Sanji-chan? – pergunta. Ele tem um ar debochado que me irrita muito.
— “Chan” é o cacete. Onde está o Sanji? – pergunto, tentando manter o mínimo de paciência que ainda me resta.
Levanto o rosto e olho em seus olhos. Droga. Vou mata-lo. Vou mata-lo.
Ele levanta o braço direito e aponta para a cela da frente.
— Serve aquela? – pergunta, e eu olho para lá imediatamente.
No momento em que percebo que Sanji está realmente ali, há poucos metros de mim, um alívio passa por mim. Porém, esse sentimento é logo substituído por desespero. Sanji está encostado na parede do fundo, com as mãos caídas nas coxas. Seu corpo está completamente nu e... Sangue escorre de sua cabeça, assim como da frente de seu tronco. Com sua cabeça tombada para o lado, posso ver as manchas escuras em sua pele.
O problema é... Que eu não ouço sua respiração, e nem seus batimentos cardíacos.
Cheguei tarde demais. Não fui capaz de salvá-lo. Está morto.
Quando menos percebo, o sentimento de desespero que passou por mim... Se transforma em ainda mais ódio. É como se meu coração estivesse sendo esmagado e transformado em um amontoado de carne moída.
Ando devagar até o chicote no chão e pego-o, desenrolando-o com cuidado. Na ponta, há sangue seco.
— Sabe, eu... – começa o Jovem Mestre, mas eu uso da minha velocidade e paço o chicote por seu pescoço, apertando-o. – Ugh...
— Foi com este chicote que você abriu aqueles cortes no corpo dele, não foi? – pergunto. Ele põe as mãos sobre o chicote, tentando solta-lo.
Largo o chicote e seguro seu cabelo pela raiz, puxando-o com força.
— Não se preocupe. Você não vai morrer. Não agora. E não enforcado.— falo.
Ele tenta socar meu rosto, e eu desvio facilmente.
— Eu não me importo de morrer agora... Roronoa Zoro. – fala, tossindo. Jogo-o de cara chão. – Até porque, mesmo que você me mate, depois vai ter que enfrentar um Almirante. Mais precisamente, Borsalino Kizaru.
Coloco um pé em suas costas.
— E você acha que não tenho força para enfrentar um Almirante, Jovem Mestre? – pergunto, forçando o pé para baixo. Ouço um estralo, e ele grita de dor.
Seguro sua roupa e coloco-o de pé novamente, e empurro para a cama de pedra no canto da cela, fazendo-o cair sentado. Coloco minha mão suavemente em seu pescoço.
— Está vendo aquelas coisas ali no chão? – pergunto. Em seguida, lembro de todo o sofrimento que esse cara fez o Sanji passar. Tenho certeza que ele o estuprou, e fez as coisas mais horríveis com seu corpo. Solto um sorriso de satisfação. – Eu vou colocar cada um deles dentro de você. Ou melhor: os três de uma vez. Depois eu vou te chicotear, e vou te bater tanto, que seu corpo vai ficar desfigurado. Você vai ficar cinco vezes mais roxo que o Sanji, e vai sentir muita dor. Sabe por quê? Por que eu não vou te dar porra de droga nenhuma para você se excitar.
— Como você sabe disso? – pergunto.
— É óbvio que o Sanji não se excitaria por um homem que ele odeia. Sem contar que daqui eu sinto o cheiro da droga que você deu para ele. – respondo.
— É, eu droguei ela, sim. – admite, e em seguida, solta uma risada de deboche. – E o que você pode fazer contra isso, Roronoa Zoro? Eu estuprei a sua mulher. Gozei dentro dela. Não dei um grão de comida, e nem um mísero copo d’água. É por isso que ela morreu de sede. Faz seis dias que ela não bebe água. Seis dias sem comer. E tudo isso, só porque eu queria fodê-la...
Ele olha em meus olhos e sorri novamente, como se tivesse ganhado alguma batalha. Eu sorrio de volta e tiro minha katanas da cintura, desembainhando a Kitetsu.
— Jovem Mestre... Quantos dedos você tem? – pergunto. – Deixa. Eu mesmo conto.
Pego suas mãos entre as minhas, e estranhamente, ele cora.
— São exatos dez dedos, né? – pergunto. Em seguida, solto outro sorriso de satisfação. Pego a Kitetsu e, com um movimento muito rápido, corto seu polegar direito. Seu dedo voa para o outro lado da sala, e vou correndo buscar. – Agora são nove.
— Seu filho de uma puta!! Meu dedo! – grita ele, desesperado. O sangue cai de seu dedo e mancha sua roupa branca. – Você é maluco!? Eu sou um Tenryuubito!
— Foda-se! – grito, usando toda a força dos meus pulmões. – Não é a primeira vez que eu enfrento um Tenryuubito, viadinho.
— Eu.. V-Vou te denunciar! O Governo Mundial vai correr atrás de você e de todo o seu bando! Você é cruel! – fala ele.
— Cruel? – pergunto, andando até ele novamente. Seguro seu queixo, forçando-o a ficar a centímetros do meu rosto. – Quem você pensa que é para falar de crueldade, Jovem Mestre? E além disso... Você esperava o quê? Um afago? Nós somos piratas, e estamos no Novo Mundo. Você não estava pensando que íamos deixar um companheiro importante para trás por causa disso, não é?
Ele segura sua mão que sangra, e eu mostro-lhe seu polegar.
— Vamos ver. – murmuro. Coloco o dedo decepado em frente a lâmina da Kitetsu, e para minha surpresa, ela até treme. – Uau. Parece que a minha katana gosta e deseja seu sangue, Jovem Mestre. Isso é ótimo.
— Você vai me cortar? – pergunta. Sinto seu medo.
— Mas é claro que eu vou. – falo, e solto um risinho baixo. – Você achou que não?
— Você não tem piedade? Eu sou um ser humano. – fala.
— Ser humano? – pergunto. – Não acredito que você está me dizendo uma baboseira dessas. Vou contar uma coisa para você, e só para você. Você pode me ouvir?
— C-Claro.
— Quanto alguém me pergunta se eu não tenho piedade... – começo. Ele assente. Estranho. Esse cara é estranho. — Eu fico com ainda mais raiva. Vermes como você não merecem piedade, lixo inútil. Você e sua alma são podres. Você deveria ter pena de si mesmo. Por culpa sua, aquele monte de gente entrou naquele restaurante. E por minha causa, agora Sanji está morto. Você não sabe...
— Não sei...
— Você não sabe a vontade que tenho de arrancar a sua cabeça aos poucos, com as minhas próprias mãos.
— Você sabe que meu pai vai vingar a minha morte, não sabe? – pergunta.
— Seu pai? – solto uma risada. – Seu pai, neste momento, deve estar levando uma bela surra do meu capitão. Se eu fosse você, eu iria querer trocar de corpo com o seu pai. E isso, Jovem Mestre, é porque meu capitão é uma pessoa boa. O Luffy nunca torturaria alguém, e ele não guarda rancor de quase nada. Mas eu sou diferente. Aqui, seu dedo.
Lhe entrego seu polegar.
— E o que eu vou fazer com isso, seu imbecil? – pergunta, com raiva. Eu sorrio.
— Enfia no cú. – respondo, pegando os três vibradores no chão. Pego também uma algema. – Esses vibradores... Vou fazer um belo uso deles.
Prendo seus braços para trás.
— Abra a boca. – mando. Ele começa a protestar, e eu abro sua boca com a mão mesmo, enfiando o vibrador de plástico lá dentro. – Agora fique quietinho.
Retalho suas roupas com a Kitetsu, sem o ferir. Os retalhos de pano caem no chão, e eu o vejo completamente nu.
Pego a coisa cheia de bolas ligadas por um fio e olho para seu rosto.
— Vamos começar. – falo. Coloco as mãos por baixo de seus joelhos e dobro suas pernas para cima. Em seguida, coloco uma das pequenas bolas dentro de seu orifício, e ele força as algemas. – Sh. Sh.... – sussurro. – Vai ser melhor se você não resistir.
Quando todas as bolas já estão dentro dele, puxo uma para fora e encosto o vibrador metálico. Ele se sacode, tentando se livrar.
— Gh! MMM! – tenta falar, mas o vibrador em sua boca não deixa.
— O quê? É para eu enfiar logo? – pergunto. Ele nega com a cabeça, freneticamente. – Como quiser, Jovem Mestre.
Enfio o vibrador metálico, e ele solta alguns resmungos de angústia. Sangue escorre de dentro dele e cai no chão.
Foda-se. Ainda não acabei com um centésimo da minha raiva.
— Ah, me desculpe. Eu não te dei droga nenhuma! – falseio. Lágrimas de raiva escorrem de seus olhos.
Tiro o vibrador de sua boca, e em troca, levo uma cuspida na cara. Limpo com a mão.
— Vejo que você está com raiva. – falo.
— Você é podre! Vai se foder!
Agarro seus cabelos e puxo-os com força. Ele cora novamente.
— Entendi. Você é masoquista. – falo. Ele cora ainda mais. – Assim fica difícil.
Solto seus cabelos e dou soco em seu rosto, forte o bastante para fazê-lo cuspir sangue e um dente.
— Sentiu prazer com isso, seu bosta? Sentiu? – grito, com mais raiva ainda. – Vai gemer? Toma outro, então!
Dou um soco em seu abdômen, e ele curva o corpo para frente.
— Olha o que eu faço com esse seu narizinho arrebitado, filho da puta. – falo. Dou uma pancada em seu nariz com a palma da mão, ouvindo o osso se quebrar. Ele solta um grito de agonia, o que me faz sorrir.
Coloco-o de quatro na cama de pedra, com a bunda virada para cima. Em seguida, pego o chicote e o estalo, batendo a ponta em uma de suas nádegas. O lugar que bateu se abre e escorre sangue. Mais uma vez, ele grita. Não adianta. Ele sente prazer com isso.
Coloco-o sentado novamente, e pego a Kitetsu.
Passo a lâmina atravessada, de seu quadril até o peito, num movimento rápido. Dessa vez, ele solta um grito de dor. Dor verdadeira.
— Não se assuste, Jovem Mestre. Estamos no começo do começo. – aviso. Ele me olha com puro pavor nos olhos.
Três horas depois...
Estou ofegante de tanto fazer esforço físico. O Jovem Mestre está numa situação triste. Ele não tem três dentes, pois eu soquei seu rosto três vezes. A parte da frente de seu tronco tem um “X” feito com a Kitetsu, e ele também não tem mais os dedos indicador e médio da mão direita. Seus braços têm as marcas das algemas, que eu acabo de soltar. Ele tem manchas roxas e vermelhas por todo o corpo, assim como sangue escorrido. Em momento algum eu retirei os vibradores da sua bunda – muito pelo contrário.
Pelas minhas contas... Ele desmaiou de dor oito vezes. Ainda ouço seus gritos de agonia em minha mente.
— Ei. Lixo. – chamo. Ele me olhar, quase desmaiando novamente. – Espero que tenha aprendido a sua lição.
Tiro os três objetos de dentro dele – sim, eu coloquei o terceiro vibrador – e deixo-os de lado. Levanto seu rosto pelos cabelos.
— Você vai morrer agora, Jovem Mestre. – aviso. Ele ainda tem a audácia de rir.
— Eu já te disse, Zoro. – murmura. – Você não pode mudar o fato de que eu matei a sua mulher de fome. Imagina como deve ser doloroso.
Agora que minha raiva finalmente se foi... Meu Sanji, morto... É demais para mim. Como eu viverei sem ele? Como?
Deixo que minhas lágrimas rolem por meu rosto, dando origem à um choro incontrolável.
— Sim, eu imagino! – grito, chorando ainda mais. – E é por isso que eu tenho que acabar com a sua vida.
Mais uma vez, levanto-o pelos cabelos e o coloco de pé, encostando suas costas na parede.
— Isso, é pelas vezes que você enfiou esse seu pau nojento nela.— falo, e dou uma joelhada em seu estômago. Ele vomita ao me lado, e eu puxo seus cabelos novamente.
Olho em seus olhos e não vejo um pingo de arrependimento.
— Isso, é pelos beijos que você deu nela. — falo, e lhe dou um cotovelada na testa, que se abre, escorrendo sangue. – Eu realmente esperava que você mudasse um pouco. Fui ingênuo.
Adentro minha mão em seu cabelo, pela última vez. Viro seu corpo na direção da parede.
— Vá para o inferno, Jovem Mestre. – falo.
Por fim, pego impulso e bato com sua cabeça na parede com a maior força que consigo. Sei que seu crânio rachou no meio. Com a testa ainda grudada na parede, ele escorrega até o chão.
Pronto. Consegui, Sanji.
Pego minhas katanas e as amarro na cintura junto com a de Kairouseki. Meus olhos ardem, e eu sinto dor. Muita dor. Olho para a outra cela e ando até lá, entrando devagar.
Vejo o corpo de Sanji ali, totalmente sem vida, e já não consigo mais andar. Caio de joelhos no chão, fraco. Como um bebê. Percebo que minhas katanas me incomodam, e desamarro-as da minha cintura.
Me levanto, com toda a minha força, e ando até seu corpo, sentando-me ao seu lado. Olho para sua pele, cheia de hematomas e marcas vermelhas. Deve ter tido várias hemorragias.
Levanto um pouco o braço e pouso minha mão direita sobre a sua. Gelada. Totalmente gelada. Coloco meus dedos gentilmente em baixo de sua mão e levo-a até minha boca, dando um beijo em sua pele judiada.
Viro seu rosto para o meu lado e acaricio sua bochecha gentilmente.
O silêncio de seu corpo é como um enforcamento para mim. Nada. Nenhum ruído. É como se... Como se realmente nunca tivesse vivido. Sinto como se um buraco se abrisse em meu peito. Um buraco grande demais para ser preenchido novamente.
Tiro minha bandana da cabeça e amarro em seu pulso. Em seguida, junto seus lábios gelados aos meus quentes.
Com a força de meus braços, seguro seu corpo e acomodo-o em meu colo, como se fosse uma criança. Tiro o cabelo de seu rosto e beijo sua testa.
Abraço seu corpo e choro novamente, soluçando. Mordo o lábio inferior, mas não consigo conter minhas lágrimas, que caem em seu corpo.
— Sabe, Sanji... – começo, soluçando ainda mais. Acaricio seu rosto, tremendo. – Eu acho que nenhum outro cozinheiro teria o potencial de encontrar o seu tão sonhado All Blue.
Mais lágrimas. Limpo meu nariz com a manga na roupa.
— E mesmo que alguém encontre... – murmuro. – Você sempre será o melhor cozinheiro para mim.
— Puru puru puru puru... — ouço, e o Den Den Mushi treme no meu bolso. Pego-o e atendo.
— Oi.
— Zoro! Então!? Conseguiu dar uma surra no Jovem Mestre!? – pergunta Nami, muito animada e feliz.
— É, eu consegui. – respondo.
— Que ótimo! Então, nós vamos esperar por você e pelo Sanji-kun no navio, tá? – fala. Eu tento engolir o choro, mas como eu já sabia, não consigo.
— Nami... Eu tenho que perguntar... O Luffy está aí?
— Sim! E ele acabou de dar uma surra no chefe da máfia!
— Ótimo. Posso falar com ele?
— Zoro? É o Luffy! O que foi? Aconteceu alguma coisa? – pergunta. Parece ter voltado ao normal.
— Luffy, todos estão aí com você?
— Estão!
— Todos, por favor, prestem atenção no que eu tenho a dizer. – peço. – Luffy... Deixando todo o meu orgulho de lado... Eu te peço perdão.
— O QUÊ!? Do que você está falando, Zoro!? – gritam todos.
— O Sanji... Eu não consegui. Eu prometi que iria salvá-lo, mas... Quando eu cheguei, o Sanji já estava morto. Me desculpem.
— Zoro... Você está falando sério? — pergunta Robin. Sua voz é chorosa.
— Sim. E também, por ter sido desleal e não ter cumprido com minha palavra... Peço a permissão para a minha saída do bando, Luffy. Se eu não sirvo nem para proteger meus companheiros, como vou fazer meu capitão ser o Rei dos Piratas?
— Você está no subsolo, certo?— pergunta Luffy. Sua voz é séria.
— Estou.
— Nós estamos indo até aí.— fala, e desliga. Bom, é normal. Ele deve estar querendo acabar com a minha raça.
Coloco o caracol de lado e acomodo Sanji melhor em meu colo.
— Vá em paz, Sanji. – sussurro, beijando sua testa.
Com este adeus doloroso, começo a pensar em todos os momentos que passamos juntos, com ele no corpo de mulher. Choro ainda mais. Minha barriga já dói, de tanto forçar o abdômen.
“— ...Vou te retribuir por todas as vezes que você me fez sentir bem. – falo. Ele arfa visivelmente. – Sabe, é muito bom saber as reações que eu causo em você. É o meu cheiro?
— Não quero responder. – murmura. Chego mais perto.
— Minha voz? – pergunto. Vejo seu corpo estremecer. – O que você quer?
Chego ainda mais perto de seu rosto, roçando nossos lábios.
— Para com isso... – sussurra.”
“– Ciúmes é uma palavra meio fraca para expressar o que eu sinto neste exato minuto, Sanji. – falo. Vejo seu rosto corar. – Na verdade, quero sumir com você daqui, agora.
— O quê? Nem pensar! Eu não sou sua propriedade! – se defende. Ponho minha mão em sua cintura, puxando-o para mim e chocando nossos corpos.
— Ah, não? – pergunto.
Olho para frente e vejo um cara fitando as costas de Sanji sem vergonha alguma.
— Ei, você aí! Perdeu alguma coisa na bunda da minha mulher? – pergunto, irritado. Que cara safado!”
“– Hm... Você conhece este navio o bastante para não se perder... Né? – pergunto, inseguro.
— Claro que conheço. – responde, irritado. – Mas... Pra que lado ficava mesmo?
— Você só pode estar zoando com a minha cara. – respondo, suspirando – NÃO É POSSÍVEL QUE VOCÊ SE PERCA NO SEU PRÓPRIO NAVIO, MARIMO!
— FIQUE QUIETO! EU NÃO ESTOU PERDIDO! – fala. – Acho que é pra esse lado...”
“– Shh. Não precisa falar. – Sua postura muda totalmente, e suas bochechas se tornam rosadas. – Usa essa boca só pra me beijar.”
— Eu vou sentir muito a sua falta, sabia? – pergunto, chorando mais ainda. – Droga, Sanji. Por que as pessoas são tão frágeis? Me desculpe por ser um inútil. Eu te amo muito mais do que a mim mesmo ou a qualquer pessoa na face da Terra. Me desculpe. Eu te amo. Te amo muito. Me... Desculpe. Me desculpe! Te amo.
Ouço cascos batendo no chão, e várias vozes misturadas.
— Por aqui! Eles estão perto! – fala Chopper. Em menos de cinco segundos, todos aparecem no portão da cela.
— Oi, pessoal. – murmuro. Em seguida, olhos nos olhos de cada um deles.– É culpa minha.
Nami cai ajoelhada, e Luffy a abraça. Robin começa a chorar, assim como todos os outros. Franky consola Robin. Chopper toma sua forma normal e anda devagar até mim.
— Zo... Ro. – sussurra. Ele começa a chorar descontroladamente. – Sanji!
Abraço Sanji contra mim, colocando meu rosto em seu ombro.
— Qual seria a sua reação se me visse neste estado, hein? Ero-Cook... – murmuro. Por um momento, é como se ninguém estivesse ali. Só nós dois. – Chopper e Usopp, tem como arrumar alguma coisa para limpa-lo? Não quero vê-la num caixão assim...
Abruptamente, paro de falar.
— Zoro? Você está bem? – pergunta Luffy. Minha respiração se acelera ainda mais e minha pulsação aumenta.
Não. Eu só posso estar ouvindo coisas. Mas... O meu melhor sentido é a audição, então...
— Chopper! – grito. Ele dá um pulo. – E-E-E-E-E-Eu o-o-ouvi... Ouvi! Eu não ouvia antes, mas....
— Ouviu o que, Zoro!?
— C-C-C-C-C-Coração... – murmuro. Imediatamente, Chopper aperta o pulso de Sanji. Depois de vários segundos, ele se manifesta.
— Está com a pulsação quase igual à de um zumbi, mas o coração ainda está batendo! – grita ele. Eu quase tenho um infarto. – Sangue! Ele precisa de sangue! Pessoal, procurem sangue para o Sanji! O mais rápido possível!
Franky faz um buraco no teto e Luffy sai por ele, assim como Nami e todos os outros, deixando-me só com Chopper.
Agarro seu corpo peludo em um abraço, com força.
— Zoro! Estou sem ar! – fala, sufocando.
— Obrigado, Doutor.
Olho para o rosto de Sanji. Dou alguns tapinhas em seu rosto, tentando faze-lo acordar.
— Aqui, Chopper! – grita Luffy, voltando com uma mulher no colo. – Ela disse que tem o tal sangue raro do Sanji.
— Alguma doença? – pergunta Chopper. Ela nega com a cabeça e estende o braço.
— Okay. O jeito é confiar. – falo.
De sua mochila, Chopper tira um tipo de instrumento estranho com dois caninhos finos. Após limpar o braço da mulher e o do Sanji com um algodão, ele enfia a agulha no cano nela, e em seguida no Sanji.
O sangue sai dela, desce pelo cano, passa pelo aparelho estranho, e vai para o cano do Sanji. Isso acontece por vários minutos.
— Falta muito, Chopper? – pergunto, impaciente.
— Não. Ele pode acordar a qualquer...
Sinto os dedos de sua mão encostada na minha se mexerem. Encosto minha mão em seu rosto e dou um tapa de leve.
— Sanji? – pergunto. Seus olhos tremulam. – Sanji? Sanji...
Suas pálpebras se abrem aos poucos, e eu finalmente consigo ver o azul de seus olhos.
— Á-Água... – sussurra, quase inaudível. Chopper também ouve, e pega uma garrafa dentro da mochila, entregando a mim. Tiro a tampa e encosto em seus lábios secos, derramando um pouco de cada vez. Parece que andou num deserto e finalmente encontrou um pouco de água. Ele termina com a garrafinha rapidamente.
— Tem mais, Chopper? – pergunto. Ele nega.
— Então vamos voltar logo para o navio. E Luffy... – falo. Ele me olha. – Retiro meu pedido de saída.
Ele me dá um sorriso Colgate e assente. Parece muito feliz.
Seguro Sanji no colo e me levanto.
— Marimo... – ouço. No mesmo instante, olho em seu rosto. Ele sorri fracamente para mim. – Obrigado por me salvar.
Lágrimas correm por meu rosto, mas dessa vez... De felicidade.
Está vivo!!!
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