Ex(change) Girl
53 Capítulo 53
Notas iniciais
Pov. Annabeth
Percy Jackson era simplesmente a pessoa mais idiota de todo o planeta. Annabeth não sabia como ainda realizava a proeza de namorar uma pessoa tão... Tão... Tão estupidamente estúpida quanto ele.
"Pense pelo lado bom, pelo menos agora a gente vai ter o resto da semana sem fazer nada."– Idiota, Percy Jackson
Lado bom? Lado bom?! Como ela poderia tentar pensar por um lado bom (que não existia) quando a sua vaga em Stanford estava em risco? Quando o seu currículo escolar estava manchado como o livro de história da sexta série, no qual ela havia derramado café e o seu lindo e maravilhoso cupcake redvelvet? O livro de história pelo menos ficou cheiroso, mas o seu currículo ia feder a "futuro arruinado".
Suspensa. Annabeth Chase suspensa!! O que os seus filhos iam pensar? Aliás, o que toda as suas outras gerações iam pensar? Ela era a ovelha negra da família, sua mãe nunca ia a perdoar! Ai meu Deus! A sua mãe!! O que ela ia dizer quando soubesse? Será que ia a puxar de volta ao Brasil pelos cabelos e nunca mais ia deixar que ela pisasse em Carmel?
– Annabeth calma. — Thalia estava deitada de cabeça para baixo na cama de dossel de Annabeth, as pontas desfiadas de seus cabelos encostavam no chão, e todo o seu sangue devia ter descido para a cabeça porque ela estava vermelha como um tomate — É só uma suspensão.
– Só uma suspensão?! — Annabeth andava de um lado pro outro, já havia ruído todas as suas unhas de nervosismo e a vítima da vez era o seu pobre short jeans que estava ficando cada vez mais desfiado — Thalia, eu fui suspensa! Não vou poder voltar no colégio pelo resto da semana!!
Mesmo que a amiga estivesse de cabeça para baixo, Annabeth pôde ver Thalia revirar as grandes órbitas azuis.
– Annabeth, hoje é quinta-feira. — ela diz, com um suspiro — Apenas considere-se sortuda por ter um fim de semana prolongado.
– Sortuda?!– Annabeth choramingou — Thalia, a minha mãe vai me matar. Literalmente.
– Que nada. — Thalia fez um gesto de descaso com a mão — A tia Carol é a mãe mais cool que existe, ela vai é rir dessa história, quer apostar?
– Você fala como se conhecesse a minha própria mãe mais do que eu. — Annabeth diz — E da pra você se sentar como uma pessoa normal antes que todo o seu sangue se concentre na cabeça e depois comece a escorrer pelos olhos?
– Você é tão dramática. — Thalia revira os olhos pela milésima vez e se senta, pegando um punhado de batatas e colocando na boca, ela fala de boca cheia — Estou até pensando em faltar aula amanhã, quem sabe a gente não vai pra praia? Uh, já sei! A gente podia fazer um lual!
– Eu não acredito. Eu fui suspensa e você pensando em faltar aula pra fazer um lual! — Annabeth dramatiza — Aliás, é um lual, você não precisa faltar aula para fazer um, porque afinal é de noite.
– Cale a boca. — Thalia diz, alcançando o celular e digitando alguns números até que estivesse falando ao telefone — Silena, sou eu. Não! O Papai Noel! Óbvio que sou eu sua idiota.
Silena deveria estar brigando com Thalia pelo celular, pois a morena se calou e escutou por um tempo.
– Ta bom, ta, ta certo. Silena, da pra deixar eu falar? Obrigada. Eu vou dar um lual. O que? Como quando?! Óbvio que amanhã! Nunca é em cima demais para Thalia Grace. É óbvio que é por isso que eu estou te ligando, não sou eu que sou boa em organizar festas. Annabeth foi suspensa, ela pode ajudar a arrumar tudo.
Annabeth joga o chinelo de pandas que usava na amiga. Ela suspensa, e Thalia se aproveitando disso para dar uma festa! Que tipo de melhor amiga ela foi arranjar?!
– Não tem o que discutir. Eu vou fazer um lual, quer você queira quer não. O que você tem a ver com isso? Ah, é simples. Se você não me ajudar vai ser um lual a moda de Thalia Grace, ou seja, só a lua, música e bebida. Eu sabia que poderia contar com você. Foi um prazer negociar com você Silena. Beijos. Eca. Tchau.
Thalia desligou o celular e encarou Annabeth.
– Vai ser amanhã, ta afim de criar um evento pra publicar no Facebook?
Annabeth revirou os olhos e entrou no banheiro, bateu à porta e lá de dentro gritou.
– Vou tomar banho de chuveiro mesmo, se for pra banheira vou acabar me afogando nas minhas próprias lágrimas. Me chame quando a segunda-feira chegar!
♡
Annabeth simplesmente não acreditava no que estava fazendo. Ela era mesmo a pessoa mais irresponsável do mundo! Ainda bem que não tinha carteira de motorista, senão já teria atropelado várias criancinhas inocentes que atravessavam a rua na faixa de pedestres para ir ao colégio e aprender a somar e multiplicar e dividir e dissecar sapos... Nossa, Annabeth não lembrava de dissecar sapos na alfabetização.
Falando nisso Annabeth precisava mesmo ter algumas aulas de direção, em Carmel não tinha metrô e Atena não deixava ela ficar andando de ônibus por aí. Ela tinha medo de andar de carro com Thalia, porque bem, era a Thalia. E Percy... Fala sério, que tipo de garota do século 21 era ela pra ficar dependendo de carona do namorado? Era por isso que ela sempre pedia carona pro melhor amigo do namorado dela. Além de ser muito mais normal pedir carona pra um amigo, ele morava na mesma direção que ela então não tinha que desviar tanto a sua rota.
Nossa, será que era muito...
– Annabeth será que dá pra você parar de encarar esse abacaxi e fazer alguma porra de útil? — Thalia, como sempre sutil, a interrompeu da sua linha de pensamento — Eu estou tentando trabalhar aqui!
Annabeth a encarou com a sobrancelha arqueada.
– Trabalhar? — riu — Estou vendo mesmo como a sua pele está trabalhando em ficar vermelha e você está trabalhando em ficar bêbada antes das cinco da tarde! Veja só se não é um record! Eu já te falei, desiste de ficar bronzeada, assim você só vai parecer um camarão. E ficar com câncer de pele.
– Hahaha. — Thalia ironizou e revirou os olhos — Um dia você já foi mais branca do que eu que eu sei. E eu fico muito gata vermelha, realça os meus olhos azuis, você não acha?
Thalia fez um biquinho e piscou os olhos, imitando Silena. Annabeth prendeu a risada.
– Cala a boca. — ela jogou o abacaxi que segurava em direção a amiga e pegou o grampeador em cima da mesa do bar — São quatro da tarde e você disse pra todo mundo chegar às seis, já ouviu falar em "não fizemos nada não tem nada pronto fudeu?".
– Claro, é o que eu sempre digo no dia que tem que apresentar trabalho e eu fiz dupla com o Travis e nós não fizemos nada. Esse é meu lema.
Annabeth ri.
– Iupii! — a voz suave e cantada de Silena soa de algum lugar bem próximo — Cheguei e trouxe ajudantes!
Annabeth olha para os caras semivestidos atrás da amiga.
– Esses são Logan, Zac, Noah, Richard e... Ah, o loirinho ali é o Cameron.
– Ótimo, você contratou garçons. — Thalia disse, se levantando e colocando uma camiseta preta por cima do biquíni
– Eles não são garçons. — Silena sorriu — São os nossos novos convidados que vieram diretamente da Austrália e se ofereceram para nos ajudar quando me viram carregando todas essas sacolas. Eles não são uma gracinha?
Annabeth olhou para Thalia e depois para os braços e barrigas a mostra de cada um deles.
– Claro que são. — ela disse
– E como são... — Thalia continuou, sorrindo e pegando uma das bolsas que um dos garotos carregava
– Certo pessoal, ao trabalho! Temos um lual pra preparar e eu não quero meu nome relacionado a nada que tenha sido menos que perfeito! — Silena disse, retirando pacotes e mais pacotes de luzes de natal coloridas
– Muito bem... Noah? Será que pode me ajudar com esses pedaços de madeira aqui eu tenho muita dificuldade pra carregá-los até... — Thalia disse, puxando um moreno pela mão
Annabeth riu e revirou os olhos. Não sabia onde Silena havia encontrado esses caras, mas ainda bem que o fizera.
– Precisa de ajuda ai? — o garoto loiro a perguntou, indicando o gradeados em suas mãos
– Hmmm. Claro, por favor. — ela disse, descendo do balcão em que estava sentada para pregar as folhagens — Ajuda é sempre bem vinda.
O loiro sorriu com todos os seus dentes branquinhos brilhando e Annabeth se segurou para não suspirar.
– Você sabe o meu nome mas eu ainda não sei o seu. — ele disse, depois de um tempo em que Annabeth o entregava os galhos e flores e ele os grampeava a estrutura
– Eu também sei que você mora na Austrália, olha só, posso escrever uma mini biografia sobre você! — Annabeth disse, o olhando por cima do ombro enquanto carregava algumas caixas
– Eu também sei de onde você é. — ele disse, e Annabeth mordeu a parte interna da bochecha pra não suspirar com o seu sotaque
– Tecnicamente, você sabe onde eu moro. — ela disse — Quer advinham de onde eu sou?
Cameron franziu as sobrancelhas e coçou o braço musculoso, tatuado e a mostra.
– Hm... Los Angeles?
Annabeth colocou as mãos no quadril, se apoiou em uma mesa e balançou a cabeça em sentido negativo.
– Boa sorte em tentar.
– Ta, não pode ser tão difícil... San Francisco? Miami? Fala sério, você não pode ser do Norte com esse bronzeado!
– Digamos que eu sou um pouco mais do sul. — Annabeth sorriu
– Mais ao sul que a Califórnia? Sei lá, México?!
– Nossa, é tão difícil assim? Eu sou do Brasil.
Cameron parou o que estava fazendo e a encarou com os seus olhos castanho claro.
– Ainda bem que a gente não apostou nada porque eu realmente não ia adivinhar nunca.
Annabeth riu.
– O que você poderia perder, cinco dólares ou uma taça de Espanhola? — ela perguntou, grampeando a última flor de plástico
– Você, quem sabe?
Annabeth arregalou os olhos, deu alguns passos para trás e quando ia começar a explicar que ele devia ter entendido tudo errado Thalia chegou.
– Finalmente! Já estava começando a me arrepender de ter chamado a Silena pra ajudar, por mim só precisava uma caixa de cerveja e duas garrafas de vodca e já estava tudo certo. Annabeth, vou me arrumar na sua casa, eu já tinha avisado né? Aliás, estou pensando seriamente em me mudar para lá assim não tenho que ver a cara de vaca da minha mãe. Seria ótimo acordar e ir tomar café da manhã e não ter que ver ela naquela máscara verde... Ou pior, café da manhã pós sexo! Por Deus, eu não mereço aquela melosidade toda. Ei, você está bem?
Annabeth balançou a cabeça afirmando que sim, pegou as suas coisas e depois saiu apressada dizendo que encontrava com Thalia no carro.
Maldita sexta-feira em que ela teve que ser suspensa.
♡
– Bleh! Eu odeio saltos! — Thalia disse, se colocando em pé e tentando se equilibrar em cima dos saltos de vinte centímetros
– Thalia, é um lual. Na praia. Na areia. Por que você vai de salto? — Annabeth disse, a observando pelo reflexo do espelho
A amiga cambaleou até onde a loira estava e ficou de pé ao seu lado.
– É exatamente por isso que eu vou de saltos. — ela apontou para o espelho — Você vai sem saltos e eu vou com, assim eu fico exatamente dois centímetro mais alta! Isso não é simplesmente demais?!
– Simplesmente demais vai ser quando você chegar lá, tirar os saltos e os colocar em qualquer lugar, e depois não os encontrar mais porque está muito chapada. Você sabe quanto eu paguei por eles?
– Nossa como você é rabugenta! — Thalia disse, tirando os saltos e os jogando de uma maneira nada delicada no closet — Ta certo, eu vou de rasteira. Onde está mesmo aquela gladiadora dourada que a gente comprou naquele dia em LA?
– Na segunda prateleira de baixo pra cima. — Annabeth respondeu, terminando de aplicar o pouco de maquiagem que costumava usar
Thalia bufou ao seu lado.
– E aqui estou eu vinte centímetros mais baixa que você de novo!
– Já são cinco e quarenta e cinco. Você está pronta? — Annabeth concluiu, calçando as próprias rasteiras e ficando de pé
– Olha pra minha cara de quem não está pronta. Fala sério, acho que nunca demorei tanto pra me arrumar! — Thalia dramatiza, jogando o cabelo repicado de lado — Aliás, gostei desse vestido, não sabia que branco realçava o meu bronzeado. Acho que vou roubar.
– Correção: branco realça o seu tom queimadura de terceiro grau.
– Cala a boca. Ow, você está tão linda assim, parece uma princezinha do surf inocente. — Thalia diz, com um biquinho — Ei, amei esse vestido que você está usando, acho que vou roubar também. Aliás, eu tive uma ideia, acho que quando eu me mudar pra cá não vou trazer nenhuma roupa, só vou usar as suas. Elas ficam melhor em mim do que em você de qualquer jeito.
– Eu sou inocente. E vou tomar isso como um elogio, então obrigada.
– Realmente, super inocente. — Thalia diz, passando pela loira e pela porta do quarto — Vamos logo com isso! Sabe que a gente vai a pé e seria realmente ótimo se conseguíssemos chegar lá antes de anoitecer.
Annabeth revira os olhos, espirrando um pouco do perfume doce que usava em si mesma e depois seguindo a amiga. Thalia usava um vestido de bandagem que se ajustava perfeitamente bem ao seu corpo esguio e marcava todas as suas gorduras inexistentes. Calçava sandálias gladiadoras douradas que iam até o joelho, e seus cabelos estavam molhados e secavam naturalmente com a brisa, dando um ar natural ao seu visual. Annabeth até elogiaria a amiga se tudo que ela estivesse usando não fosse dela.
As duas caminharam conversando sobre assuntos banais durante os metros e minutos que separavam a casa dos Howard da área da praia em que o lual aconteceria. Annabeth quase havia esquecido da suspensão, mas constantemente flashs da tragédia iam e vinham. Ela podia ouvir a voz do diretor falar no que parecia ser câmera lenta "vocês dois estão suspensos, não ousem pisar aqui até a semana que vem". Era a sua ruína. E ela supostamente estava indo comemorar. Era uma completa irresponsável mesmo.
Já ia desistir de ir e dar meia volta, voltar pra casa e se divertir com todos os filmes de tragédia que podia lembrar dos nomes, mas Thalia a segurou.
– Não ouse. Foi só uma suspensão Annabeth, relaxa e aproveita a noite. Amanhã ainda é sábado e a gente pode ficar o quão bêbada quiser e eu vou poder beijar aquele australiano até ficar com a boca dormente e depois só vou falar pra todo mundo que é isso aí e eu estava chapadona e não lembro de nada e vai ser ótimo! — Thalia falou em um fôlego só — Aliás, já chegamos, olha só.
Annabeth revirou os olhos diante dos planos da amiga. Mas Thalia tinha razão, e ela quase pôde sentir os próprios olhos brilharem quando viu o quão bonito o lugar estava. Havia uma fogueira grande no meio e o resto do lugar só era iluminado por luzes coloridas e amarelas que estavam penduradas em todo canto. Isso a lembrava da festa de ano novo, na qual Percy a pedira em namoro. Ela suspirou, era tão bom quando ela não tinha que se preocupar com o futuro, e com uma suspensão.
– Você vai só ficar olhando com essa cara de bocó, ou vai entrar? — Thalia já estava com os pés na areia quando se virou para procurar a amiga
Annabeth revirou os olhos e depois a seguiu. Pegou um dos colares de flores que estava pendurado em um galho e ficou surpresa quando viu que havia um barman fazendo drinks tropicais. Thalia já havia sumido a algum tempo e ela ficou contente de seguir até o bar e pedir um coquetel sem álcool.
– Ei, Annabeth! — Katie havia chegado e trazia o seu aroma suave e doce de morangos que ela sempre tinha — Uau, você está linda. Aliás, eu amei esse seu vestido, de onde é?
A morena tocou na renda suave do vestido branco e larguinho de Annabeth. Ele ia até um pouco a baixo da metade de sua coxa e não marcava as curvas de seu corpo. Era tão leve que parecia flutuar ao redor da garota, e tudo que o prendia ao seu corpo eram duas alças fininhas e trançadas.
– Você também não está nada mal. — Annabeth sorriu, vendo que a amiga estava muito bonita com o vestido florido e a trança desfiada — Tudo isso para o Travis?
Katie revirou os olhos, mas acabou sorrindo.
– Talvez. Aliás, você sabe onde ele está?
Annabeth riu e disse que havia acabado de chegar e não sabia. Depois observou a amiga ir em direção à onde a maioria das pessoas estava. Tomou um longo gole do coquetel.
– Olá garota que eu ainda não sei o nome.
Ela se virou só para dar de cara com Cameron, o australiano que havia a ajudado mais cedo e que aliás a estava fazendo praticamente babar já que usava uma calça e camisa polo brancas que realçavam o seu bronzeado natural. Seus cabelos de um tom loiro queimado também estavam muito bem arrumados e o seu sorriso era tão...
– Olá Cameron que não adivinhou de onde eu sou. — Annabeth disse, tentando não suspirar ao mesmo tempo que fazia de tudo para não usar o seu tom "estou flertando com você porque não lembro que tenho namorado!" — E meu nome é Annabeth.
– Pensei que você não fosse me falar. — ele disse, pedindo um drink ao barman e a olhando por cima do ombro
– Tenho a impressão de que você já sabia, de qualquer jeito. — ela disse, olhando ao redor e implorando a todos os deuses que conhecia que a tirassem daquela situação
Cameron sorriu e mostrou as suas covinhas. Annabeth teve que desviar o olhar.
– Então, o que o trouxe a Carmel? — ela tentou mudar de assunto ou pelo menos o tornar mais leve já que o clima estava ficando pesado
– Ah, nos formamos no colégio ano passado e desde que nos entendíamos por gente sonhávamos em fazer uma viagem, sei lá, rodar o mundo quando a escola acabasse. — Annabeth não pôde deixar de notar um tom sonhador de sua voz e a forma que ele usava a pessoa "nós" para se referir a ele — E aí, a parada de rodar o mundo não rolou, Noah e Logan começaram a trabalhar enquanto Zac e eu fomos pra faculdade e o Richard só está sendo um mané. Então só deu mesmo pra vir passar um tempo por aqui na Califórnia, foi o máximo que conseguimos. Estávamos em San Diego quando nos falaram da cidade e...
Alguém pigarreou atrás de Annabeth, e por mais que ela não pudesse ver quem era algo dentro dela à dizia que aquilo não ia acabar bem. Ela se virou lentamente, dando de cara com um Percy nada contente.
Ela suspirou, não sabia se era pela consciência do que estava por vir ou porque ele estava simplesmente tão lindo e irresistível na bermuda e camisa de manga longa branca que ela não pôde resistir. No entanto, os seus braços cruzados, a cara fechada e os olhos verdes de um tom nada amigável naquele momento a fizeram temer um pouquinho pelo que ia acontecer.
– Ãn, oi Percy. — ela sorriu, ou ao menos tentou, já que o seu cérebro ainda estava meio contaminado pelo seu namorado e pela forma como ele ficava simplesmente maravilhoso de branco
– Da pra me falar o que porra está acontecendo? — ele falou, não tão lenta e calmamente quanto ela gostaria e acharia seguro
– Calma cara o que... — Cameron começou a falar mas Percy o interrompeu
– Calma o meu pau! Dando em cima da namorada dos outros e ainda quer que eu tenha calma! — Percy estava avançando de uma forma nada sutil na direção do gatinho australiano e Annabeth já estava ficando nervosa sem saber o que fazer — Eu vou...
– Percy para com isso, a gente só estava conversando! — Annabeth tentava o segurar mas ele obviamente era muito maior e mais forte do que ela
– Sai fora disso Annabeth eu vou...
– Eu não sabia que ela tinha namorado! Na boa cara eu não quero brigar, a gente só estava conversando aqui e não tem nada a ver...
Cameron parou de falar, porque de repente tudo o que saia da sua boça era sangue! Ele empurrou Percy e eles derrubaram o bancos altos que ficavam na lateral do bar, Percy estava dando outro soco em seu rosto e Annabeth lamentava em saber que no dia seguinte o rosto bronzeado e bonito do garoto estaria roxo. Cameron deu uma joelhada na barriga de Percy, mas isso não pareceu o afetar porque o moreno continuava dando socos e mais socos no australiano.
– Percy para! — Annabeth gritou depois de um momento de choque — Sério Percy por favor não tem nada... Nico, me ajuda aqui!!
Nico di Ângelo interferiu na briga assim como Travis e dois dos amigos australianos de Cameron. Percy não parecia tão mal, estava apenas com o lábio inferior cortado e alguns arranhões pelo corpo. Assim como a blusa de botões arrebentada, Annabeth não pôde deixar de notar. Já Cameron parecia estar em uma situação um pouco pior, já que a sua boca ainda estava sangrando e manchava a camisa polo que usava.
– O que você pensa que está fazendo?! — Annabeth falou alto, olhando feio para o namorado
Thalia tinha conseguido gelo e havia dado para ele, que ainda parecia muito zangado. Ela se virou para Cameron, mas ele já não estava mais lá. Ficou chateada porque sabia que devia ter explicado que namorava desde o início, e que se não fosse por ela nada disso teria acontecido. Mas estava aliviada, pois pelo menos assim podia conversar com Percy, depois iria atrás do garoto.
– O que eu penso que estou fazendo?! — Percy cuspiu na areia, ele estava suado — Aquele cara estava flertando descaradamente com você e...
– Isso não te dá o direito de sair por aí batendo em todos o caras que dão em cima de mim! Nós só estávamos conversando, Percy. Só isso. Não havia a menor necessidade de...
– Você viu como ele te olhava? Fala sério Annabeth, eu sou meio lerdo, não trouxa. Aliás, se você quiser ir atrás dele agora pode ir. — ele se levantou, espantando todos que estavam observando a conversa
Annabeth revirou os olhos, pegando o saco com gelo que ele havia largado e seguindo o garoto.
– Percy eu... Olha só, eu sinto muito, ok? Mas eu só estava sendo simpática, e como eu já disse, nós só estávamos conversando, não era nada demais. — Annabeth sentou na areia ao lado dele, que olhava para o mar escuro ao invés de para ela
Ele resolveu falar depois de algum tempo em silêncio.
– Eu sei. Quer dizer... Me desculpa, eu só não aguento mais isso. Onde quer que a gente vá, é um idiota atrás de outro. É difícil me controlar. — ele suspirou, e apesar de estar mais calmo, ainda tinha o tom de voz irritado — De onde esse cara surgiu?
– Ele é da Austrália, só veio porque nos ajudou a arrumar tudo mais cedo e Silena achou justo os...
– Você já tinha falado com ele? — seus olhos estavam mais escuros do que Annabeth já lembrava de ter visto
– Já mas ele só me ajudou a grampear algumas folhas... — ela suspirou, tentou segurar a sua mão mas ele se esquivou — Percy, é sério. Você não pode ficar assim só por causa desse cara. Já passou, aliás, eu nem sei se vou o ver de novo para poder pedir desculpas pelo que você fez e...
– Você não vai ver esse carinha é de jeito nenhum! Olha só, Annabeth você...
– Percy! Você o arrebentou! O mínimo que eu tenho de fazer é me desculpar por...
– Você não vai mais chegar perto dele.
Annabeth o encarou, estava tão irritada que o seu lábio inferior tremia. Percy também pareceu notar isso, porque de repente a sua expressão suavizou um pouco.
– Olha só, se eu o ver por ai eu mesmo peço desculpas, beleza? Mas por favor, me promete que não vai mais chegar perto dele?
– Percy eu já disse...
– Promete? — ele a interrompeu
Annabeth suspirou, afirmando com a cabeça. Pegou o pacote com o gelo quase derretido que segurava e o colocou na boca dele.
Passaram um longo tempo apenas sentados, olhando pro mar. Até que ela sentiu o olhar dele pesando em seu rosto e se virou. Percy a beijou calmamente, seus lábios extremamente gelados eram uma novidade que ela gostou. Sua mão suja de areia fazia cócegas na sua nuca.
Quando eles se separaram, os olhos de Percy continuavam escuros, mas agora, como o mar naquela noite.
– Você está linda. — ele disse, com um sorriso fraco
Annabeth sorriu tímida, se sentido corar. Percy beijou a ponta de seu nariz, e depois os seus lábios novamente.
Apesar das brigas. Apesar dos ciúmes. Apesar das vergonhas que ele a fazia passar. Apesar da maldita suspensão...
Ela o amava.
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