Ex(change) Girl
16 Capitulo 16
Notas iniciais
Nesse momento não me importo se a minha mini saia do time de torcida está voando ou se da pra ver a minha calcinha de renda azul Victoria's Secrets, simplesmente corro o mais rápido que posso. Não seria nada legal me atrasar pra primeira competição do clube de matemática que participo, nada legal mesmo.
Eu ainda estava tentando ganhar a fidelidade deles, fazer com que eles entendessem que eu não estava ali só pra zoar com a cara deles e mostrar que "até uma loira líder de torcida consegue entrar pro time de matemática", e sim que eu realmente queria estar lá, com eles.
Minha bolsa Kate Spade parece fazer questão de escorregar do meu ombro a cada segundo, o cabelo voando nos meus olhos me fazem me arrepender de não ter esperado meio minuto para amarra-lo, eu simplesmente nunca me senti tão perdida em Carmel. Pelas instruções de Malcon, se eu saísse do treino as vinte para as 4 da tarde daria tempo, mas nesse momento eram 3:56 e eu simplesmente não fazia a menor ideia de onde estava.
Olho mais uma vez para as anotações em minha mão, Malcon havia me obrigado a anotar tudo não mão para não perder, certo. Andar três quadras na rua do colégio e virar a esquerda no Mc Donalds, andar mais duas quadras e virar a esquerda novamente, mais cinco quadras e seria o prédio a direita. Certo, tudo sobre controle. Eu só tinha de andar mais um quarteirão e chegaria. Ou eu já teria passado?
Paro no meio da calçada. O prédio ao meu lado era uma cafeteira pacata, o cheiro de baunilha dava pra ser reconhecido mesmo do lado de fora. Entro, o friozinho do ar condicionado em contraste com o meu corpo quente, procuro alguém que possa me dar informações. Se não por uma senhora no caixa, algumas mulheres conversando em uma mesa e uma garota limpando o chão, o lugar estava vazio. Vou até a garota.
–Oi é, hum -digo e a garota parece finalmente me notar- Será que você podia me dizer onde fica a Ovelon High? É que eu to meio perdida...
O mascar de chiclete da garota faz um barulho irritante, ela revira os olhos e diz com uma voz enjoativa:
–É o prédio aqui em frente, querida. Agora será que você podia me dar licença e deixar eu terminar o meu serviço?
Dou um sorriso cínico e saio do lugar. Realmente, o prédio do outro lado da calçada era o de uma escola. Dois minutos e eu estaria atrasada. Sigo correndo pela calçada de pedras que leva até o prédio que é a escola. Se não me engano o time de futebol já havia vindo jogar aqui. Empurro com força as portas de vidro do colégio e entro no corredor principal, que estava apinhado de gente. Os clubes esportivos provavelmente haviam acabado de terminar. O estrondo com que a porta bate faz os olhares se virarem pra mim. Dou um sorriso amarelo e sigo pelo corredor.
Segundo Malcon a competição seria no auditório, que ficava no fim do corredor central a esquerda. Desvio de algumas pessoas, e tento chegar até o meu destino.
–Parece que o time de líderes de torcida da Good deu um upgrade. E que upgrade em! -algum idiota de jaqueta da escola diz e alguns outros garotos riem
–Ta perdida gatinha? Vem cá que eu te guio -algum outro menino fala
Ignoro esse e alguns outros comentários. Prendo o cabelo em um rabo de cavalo e me viro pra algum dos garotos que tenta me passar uma cantada.
–Fala aí gostosa, posso te ajudar?
–Pode, claro que pode. Será que da pra me levar até onde fica -falo e dou um sorriso- a competição de matemática?
O choque no rosto de todos é simultâneo. Já ia continuar a falar quando Malcon chega.
–Annabeth?! -ele diz- Finalmente! O que aconteceu? Pensamos que você não vinha mais!
–Digamos que eu me perdi -falo e dou de ombros- Vamos logo, antes que a competição comece.
♡
Largo o giz e limpo as minhas mãos na saia. Bato no sino a minha frente e um juiz vem até onde estou, ele examina os meus cálculos minuciosamente. Malcon aperta a minha mão com força. Eu fui a ultima do meu grupo a competir. Hanna, Malcon, Jean e Guliver já haviam terminado as suas devidas atividades e estava tudo empatado, dependíamos do meu cálculo pra ganhar ou vencer. O juiz anota algo em sua prancheta e se vira.
Ele caminha até a mesa onde outros dois juízes estão e eles conversam. Me sento junto com o resto dos meninos e esperamos. Seis minutos depois o resultado sai. Meus dedos estão brancos devido a força com que Malcon os aperta.
–Senhoras e senhores, anunciamos agora que o vencedor da primeira etapa do Campeonato Californiano de Matemática é -o juiz narigudo diz e faz uma pausa- Good High School!
Abraço Malcon com muita força. Hanna, Jean e é Guliver também me parabenizam.
–Vamos sair pra comemorar! Cinema! Vai ser demais!! -Hanna diz animada- Mal posso esperar para a próxima etapa!
–Cinema! -Malcon comemora- Annabeth, você vem?
–Não, me desculpem. Eu já havia combinado de sair com o pessoal...Hoje é a primeira sexta-feira do mês em que não temos jogo... -digo
–Tudo bem -Hanna diz quando me da um abraço de despedida- Obrigada por nos fazer ganhar Annabeth. E me desculpe por tudo que fiz ou falei quando você entrou para o clube, hoje eu sei que você não é só mais uma líder de torcida idiota.
♡
–Vamos lá Annabeth! Você não pode ir de calça jeans e regata pra festa do ano! -diz Silena pela milésima vez
–Qual é gente! Todas as festas a Silena diz que é a festa do ano, e na real, eu não to nada afim de colocar um vestido nesse momento -falo exausta
A verdade é que pensar cansa. Eu estou exausta da competição de hoje, não só a minha cabeça dói, mas os meus braços e pernas,e as minhas costas também.
–É verdade Si! -Thalia se pronuncia entediada- Nem uma festa de verdade vai ser, é só uma reunião de amigos. Seremos só nós e os meninos.
–Está vendo? -falo triunfante
Silena bufa de raiva. Ela é a garota mais alegre e adorável que eu conheço, mas quando se trata de moda, Silena se torna uma pessoa impossível. Eu não duvido nada que aquele enorme closet dela valesse mais que o meu apartamento no Brasil.
–Tudo bem, mas pelo menos deixa eu te emprestar um scarpin nude maravilhoso que minha mãe trouxe quando voltou de Paris! É o mais novo lançamento da Prada coleção de outono! Eu tenho certeza que vai deixar essa sua roupa de ficar em casa ao menos parecer decente -ela fala enquanto entra e sai do closet com um pacote em mãos.
Simplesmente aceito usar o sapato para não ter de iniciar outra discussão sobre maquiagem e afins.
Mais meia hora de discussão sobre acessórios e quarenta minutos de trânsito depois, aqui estamos, passando pelos enormes portões da mansão negra dos DiAngelo. Aperto a mão de Thalia no banco de trás do conversível prata de Silena. Apesar de ela não demonstrar, eu sei que essa briga entre ela e Nico a abala mais do que ela deseja. Si para o carro atrás do de Beckendorf e então saímos.
Apenas quatro carros estão estacionados no jardim frontal da casa de Nico, o que me faz pensar que aquela realmente era uma reunião intima. Entramos na mansão escura e vamos até o Deck, uma música eletrônica toca relativamente baixo, cerca de uma dúzia de pessoas com copos de cerveja nas mãos estão ali.
De repente me sinto completamente feliz de ter vindo com o meu jeans Seven favorito e super confortável, aquela definitivamente não era a ocasião ideal para se estar usando uma saia Channel como Silena fazia, no entanto, ela parecia totalmente confortável com sua roupa arrumada demais para a ocasião.
Vou até o bar e me sirvo de um copo de cerveja. Sento sob a bancada e fico balançando as pernas até alguém se sentar ao meu lado. Me viro para ver quem é e de repente me sinto uma completa idiota. Eu deveria saber que Nico era o melhor amigo dele, eu deveria ter me tocado que aquele BMW conversível era dele, e que aquele cheiro de perfume Armani misturado com maresia só podia ser seu. Percy.
Os seus músculos do braço direito estavam tencionados devido a força que ele colocava como apoio na bancada, a camiseta azul parecia prestes a rasgar de tão apertada que fica nos seus bíceps, o copo de cerveja em sua mão esquerda estava quase no fim, os olhos verdes pregados nos meus. Respiro fundo e me viro para frente, parando de encarar a imensidão verde que são os seus olhos. Ele se senta ereto e segura a minha mão.
–Annabeth -sua voz soa rouca
Não digo nada e tento retirar minha mão da sua.
–Annabeth por favor olhe pra mim -ele insiste- Annabeth?!
–O que? -digo irritada
–Olha pra mim porra! -ele vira o meu rosto para o seu- Nós precisamos conversar
–Não precisamos não! -digo e pulo da bancada
Ele pula atrás de mim e puxa o meu braço, o meu copo de cerveja vira e derrama na minha batinha branca. Olho irritada para ele.
–Ta vendo o que você fez?
–Annabeth -ele diz e respira fundo- Será que da pra, por favor, você parar de agir como uma criança de oito anos e me escutar?
–Não, Percy, não da. Por que, você acabou com o seu irmão, ele teve de levar pontos por sua causa! Além de que você veio com aquele papo de "porque você é minha" e depois simplesmente some! Em um momento você legal e divertido, e no minuto seguinte é totalmente frio e gélido! Me desculpe Percy, mas foi você quem escolheu, você quis que ficássemos assim -falo tudo de uma vez
Corro para o banheiro. Jogo água no meu rosto sem me preocupar em borrar a maquiagem. Respiro fundo uma, duas, três vezes. Olho para o meu reflexo no espelho, minha bata florida branca e rosa está manchada na região dos seios. Fico pensando em o que fazer, se tiro a camiseta e passo água ou se simplesmente ignoro a mancha, até que alguém abre a porta.
Sou emprensada na parede por alguém forte. Olhos verdes faíscam em contraste com os meus cinza. Sinto o seu rosto se aproximando e não posso impedir o que está prestes a acontecer.
E quando ele finalmente me beija, sinto como se nunca antes houvesse beijado alguém.
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