Ex(change) Girl
49 Capítulo 49
Notas iniciais
Pov. Annabeth
Nova Iorque, com toda certeza, era, de todo o mundo, a cidade favorita de Annabeth. Claro, ela só estava lá fazia um dia, mas a metrópole com toda a sua grandeza e movimento, a encantava de uma forma que nada no mundo já havia feito.
Os enormes prédios, os museus, parques, e até mesmo os McDonald's de lá, pareciam exclusivos e únicos. Cada pedacinho daquela cidade era especial, e fazia ela se perguntar se haveria outra coisa ao menos semelhante aquilo em algum outro lugar. Era uma pergunta retórica, mas ela sabia que a resposta era não. A Big Apple era única.
Só de olhar pra cima, o coração da garota atrasava algumas batidas. Se antes ela não tinha certeza de que queria ser arquiteta, agora ela estava plenamente certa disso. Queria, um dia, construir prédios como aqueles. Deixar a sua marca.
Sem falar no charme das ruas e avenidas. O movimento, as pessoas apressadas — e bem vestidas, ela tinha de lembrar — caminhando, o aroma de café e os perfumes das pessoas que passavam de um lado para o outro o tempo inteiro era o suficiente para encobrir o perfume da cidade grande.
Ela não era muito de se distrair enquanto conversava, mas havia extraviado toda a sua atenção da conversa com Thalia. Sua mente estava completamente cheia de ideias.
– Alô, Annabeth? — Thalia diz, sacudindo de leve o ombro da amiga para chamar sua atenção — Você escutou meia palavra do que eu disse?
– An... Não? — afirma, mas sua frase gaguejada sai mais como uma pergunta
A amiga suspira, revirando os olhos e fazendo uma grande bolha do chiclete de menta que mascava.
– Certo, chegamos. — diz, depois que a bola verde estoura — Meninos, encontramos vocês na escadaria do Metropolitan, por enquanto, vamos visitar... Uma loja aqui por perto.
– Nós vamos com vocês, não tem problema. — Travis diz, dando de ombros
Thalia segura os ombros do rapaz, que já avançava para as seguir.
– Eu acho que vocês não vão querer ir. — diz, o sorriso soando levemente assustador — Sabe como é, Victoria's Secrets...
Annabeth não sabia dizer se era pelos olhos assassinos de Thalia, ou pela menção da loja, mas a animação dos garotos para as seguir, subitamente havia caído para zero. Não que ela se incomodasse, e Thalia muito menos.
Elas esperam até os ver dobrando na esquina, e depois seguem conversando sobre besteiras por algumas quadras, até pararem em frente a uma loja com uma enorme e iluminada placa que tinha as palavras "Sex Shop" escritas em letras garrafais.
– Eu acho que isso não é a Victoria's Secrets. — Katie diz, dando um olhar sugestivo para Thalia, que já abria a porta com vidro fumê do local
– Até parece que eu ia dizer que estávamos indo para um sex shop na frente deles. — a morena diz — Além de que, isso é quase uma versão mais divertida da Victoria's Secrets.
Depois que todas as meninas entram, o lugar parece subitamente pequeno e apertado. Annabeth segue Thalia e Silena, que se dirigiam para a parte mais ao fundo da loja.
– Uh, o que você acha dessa?! — Silena diz, segurando uma lingerie de renda cor de rosa
– Combina com os seus cabelos. — Thalia diz, brincando com um pênis de borracha
– O que é isso? — a loira pergunta, e mesmo que aquela fosse outra pergunta retórica, ela não fica nada a vontade quando Thalia solta o seu sorriso mais malicioso
– O que é isso? — ela repete, sorrindo ainda mais — Isso, Annabeth, é um instrumento de diversão. Você quer experimentar?
A expressão de repugnância e os olhos arregalados da garota parecem uma resposta negativa boa o suficiente, e depois disso, elas continuam olhando alguns... Brinquedos.
– O que você acha disso? — Silena pergunta, segurando uma lingerie de renda preta. Era uma peça muito bonita, Annabeth tinha de admitir.
– É linda, mas não acho que seja muito o seu estilo...
– É claro que não, porque ela não é pra mim. — a outra responde, com uma pausa sugestiva antes de prosseguir — É pra você.
Annabeth segura o conjunto, formado por uma minúscula calcinha e sutiã, ambos eram de uma renda tão fina que quase chegava a ser transparente.
– Eu não acho que vou ter oportunidade de usar isso tão cedo... — ela responde, mesmo que um sorriso malicioso tenha surgido em seus lábios sem a sua autorização
– Bem, eu e Charles vamos sair para dar uma volta hoje de noite. Thalia já avisou que não quer ninguém na suite hoje, aparentemente ela e Nico vão... Ter uma conversa seria. — Silena diz, o sorriso malicioso que ela solta em seguida não combina nada com o seu rosto angelical — Bem, você vai ter que escolher entre dormir na recepção do hotel, ou ir fazer as pazes com o Percy.
Minha mente leva meio segundo para processar a informação.
– Eu não vou pedir desculpas por algo que não tenho culpa.
– Você não precisa necessariamente pedir desculpa.
Olho do sorriso malicioso de Silena para a lingerie preta em minhas mãos, e então de volta para Silena.
– A patricinha de Beverly Hills tem razão. — Thalia surge do nada, nos fazendo tomar um leve susto — Nunca ouviu falar que não existe nada como sexo de reconciliação?
Annabeth não sabia se corava de vergonha, ou ria de Thalia, que apontava um pênis de borracha bem para a sua cara. Acabou escolhendo a segunda opção.
– Eu não garanto nada. — diz, sorrindo maliciosamente em seguida — Mas, lingerie nunca é demais...
Meia hora depois, estavam saindo com vários pares de roupas íntimas, um pênis de borracha, um chicote, dois pares de algemas e uma loção para corpo com cheiro — e gosto — de champanhe, chantilly e morangos, a caminho do museu Metropolitan.
Annabeth só rezava para que ninguém na rua reconhecesse a sacola rosa de com estampa de zebrinha do sex shop.
♡
– Annabeth, sua vadia, você está divina! — Silena fala pausadamente, a observando pelo reflexo do espelho, o qual ela usava para avaliar a maquiagem que fazia — Eu avisei que esse vestido realçaria o seu bumbum.
Annabeth ergue uma sobrancelha como resposta, se olhando na brecha de espelho que Silena não estava usando.
– Sério?– pergunta, virando de costas para avaliar o tal bumbum — Eu estou me achando parecida com uma vadia, literalmente.
– Só se for uma vadia de luxo, darling. — Thalia, que havia simplesmente surgido do banheiro, fala — Esse vestido custou pelo menos uns quinhentos dólares.
A loira revira os olhos, puxando a saia colada do vestido um pouco mais para baixo, para que pelo menos a calcinha de renda preta que ela havia adquirido mais cedo ficasse escondida.
– Esse vestido é tão colado que da pra ver quase todo os detalhes rendados do meu sutiã. — ela diz — E, eu posso morrer com insuficiência de oxigênio, porque ta bem difícil de respirar nesse negócio.
– O que deu em você? — Silena diz — Seis meses atrás você não estaria nem aí se o seu vestido fosse colado demais. Por acaso entrou pra igreja protestante?
– Não... — Annabeth pensa sobre o que a amiga falou, e suspira ao se dar conta de que nem ela própria sabia o que havia acontecido — Você tem razão, eu só... Não sei por que não me sinto mais a vontade com isso.
– Pois devia. — Thalia diz, retocando o batom roxo que passava — Eu gosto de homens, de preferência os bens sarados e gostosos, mas cara, até eu daria uma segunda olhada bem maliciosa em você.
– Thalia! — Annabeth diz, dando um tapa de brincadeira na amiga
Ela passa um pouco de perfume, mas não demais, já que tinha um pouco de alergia. Depois, coloca o celular prateado dentro da pequena bolsa de mão, e da uma pequena voltinha para que as amigas avaliem o visual.
– Então...?
– Gata.
– Poderosa.
– Gostosa.
– Annabeth! Pare com isso, você está parecendo uma Angel da Victoria's Secrets. Sem baixa estima, por favor. — Silena suspira, abrindo a porta para que as amigas passem
As três caminham em direção ao lobby, onde se encontram com o restante do pessoal. A treinadora Megan já havia se retirado, e desejado uma boa noite para todos, já que os adolescentes estavam por conta própria naquela noite. Annabeth ainda não havia visto Percy.
Silena e Beckendorf se despedem, já que os dois teriam um encontro romântico. Annabeth já podia imaginar o tipo de coisa que os dois fariam, mas não havia dito nada, ao menos Silena teria, já ela... Estava brigada com o namorado.
– Uau, Ann, você está deslumbrante. — Clarisse, que havia passado o braço pelos seus ombros, diz
– Se eu soubesse que a Annabeth seria a rainha da noite, nem sequer teria me arrumado. — Katie diz, sussurrando a parte seguinte — Esse macacão de seda me incomoda em partes que vocês não querem saber...
– Ah, calem a boca! — Annabeth diz, corando um pouco com os comentários — Eu não estou essas coisas todas...
– Ah, claro que não! — Thalia diz, revirando os olhos — É por isso que o Percy não está ali, parado e com baba escorrendo pelo queixo. Aliás, ele não é o único.
Annabeth tenta ser discreta ao olhar para a direção que Thalia indicava, mas estava nervosa e ansiosa demais, e certamente, afobada. Thalia era exagerada, e apesar de não ter baba escorrendo pelo queixo de Percy, ele com certeza estava hipnotizado com alguma coisa — Annabeth esperava do fundo do coração que fosse ela.
Ela solta um sorrisinho tímido de canto de boca quando ele pisca, se recuperando do choque inicial. Ele parece levemente surpreso com o ato, e pisca mais uma vez, coçando os cabelos e sorrindo abertamente. Annabeth cora, e volta a olhar para as amigas. Não queria dar esse gostinho a Percy, ela podia ter o perdoado, mas ele ainda assim havia dado em cima de outra.
Ela sente o choque térmico de quando cruza as portas pesadas do hotel, estando exposta ao frio e vento do lado de fora. Annabeth usava só o vestido de veludo de mangas compridas, sem meia e sem casaco, e fazia no máximo uns vinte graus do lado do outro lado das portas. Ela com certeza estava branca de frio.
– Uh, está gelado aqui fora! — Katie fala, automaticamente cruzando os braços na altura do peito
O grupo, de pelo menos umas doze pessoas, caminha pelas ruas movimentadas e iluminadas da cidade. Conversas paralelas eram as únicas coisas que chegavam aos ouvidos de Annabeth, que estava perdida nos próprios pensamentos, e ao longo de todo o trajeto, sentia mais de um par de olhos a seguindo com o olhar.
Para a alegria da loira, e de todas as outras que usavam salto e estavam sem agasalho, chegaram mais rápido que o esperado ao prédio de dez andares. Havia um hall de entrada pequeno, mas ao olhar para cima, ela podia ver o quão grandes eram os apartamentos. Thalia troca algumas palavras com o porteiro, e o grupo sobe no elevador de piso quadriculado. Dois minutos depois estavam na cobertura.
Um forte aroma de perfume francês é a primeira coisa que Annabeth sente quando as portas se abrem, e eles entram no grande apartamento. O piso deste seguia o padrão de quadriculado do elevador, mas o apartamento era muito sofisticado. Havia uma espécie de sushi bar nada improvisado de um lado, e pessoas trajando o que Annabeth achava serem os seus melhores vestidos. Ela se sentia meio desconfortável no Upper East Side.
– Você vai ficar aí parada observando o apartamento, ou vai entrar? — Thalia pergunta, segurando com força no seu pulso e a arrastando para dentro
Depois de ser apresentada para uma dúzia de pessoas, ela já se sentia um pouco mais a vontade, e estava tomando do seu Martini sem azeitona — aparentemente eles não ligavam se ela era menor de idade, pelo menos, não ali.
– Ei, Annabeth! — antes que ela pudesse se dar conta de quem era, a pessoa já a estava abraçando. Pelo perfume Polo e os cabelos encaracolados, ela se da conta de quem se tratava.
– Erick! Eu não sabia que você viria... — ela diz, o largando e observando como o terno cinza que este usava se encaixava perfeitamente no corpo franzino do garoto
– Muito menos eu! — este diz — É uma pena que não tenha te encontrado de novo depois do jogo... Mas eu realmente estava bolado porque vocês ganharam!
– Imagino, fiquei te procurando assim que o jogo acabou, mas você tinha sumido do mapa...
– Eu sei, mas sério, foi bem chocante termos perdido em casa... — o menino é interrompido por uma outra voz masculina, e o dono desta coloca a mão sobre os ombros pequenos do garoto
– Erick. — diz
Annabeth havia conhecido o garoto naquele mesmo jogo, e apesar de terem conversado pouco, havia adquirido uma espécie de afeição especial por ele. Ele não ia jogar, e disse que se não fosse contra o seu time, ele torceria por Annabeth — ela se sentiu incrivelmente honrada por isso.
– Micchel! — Erick diz, passando um dos braços pelas costas do outro rapaz — Annabeth, esse é o cara de quem havia lhe falado. Micchel, essa é Annabeth, da Califórnia.
– É um prazer conhecê-la. — a figura grande e de olhos azuis fala, e para a surpresa da garota, o menino beija a mão que ela havia estendido
– O prazer é todo meu. — diz e sorri, antes de completar — Me desculpem, mas eu tenho mesmo que ir atrás de uma pessoa...
Os dois sorriem, e mesmo que Annabeth não tivesse o que fazer, quis dar um pouco de privacidade ao casal. Já estava pronta para dizer a Thalia que aquela festa estava melhor do que ela esperava quando a viu.
Ela tinha certeza que os seu lábio inferior havia tremido de raiva, e suas mãos não paravam quietas de nervosismo. A noite está ótima, mas claro que alguém tinha de estraga-la.
Gostaria de dizer que havia pensado muito em fazer o que fez, antes de o fazer, mas para ser sincera, fez tudo aquilo por impulso.
– Oh meu Deus! Mil desculpas eu não queria... — diz, a voz soando tão culpada e arrependida quanto ela esperava, enquanto ela pegava guardanapos de tecido branco e macio para enxugar o estrago que o seu Martini havia feito no vestido da garota — Espere, eu te conheço?
O sorriso diabólico e raivoso que surgiu nos lábios da garota foi o suficiente para que ela não se arrependesse do que havia feito.
– Annabeth Chase, não é? — a loira não se lembrava de que a garota tinha uma voz tão aveludada e ameaçadora — Claro que você não fez isso de propósito, por que faria, não é mesmo?!
– Desculpe, mas eu não sei mesmo do que você está falando... Se você quiser eu pago a lavanderia, ou um vestido novo, tanto faz, você pode...
– Ah, cale a boca! — Amelie a interrompe, a franja balançando enquanto ela balançava furtivamente a cabeça — Só saia da minha frente e...
– Annabeth. — a espinha da garota se arrepiou quando a voz grave de Percy falou a suas costas e a sua mão forte segurou o seu pulso — Olá Amelie, me desculpe mesmo por isso... Acho que Annabeth bebeu demais. Aliás, legal te encontrar de novo.
A garota morena já havia aberto a boca para dizer o que Annabeth esperava que fosse "Oh, você é tão gostoso. Eu segui você até aqui porque queria que você me fizesse sua na cama, e depois daquele dia no aeroporto eu simplesmente não pude te esquecer.", quando Percy a arrastou para longe.
Seus olhos estavam raivosos e escuros quando ele a encarou, mas ela o conhecia tão bem que podia ver uma chama de divertimento bem, mas bem, no fundo. Pena que essa chama estivesse completamente escondida pela fúria.
– Pode me explicar o que aconteceu ali?
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