Ex(change) Girl
48 Capítulo 48
Notas iniciais
Pov. Percy
– Ei, Lizzie, não sabia que você estava aqui. — digo, colocando o braço sobra os ombros pequenos do corpo pequeno da garota
– Oi Percy. — diz, corando e sorrindo timidamente — Eu vim deixar a Annabeth e o Brandon... Você sabe, mamãe está quase enlouquecendo, já que os dois filhos mais velhos vão passar um tempo fora.
– Uhum. — digo, coçando a cabeça — Daqui a um tempo, você também vai estar indo aos próprios campeonatos.
Cutuco as suas costas com os dedos indicadores, a fazendo rir.
– Eu não sei se... É exatamente isso que eu quero. — fala, depois de se recuperar da crise de risos — Digo, ser líder de torcida.
– Hm. — falo, tentando raciocinar rapidamente para encontrar algo que não seja idiota a se falar — O que quer que seja, espero que a faça feliz.
Ela sorri, balançando a cabeça positivamente e fazendo com que a franja lisa acabasse por cobrir os seus olhos.
– Ei, Percy. — Cameron Morgans, um cara do primeiro ano e que fazia parte da equipe reserva dos reservas do time, sorria, os seus olhos se estreitavam quando ele o fazia — Animado pra viagem?
Respondo que sim, e depois arranjo alguma desculpa para deixar os dois sozinhos. Annabeth não havia me falado nada, mas pela forma como Lizzie ia a quase todos os nossos treinos, eu meio que havia deduzido que havia algo mais entre os dois.
– Eu vou deixar os pombinhos sozinhos e... — falo, mais sou interrompido pelos dois, que falam ao mesmo tempo:
– Nós não somos um casal.
Pela forma como haviam falado em sincronia, e como as bochechas de Lizzie estavam ainda mais vermelhas que o normal, eu sabia que estavam mentindo.
– Tudo bem. — rio — Eu viu deixar o não casal aqui, e vou trás da minha namorada. Pode ser?
Os dois coram, e depois que eu saio, posso ver que Lizzie segurava timidamente a mão de Cameron. Eles até que ficavam bonitinhos juntos.
– Percy, meu filho, eu sei que havia dito que ia ficar até você embarcar... Mas surgiu um imprevisto na empresa e eu preciso mesmo... — meu pai diz rapidamente quando paro ao seu lado
– Ir. — finalizo a frase por ele, suspirando logo em seguida
– Sinto muito, mas eu preciso mesmo...
– Tudo bem. — digo, colocando a mochila sobre o ombro — Eu não esperava que você fosse sequer descer do carro mesmo.
Poseidon faz uma cara que eu suspeito ser uma tentativa de parecer magoado, mas logo depois ele me da um abraço com batidinhas nas costas e diz:
– Eu tenho certeza de que você vai se sair muito bem. — e antes mesmo que eu possa dizer um até mais, ele já estava se dirigindo as portas espelhadas com o telefone no ouvido
É, ninguém falou que era fácil — nem bom — ser filho de um homem de negócios.
– Vamos? — sinto o perfume adocicado e forte de Annabeth antes mesmo que ela possa dizer alguma coisa — O nosso embarque já foi anunciado umas duas vezes.
Suspiro, a trazendo mais para perto de mim e inspirando o seu cheiro reconfortante. Ela morde o meu ombro e depois apoia a cabeça sobre o mesmo, olhando para trás e dando um ultimo tchau, antes que passássemos pelo detector de metais.
E lá se iam quase quatro horas dentro daquela máquina voadora demoníaca.
♡
– Annabeth, deixa de ser chata e vamos. — Thalia suspira, arrastando Annabeth consigo — Nós só vamos comprar café!
Minha namorada revira os olhos.
– Volto já! — fala, seguindo a amiga até a cafeteira mais próxima
Jogo a minha mochila ao lado das malas do restante do grupo, e em seguida me jogo em uma cadeira ao lado da de Nico.
– Cara, você está péssimo. — ele diz
– Valeu.
– Por nada. — diz — Mas você devia ir ao menos lavar o rosto, acho que aquele remédio que você tomou pra dormir ainda ta fazendo efeito.
Suspiro, passando as mãos pelo rosto e me levantando.
– Se a Annabeth voltar, diga que eu fui no banheiro.
Nico da de ombros, voltando a digitar freneticamente no celular. Mesmo odiando aviões, eu já tinha ido a Nova Iorque uma meia dúzia de vezes, então conhecia o aeroporto com a palma da minha mão. Coloco as mãos no bolso da jaqueta de couro, porque mesmo dentro do prédio fazia frio, e me arrasto até o banheiro mais próximo.
Depois de lavar o rosto, eu já me sentia um pouco melhor, mas isso não me impede de trombar com alguém na saída do banheiro e derrubar tudo o que a pessoa segurava. Típico, penso.
– Me desculpe eu não... — digo, rapidamente me abaixando para ajudar recolher as coisas
– Tudo bem. — ela responde, depois que entrego a agenda em suas mãos. Sua voz era fina e suave — Sempre acontece comigo.
Ela sorria, covinhas se formavam em suas bochechas quando ela o fazia, seu cabelo era castanho e liso, cortado na altura nos ombros, e sua franja cobria um pouco dos olhos castanhos. Ela era baixinha, mas apesar disso, era bonita.
– É sério... Eu sinto muito mesmo. — falo, coçando a cabeça e me perguntando por que esse tipo de coisa sempre acontece comigo — Tem alguma coisa que eu possa fazer...?
– Primeiro, eu gostaria de saber o seu nome, depois que você parasse de falar tão rápido. — ela diz, rindo
– Certo. Percy Jackson. — digo, estendendo a mão para que ela a apertasse
– Amelie Potter. — ela diz — E sobre a sua pergunta... O que acha de me pagar um café?
– Ei Percy eu...– giro bruscamente, dando de cara com uma Annabeth com a boca entreaberta de surpresa e os olhos curiosos — Comprei café pra você.
– Hm... Certo, valeu. — digo, sem me mover e sem saber o que mais poderia responder — Eu vim lavar o rosto.
– Eu percebi. — ela diz, dando aquele sorriso que fazia o meu estômago revirar e os outros caras babarem, mas que agora parecia no mínimo irônico
Depois disso, ela da meia volta e caminha de volta até onde o restante do pessoal estava, entregando o meu suposto café para outro cara, que de longe eu achava ser Brandon, e conversando com as meninas. Eu passei um tempo a observando, e nem por um segundo ela olhou pra mim.
– Parece que ela deu o seu café para outra pessoa. — Amelie diz, sorrindo timidamente
Suspiro, passando a mão pelo rosto e retirando algumas notas de um dólar do bolso.
– Eu sinto muito pelas suas coisas... Mas eu tenho que ir. — falo, entregando o dinheiro em suas mãos pequenas cobertas por luvas de pelúcia — Compre o seu café.
– Percy! — ela grita, mas eu já estava caminhando apressado até onde Annabeth estava
Maravilha. Tudo o que eu realmente precisava era brigar com a minha namorada, justo quando nós tínhamos três dias para passarmos juntos.
Parabéns Perseu Jackson, você é um gênio!
♡
Eu estava feliz porque não fazia tanto frio. Tudo o que eu não precisava, era jogar sob temperaturas baixas. Mas, ao menos o tempo parecia conspirar ao meu favor, já que Annabeth e o restante das garotas não o faziam.
O sol não era quente, mas o suficiente para aquecer o meu corpo. A temperatura beirava os dezessete graus, o que fizera todos do time dispensarem os casacos, já que quando fossemos jogar a nossa temperatura subiria para pelo menos trinta e sete.
Eu girava a garrafa de energético em minha mão, distraído e um pouco nervoso, além de cansado. Havíamos chegado em Nova Iorque a pouco mais de quatro horas, e eu não me sentia descansado o suficiente para encarar uma partida de duas horas de duração. Também tinha o fato de que Annabeth estava me ignorando, mesmo quando eu elogiei o uniforme novo — ao menos eu achava que era novo.
Isso não fazia um pingo de sentido para mim, já que eu apenas estava me desculpando com a garota. Não era como se eu estivesse flertando com ela. Ou era?
Dou um tapa no meu próprio rosto, apertando a garrafa de plástico com tanta força que um pouco do líquido azul estava espirrando pelos lados, mesmo com a tampa fechada. Muito bem Percy, você estava flertando com uma garota quando a sua própria namorada estava a vinte metros de distância! Depois dessa, o prêmio O Idiota do Ano é todo seu!
Não havia sido de propósito, eu tenho certeza. Eu sentia algo muito forte por Annabeth, e não arriscaria o nosso namoro por nada no mundo. Além de que, eu nem sequer havia me interessado pela garota! Claro, ela era bonitinha e aparentemente muito fofa, mas qual é?! Eu tinha uma namorada incrível e incrivelmente gata!
Olho ao redor, vendo o time se concentrar no centro do vestiário. Ando até eles, e escuto o treinador dizer as suas palavras de motivação de sempre, mas não é como se eu estivesse lá, de fato. Eu estava nervoso com o jogo, e por Annabeth. Eu não podia perdê-la, de jeito nenhum. Eu a amava demais para isso.
Só depois que o som do apito do treinador no meu ouvido me desperta, a ficha de que não só o meu destino, mas também é de dezenas de outros garotos, dependiam daquele jogo cai. Eu podia já ter a vaga na faculdade garantida, mas muitos do time dependiam dessa experiência para garantir a própria. Não podíamos falhar.
O time começa a fazer barulho, saindo em uma fila indiana desorganizada, do vestiário até o campo. Eu era o ultimo, e caminhava distraído, bebendo lentamente o líquido azul. Assim que a grama verde está sob os meus pés, meus olhos passam a vasculhar o perímetro atrás da garota loira de olhos cinzas.
Thalia e Silena conversavam com algumas garotas, outro grupo de meninas se alongava no alambrado. Mas nem sinal de Annabeth.
– Boa sorte com ela. — Nico diz, empurrando o meu ombro com o próprio, em uma espécie de cumprimento
– O que quer dizer...? — pergunto
Nico se limita a indicar um casal que conversava animadamente perto das arquibancadas — já lotadas — com o queixo. Sigo o seu olhar, percebendo que não era um casal, e sim Annabeth e algum filho da mãe que vestia a camisa do time adversário. Os dois pareciam rir, e ela sorria, gesticulando como se contasse uma história cômica.
Suspiro, balançando a cabeça para tirar a imagem da mente e me sentando no gramado. A cabeça baixa, apoiada sobre o capacete branco.
– Cara, você vai simplesmente ficar aí, derrotado? — Nico pergunta — Cadê aquele Percy que dava um ataque só de ver um olhar pra bunda dela...?
– Acho que perdi o direito de ter ciúmes. — falo — Pelo menos por hoje.
Nico semicerra os olhos e sorri, como se esperasse que a qualquer momento eu levantasse bufando de raiva e com fumaça saindo pelo nariz. Depois de um tempo, ele parecesse se dar conta de que eu não faria nada e se senta ao meu lado.
Mesmo que eu achasse que não deveria ter ciúmes, não é como se o meu cérebro realmente seguisse as minhas ordens. Eu sentia o estômago revirar, e tinha de fazer um enorme esforço para não me levantar e quebrar tudo. Tento regularizar a minha respiração, mas o tempo todo o meu olhar fica sendo desviado para onde os dois se encontravam. Annabeth sorria, os cachos mais definidos que o normal voando pelo vento, hora ou outra ela retirava alguns fios do rosto. Parecia ainda mais bonita que o normal, se é que isso é possível.
A música que saia pelas caixas de som aumenta alguns volumes, indicando que devíamos nos dirigir para a nossa parte do campo, que o jogo já estava para começar. Nico, eu e o restante do time caminhamos até o nosso banco de reserva, e eu bato na calça azul escura para tirar o resto de grama que ali se encontrava. As arquibancadas já estavam praticamente lotadas e o cheiro de churros me deixava meio enjoado.
Um remix de alguma música, que eu reconheci como Girl Gone Wild, de Madonna, começa a tocar e as líderes de torcida do time da casa se dirigem ao centro do campo. O seu uniforme era laranja, o que contrastava ainda mais com o campo verde. Imediatamente meus olhos desviam para o local onde Annabeth e o Babaca Mor se encontravam, e tenho de segurar o suspiro de alívio ao constatar que a própria estava sentada a apenas dois bancos de distância de mim, avaliando a apresentação, juntamente com as outras garotas.
Mais rápido do que eu esperava, a apresentação já havia acabado e o jogo iria começar. Os gritos da torcida, contra nós, ainda ecoavam na minha mente e eu tinha de admitir que estava mais nervoso e ansioso do que gostaria.
Os minutos seguintes passaram rápidos e confusos como um borrão. Eu podia jurar que fazia dez minutos que havíamos começado a jogar, mas antes do que esperávamos, já era o intervalo. Estávamos perdendo de 20 a 16, e já era hora das garotas se apresentarem.
Não consigo me conter, e seguro o braço magro e levemente bronzeado de Annabeth, que vestia um mini vestido azul escuro de mangas compridas e saia pregueada, antes que ela, juntamente com o restante do time, se vá.
– Boa sorte. — digo — Tenho certeza de que vai ser incrível.
Ela me avalia sem olhar nos meus olhos por alguns segundos, mas depois da um pequeno sorriso e sussurra um rápido "Obrigada", antes de correr até Thalia e Silena. Quando todas elas parecem achar suas posições, Silena acena para um cara com a camisa da produção, e uma música completamente diferente do que elas costumavam usar começa a soar a toda altura.
A música tinha uma batida diferente, e parecia mesclar diversos tipos de ritmos musicais em uma só melodia. Gostaria de dizer que a apresentação estava maravilhosa, mas não consegui prestar atenção direito, já que meus olhos não desviavam da garota loira de olhos cinzas. Só me dou conta de que elas já haviam acabado, quando Annabeth já está bem na minha frente, as mãos na cintura e o olhar duro.
– Eu sei que você consegue fazer melhor que isso. — diz — Vá lá e mostre quem é o Percy Jackson que foi eleito o melhor quarterback do estadual.
Ela sai rapidamente de perto, o que me faz entender que ainda não estava tudo bem. Mas fiquei feliz pela bronca, achava melhor que ela brigasse comigo, do que me desprezasse.
– Cada um de nós sabe o que essa vitória, ou fracasso, vai significar! — digo, minha voz ecoando no silêncio que fazia no circulo ao redor de mim — Vamos mostrar a que viemos! Cada um de nós aqui sabe do que é capaz!
Antes de colocar o capacete, dou uma última olhada para Annabeth, que me encarava de longe, e que quase desvia o olhar quando percebe que eu a observava também. Mas invés disso, ela cruza os braços e me olha nos olhos, batendo o pé impaciente na grama ressecada.
Depois disso, coloco o capacete e me posiciono. Annabeth, e o resto do colégio inteiro, confiava em nós. Tínhamos que fazer por merecer.
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