Ex(change) Girl
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Meu tornozelo doía. Fazia pouco mais de um mês que eu havia tirado a bota, e de vez em quando, se eu fizesse muito esforço, eu ainda sentia algumas pontadas. Eu realmente não queria fazer aula de educação física, mas o professor disse que mesmo eu estando em algum clube esportivo era necessário que eu participasse de todas as aulas.
Fico encarando aquele short minúsculo que eles chamam de uniforme. Eu não poderia sair dali usando isso, definitivamente não poderia. O short era tão pequeno e apertado que metade da minha bunda estava de fora. Escuto um apito do lado de fora do vestiário. Respiro fundo e saio a caminho da quadra de basquete. Todos os outros alunos estão reunidos em um círculo ao redor do professor. Agradeço mentalmente por não precisar me aproximar mais e dar a vista privilegiada do meu bum bum.
Quando outro apito soa os alunos se dispersam, caminhando para a ponta da quadra. Nico vem pro meu lado.
–Muito legal esse seu, é, quer dizer, sua calcinha -ele diz rindo
Dou um tapa no braço dele
–Eu sei! -bufo irritada- Eu odeio esse uniforme!
Nos aproximamos então de uma corda. Não. Não pode ser. Justo porque o meu short é minúsculo.
–Alunos, hoje vocês irão subir a corda -diz o treinador- Por favor, façam uma fila.
Cerca de 40 pessoas se organizam em uma fila. Nico e eu ficamos mais para trás.
–E então, você e Thalia... O que ta pegando? -pergunto e Nico faz um careta, passa a mão pelos cabelos e bufa.
–Nada, nada ta pegando. A gente brigou. De novo -ele diz
Olho para frente, onde Thalia e as meninas estão conversando. Ela não quis me falar mais sobre eles dois. Aperto a mão de Nico.
–E você, loirinha? -ele pergunta- Como ta, você e o Tritão, ou você e o Will, ou sei lá você e quem?
–Cala a boca Nico! Assim você me faz parecer a maior puta poxa! -digo- Não tem mais nada entre mim e o Tritão, a gente só ficou. E o Will... bem, ele não quer mais olhar na minha cara depois que eu disse que não queria nada sério.
Olho para corda. É Percy quem está subindo, ele escala com classe, como se já tivesse feito isso centenas de vezes, o que eu não duvido nada que tenha acontecido. Ele chega lá em cima e toca o sino, depois escorrega pela corda com a maior facilidade, como se aquilo não estivesse acabando com as suas mãos.
–Não sei se consigo fazer isso, Nico. E se eu ficar na metade da corda? -pergunto
–Relaxa Annie. Na boa, você tem que ir, sério, você vai amar -ele fala
–Tudo bem, mas... Ei! Você só ta dizendo isso porque quer olhar pra minha bunda! Seu tarado! -digo indignada
Ele ri de verdade, na maior cara de pau até que chega a minha vez.
–Se você ficar encarando a minha bunda, pode se livrar da ideia de ter filhos. Entendeu? -digo
Nico finge que faz uma cara de medo e vai até onde os outros garotos estão. Ótimo, pelo menos com alguém pra conversar ele não fica olhando pra mim. Começo a escalar, aquilo é mais complicado do que parece, estou na metade da corda e minhas mãos estão descascando. Coloco mais força e subo, chego lá em cima e toco o sino. Olho pra baixo e vejo Nico e os outros garotos me encarando, Thalia e as meninas conversando e um Percy emburrado olhando pra mim. Tento ignorar e deslizo pela corda, quando estou na metade me solto e dou um mortal pra frente.
–Esplendido Srta. Chase! Você foi o nosso melhor tempo! Vamos aplaudir Annabeth pessoal! -diz o treinador
–É uma pena que tenha sido tão rápido -diz Nico ao passar por mim
Bufo irritada. Pelo menos sei o porque daquela cara emburrada de Percy, eu ganhei dele. Eu ganhei dele!
***
–Vocês perderam. Sério, foi incrível! A Annabeth se contorcia toda, e naquele short minúsculo dava pra ver toda a bunda dela! Foi demais -diz Connor
Estávamos no almoço, na mesma mesa de sempre (sim, agora posso falar: na mesma mesa de sempre. Porque eu me sinto em casa, aqueles são os meus amigos) e os garotos estavam contando a história de como eu ganhei na escalada da corda. Ou melhor, de como eles ganharam uma bela visão da minha bunda.
–Eu não entendo! Porque o meu short é tão pequeno se o das outras meninas é de um tamanho aceitável?! -bufo irritada- Nico, você disse pra ela que eu vestia M?
Olho pra Nico, que foi o responsável por pegar o uniforme de educação física pra mim na secretaria. Ele tem um sorriso no rosto.
–Claro que disse Ann! Ela disse que esse era o único short que tinha disponível e que você teria de usar ele até o fim do ano -ele fala
Semicerro os olhos para ele. Bingo.
–Seu idiota! Você fez de propósito! Se ofereceu pra pegar o meu uniforme pra pegar dois número menores -grito indignada- Agora vou ter que usar esse short de criança até o fim do ano por sua causa!
Os meninos caem na risada. Bufo e volto a conversar com Katie, que está ao meu lado.
–Não sei porque ainda confio nele! -digo irritada
Katie ri.
–E o Percy Annie? -ela pergunta- Vocês ainda estão sem se falar?
–Sim -respiro fundo- Sabe, ele é um grande bipolar idiota. Sendo assim, prefiro ficar longe.
–Você sabe por que ele é assim, não sabe? -ela diz
–Por que? -digo sem entender nada
Uma gritaria começa. Barulhos de pratos caindo e tapas. Me levanto rapidamente e vejo Brandon batendo em algum garoto. Respiro fundo e me levanto irritada.
–Brandon! Para! Para! -grito
Alguns garotos seguram Brandon e vejo que ele estava batendo em um garoto de óculos.
–Qual o seu problema? -grito- Você é um brutamontes idiota!
Olho para o garoto ao meu lado. Ele estava com alguns cortes no supercílio e perto da boca, além de alguns hematomas. Seu óculos partiu ao meio.
–Vem -digo enquanto seguro a mão do garoto- Vamos até a enfermaria.
O refeitório fica em silêncio. Todos me olham horrorizados, inclusive o garoto dos óculos quebrados.
–O que foi? Não tem nada pra fazer não é? -falo para todos ali- Vamos, esse corte parece estar feio.
O menino me segue atordoado. As pessoas que estavam sentadas na mesma mesa que ele nos olham chocados. Dou um sorriso pra elas e saio carregando o garoto ao meu lado.
–Qual o seu nome? -pergunto quando já saímos do refeitório
–É Malcom. -ele diz
–Prazer Malcom, sou Annabeth -falo
–Eu sei -ele fala, olho pra ele, como ele pode saber o meu nome se não havíamos sido apresentados?- Você é popular, todos sabem o nome da "Annabeth, a novata que ficou popular"
–An? -digo atordoada- Então é isso? É assim que sou conhecida? "A novata que ficou popular?"
Malcom assente com a cabeça
–Então não gostam de mim, não é? Devem achar que eu sou só mais uma garota fútil e burra...
–Não -ele me corta- Você, você é diferente. Não se acha melhor que nós, e nos cumprimenta. Além de que, você é inteligente.
–Como, como você sabe? -pergunto
–Clube de matemática -ele diz como se isso explicasse tudo- O professor de matemática avançada é o líder do nosso clube, ele disse que você tirou A no teste e que poderíamos chamar você para o clube.
–E por que não chamaram? -pergunto
–Bem, porque, é... Fizemos uma votação. E a maioria achou que você ia nos esnobar e rir da nossa cara se fossemos convidar você -ele fala envergonhado
Respiro fundo. Chegamos a enfermaria. Bato na porta e não tem ninguém.
–Entendo. Mas eu nunca faria isso. De verdade -digo- Vamos, eu sei onde fica o material de primeiro socorros.
Entramos na sala branca e Malcom se senta na cama alta. Pego o kit e retiro álcool, algodão e esparadrapo. Higienizo com álcool os ferimentos e depois cubro-os com o curativo.
–Prontinho -digo- Malcom, me desculpe por Brandon. Seja qual for o motivo de ele estar te batendo, eu sei que era injusto.
–Me desculpe você, Annabeth -ele diz
–Annie, pode me chamar de Annie -falo- Mas por que eu deveria te desculpar? Você não...
–O Brandon tinha um motivo pra me bater -ele me corta- Eu... Nós estávamos falando de você. De como você parecia esnobe e se fazia de burra para o seus amigos, quando nós sabíamos que você não tirou nenhum B até agora.
Olho para Malcom. Eu esperava, realmente esperava. Quando comecei a andar com eles, eu sabia que eles eram populares, sabia da fama deles, e não me esforcei em nada para tentar mudar.
Mas agora eu vou me esforçar.
–Então, será que ainda da pra entrar pro clube de matemática? -pergunto
Malcom sorri, um sorriso de verdade, daqueles que através dos seus óculos quebrados eu poderia ver seus olhos brilharem.
–Da, claro que da -ele diz
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