Notas iniciais
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A grande estatua do vilarejo foi arrastado ao chão, caindo em destroços, deixada aos rastros empoeirados no caminho. As mães gritavam em lágrimas, choravam e esperneavam enquanto as crianças eram devoradas pelas lâminas, com uma gota de acidez de tortura, a pior das sensações... A farta alimentação da região, hoje se transformara em um campo incendiário, decorado por corpos sustentados pela cabeça em agradecimento aos mortos.

— Sigam para Belhvide... — A rouquidão empiorava com o acontecer dos trotes de cidade para cidade. O céu por onde Imifos passara era recoberto de nuvens sombrias desordenadas, enxurrada de lágrimas do céu, enquanto a terra apodrecia com o sua presença.

A cidade de Belhvide, uma das mais poderosas do quarto mundo de Rita, chamado comumente de Haides, “o mundo invisível” que agora, era tido como o mundo dos medrosos.

A cidade, ainda em sono profundo sobre o massacre em suas terras, era alegrada com bombas e celebrações, pois neste dia a criança do rei nasceu com corpo de ouro. Mas aquele mesmo ouro que reluzia a paz na cidade, refletiu o terror que logo amedrontara os pássaros que saíram como jatos em direção a as matas fechadas, longe dali.

Imifos, andando ao lado de seu cavalo, seguido por seus cavaleiros, parou em frente aos grandes portões da cidade majestade, as rúnicas encravadas nos portões eram perfeitas demais para estarem ali. Seus dedos tremiam e com força hedionda empurrou os gigantescos portões com as unhas. A fresta que juntava os dois portões, foi rompida em um estrondo avassalador.

— Invasores, ataquem! — O general sob a muralha apontou para os cavaleiros com sua espada longa e afiada por duendes, ao comando, o céu cobriu abafadamente em uma maré de flechas que percorriam o vento em dispara a tais. Porém, antes mesmo do som chegar aos cavaleiros, às flechas deram meias voltas e perfuraram as gargantas alheias dos arqueiros.

— Derramem o óleo, agora! — Rugindo como uma besta de dezenas de cabeças, o general comandou os dois cavaleiros que abriam os portões. O grande recipiente metálico encharcado de óleo, fora acesso com uma tocha. Quando menos esperaram, o olho derramou sobre o chão, perto de Imifos, alagando tudo ali, como um ácido de demônios que corrói até mesmo o ouro como papel.

Contudo, aquele mesmo óleo lançado, dançava ao redor de Imifios e seus cavaleiros, até mesmo a maré quente temia o demônio.

— Destronem todos... — A voz afônica soou como um sibilo para os cavaleiros que em meio aos trotes derrubavam estátuas e queimava as pessoas que ali corriam.

Imifos se desintegrou como areia ao vento, reaparecendo exatamente nas masmorras, que ali em uma cela específica, os nobres escondiam-se.

— A criança... — O sussurro obrigou a mãe forçadamente a dar a criança de ouro para o ser, em meio aos gritos e choros, a mãe não controlava seus movimentos enquanto engasgava em lamentação.

O pai que segurava o símbolo da cidade, agora, tremia incansavelmente, enquanto os olhos eram tapados para não ver tal desgraça.

Imifos com os braços trêmulos alcançou a criança, agarrando-a pelo pé. A mulher de relance, olhou para os buracos que davam lugar aos olhos, seu corpo que imediatamente transmutou-se em uma estátua sem sequer um berro ou lamentação.

Já portão de ferro que ali se escondiam os nobres fechou com um estrondo, trancando-os ali dentro.

— Queimem — Imifos andava pelos corredores enquanto a cela era mortalmente queimada junto com os poderosos do reino. O corpo entrara em cinzas e como uma tortura agravante era música para os ouvidos do ser.

Já a pobre e indefesa criança reluzente era desmembrada, derramando gotas de ouro no lugar do líquido escarlate.

A gigantesca cidade, já estava dizimada. Nenhum guerreiro vivo, nenhuma alma para contar ou espalhar a história, somente pássaros observava o terror com piados frívolos.

— Não é aceitável — Modre explanava algo mais que óbvio — Mesmo se contarmos três de nós, ainda seremos massacrados.

— Será necessário convocar todos os ancestrais — Ela cogitava a ideia, sentada próxima a fogo crepitante — Pelo menos os que restaram.

— Precisamos contatar o máximo que pudermos — Rita deslocou-se da poltrona a uma estante de livros empoeirados — Contudo, muitos não sobreviveram à divisão do mundo e outros desapareceram.

— Não há tempo para explicações razoáveis, temos que agir neste momento — Ela levantou-se bruscamente do assento, seus olhos em chama foram ao encontro de Rita, juntamente com Modre — Inicie o ritual.

O livro saltara da pose de Rita, as páginas rasgaram-se do livro e uma folha em especial, desenhada em runas enfeitava o centro, enquanto as demais folhas giravam à sua volta.

O silêncio momentâneo tomou conta do lugar, os três fizeram postura meditar, os mesmos triangularam perfeitamente entorno do papel, embaçados nas três regras do universo.

— Das rosas cintilantes em sangue, dos hinos proferidos em épocas diferentes à nossa, das luas que cobriram o limbo, dos sóis que esquentaram a face morta — Em uníssono, ali, um ritual era proferido, os versos eram como terremotos e as escrituras chamejavam em azul fosco.

Uma energia em forma de anel com diversos pentagramas rodeou os papéis que ali giravam enlouquecidos.

— Dos pecados que consome as almas, dos ventos formados em épocas, do sangue desperdiçado em época — Ainda em uníssono, a biblioteca foi tomada em domo formado por nuvens, o nada girava em terror. O poder ali era alto, os olhos de Ela cintilaram em vermelho sangue, como os olhos dos demais.

Com um sorriso ousado, Imifos olhara para a imensidão do céu, a energia que estava sentindo no momento, era ousada e ridícula. Sabia o que lhe esperava, isso tomou seu coração de deboche.

A gargalhada ecoou pelo continente, era abafada e esculpida pelo nariz. Era de intensidade tão poderosa que os pássaros faleceram, as plantas do gigantesco continente murcharam e com um estouro austero e as terras do continente tremeram diante do possuidor.

As montanhas rachavam, enquanto os rios secavam em um dia caloroso.

— Queimem! — Com um grito em meio às gargalhadas, todo o continente, absolutamente todo entrou em chamas, como um dia apocalíptico.

As centenas de regiões eram engolidas em fogo vivo, os milhões de cidades e aldeias eram assadas enquanto os povos estremeciam em medial ao ardor.

Todo continente tornara-se desértico, o próprio solo estava negro, queimado até onde era possível existir. O manto do causador flutuou junto com seu corpo, os cavaleiros agora caídos, eram queimados junto com a região.

Já á metros de distância do solo, um gigantesco cajado de madeira surgia em estalos fracos e a madeira era desenhada em sua mão. O corpo do cetro enfeitado em pedras roxas e brilhantes passava da anormalidade, seu tamanho extensivo superava até o seu instrutor.

Como o fogo que cobrira a terra, um balanço leve do cajado, toda a região foi ao êxtase, o oceano crescera de tamanho mais que desproporcional, engolindo totalmente tudo, toda a imensidão foi apagada dos futuros mapas.

Depois de concluir sua obra, Imifos com uma risada ecoante, ostentava sua malevolência, desaparecendo em um enxame de gafanhotos. Deixando ali, os peixes domarem toda a região.

...

O templo em meio à região oceânica do mundo cinzento decorava em uma ilhota todo aquele oceano enquanto o silêncio batia nos grandes pilares, atordoando o nada.

O jarro atolado em seiva era consumido aos goles. O homem de cabelo curto e castanho embriagava-se enquanto cheirava um pó estranhamente informal, de coloração prata.

— Pelo menos algo bom foi produzido nessa bosta de outros mundos — Indagava o homem, enquanto observava a imensidão.

— Resmungando sobre a antiguidade Ham? — O corpo majestoso sentava-se ao tapete no chão amarronzado, tão felpudo como pelo de um urso — Você está mal.

Ham observando as ondas salientes na ilha métrica, sua mão bêbada largou a taça que estilhaçara em encontro ao mármore, espalhando pela extensão.

— Ela, você veio! — A aparência anêmica e sonâmbula dava margem a um sorriso embriagado — Vamos lá, tome um vinho comigo!

— Sem bebidas, meu assunto é urgente — Como todos, Ham já não era um homem lerdo, já sabia dos acontecimentos e da presença aterrorizante — Precisamos de sua ajuda.

— Precisamos? — engasgando com mais uma taça de vinho, olhou em desvio para o oceano, a visão estava turva como a água — Rita? Não... Ela não terá minha ajuda.

— Oh! Pare com isso, ao menos tente ficar de pé para falar isso aos meus olhos — Com um chicote, Ham virou-se para Ela, enquanto seus músculos não se mantinham em pé, prontos para despencarem e hibernar.

— Ela criou isso, ela é culpada — Os passos desengonçados arrastavam-se pela cerâmica branca, manchada com leves filetes de vinho.

— Por ele aparecer, não, não foi — Com a face olhando para o chão, a paciência estava esgotada, recolocou o cabelo atrás da orelha e voltou a olhar para ele.

— Me deixe! Eu não quero, deixe que tudo acabe — Choramingando aos ventos gélidos, o mar tornou-se distante das órbitas dos olhos do embriagado — Me solte!

— Irei te levar a força, nem que tenha que quebrar seus braços — O vento entrelaçava ao corpo dos dois ali, ao ar. O corpo do forte homem foi domado com domaria uma criança, com um soco em meio aos olhos, Ham desmaiou ali, enquanto seu corpo seguia no ar, juntamente com Ela.

...

— Não temos a menor ideia de como derrota-lo, mas sei que teremos que fazer — Modre circulava a borda da taça cristalina com suas unhas longas, fazendo o cristal ranger.

O barulho crepitante das toras à chaminé ressoou novamente, duas fisionomias de fogo ganhavam forma ao tempo, enquanto todos se atentavam por quem seria ser.

— Aqui está o rato! — Segurando a gola de Ham, jogou-o no chão, deixando-o ali, em mercê de sono profundo — Consegui o convencer a caminho daqui.

— Ótimo, porém, estou esperando alguém chegar, acredito que ela se compromisse — Modre, agora mordia a taça de vinho, que aos trincos quebrava em seus dentes.

— E quem seria? — Ela voltou sua atenção para Rita, que ao canto dali, apalpava seu cajado em olhos fechados, utilizando de uma linguagem rúnica anciã.

— Soolfh — Modre soltou a taça que se posicionou no ar, afastando lentamente do seu portador em direção da lareira. Aos poucos, o vidro era derretido e quando deu escape ao vinho, o fogo tornou-se escarlate e ali surgiu Soolfh, conhecida também como “mãe”.

Sua manta amarelada cobria suas orelhas pontiagudas e traçava suas pernas. Soolfh não dizia palavras, nem era possível. Sua língua mutilada impedia-a de proferir expressões, seu pensamento era a única coisa a dizer aos seus aliados.

— Finalmente Soolfh — Modre abraçou-a em alegria, reciprocamente ela o mesmo fez.

— Temos cinco combatentes, isso não é sequer menos da metade do que precisamos — Ela pôs a mão na cabeça, seus olhos se tornaram pensativo, com um relance, olhou para Rita que s e mantinha no canto, ainda em meditação e conjuração.

— Na verdade temos seis — A voz saiu como labaredas de dentro da lareira, um homem de cabelos pratas e um corpo bem definido, bazofiava enroupado por um manto branco, que escondia sua armadura encobrindo somente seus braços e suas pernas, enquanto o restante era coberto em malha — Espero que a festa não tenha acabado.

— Hipnos — A mente de Soolfh desceu aos pensamentos dos demais com um sino — Achei que não viria.

— Mudei de ideia — O estalo em seus dedos, deram espaço à uma taça de vinho — Aliás, isso é um bom momento para encontrar velhos amigos.

— Ora, ora, se não é o meu galã — Com uma serpente, os olhos de Ela foram ao encontro de Hipnos, sexualmente, era um casal perfeito. — Ainda adoro essa sua abertura no manto, deixa seu tórax perfeitamente sensual.

— Esses seus elogios, são incomparáveis — Aproximando de Ela, Hipnos suavemente deu-lhe um beijo em uma de suas mãos.

— Tudo bem então seis, mas ainda é insuficiente — Modre interrompeu os dois, antes que se atracassem em amor — Precisamos de...

— Não temos tempo — Rita levantara-se do canto, sua manta voou quando ela se dirigiu a um dos livros, agarrando-o e voltando em direção aos Ancestrais — Ou é agora, ou perdemos todo o Limbo. Ele já destruiu um continente de um dos meus mundos.

— Então o que estamos esperando? — Ham acordara do coma alcoólico diário, sua voz paralisou todos ali, estava na hora.

— Preparem suas armas, não teremos muita chance, todos estão a par do perigo não estão? — Rita pressionou o livro, era difícil ver antigos aliados junto oura vez, mas para somente um momento; a morte.

Ali, em um silêncio, todos anunciaram em um alívio e preparo, desaparecendo como a luz.

— Aqui são as terras de Elir, Imifos ainda está aqui no mundo invisível — Rita, que mal surgira no local com os demais, jogou o livro ao chão, pensativa abriu em uma página específica — Eu lancei sobre esta área dez mil e quinhentos feitiços, todos de proteção, enfraquecimento e resistência a qualquer coisa. Porém não é nada comparado ao poder dele, lembrem-se dos riscos.

— Todos estão prontos — Ela foi à frente, próximo à Rita, sua mão segurava à adaga, enquanto pequenos ossos formulava em sua testa, dando liberdade a dois pequenos chifres de diabo surgir enquanto no final de sua coluna, uma cauda rasgava o tecido de sua fina roupa violáceo.

— Então vamos lá — O sorriso gélido de Rita, mostrava sua ansiedade, contudo regressou sua atenção ao livro — Venham ao encontro, criaturas do submundo, matem vossos inimigos e tragam a liberdade.

As palavras retiniram por todo o ambiente, do chão, centenas de criaturas ossudas escavavam o solo abaixo, procurando a tanta esperada realidade. Cavalos, humanos, bestas, todas mortas, trazidas à vida para o combate.

O levante foi rápido, os ossos estalavam com os movimentos, era libertador vir novamente à vida, mesmo estando morto. Com um sinal, os cavaleiros em cima dos cavalos ossudos, sacavam suas lâminas podres. Enquanto as bestas rasgava o solo, preparadas para seguir.

Com um sinal todas as criaturas ali, saíram em disparada, às criaturas sapatearam o gramíneo com as patas gigantescas, destruindo tudo que havia à frente, seu alvo estava há algumas centenas de metros dali, a sua energia era intenso desproporcionalmente, até o menor dos vermes sentia.

— Ficaremos com o céu — Hipnos estalou os dedos e uma carruagem prata surgiu como uma luz que transpassa ao céu, bazofiando qualquer item ali. Os cavalos blindados até o os dentes, refletiam a imagem da coragem. Ela e Hipnos saltaram para a carruagem, enquanto os cavalos trotavam, ganhando força para os céus.

— Eu e Soolfh estaremos acompanhando as bestas, somos rápidos — Ham tocou na Soolfh que gentilmente concordou enquanto seus cachos dourados eram levantados pelo vento.

— Tudo bem! Estaremos logo atrás, prepararemos algumas magias — Modre sentou-se junto à Rita, posicionando a meditação como sua parceira. As folhas dançavam enquanto os velozes corriam à velocidade monstruosa pela área aberta das folhagens rasteira.

A língua impronunciável sacada por Rita fazia-a iluminar ardentemente como o sol. A grama ao seu redor era arrastada pela presença erguida pelo seu poder.

O vento cobria seu corpo enquanto Modre ficava há alguns metros de distância, juntando as palmas, acumulando energia.

— Vamos lá, vamos acabar com isso — O corpo de Rita, iluminado em dezenas de cores, deu brecha a uma forte coloração azul — Nasçam meus bebês.

A terra enrolou-se nos próprios firmamentos, tremores acompanhava o ritmo do poder de Rita, dezenas de golens gigantes arrastaram pedras do chão, nascendo ali mesmo do barro.

As características individuais não eram nada comparadas aos tamanhos desproporcionais, superando quaisquer castelos.

Com lentos passos, talhavam caminhos como longos passos, deixando impressões na terra.

— Numerosos — Modre com seus olhos cintilantes fitaram para um dos golens que corriam em seguida dos outros — Mas... É muita energia para você.

— Estou apostando tudo — O cansaço era contraste do momento agora, a aposta em tudo, era o máximo que podia fazer para redimir-se com seus mundos.

Como um enxame de vespas, Rita e Modre seguiram à frente da batalha, preparados para o fim.

— Venham meus filhos — Os braços erguidos em cruz saudavam as diversas bestas ali, em meio a uma multidão de poeira.

Como a velocidade de uma estrela que se arrasta pelo céu, todos aqueles sons de trotes e corridas foram abafados nas mãos enrugadas de Imifos. Há quanto tempo não via tanto prazer nas criaturas que serviriam de alimento para sua fome insaciável? Era alucinante, mas para adquirir sua presa, tinha que seguir os requerimentos; açoitou no chão com o cajado que surgira da terra como uma planta em nascimento.

Todo aquele silêncio absorvido pelo corpo tão magro quanto às vestes negras de Imifos, incorporaram em uma onda sônica, destruindo terras, árvores, rochedos e principalmente vários dos ossos ambulantes, os que restavam saltava na direção do demônio, como uma única esperança para continuarem a viver por mais alguns segundos.

— Peguem as espadas, tolos — O cavalo de Imifos fumegava a fumaceira pelas frestas queimadas, sua respiração dava passagem ao fogo, encardido na pele, o fogo explodiu, torrando a pele — Ataque, meu nobre amigo.

Os dedos passaram salientes pela face do cavalo, seus cascos pisoteavam nas criaturas como formigas, era rápido e incansável.

Toda cena de destruição era observada pelos antigos, o vento quente e cortante, passava entre os restos de terra pura que ali havia.

— Atacar! — Rasgando as cordas vocais, o som saiu como um pio de uma águia da garganta de Imifos, enquanto há alguns metros dali, os guerreiros traziam a esperança aos passos longos e rápidos.

...

Maravilhoso — O sibilo gentil atravessou a porta de madeira, cortando o vento — Esse poder...

Os olhos azuis profundos como cristais, davam passagem às íris avermelhadas, enquanto a pele firme em volta dos glóbulos era circundada de tinta rubra sob as pestanas.

Com um aperto profundo, a caverna borradora de luz, era o lugar perfeito para as satisfações do demônio que ali regia o comando dos seus servos.

— Milorde — Os músculos secos da criatura interrompiam seu gozar do momento, a besta fraca e emagrecida sustentavam os ossos, desenhando sob a pele vermelha, enquanto a cabeça oval dava espaço há dois chifres ondulares — O senhor das trevas retornou.

— Senti sua presença — Num murmúrio roufenho, as palavras redigidas ao servo, balearam sua mente. As unhas longas cortavam os lábios carnudos, inconformado e pensativo. — Servo traga-me um manto.

Os passos tortos da criatura correram pelo corredor, ecoando nas estruturas gélidas e compactas.

— Hoje... Meu corpo será doado — Massageando os olhos pequenos, retirou suas vestes enriquecidas. Ouro, prata, diamantes, nada mais fazia parte dele. Somente em com trapos normais armou-se em proveito alcançou sua espada recostada no trono marmóreo.

— Aonde achas que vai? — A silhueta nas sombras vinha da serpente rodeada no trono — Milorde onde pensa que vai?

— Esse é o meu fim — Respondendo a grosso modo, o homem afastou os objetos dourados com o pé, tirando do seu caminho — Imifos retornou e eu lutarei ao lado de quem seja para impedi-lo.

— Meu senhor, deixe que eles morram, não vá, seu reino precisa de ti — A cobra sibilava com um chiado forte, seu temor era compreensível. As palavras eram ignoradas enquanto a criatura vestia seu senhor, com o manto branco.

— Meus dois melhores servos, hoje, você tem domínio sobre meu império, cuide dele como cuida da sua vida.

— Meu senhor não — A voz fina e engastada da criatura choramingava aos soluços.

— Não sou mais seu senhor, hoje, me chamem pelo nome — Recostado na porta de ferro, abria-a lentamente — Jorge.

Ali, Jorge saiu pela porta, recoberto com o manto velho, pronto para a morte.

Notas finais
O desenvolvimento fica seguido por Silêncio. Obrigado por lerem até aqui e não esqueçam de continuar na outra fic s2
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.