Evolução X - Livro I: Guerra Mundial
11 A Verdadeira Face
Notas iniciais
Passos ecoam por uma sala subterrânea vazia, com o piso úmido e liso, fazendo um som característico e insuportável para os ouvidos mais sensíveis. Três pessoas vão em direção a uma enorme porta que mais parecia com a de um cofre, que estava entreaberta, e permitia que uma leve corrente de ar passasse e entrasse em contato com as suas faces. Os pensamentos deles eram voltados a um único objetivo, objetivo a qual foi imposta pela decisão em que eles acreditam que será para o bem de seus ideais. O líder deles, que toma a frente, concerta sua enorme capa de veludo vinho negro, que flutua com suavidade na direção da brisa, tão suave e impactante quanto uma onda perfeita. Ao seu lado direito, uma mulher de pele em um tom azul, coberta por escamas que lhe fazia alvo de criticas e preconceito quando jovem. Ao outro lado, uma outra mulher, essa, de pele rosa e olhos verdes, com uma linda trança que percorria por suas costas. O homem para, e olha em direção a mutante, que retira um cristal de uma pequena bolsa que carregava em suas costas, e fazendo-a ficar roxo claro e jogando no ar, criando um portal no tamanho ideal para os três, que é anunciado com um som característico. O trio de mutantes passa pelo portal, que desaparece em seguida, deixando o mesmo som que anunciara sua chegada.
Fabrica abandonada, 20h15 da noite...
—São muitos. – gritou Jhoan correndo para trás de uma caixa de ferro onde Kevin, Crist, Ciclope e Tempestade estavam escondidos.
—Obrigado por nos alertar, senhor obvio. – zombou Kevin revirando os olhos, antes de levantar e disparar uma rajada de fogo contra purificadores que disparavam contra eles.
—Pensei que pessoas como essas não existiam mais. – falou Crist.
—Sempre haverá. – Ciclope disparou uma rajada óptica contra um purificador que se aproximava. —Enquanto nós existirmos, pessoas que pensam como essas brotarão de todo lugar para te criticar e dizer que você é uma aberração e que não deve viver.
—E porque não acabamos com todas elas de uma vez? – perguntou Kevin, fazendo Ororo olhar para ele. —Temos poder suficiente para fazer isso.
—Por que isso não é o certo, Kevin. – colocou a mão sobre o ombro do garoto que olha para a mesma. —Mesmo que pareça ser justo e o mais fácil. Nem sempre o que parece ser justo é o certo. Acho que é isso que o Professor quer ensinar á vocês.
—Ok. – interrompeu-os. —Vocês querem acabar com isso de uma vez?
Tempestade sorri para o amigo, e ajeitando sua capa, ela olha para o céu com os olhos brancos, fazendo um raio atravessar o teto como se fosse papel, e caindo próximo aos Purificadores, levando-os ao chão. Aproveitando, ela sai de trás da caixa, flutuando com as mãos estendidas e a cabeça em direção ao céu, que se fecha. Ela lança uma forte corrente de ar, que desce do céu, e passa por ela, fazendo sua capa dançar no ar, acompanhando os movimentos de suas perfeitas mechas de cabelo. Todos eles são empurrados pelo vento, apenas dois Purificadores, resistindo à ventania, apontam a arma para a mulher. Ciclope levanta e dispara contra um deles, já Crist corre e deslizando no chão, da uma rasteira no outro, que cai e fica rendido pela garota que sobe sobre seu corpo, segurando o colarinho do uniforme do Purificador e apontando o punho fechado para seu rosto, os olhos dela ficam negros e ela dá um forte soco que chega a atravessar o corpo do homem e tocar em sua alma, fazendo-o gritar de dor. Ela se levanta e ajeita seu cabelo, dando uma piscadinha para Jhoan que a olha boquiaberto.
—Presta a atenção, mano. – tirou-o do transe. —Ou vai levar um tiro na cabeça. E eu não posso ficar viúvo agora. – riu.
Jhoan consente com a cabeça para Kevin, junto de um leve sorriso. O mexicano junta suas mãos, formando um apoio para que Kevin colocasse seu pé esquerdo, sendo lançado para cima, dando um mortal, passando por um portal que aparece e saindo por outro por trás de um Purificador, que leva o chute de Kevin em sua cabeça.
—Boa mano! – lançou uma piscadinha para Jhoan.
Gotas de chuva caem sobre Kevin, que fica em transe, olhando para cima e vendo as pequenas gotículas de água descerem do céu e caírem sobre seu rosto. Ele fecha os olhos, e repetindo o que aprendera com Ororo, ele consegue manipular a água da chuva, fazendo um chicote e atingindo rapidamente o corpo dos inimigos, cortando-os, que caem ao chão. Ororo e Ciclope colocam a mão sobre a cintura e se entreolham com um sorriso aprovador, que em seguida direciona para Kevin.
—Gente... Isso são Sentinelas!? – gritou Crist, apontando para o robô que surge entre enormes prateleiras de metal.
—Ótimo. – ironizou. —Temos que tirá-los daqui, Ororo.
A mulher de cabelos brancos olha para Crist que se vira para os sentinelas e fixa os pés e fazendo uma posição de ataque, abaixando a cabeça, e erguendo-a com os olhos novamente negros e a pele pálida, com veias visíveis por todo o corpo e seus cabelos que antes castanhos claros, agora pretos. Ela estende as mãos para as prateleiras, que começam a chacoalhar e depois voam em direção as maquinas que são derrubadas.
—Telecinese?! – indagou Jhoan.
—Gostou? – respondeu enquanto retornava ao normal. —Aprendi umas coisinhas com a senhorita Grey.
—Bom trabalho. – elogiou Scott. —Mas você não as destruiu!
As prateleiras derrubadas começam a se levantar, revelando os olhos amarelos brilhantes que eram usadas para localizar mutantes. O primeiro a se por de pé já aponta o centro de sua mão para o grupo que começa a correr enquanto os disparos eram lançados.
—Engano meu ou esses não são iguais aos que enfrentamos na fabrica abandonada? – falou Jhoan enquanto corria.
—Não são, esses são do modelo mais antigo de sentinelas. Depois da proibição da criação desses monstros, eles devem ter guardado alguns para ocasiões especiais. – explicou Ciclope pondo-se atrás de uma prateleira e fazendo sinal de silencio para os demais que também se escondem.
—Viu Jhoan! –sussurrou Kevin. —Somos importantes. – riu.
—Não sei se esse tipo de importância é a que eu quero. – entrou na brincadeira do amigo.
—Jhoan, que tal você fazer sua mágica e nos tirar daqui. – sussurrou Crist.
—Se você quiser chamar a atenção deles.
—Não vai fazer diferença, vão nos achar mais cedo ou mais tarde.
Ao terminar a frase, um sentinela coloca a mão na prateleira onde Crist estava escondida, passando e vendo-os, acendendo seus olhos e disparando contra eles.
—Eu disse. – falou Crist ficando intangível e protegendo Ororo e Jhoan que estavam próximos á ela. Enquanto Kevin levanta uma placa de terra que protege á ele e ao seu líder.
—Senhor, me permite demonstrar minhas capacidades mutantes? – pediu em um tom sarcástico para Scott.
—Claro. – Ciclope ri. —Por que não?
O jovem espera a hora certa e sai de trás da placa, ficando de frente aos Sentinelas, ficando em modo de ataque, fechando os punhos e franzindo o cenho para as maquinas que andavam em sua direção, enquanto os demais iam para outro local. O jovem respira fundo e fecha os olhos, esperando os sentinelas se aproximarem. Assim feito, ele ergue a cabeça olhando com os olhos brilhando para os robôs enquanto flutuava em torno de um redemoinho que surgira, atirando rajadas de fogo e jogando as prateleiras sobre eles. Jhoan aparece e cria um portal bem aonde uma sentinela iria pisar com seu enorme pé de metal, ficando preso, enquanto Crist a atravessa, arrancando alguns fios que o deixa em pane. Kevin ainda voando manipula as gotas de chuva que caiam sobre ele e faz uma estaca de gelo maciça que atravessa o centro do robô, sobrando apenas duas. Scott dispara uma rajada bem no meio da cabeça da maquina que explode e cai sobre a outra. Ororo, para finalizar, faz um enorme raio cair bem aonde as maquinas estavam, destruindo as já derrotadas e aquela que se esforçava para levantar.
—Ótimo trabalho garotos! – a mulher elogiou enquanto o céu sobre eles voltava ao normal. —Vocês têm futuro como equipe.
Os três se entreolham, contentes com o elogio que recebera.
—Ela tem razão, mas agora temos que sair daqui, eu não acho que só exista um grupo de Purificadores nessa região.
Jhoan não espera pedirem e já abre um portal que continha a imagem do Instituto, aonde eles adentram. Ciclope, Kevin e Jhoan passam primeiro, restando Crist que fica imóvel por um tempo, observando seu reflexo que a olhava diferente. A imagem que via de se refletindo em uma poça d’água sorria maliciosamente para ela, mas a mesma não demonstrava aquilo.
—Está tudo bem Crist?! –indagou Ororo.
—E-estou. –tornou a olhar para seu reflexo que volta ao normal. —Estou sim.
Ela sorri para tutora e ambas passam pelo portal que se fecha em seguida.
Casa Branca... Washington, 20h55 da noite...
O presidente estava em sua sala sozinho, resolvendo assuntos importantes com outros líderes mundiais por uma câmera e uma tela que mostrava os demais líderes. Um brilho roxo claro da clareza a sala escura que era clareada apenas pela luz da tela em que falava que desliga no mesmo instante.
—O que é isso? – espantou-se já colocando o dedo sobre um botão vermelho de alarme que ficava escondido abaixo da mesa.
—Não precisa se apavorar, senhor Presidente. – falou uma voz familiar.
—Khan?! – esforçou sua vista para vê-lo. —O que está fazendo aqui, estou muito ocupado.
—O que é isso, caro amigo? – foi se aproximando dele enquanto o portal de onde vira permanecia aberto. —É assim que trata um aliado?
Um homem passa pelo portal logo atrás de Khan, que olhava para o Presidente com um sorriso e um olhar obscuro que lhe trazia calafrios por todo o corpo.
—Não se surpreenda Imperador Khan... – aproximou-se de ambos. —Toda essa raça é de traidores sujos, que tem de maior uso apenas o interesse egoísta e a ignorância social. Não passam de um mal da evolução biológica que deveria ter sido deletada dos bancos genéticos.
—Tenho que concordar com você, caro aliado. – sorriu para o visitante. —Nossa, que falta de educação a minha. Esse é Eric Lehnsherr, mais conhecido como Magneto.
—Acho que já deve me conhecer pelos jornais. – usou seu poder sobre o relógio no braço do Presidente para impedi-lo de apertar o botão do alarme. —Não é irônica a vida? A casa que deveria ser mais bem guardada do mundo, é invadida facilmente sem serem vistos. – provocou o homem que o olhava de soslaio. —Mas não posso levar todo o credito, quero que conheça a beleza da natureza que nos permitiu chegar até o senhor. – estendeu sua mão para uma mulher de pele rosa que saia do portal. —Essa é Blink, sua mutação á permite criar portais para qualquer lugar e dimensão. Incrível, não? Já essa outra donzela que está apontando uma arma com silenciador para sua cabeça, é a Mística, seus poderes lhe permite mudar sua forma para qualquer ser com forma humanoide, ela poderia substituir facilmente qualquer pessoa de alta importância na sociedade, como por exemplo, o Presidente.
O homem sentado na cadeira atrás da mesa suava frio de medo diante o que acontecia. Era nítido em sua face o estado em que ele estava. Suas mãos e pernas tremiam e ele apenas sussurrava por misericórdia.
—Não há motivos para ficar apavorado, meu amigo. Estamos aqui apenas para lhe ajudar, caso algo aconteça com o senhor e ninguém possa tomar seu lugar para resolver assuntos de alta importância, tais como, a aprovação de novas Sentinelas que estão sendo criadas secretamente bem debaixo de seu nariz. Não seria lindo, sua raça passando pelo que todo mutante passa desde que seus poderes florescem? Sentinelas andando pelas ruas á procura de todo ser imperfeito que não apresente o gene X dominante em seu DNA. Escolas, hospitais e domicílios sendo invadidos por soldados mutantes á procura de qualquer humano que esteja fugindo de seu destino. – alterava á voz enquanto machucava o braço do refém com o relógio que forçava seu braço. —Acordar todo o dia e ver na tevê que o numero de sua raça diminui á cada minuto. De saber que você é ridicularizado só por ser diferente do que a sociedade impõe. – parou para respirar fundo e se acalmar. —Esse é o meu sonho, senhor Presidente, e como já demonstraram diversas vezes, que o meu sonho de meu povo viver em paz sem sentir medo não pode se realizar com a coexistência humana e mutante. Uma delas terá de deixar de existir. E eu garanto que não será a minha.
—Que interesse você tem sobre isso, Khan? – esforçou-se a dizer enquanto seu braço era torcido com a força que era empunha sobre seu relógio.
—A mesma que a dele. Minha raça sempre admirou o homo superior. Sempre invejamos a incrível capacidade de simples seres se tornarem deuses após certa idade. Seres assim em nosso planeta seriam adorados como seres superiores, como eu mesmo descrevi: como deuses. – disse com um sorriso debochado sobre o rosto.
—Mas... E os DX?
—Os DX? – riu. —Aquela foi uma das primeiras raças que destruímos.
—Acho que não é com eles que o senhor deve se preocupar. – Mística apavorou-o com sua voz rouca.
—Magneto, temos que nos apressar, acho que notaram nossa presença. – sussurrou Blink que vigiava pela janela.
—Não se preocupe minha cara, o nosso querido Presidente ira contornar a situação. – ironizou Magneto enquanto olhava no fundo dos olhos apavorados do único humano presente na sala.
Magneto consente com a cabeça, permitindo que Mística disparasse contra o Presidente, que cai jogado sobre o carpete da sala após ser atingido em sua cabeça por uma bala silenciosa.
—Blink, dê um jeito no corpo. – ordenou Magneto. —Mística, minha querida, sabe o que tem que fazer.
Ambas as mulheres cumprem o que lhe foram imposto. Blink lança um cristal com energia de um portal no corpo do homem, que desaparece. Já Mística, assume a forma do Presidente, se assentando no lugar de que pertencia ao falecido Presidente.
—Você sabe o que tem que fazer. – alertou Khan para a mutante.
—Não se preocupe. Eu fiz o dever de casa. – disse seriamente.
Magneto e Khan passam pelo portal que fora criado por Blink, que logo após passarem, desaparece. No mesmo instante, um segurança abre a porta da sala.
—Está tudo bem com o senhor, Presidente? – perguntou enquanto vasculhava a sala.
—Claro, por que não estaria? – disse com toda tranquilidade possível.
—Não é que... Desculpe-me, pensei que tinha ouvido algo. – desculpou-se saindo da sala, que volta a ter a claridade de início.
A mutante aproveita para retornar a sua forma original, acomodando-se na cadeira e cruzando as pernas, dando um leve giro na cadeira rotatória e esbanjando um sorriso maligno que estava fixado em seu rosto.
Continua...
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