Evolução X - Livro I: Guerra Mundial
9 Decisões Pt.II
Notas iniciais
—Anya... Não deixe que isso a controle. Seus poderes são uma extensão de você, não o inverso. –falou Professor em um tom alto enquanto resistia aos impactos que eram lançados contra ele.
A garota começa a flutuar sobre a maca que se desmancha embaixo dela. Cadeiras, prateleiras, mesas e outros são lançados para longe, enquanto objetos menores flutuavam em seu torno, cobertos por uma energia branca.
—Professor... Me ajude. – gritou a garota.
Kevin corre no corredor olhando de sala em sala até encontrar uma em que Scott e Jean lecionavam.
—Jean! Preciso de sua ajuda... Imediatamente. – disse pausadamente, tentando recuperar o fôlego.
—O que houve? – perguntou a ruiva.
—Professor... Anya... Enfermaria. –explicou ofegante, colocando as mãos sobre os joelhos.
Andar de cima...
Jhoan encontra com Phoebe que estava em seu quarto com suas irmãs.
—Graças a Deus eu as encontrei! – aliviou-se.
—Oi gatinho, entre. – falou Phoebe se levantando e dando um beijo em Jhoan, puxando-o para dentro do quarto.
—Não vai dar. –disse ofegante. —O Professor precisa de vocês três lá na enfermaria, agora.
As três gêmeas olham para o garoto, lendo sua mente e sem falar uma palavra, elas se levantam e correm até o local.
Kevin e Jhoan se encontram e ambos tomam frente, sendo seguidos pelos outros.
—O que houve?! –indagou Crist que esbarra em Jhoan.
—A Anya, venha. –gritou Jhoan enquanto corria.
Enfermaria...
Professor tenta se aproximar da aluna, mas é impedindo pelos diversos impulsos que eram lançados da mente da jovem. Sendo acertado por um bem forte, ele é lançado para fora da enfermaria. Scott e Kevin aparecem e o ajudam a levantar.
—Tudo bem Professor? – Ciclope o ajudou a levantar.
—Sim Scott. Mas Anya precisa de ajuda, a mente dela ta uma bagunça e os poderes dela estão formando uma barreira psíquica em torno de si. Precisarei da ajuda de vocês. – olhou para as quatro telepatas. —Nossas mentes combinadas serão o suficiente para atravessar a barreira.
—Então o que estão esperando? – apressou Kevin.
Charles estende suas duas mãos para lados opostos, Jean segura uma enquanto do outro lado, Mindee segura à outra e os demais se dão as mãos formando um circulo entre os telepatas que tentam ajudar a mutante. Kevin, Jhoan, Crist e Scott ficam esperando algum resultado, enquanto observavam o lugar se desmanchar em meio a uma enorme energia psíquica que se expandia cada vez mais.
—Está se aproximando. – exclamou Jhoan apontando para a onda psíquica que ficava maior e destruía as paredes da enfermaria. —Temos que sair daqui.
De repente a onda explode e todos são derrubados. Anya fica em meio a todos, circulando em torno de si mesma com os olhos brilhando fortemente enquanto seus cabelos loiros esvoaçavam em torno de um rastro de energia psíquica que a levitava. O lugar não era mais reconhecível. Os simples poderes dela de telepatia teriam se tornado um grande desastre. Scott acorda primeiro e retira alguns pedaços de concreto caído sobre Jean e Charles.
—Temos que acabar com isso de uma vez. – falou o líder ajudando sua noiva e tutor a se levantar. —Se ela continuar assim a escola será destruída.
—Ele tem razão, vamos fazer de novo. Mas dessa vez vocês três nós proteja enquanto estivermos na mente dela. – ordenou Jean.
—Ok. – disseram em um uníssono.
Os telepatas repetem a façanha. Kevin toma frente dos três e de cara já levanta uma parede de terra em sua frente, salvando-os de serem acertados por um disparo psíquico. Os cinco telepatas conseguem adentrar na mente da jovem mutante. Sendo levados a um lugar obscuro e caótico, como uma cena de guerra. E ao fundo, a imagem de uma menininha que estava abaixada, com os braços entrelaçados sobre suas pequenas pernas que estavam tremulas.
—É ela! – exclamou Celeste.
—A personalidade jovem dela assumiu o controle de suas lembranças, por isso essa bagunça. Ela não consegue desenvolver-se, pois está presa ao passado. Temos que dar um jeito de apagar essa parte dela. – falou Professor olhando para a garota.
Ao terminar a frase, a garota se vira para eles com os olhos brilhando e joga rajadas psíquicas pelas mãos, que são defendidas por um campo psíquico criado por Jean que toma a frente deles. A garota ruge como um leão e corre em direção a eles, que desviam do local. Mindee e suas irmãs fazem um ataque em conjunto, criando uma enorme cúpula em torno da garota, que diminuía e destroçava tudo o que passava por cima.
Enfermaria...
—Como ela pode estar em uma luta psíquica e corporal ao mesmo tempo?! –indagou Jhoan abaixado atrás do muro de terra.
—Eu não sei, mas faça menos perguntas e lute mais. – falou Scott disparando uma rajada contra Anya que não faz nenhum efeito sobre ela.
—Ei! –reclamou. —Não a machuque.
—Calma Kevin. Só estou tentando cansá-la.
—Eu posso cansá-la. –dispôs Crist a ajudar.
A garota fica intangível, atravessando a placa de terra de Kevin e indo em direção á Anya, na intenção de possuí-la, mas a barreira que Anya havia criado á protege, e Crist cai inconsciente ao chão. Três feixes de luz saem do corpo de Anya e se dissipam no chão, formando clones de energia psíquica dela, que vão em direção aos três de pé. Kevin olha sobre o muro e se assusta, colocando a mão sobre o muro e saltando-o, e com a mão que ele segurava, ele arranca um pedaço e lança contra um dos clones que não reagem ao ataque.
—Ótimo. – falou Jhoan em um tom sarcástico, enquanto criava uma katana de energia e passava por um portal que criara á sua direita, aparecendo ao lado de um dos clones, enfiando a katana em seu peito e a destruindo.
—Gostei disso! –elogiou Ciclope. —Me passa uma.
Jhoan cria outra katana e joga para Scott que a pega no ar, colocando ambas as mãos sobre a arma e esperando umas das psíquicas se aproximarem, cortando-lhe a cabeça que se desmancha no ar.
—Isso foi cruel! – zangou-se Kevin fazendo movimentos com as mãos, criando um redemoinho em torno do ultimo clone e a comprimindo até explodir em vários brilhos cintilantes. —Pegue a Crist antes que ela vire pó.
Jhoan que estava mais perto joga a katana de energia em Anya, que a para no ar, desmanchando-a em pequenas partículas de energia. Zangada, ela usa sua telepatia e ataca Crist, fazendo-a gritar de dor.
—Crist! –gritou Jhoan vendo a garota se contorcer de dor no chão.
Na mente bagunçada de Anya...
A imagem da menininha está quase sendo destruída, quando faz um movimento com a mão e reverte a cúpula em volta das gêmeas, prendendo-as.
—Não se esquecem que aqui é a minha mente. – falou a menina com uma voz duplicada e um olhar maligno sobre um sorriso que se formava.
Ela desaparece e retorna próxima de Charles, dando-lhe um soco e sendo derrubada por um ataque de Jean. A garota rosna e solta um grito, acelerando a cúpula em torno das gêmeas, que são destruídas e sendo retornadas para seus respectivos corpos, que caem ao chão.
—Parece que somos só nós duas agora. – provocou a garotinha. —Não por muito tempo.
Os braços da garota se formam patas de um tigre com garras enormes que vão sobre Jean que cria um escudo que é trincado. Professor desperta e ficando de pé lança uma rajada psíquica que derruba a menininha.
—Vamos fazer isso juntos. –deu-lhe sua mão para a ruiva.
Ambos fecham seus olhos e estendendo suas mãos vagas em direção a menina que começa a gritar e se desfazer aos poucos, eles aumentam a potencia, sendo o suficiente para destruir a garota que some em meio a um grito desesperador. O lugar caótico se torna um lindo e enorme campo com flores por todas as partes, com gramas verdinhas com gotículas de água junto ao solo úmido, o céu azul com um lindo e esplendoroso sol que irradiava seu brilho sobre a face dos visitantes. Ao horizonte eles avistam Anya caída em meio às flores.
—Anya! –despertou a garota. —Anya, é a Jean, acorde.
A mutante abre seus olhos, forçando-os pelo brilho do sol, e na mesma hora seu corpo cai ao chão, sendo pega nos braços de Kevin que olha para ela que sorria e sussurra algo. Os objetos que flutuavam no ar caem junto com ela, já Crist desmaia após o ataque, Jhoan vira-se para Phoebe que estava ao chão, e entra a garota desmaiada para Ciclope, indo até sua namorada.
—Que bom ti ver novamente! –sorriu Anya ao ver Kevin.
—Eu também. –abraçou-a.
—Crist?! –viu a amiga inconsciente. —Eu fiz isso?
—Na verdade... –calou-se.
—Não se preocupem, vou levá-la para o quarto dela. –disse Scott.
—Tudo bem, amor? – perguntou Jhoan ajudando Phoebe a se levantar.
—Eu to, mas meu ego não. – resmungou. —Perder pra uma novata inexperiente. Tem algo de errado comigo.
—Não tem nada de errado em perder às vezes. –riu. —Faz até bem.
—Diz isso por que você é um fracassado. –revirou os olhos. —Mas é meu fracassado. – abraçou-o jogando seus braços sobre o pescoço do garoto e o beijando.
—Precisa de algo, Anya? – perguntou Jean.
—Não, obrigada. –sorriu. —E me desculpem pelo o que houve.
—Eu que deveria me desculpar. –pronunciou-se. —Eu deveria ter lhe ensinado a controlar seus poderes. Eles estão florescendo, é normal, mas você precisa de alguém presente para lhe ajudar. Me desculpe por não cumprir o meu dever.
—Não fale isso Professor! –abraçou-o. —O senhor é como um pai para mim. Ajudou-me mais do que pensa.
Charles olha para a aluna que o encarava com um sorriso e olhos contentes enquanto segurava forte a mão do tutor.
—E você é como uma filha.
—Bem, acho melhor você subir e descansar. – sugeriu Kevin, colocando sua mão sobre a cintura da garota.
—Ele está certo, você tem que se recuperar. Acho que nós também. – falou Professor.
—Tudo bem.
Anya sai da enfermaria, sendo acompanhada por Kevin.
—Ela demonstrou um potencial de poder muito grande hoje. – sussurrou Jean. —Você acha que ela é uma...
—Uma Omega? – supôs. —Ela tem potencial, e seus poderes estão imensuráveis. Basta ela desenvolver um controle sobre eles, e como eu já disse a ela uma vez, ela se tornará uma grande telepata no futuro.
Kevin se despede de Anya á porta e ela toma uma ducha, encostando a cabeça na parede e aliviando a tensão que o dia lhe impôs. Tranquila ela sai do banho vestida com seu roupão branco e deita sobre sua cama, pegando fones de ouvido e ouvindo uma musica qualquer que passara em seu mp4. Ela retira os chinelos de seus pés e esfrega uns nos outros, esquentando-os. Horas se passam, já é noite, e uma Ferrari branca conversível passa pelos portões da mansão, estacionando em frente à enorme porta e saindo de lá, uma mulher loira, vestida com um roupão branco que cobria um top, uma pequena saia e uma bota de salto alto que ia até seu joelho, também da mesma cor. A campainha toca e Jean vai atender a porta.
—Emma?! – surpreendeu-se ao ver a mulher.
—Ola Jean! Ainda trabalha de babá nessa escola? – caçoou dela.
—O que você quer aqui? – enfureceu-se.
—Vim ver aquele gato do seu namorado. –provocou fazendo Jean semicerrar os punhos. —Brincadeirinha. Quero falar com o Professor, pode chamá-lo?
—Não dê mais nenhum passo. – alertou Jean se virando e indo em direção ao escritório de Xavier.
Jean chega ao escritório aonde Professor resolvia alguns assuntos com Scott.
—Professor, tem uma vaca... Digo, a Emma está aqui querendo conversar com o senhor.
—A Emma aqui? – perguntou Ciclope deixando alguns papeis de lado.
—Está, mas você não vai dar mais nem um passo pra perto daquela vadia. – zangou-se.
—Ele não precisa. – falou Emma aparecendo por trás de Jean. —Oi Scott!
—O-oi! – gaguejou com medo do olhar enfurecido que Jean jogava sobre ele.
—Pensei que havia dito pra ficar esperando á porta.
—Disse, mas você não manda em mim. Aliás, queria matar a saudade de alguns velhos amigos. –disse Emma lançando uma piscadinha para Ciclope que finge não ver, irritando ainda mais a ruiva.
—Emma, por favor, não procure confusão. – Charles a interrompeu. —Diga o que lhe trouxe até aqui.
—Vim oferecer uma generosa oferta de ajuda para uma aluna em especial. – falou Emma chamando a atenção das irmãs Stepford, que passavam por perto.
—O que está fazendo aqui?! – surpreendeu-se Celeste. —O que faz aqui?
—Filhas. – foi em direção á elas que recusaram um abraço. —Ingratas. Bom, como eu disse pro careca, eu vim atrás de uma aluna.
—E posso saber quem é essa tal aluna? – indagou Professor.
—Eu não sei bem o nome dela, mas... Ah, aí está ela! – avistou Anya que descia as escadas ao lado de Cristiane.
—Me desculpa por hoje mais cedo. –desculpou-se.
—Tudo bem. Eu já estou melhor, só uma dorzinha de cabeça. –Crist colocou a mão sobre a testa.
—Anya? – falaram as gêmeas em uníssono.
—Me chamaram? – perguntou a garota que já chegara ao final da escada e escutara seu nome.
—Anya? Que nome lindo! – alegrou-se ao vê-la.
—Me desculpe, mas você é?
—Emma?! – espantou-se Crist ao vê-la.
—Crist! – cumprimentou. —Há quanto tempo.
—De onde se conhecem? – perguntou Anya.
—De um antigo trabalho meu. – diz fazendo Anya arquear uma de suas sobrancelhas. —É uma longa historia. Outro dia eu te conto. Mas o que você quer com Anya?
—Agora sou diretora da Academia de Massachusetts Para Mutantes Psíquicos, e vim oferecer ajuda para ela controlar suas novas habilidades.
—C-como sabe que eu desenvolvi novos poderes? – indagou Anya.
—Um aparelho que criei. – olhou de soslaio para Professor. —Para localizar novos mutantes. Eu estava checando a maquina quando seus poderes chamaram a atenção como um nível Omega incompleto.
—Que criei. –sussurrou Jean imitando a voz da loira, revirando os olhos.
—Não há motivos para sussurrar, fofa. – falou Emma virando para Jean.
—Fofa é a sua mãe, vaca. – forçou um sorriso.
—Meninas. – chamou a atenção de ambas. —Emma você quer propor uma vaga na sua escola para uma de minhas alunas? Não entendo a necessidade disso.
—Charles, você tem que admitir que com tantos alunos você não pode dar atenção especial a todos. Já com minha escola recém reformada e com poucos alunos ainda, poderei ajudá-la o quanto precisar.
—Temo que tenha razão, mas essa escolha não é minha. – disse Professor olhando para Anya.
Anya olha para cada um deles. Mesmo sabendo que o melhor para ela era ir com Emma, ela não parava de pensar em Kevin. Os olhos da garota enchem de lagrimas e ela se senta em uma cadeira atrás de si, colocando as mãos sobre os olhos.
—Anya, você não precisa ir se não quiser. – disse Jean colocando a mão sobre o ombro de Anya.
—Eu sei disso Jean, mas o problema é que eu quero ir. – falou a russa com uma voz chorosa.
—Pois então venha comigo. – Emma estendeu a mão para a garota que olhou para ela.
—Eu disse que eu quero ir, mas, me desculpe, eu não posso. – levantou-se e subiu as escadas correndo deixando-os para trás.
—Ela está deixando uma grande oportunidade por um namoradinho qualquer. – bufou Emma.
—Você diz isso Emma, porque nunca amou alguém de verdade. – provocou.
—Engano seu querida. Infelizmente eu já amei alguém sim, e não foi uma boa experiência. – virou o rosto. —Mas por que estou lhe falando isso? Mindee, Celeste e Phoebe, se quiserem ir comigo, preparem as malas.
—Só iremos se a Phoebe for. – falou Mindee sendo apoiada por Celeste.
—E por que ela não iria? – exclamou Emma enquanto a gêmea saia em meio à conversa e subia as escadas.
—Por que ela também tem um namoradinho. – explicou Mindee enquanto olhava a irmã virar o corredor do segundo andar.
—Esse mundo ta perdido. – a loira sentou-se na cadeira revirando os olhos.
Minutos depois...
Phoebe bate na porta do quarto de Jhoan que abre logo após.
—Oi amor! – beijou-a. —Pra que essas malas?!
Phoebe o olha nos olhos e o abraça forte.
—Não me diga que... – Jhoan saiu do abraço e colocou as mãos sobre seus ombros.
—Me desculpa. – falou com uma voz fraca. —Apareceu uma oportunidade enorme para mim, e eu não podia recusar.
—Como não? Me desculpa, mas o que seria mais importante que nós? E não me responda se for algo relacionado aos seus poderes.
A loira não consegue olhar diretamente em seus olhos, passando a mão sobre as lagrimas que caia.
—Eu não acredito. – saiu de perto dela.
—Jhoan, me espera. – correu atrás dele agarrando seu braço, impedindo-o de ir. —Me escuta, por favor. Eu tenho que ir, com os ensinamentos da Emma eu serei uma telepata melhor e...
—“E” nada Phoebe. – interrompeu-a. —Você está trocando a gente por ganância de poder. Eu sei que é uma chance única, mas achei que aquelas palavras que você disse a mim tinham sentido. Mas agora eu vejo que você falou da boca pra fora. – retirou a mão dela sobre seu braço. —Se você quer minha permissão para ir, pode ir, mas saiba que você terá terminado o nosso namoro. — deixou uma lagrima cair, que logo foi desmanchada por sua mão, mantendo a pose de forte.
Phoebe tenta se aproximar dele, mas ele desvia, deixando um clima frio e estranho entre eles, diferente dos tempos que eles passaram juntos. Ela fica cabisbaixa e passando o dedo sobre algumas mechas de cabelo que caiam sobre seus olhos e colocando-os atrás da orelha. Limpando o rosto ela o ergue e olha-o fixamente, mudando o semblante, com uma expressão decidida.
—Adeus, Jhoan. – despediu-se pegando suas malas e saindo de perto de Jhoan que encosta-se à parede e escorrega até se sentar no chão, juntando as pernas ao corpo e abaixando a cabeça entre os joelhos e ficando quieto sofrendo em silencio.
Minutos depois...
Anya olha pela janela as Stepford entrando no carro junto de Emma. Kevin a vê de longe e se aproxima a abraçando por trás e cheirando seu pescoço. Ela desvia o olhar para a cena e dá atenção a Kevin.
—Ei Kev! – deu um leve sorriso que não encobria sua tristeza.
—Jhoan me contou o sacrifício que fez... Por nós. –sussurrou.
Ela desvia o olhar do dele e respira fundo, ficando cabisbaixa. Ele encosta sua testa junto da de Anya e segurando em suas mãos.
—Eu sei que quer ir, e eu não quero ficar entre você e seu sonho. –Anya levanta a cabeça e olha em seus olhos. —Não vai ser fácil pra mim, mas eu tenho que pensar em nós como um todo, sei que você terá grandes chances de desenvolver seus poderes lá, então... Bom eu acho que você nem precisava, mas como é importante pra você... Eu lhe permito ir. – desabafou com uma voz que mostrava que não era aquilo realmente que ele queria. O garoto não conseguia pensar em acordar um dia e não poder tocar em sua pele novamente, ou muito menos sua voz que o encantava sempre que ouvia.
—Kevin eu...
—Por favor amor, não ta sendo fácil pra mim. – virou-se para não deixá-la ver chorar. —Eu to tentando fazer o certo, mas se você não for eu... Eu... –calou-se.
Ela o vira de frente á ela e seca suas lagrimas, dando lhe um beijo no rosto, e sussurrando um leve “obrigado” em seu ouvido, abraçando-o logo depois. Os corações de ambos ficam como se alguém os espremiam, a única coisa que eles conseguiam era ficarem abraçados e confortando um ao outro.
Do lado de fora...
—O que está esperando? – perguntou Mindee para Emma que não partia com o carro.
—Esperem, ela vai vir. –disse olhando para a porta da mansão.
Anya esforça-se para descer as escadas com as malas, mas é auxiliada por Kevin que as levam até o carro. Jhoan desce as escadas pegando uma parte da camisa e secando o rosto. Crist corre até a amiga, dando-lhe um abraço.
—Não acredito que vai me abandonar. – sussurrou Crist ao ouvido de Anya, com uma voz de choro.
—Crist não faz isso comigo, por favor. Eu vou te ligar todos os dias, ta bom?
—Tudo bem. – redirecionou seus olhos para o chão com um sorriso triste e insatisfeito. —Vou sentir sua falta, sua vaca. –chorou.
—Crist. – abraçou-a novamente.
—Boa sorte, Anya. – desejou Jhoan.
—Obrigado. –abraçou-o. —Cuida do Kevin pra mim, por favor. – pediu Anya com voz de choro.
—Eu vou, não se preocupe. – sorriu apertando as mãos da amiga.
—Obrigado Professor, por tudo. – abraçou-o.
—Não tem que agradecer. – sorriu. —Espero que esteja fazendo a escolha certa. E me prometa que não mudará os conceitos que lhe ensinei. A Emma tem um modo diferente de usar seus poderes e eu não os aprovo.
—Tudo bem, eu prometo.
Anya vai em direção ao carro. Saindo, ela para e olha para a mansão, relembrando o tempo que passara ali, com Kevin, Crist e Jhoan, e até mesmo antes de conhecê-los. Ela vê a imagem de si ainda jovem entrando pela primeira vez na mansão, e sorri. Ela abre a porta do passageiro e olha para Kevin que a acompanhava á porta, seus olhos se encontram por poucos segundos e Anya mexe a boca falando sem som: “Eu te amo”, sendo respondida por um “Eu vou te esperar”. E entrando no carro, fechando a porta e colocando a mão sobre o pingente da pulseira que ganhara de Kevin, enquanto uma lagrima teimosa escorria pelo seu rosto pálido.
—Não fique assim querida! É a coisa certa. – falou Emma ao volante.
Kevin olha o carro partir e coloca a mão sobre seu cordão com o pingente que completava o da pulseira de Anya.
Fim da parte dois...
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