Notas iniciais
Anya e seus poderes passarão por mudanças, mudanças nas quais o destino dela junto de Kevin estará em meio a uma decisão que ela terá de fazer.

Uma menininha loira corre entre ruas escuras e molhadas de Moscou. Tropeçando em seus passos e com a respiração ofegante, ela olha constantemente para trás, fugindo de alguém. De repente ela entra em um beco sem saída e no muro em sua frente se forma as sombras de seus perseguidores, fazendo a garota ficar apavorada. Ela se ajoelha e coloca as mãos sobre os olhos que derramavam mais e mais lagrimas de medo. Os batimentos do coração acelerado da pequena abafavam o som dos passos dos homens que por trás dela se preparavam para atacá-la. De repente os olhos da garota brilham e ela se levanta, jogando um impulso psíquico que os lançam para trás. Um deles agarra um bastão de beisebol e bate na garota que cai e ficando desnorteada. Os homens começam a chutar a menina e preparar uma tocha e álcool para queimá-la viva. Ela recobra a consciência e esforça a vista para enxergar o local em sua volta. Prontos eles lançam a tocha sobre a garota que desvia e entra na mente deles, perturbando-os com seus piores pesadelos. Eles se ajoelham e imploram por piedade, a garota aproveita a situação e foge. Ela corre e tropeça, caindo ao chão e sendo tampada por uma enorme sombra. A sombra de um homem de terno e com um cajado de prata, com um sorriso enorme que a apavorava. Ele faz um sinal com o dedo e seus capangas aparecem e a carrega. Ela esperneia e tenta atacá-los, mas eles colocam uma espécie de colar em seu pescoço e a carregam até um camburão, com diversas outras pessoas com o mesmo colar.

—Não... Não. – gritava Anya enquanto rolava em sua cama. —Me deixem em paz, por favor, me deixem.

Anya desperta do sonho e ao gritar ela solta uma explosão psíquica que desarruma todo o quarto, chamando a atenção dos demais estudantes que saem de seus quartos e param em frente á porta dela. Kevin sai de seu quarto, apenas de cueca, e ao ver de onde vinha o alvoroço ele passa em meio á multidão.

—Anya? Anya, está tudo bem? – gritou apreensivo batendo constantemente á porta com força.
—Estou... Estou bem, não se preocupe. – disse com uma voz fraca enquanto barulhos de coisas se arrastando faziam os demais falarem sobre.
—Amor, deixe-me entrar, por favor. – pediu.
—O que houve? – perguntou Jhoan chegando arrumando seu roupão.
—A Anya. – resumiu. —Amor, por favor, deixe-me entr... – é interrompido pelo som das trancas sendo retiradas.
—Entre somente você. – falou á greta da porta, escondendo seus trajes íntimos.

Kevin passa pela porta e observa o quarto destruído.

—O que houve?! – indagou.
—Eu não sei dizer. – assentou-se na beira da cama, arrumando umas mechas de cabelo que caiam sobre seus olhos.
—Que tal me dizer. – segurou as mãos da namorada. —Pode confiar em mim.
—Eu sei que posso. – sorriu. —É que... Eu tive um pesadelo... Ou melhor, um vislumbre do passado. Uma cena que eu queria apagar completamente de minha mente, mas não posso, por fazer parte do que sou.
—Entendi. Após o acidente eu tive diversos pesadelos assim, e em maioria deles eu acordava com o quarto em chamas ou completamente congelado. Eu tive que aprender comigo mesmo a não deixar o meu passado trágico me controlar, e muito menos os meus poderes. Se quiser eu posso lhe ajudar.
—Não precisa amor. Eu já tive pesadelos desses antes. É só uma questão deu criar barreiras psíquicas mais fortes e resistentes. – forçou um sorriso alegre.
—Tem certeza? – apertou sua mão.
—Tenho. – beijou-lhe na boca. —Eu só queria que dormisse comigo.
—Claro. – aceitou de imediato.

Ela o abraça com força e deixando uma lagrima cair, ela sussurra em seu ouvido.

—É bom saber que tenho alguém que me ame de verdade. Você, Crist e Jhoan são a minha família.

No corredor do quarto...

—O que houve aqui?! – indagou Jean chegando junto de Scott e Professor.
—A Anya teve um pesadelo, mas parece que já está tudo bem. – explicou Crist.
—Vou falar com ela. – disse Professor entrando no quarto da garota e vendo os jovens abraçados.
—Professor! – avistou Anya.
—Está tudo bem?
—Agora sim, foi só um susto, nada para se preocupar.
—Tudo bem, acho que vou deixá-los a sós. Tenham uma boa noite. – despediu-se.

O tutor sai pela porta e pede para todos os jovens retornarem para seus quartos. Anya deita sobre a cama e Kevin deita em seguida, abraçando-a por trás, dormindo de “conchinha”. Ele desperta, horas depois, com a claridade do sol que toca sobre suas faces. Kevin se levanta e concerta a cortina, tampando a luminosidade e indo em direção a cozinha, retornando minutos depois com uma bandeja com café da manhã. Ele se assenta ao lado dela, colocando a bandeja sobre o criado-mudo e observando-a dormir. Ela abre os olhos lentamente, abrindo um sorriso.

—Oi amor!
—Oi, bom dia. – beijou-a. —Lhe trouxe o café da manhã. – entregou-lhe a bandeja.
—Nossa, que lindo! – disse pegando uma rosa que estava sobre um pequeno jarro de vidro, e cheirando-a.
—Pois é, fui até a cozinha e no jardim de cueca para lhe trazer isso. –brincou. —Você tinha que ver como as meninas estavam me olhando. Fiquei constrangido. –riu.
—Ah é? Depois você me diz quem são. – disse subindo em seu colo e aproximando seus lábios aos dele, provocando-o. —Que vou mostrá-las que você tem namorada.

Kevin coloca sua mão sobre a nuca de Anya, e a puxando, dando um beijo. Aumentando a intensidade dos beijos, ele a deita sobre a cama e sobe sobre ela continuando a se beijar, o garoto passa seu braço sobre a cintura da loira e a aproxima de seu corpo. Ela percorre suas mãos sobre as costas dele e seus cabelos, enrolando seus dedos nos cabelos loiros e lisos do namorado. Ele começa a beijar seu pescoço e ombro, suas respirações ficam intensas e Anya começa a ficar nervosa.

—Espera. – pediu.
—O que houve? – perguntou Kevin saindo sobre ela, que se levantava e vestia um roupão.
—Me desculpa, mas... Eu não to preparada. – desculpou-se, assentando em uma poltrona próxima á cama.
—Não ta preparada? Tudo bem. – falou se levantando da cama e ajeitando a cueca e tampando o volume com o travesseiro e sentando novamente.
—Não vai ficar com raiva de mim? – perguntou com uma voz dengosa.
—Amor. – levantou-se jogando o travesseiro sobre a cama, e se ajoelhando de frente a ela que estava sentada. —Não é porque você não quer transar comigo que eu vou ficar com raiva de você. – colocou sua mão sobre a face da loira, acariciando-a. —Vou esperar, para quando estiver pronta. Ok?
—Ok. – sorriu, logo depois o beijando. —Ai, tenho uma aula de Física com o Hank agora mesmo. – avistou o horário em seu relógio.
—Tudo bem, vou me arrumar também. – levantou-se. —Te vejo mais tarde.
—Até.

Kevin sai pela porta e vai até seu quarto, encontrando com Jhoan.

—Kevin?! Você... Tava até agora com a Anya? – perguntou Jhoan vendo o amigo ainda com os trajes no qual dormia.
—Sim. Por que? – abriu a porta de seu quarto, entrando e sendo acompanhado por Jhoan.
—Quer dizer que vocês... – supôs o mexicano.
—Não. – negou. —Ah cara, não era a hora dela, entendeu?
—Ata, então ela te fez ficar animado pra depois ficar chupando dedo. –riu.
—Pior que foi. –brincou. —Mas eu a entendo. E a amo, vou esperar o tempo que for.
—Claro... –assentou-se na cama enquanto Kevin pegava sua toalha e entrava no banheiro de seu quarto. —Mas quando acontecer, me diga, viu? – alterou a voz para que fosse ouvido.
—Não se preocupa mano, você será o primeiro. – riu.
—Bom mesmo. Vou descer agora. Vai à aula?
—Claro. Depois te encontro. – respondeu de dentro do banheiro.

Minutos depois. Anya sai de seu quarto e desce as escadas, indo em direção a sala de aula, na qual já estava atrasada. Enquanto andava ela ajeitava alguns livros e cadernos em torno de seu braço, sem dar muita atenção para seu caminho.

—Ai, desculpa. – desculpou-se após ter esbarrado em um aluno que subia a escada.

Ela abaixa para pegar alguns livros e cadernos que deixara cair e de repente sua vista fica embaraçada e ela se apóia no corrimão da escada. Colocando sua mão esquerda sobre o rosto e ouvindo as memórias de todos em seu torno. Jhoan que estava por perto nota a cena e vai a sua direção.

—Anya! Tudo bem com você?
—E-eu... Vou ficar. –esforçou-se a dizer. —Só preciso me sentar um pouco. – falou ainda de olhos fechados.
Jhoan pega o braço da amiga e coloca sobre seus ombros, ajudando-a a andar até um sofá ali próximo.

—Pronto, sente-se.
—Obrigada... Ai. –reclamou de dor.
—Vou chamar o Professor pra você. – disse dando alguns passos sendo impedido por Anya.
—Não precisa... – ela se levanta fazendo alguns movimentos com as mãos sobre a cabeça, tentando evitar as vozes em sua mente. —Eu vou ficar... –ela desmaia.
—Anya! – gritou Kevin que descia as escadas.

O jovem desce as escadas correndo e passando pelo tumulto que se formava em torno da mutante, já se preparando para socorrê-la.

—O que aconteceu com ela?! – perguntou Kevin apreensivo.
—Eu não sei. Ela estava tonta e reclamava de dores na cabeça, e de repente ela desmaiou. –ajudou o amigo a deitá-la sobre o sofá.
—Temos que levá-la até o Professor, ele saberá o que fazer.
“—Tragam-na para a enfermaria.” – falou Professor telepaticamente.

Kevin pega sua amada nos braços e Jhoan vai á sua frente, abrindo espaço para ele passar entre os diversos alunos. Chegando á enfermaria, o tutor sugere para que eles a coloquem sobre uma maca metálica que ficava em meio à sala.

—A mente dela ta uma bagunça. – falou após ter colocado suas mãos entre a cabeça da jovem.
—Ela vai ficar bem? – perguntou aflito.
—Os poderes dela estão evoluindo em um ritmo muito rápido, mas rápido do que ela pode controlar. – ignorou a pergunta do jovem.
—Mas ela vai ficar bem, não é? – repetiu.

O tutor sai de perto de Anya e vai pra próximo dos jovens.

—Eu prometo que farei de tudo para que ela fique bem. –respondeu colocando sua mão sobre o ombro do garoto que abaixa a cabeça. —Eu só quero que vocês vão atrás das Stepford e da Jean, elas poderão me ajudar.

Os jovens não esperam falar duas vezes e correm a procura das telepatas. Professor se volta para a jovem que de repente abre os olhos e solta um impulso psíquico pela mente, forçando Professor a colocar seu braço a frente de sua face, em modo de defesa, destruindo todos os objetos por perto, e provocando um estrondo que podia ser escutado por toda escola.

Continua na parte 2...

Notas finais
Mais um capítulo, espero que tenham gostado.