Evil Instincts
1 Old Friends
Notas iniciais
Esperamos muito que vocês gostem ♥♥

1816
Tudo o que se enxergava era uma repleta escuridão. Era quase que impossível escutar algum barulho que não fosse provocado pelo próprio local ou pelo vento, que soprava forte naquela noite. A imensidão escura mostrava claramente o caminho por onde Kurt Hummel precisava seguir: o caminho que levava até sua vítima.
Ele caminhava lentamente, observava todas as extremidades daquele lugar e prestava atenção em cada movimento que a pessoa em sua frente fazia. Sentiu a presença de uma outra pessoa e sentiu que a mesma também se movia lentamente. Ao se aproximar de sua vítima a viu ser fatalmente assassinada pelas mãos de uma pessoa envolta em preto, com um sorriso quase sádico nos lábios.
Era um homem. Um homem que tinha arrancado o coração daquele garoto problemático e tinha bebido o sangue diretamente dali. Foi naquele momento que Kurt percebeu que o rapaz era igual a ele e tinha a mesma fonte estranha de prazer. O rapaz também era um vampiro.
Sim, eles são vampiros e, aparentemente, os dois têm esse mesmo prazer específico de beber sangue diretamente do coração de suas vítimas. Por mais estranho que possa parecer, Kurt sentiu uma excitação percorrer seu corpo por ver aquele sorriso com dentes pontudos de onde pingavam gotas de sangue.
— Acredito que tenha bebido sangue da pessoa errada. – Kurt se aproximou do indivíduo. – Aquela era a minha refeição da noite.
— Perdoe-me, então. Pode beber do meu sangue se quiser, apenas aviso que diretamente do meu coração será um pouco difícil, já que o meu não bate mais. – O garoto tirou o capuz que envolvia seu rosto e permaneceu com aquele maldito sorriso no rosto. – Permita que eu me apresente. Me chamo Blaine Anderson. – E fez uma reverência.
Kurt começou a andar em círculos, pensando se poderia confiar naquele vampiro. Tinha que admitir que ele era uma criatura linda e sua aparência sombria e “vampiresca” o deixava ainda mais belo, caso fosse possível melhorar aquilo que poderia ser considerado uma verdadeira perfeição.
O Hummel deu a volta em uma árvore e percebeu que o olhar daquele moreno estava em si. Sua visão sempre ficava melhor no escuro, como se fosse uma lanterna para iluminar seu caminho. Na verdade, todos os seus sentidos aumentaram cem por cento quando ele fora transformado naquela criatura que é hoje, o que fazia apenas poucos anos. No início ele odiava, agora sentia que nem saberia mais como ser um humano.
— Eu me chamo Kurt... Hummel. – Falou simples, sem nem olhar para Blaine. – Não lembro de já ter te visto antes. De onde você surgiu? Não me diga que caiu do céu.
— Sou tão lindo para parecer um anjo que caiu do céu? É mais fácil perguntar se vim do inferno. – E assim o tal moreno prensou Kurt conta uma árvore. O menino de olhos azuis apenas riu sarcástico.
— Realmente. Fiz a pergunta errada. – Kurt permaneceu com seu sorriso, assim como Blaine, mas, ao contrário do moreno, só tinha mostrado seus dentes pontudos agora. – Mas, sem ser do inferno, de onde você veio?
— Brighton, Inglaterra. – Blaine falou ao se aproximar mais de Kurt, que parecia não ter medo do perigo que o Anderson poderia ser. – Você é daqui mesmo?
Kurt sentiu que não deveria mais responder qualquer pergunta que fosse feita, mas se sentiu incomodado com o ensurdecedor silêncio que se instalara entre os dois. Apenas o farfalhar das folhas, provocado pelo vento, podia ser escutado, junto com o som dos animais que habitavam aquela floresta.
Sim, Kurt era dali. Não daquela floresta, obviamente. Stratford, uma cidade com cerca de trinta e um mil habitantes, localizada no Condado de Perth, no sul da província de Ontário, no Canadá. Não é uma cidade muito grande, mas Kurt se negava a ir embora dali, já que nascera e crescera em tal lugar, na época em que podia ficar ao lado de sua família. Mas isso é história para outros momentos.
— Sou. – Foi a palavra que usou para responder afirmativamente para Blaine, que o encarou esperando por mais palavras. Tinha certa esperança naquele olhar, além de muitas outras coisas que poderiam ser indefinidas por outros que o olhassem, mas não para Kurt.
Kurt enxergava a morte ao olhar naqueles olhos e, ao mesmo tempo, enxergava vida. Enxergava dor e enxergava alegria. Enxergava uma mistura de sensações grandiosas que eram opostas umas das outras. Mas todas elas, por mais divergentes umas das outras que fossem, estavam inclusas ali por algum motivo. Isso era algo que Kurt não podia enxergar desse jeito, talvez só com uma boa convivência com Blaine.
Algo que estava fora de cogitação. Não queria passar mais tempo ao lado dele. Sentia que sua aura, que já era escura e horrível, apenas ficava mais sombria. Sentia que seus olhos ficavam mais escuros, sentia até que seus pensamentos ficavam mais mortais e impuros.
Impureza. Essa era a palavra que mais definia seus sentimentos perante Blaine. Queria fazer com ele qualquer coisa que lhe viesse em mente que desse prazer a ambos os meninos, sem se importar com a luxúria que carregava no olhar só por pensar nisso. Coisa que Blaine já tinha notado, apenas havia ignorado por hora.
— Vai dizer só isso? – Blaine perguntou colocando seu braço direito ao lado do corpo de Kurt, se escorando na árvore. Perto o suficiente para sentir o perfume doce do castanho, perto o suficiente para perceber que ainda restavam traços humanos nele. Perto o suficiente para sentir um enorme desejo de beijá-lo.
— Essa foi a sua única pergunta. – Kurt respondeu seco, estava começando a sentir por Blaine o mesmo desejo que eu citara anteriormente: um desejo perigoso de beijá-lo. – Acho melhor eu já ir embora.
— Por que ir embora tão cedo e perder a diversão?
Pelo sorriso que novamente estava estampado nos lábios do moreno e pelo seu olhar que refletia malícia, Kurt sabia que não era o único que estava com seus desejos ultrapassando os limites de sua sanidade. Sabia que naquela noite, onde conhecera Blaine, se entregaria devotamente a ele, sem reclamar nem um pouco por ser apenas uma diversão. Afinal, ele também queria aquilo.
E assim, os dois meninos se tornar o caso um do outro por muitos anos.
O único problema, foi que ao passar os anos, eles adquiriram uma competição entre os dois, uma competição um pouco demoníaca se querem saber. Praticamente disputavam para saberem quem seria o vampiro com mais vítimas em seus nomes.
Só que essa competição se tornou tão doentia, que eles não conseguiam nem mais ter aquela sua relação sem compromisso que costumavam ter e adorar. No final do ano de mil novecentos e cinquenta Blaine acabou voltando para Brighton, de onde preferia nunca ter saído.
2016
Vamos nos situar, pois dois séculos se passaram desde que Kurt e Blaine se conheceram. Nenhum dos dois mudou seus hábitos, eles apenas continuaram suas vidas como elas eram antes de se conhecerem. Queriam poder dizer que esqueceram da existência um do outro, mas era bem óbvio que não.
Eles eram praticamente inimigos, inimigos que uma vez dividiram a mesma cama e, como não dormiam, é bem claro o que faziam.
Sentiam falta de como tudo era antes de eles começarem com aqueles jogos ridículos de quem se alimentava mais por noite. Sabiam que a sede de ambos por poder era muito maior que sua sede por sangue. Até desejavam que não fosse daquela maneira, até que formavam um belo casal.
Mas nenhum dos dois estava interessado em um romance, amor, paixão. Apenas se interessavam por ir para a cama – ou não, dependendo – e matar o desejo que sentiam pela pessoa que os atraía.
E nisso eles tinham que concordar que um era o maior desejo do outro. Em nenhum momento depois que se conheceram foram capazes de encontrar alguém que os satisfizesse como faziam um ao outro. É, dessa maneira podemos até dizer que sentiam falta um do outro e não só das coisas que faziam juntos.
Blaine estava sentado no sofá, ouvindo uma música que tocava no rádio e tomando uma boa dose de seu whisky preferido. Era incrível que ele amava aquela bebida quase tanto quanto amava beber sangue. E ele amava beber sangue. Amava o poder de ser responsável pela morte de tantas pessoas. Simplesmente amava.
— Vi uma certa pessoa hoje que talvez te interesse. – Sebastian, melhor amigo de Blaine, sentou-se ao lado do moreno ao dizer aquelas palavras.
— Duvido muito que eu me importe com qualquer pessoa nesse mundo. Por que esse em particular me interessaria? – Respondeu rude de seu jeito habitual, levando o outro a revirar os olhos.
Sim, Sebastian também era vampiro, não há tanto tempo quanto Blaine, mas era. E não, não havia sido o moreno que havia o transformado, mas isso também não é história para o momento.
— Porque ele tem o cabelo castanho, pele bem clara e olhos tão azuis quanto o céu. – Sebastian disse simples.
Aquele sorriso quase sádico brotou na boca de Blaine após tantos anos sem aparecer. Então Kurt estava em Brighton? Por que o castanho tinha ido para a Inglaterra? Aquilo não fazia o menor sentido. Mas que o moreno havia ficado atiçado a ir ver o Hummel, isso ele tinha. E queria fazer isso o mais rápido possível. Isso se não tivesse escutado a frase seguinte de Sebastian.
— Parece que ele passou a noite inteira atacando por aí, porque eu e você estávamos aqui e eu encontrei treze pessoas sem coração na floresta. – Simplesmente soltou as palavras. Mas o sorriso de Blaine não se desfez, apenas aumentou.
— Ele que se prepare. Não estamos mais no Canadá. Esse é o meu lugar e ele terá que seguir as minhas regras.
Um silêncio se instalou enquanto aquele sorriso apenas aumentava e seus dentes cresciam. Ele precisava encontrar Kurt e precisava fazer isso agora. Não podia mais esperar.
— Vamos voltar aos velhos tempos então, Kurt... só que agora quem manda sou eu!— Pensou o moreno. Isso definitivamente não iria acabar bem.
Notas finais
Bjo ♥♥
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