Everything has changed
12 Capítulo 12
Ele chegou na casa de Elisa a cavalo. Elisabeta não estava no café da manhã e Jane inventou uma desculpa que a irmã tinha saído cedo, mas não parecia muito segura. Darcy acabou de comer e saiu atrás dela. Tinha tido uma péssima noite de sono. O carro ainda estava estacionado no mesmo lugar que Elisabeta tinha deixado e Darcy não estava com pressa de tirar, pois esperava que ela fosse querer mais algumas aulas de direção.
Quando estava amarrando o cavalo pra descansar, Elisa apareceu correndo, o rosto cheio de preocupação, uma cesta na mão e deu um abraço nele.
— Elisa, o que aconteceu? – ele já esperava pelo pior. Elisabeta ia terminar o relacionamento falso dos dois e ele teria que encontrar outra pessoa, mas ele não queria. Ele abriu a boca pra pedir desculpas por qualquer coisa, mas ela o interrompeu.
— Darcy, eu preciso conversar com você e é urgente e eu preciso que você me deixe falar sem interrupções tudo bem? – ela olhou pra ele desesperada. – Mas não aqui. Vou pegar o Tornado. Me encontre lá no morro. Dessa vez eu vou levar comida. – ela levantou a cesta pra ele.
— Elisa... – ele tentou argumentar, mas ela já estava correndo de novo.
— Lá no morro eu te explico tudo. – ela gritou, se virando pra ele, mas acabou tropeçando em um toco de madeira que ela teria desviado se não estivesse olhando pra Darcy, perdeu o equilíbrio com o peso da cesta e acabou desfalecida no chão.
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Quando Elisa voltou a si, ela só ouviu a voz de Darcy, implorando pra que ela acordasse.
— Vamos, Elisa, por favor acorda.
Ela tentou se localizar. Estava nos braços de Darcy, com uma dor horrível na cabeça. Quando ela se mexeu, ele beijou sua testa e suspirou "graças a Deus!"
— Você está bem? – Darcy queria saber.
— O que aconteceu? – ela perguntou, sem se levantar.
— Você tropeçou num toco, perdeu o equilíbrio. Tudo que você colocou na cesta se esparramou no chão. – ele falou baixinho, pra não assustá-la. – Rômulo já está vindo. Cecília estava saindo de casa e viu tudo.
— Eu fiquei apagada por muito tempo? – ela abriu os olhos e viu o belo rosto de Darcy acima do seu. Ele era tão lindo.
— Não, não... Mas você me deu um susto absurdo. – ele sorriu aliviado.
— Não se preocupe, Darcy. Não é nada, tenho certeza. – ela o assegurou. – E nós precisamos conversar.
— Eu sei disso, mas não acho que quero ouvir – ele começou a falar, mas foi interrompido pela chegada de Rômulo, que ajudou Elisabeta a se sentar direito. Darcy ficou apoiando suas costas, alívio dando lugar ao medo que teve de que algo mais grave tivesse acontecido.
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— Eu falei que não era nada, não falei? – Elisa disse para Darcy mais tarde, quando ele entrou no quarto dela com uma bandeja de café que dona Ofélia lhe entregou. Ela estava escorada na cama, com ordens expressas de descansar pelo resto do dia.
— Bom, não tinha mesmo como saber. – ele se sentou na frente dela, posicionando as guloseimas entre os dois. – Você caiu como uma fruta madura.
— Mas agora já estou bem. – ela reforçou. – E agora que você está aqui, acho que a gente pode conversar.
— Elisa, eu não sei se quero saber o que você tem pra me falar. – ele tentou desconversar, sem olhar pra Elisa. – Eu sei que você quer terminar o nosso acordo, mas eu não acho que seja a hora nem o lugar pra isso e agora que eu estou aqui eu quero realmente participar do casamento de Mariana e eu até posso conseguir alguém pra se passar por você no baile de dona Margareth, mas eu realmente...
— Eu te amo. – Elisa interrompeu seu monólogo.
— ... não acho que seria certo. – ele continuou, sem registrar ainda o que ela tinha dito. – Espera, o que?
— Eu te amo. – ela esperou uma reação do rapaz, mas ele estava olhando pra ela assustado. – Eu tentei te falar ontem de noite, que foi quando eu descobri que essa brincadeira nossa acordou sentimentos que eu tinha tentado esquecer. Mas eu fiquei sem coragem. – Darcy estava colocando a bandeja no chão, mas ela continuou a falar. – Ai eu tentei organizar um piquenique hoje, mas não deu muito certo, como você pode ver... – ela apontou pro pé machucado. –... e ai...
Elisa foi interrompida pelo beijo de Darcy e ela sentia como se estivesse voltando pra casa, uma pessoa quem diria, e não um lugar. E em casa, Elisa estava feliz. Até que ouviram um pigarro da porta.
Darcy se afastou desconcertado, mas viu dona Ofélia sorrindo.
— Eu sei que os dois pombinhos não podem se desgrudar, mas o seu Felisberto está em casa viu? – ela disse fechando a porta. – Não façam nada que eu não faria. – ela piscou pra Elisa.
— Meu Deus, que vergonha. – ela estava rindo pra ele e Darcy pensou que o sorriso de Elisabeta poderia consertar todos os problemas do mundo. Ele passou a mão pelos cabelos desalinhados dela.
— Eu é que tinha que estar envergonhado. – ele pigarreou. – A mulher da minha vida se declara pra mim antes que eu possa me declarar pra ela?
— Bom, você bem sabe que eu sou um pouco à frente do meu tempo. – ela riu, relaxada em seu abraço. Jane estava certa. Darcy a amava. Ela sabia disso, lá bem no fundo, mas o medo de rejeição a deixou paralisada por muito tempo.
— E é por isso que eu te amo. – ele disse e a paz invadiu o peito de Elisabeta.
— Ah é mesmo? Demorou um pouco pra fazer alguma coisa sobre isso não é? – ela estava se divertindo com a careta de Darcy.
— Eu? Eu passei o último ano tentando me aproximar de você de alguma forma, fazer você me amar e eu precisei da ajuda de dona Ofélia, de todos os santos e do seu desespero pra conseguir! Você não pode realmente me culpar por não ter tentado mais nada. – Ele se acomodou na cama do lado dela. – Quando foi que você percebeu?
— Não sei te especificar a hora, o lugar. Foi há algum tempo. Eu estava no meio antes de perceber que tinha começado. – ela disse. – E você?
— Eu percebi muito, muito antes. Foi quando você tentou roubar minha calça, antes da festa de Ema. – ele respondeu.
— Você só está falando isso pra parecer romântico, já que naquele dia você estava me odiando com todas as forças que eu sei. – ela retrucou.
— Elisa, eu nunca seria capaz de te odiar. – ele passou a mão pela bochecha dela. – Você é a pessoa mais fácil de amar que eu já tive o prazer de conhecer.
Ela se virou pra ele, ainda aninhada em seu peito e lhe deu um beijo.
— Ei, – ela parou de repente. – Por que você achou que eu ia querer terminar com você?
— Eu achei que você ia me xingar por ter contado do nosso primeiro beijo pra toda a sua família.
— Na verdade, foi o que me deu coragem pra te contar – ela confessou.
— E o que você queria com Jane ontem?
— Bom, eu queria com você, mas eu fiquei assustada, ai contei tudo pra Jane. – ela admitiu.
— Tudo?
— Tudo.
— Bom, fico feliz em saber que eu ganhei a aposta no final das contas. – ele sorriu. – Veja bem, eu queria só que você não me achasse um imbecil e agora você está ai, falando pra todo mundo que me ama.
Elisa sabia que ele estava brincando, mas ela odiava perder.
— Ei! Você ainda tem momentos de imbecilidade! O amor não me deixou cega. – ela sorriu. – Mas sabe de uma coisa? Eu não me importo de perder… dessa vez. Mariana estava certa. Quando descobrimos o amor da nossa vida, a gente não quer ficar longe nem por um segundo. – Elisa se posicionou para beijá-lo novamente, mas ele fez um sinal para que ela parasse.
— Nós nunca decidimos qual seria o meu prêmio caso eu ganhasse a aposta, né?
— A satisfação de saber que eu te amo vai ter que ser suficiente. — ela disse.
— Bom, sim, mas depois de todo o meu esforço pra fazer você me amar, eu acho que eu tenho outras ideias para o prêmio… — ele sorriu e voltou a beijar Elisabeta. Eles tinham muito tempo perdido pra compensar.
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