Everything has changed
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Saindo do aeroporto pude sentir a brisa quente da Califórnia bater em meu rosto como prova de que tudo aquilo era real. Peguei um táxi até uma livraria onde pegaria a chave do meu apartamento.
Durante o caminho fui observando a cidade. Era bem bonita. Nada parecido com São Paulo. Quer dizer, o trânsito e as correrias de cidade grande eram os mesmos, mas tinha algo diferente, algo mágico. Era como se eu estivesse dentro de uma série ou um filme adolescente. Era maravilhoso.
Quando me dei conta o taxista já estava cobrando a corrida e enfim cheguei à livraria. Era um sobrado de dois andares, com fachada de tijolos, um letreiro de neon onde estava escrito Le Shelf, o nome do lugar, suponho. Havia também uma escadinha para baixo que levava à porta do estabelecimento. Típico dos EUA.
Ao entrar, uma mulher de uns 40/50 anos estava atrás de um pequeno balcão. Haviam dezenas de prateleiras repletas de livros naquele lugar. As paredes, assim como em sua fachada, eram revestidas por tijolos, porém haviam também alguns pufes coloridos que davam à livraria uma atmosfera leve e descontraída. Me senti muito bem ali.
— Boa tarde! Bem-vinda a Le Shelf, posso ajudar?
— Oi! Meu nome é Thalia, eu vim pegar uma chave de um apartamento com a Kate, você sabe onde posso encontrá-la?
— Bem aqui! Sou eu mesma! Espere um pouquinho aqui que eu vou pegar a chave lá em cima.... Aceita uma água?
— Ahn... por que não?
Kate era uma mulher bonita. Tinha olhos verdes e cabelos castanhos. Estava muito bem considerado que estava nos seus 40. Quando voltou, me deu a água e em seguida a chave.
— Então, aqui está a chave do apartamento. – disse Kate sorrindo.
— Obrigada! -tomei um gole de água e perguntei – isso aqui é seu?
— Sim.... Na verdade, era o negócio da família, mas aí quando meu marido faleceu, meus filhos acabaram indo trabalhar em outros lugares e eu acabei ficando com o lugar...
Senti a tristeza na voz de Kate. Sua voz falhou ao dizer a palavra “marido”... Fiquei imaginando como ele faleceu, mas é óbvio que não perguntaria a ela, nunca fria uma coisa dessas.
— Thalia, certo?
—Isso. – assenti.
— Você não é daqui, não é?
— Não, eu sou do Brasil.
—Uau! Samba e carnaval, certo? – disse Kate dançando desajeitadamente
—Isso... – ri. Era engraçado como a visão que os gringos tinham do Brasil era sempre a mesma: samba, carnaval, futebol e...
— Você é do Rio?
— Não! Sou de São Paulo! – disse com um leve tom de irritação
— São Paulo? Não conheço.... Mas pelo menos você faz jus à fama de que as brasileiras são as mais bonitas do mundo!
— Que isso! Para... -senti minhas bochechas queimarem – Você também é muito bonita! Deve estar cheia de pretendentes!
— Hahaha querida! Minha fase de pretendentes já passou há muito tempo... Mas e você? Uma moça tão bonita deve até estar namorando!
— Não Kate.... Ainda não achei o cara certo....
— Quem sabe você não acha alguém por aqui, não é mesmo? – Kate se empolgou e começou a falar das pessoas, dos lugares e acabei ficando por lá durante o resto do dia.
Ao anoitecer fui direto para o apartamento e fiquei um pouco decepcionada... O lugar era exatamente como eu imaginava, um loft igual ao dos filmes, mas a decoração era horrível! Precisava dar um jeito naquilo, ASSIM QUE EU TIVER ALGUM DINHEIRO PORQUE NÃO TÁ FÁCIL!
(querida você queria o que? Uma suíte de um hotel 5 estrelas de Dubai? *iludida*)
No dia seguinte passei a manhã inteira colocando as minhas coisas no lugar, e à tarde fui comprar o que faltava e fui ao supermercado.
A semana seguinte passou voando. O hospital era tudo o que eu imaginava e mais um pouco! Tudo era muito grande, tecnológico e as pessoas foram super legais comigo. E o melhor: eu consegui ir a pé para lá! Quer dizer, mais ou menos, eu ainda me perco nas ruas então todos os dias eu acabo indo por um caminho diferente e acabo pedindo um táxi. Depois que o meu turno terminava, eu ia para a Le Shelf dar uma mãozinha para a Kate com os livros, não com o intuito de ganhar uma graninha extra (se bem que você ta precisando né, fofa?) -Mano, já falei pra tu ficar quieta... ~continuando~ mas eu estava indo porque além de eu ter amado o lugar, eu amava livros também, então aquilo era um passatempo pra mim. E a Kate se sentia muito sozinha, por isso aproveitava para fazer companhia e bater um papo. Acabei por descobrir que ela é uma ótima conselheira!
Estava saindo do hospital, à caminho da Le Shelf quando percebi que tinha me perdido. DE NOVO! Já faziam quase duas semanas e eu ainda não havia acertado o caminho! (novidade...) Estava tentando me achar quando fui interrompida por gritos de um homem que vinham de um galpão enorme.
— Alguém ajude! Um médico, enfermeiro, qualquer coisa! AGORA! Há uma pessoa ferida! – Gritava um homem, desesperado, vestido de preto da porta do galpão do outro lado da rua.
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