Everything Has A Reason
12 Blood Transfusion.
Notas iniciais
Kurt acordou ouvindo seu celular despertar. Sentando-se lentamente na cama ele se espreguiçou antes de desligar o aparelho. Foi só depois de constatar que estava nu que lembrou-se apavorado da noite anterior. Com receio o castanho olhou para o lado e o que ele temia era verdade: Havia passado a noite com Blaine. Uma noite perfeita com Blaine.
Mas por mais que houvesse sido provavelmente a melhor noite de sexo prazeroso da sua vida, aquilo estava totalmente errado. Kurt admitiu que não sabia ter um amigo homem sem leva-lo pra cama. Talvez aquilo fosse alguma doença. Talvez.
– Merda, merda, merda... – Kurt resmungou praticamente saltando da cama e catando suas roupas que estavam espalhadas pelo chão. Ele realmente não queria que aquilo tivesse acontecido. Ele não queria mais um Adam na sua vida, e fora exatamente isso que ele havia feito.
Tinha transformado Blaine no seu novo Adam.
– Blaine. Acorda. – O castanho dizia friamente sacudindo-o de leve pelos ombros. Blaine demorou a abrir os olhos. O moreno sentou-se na cama e alternava entre esfregar os olhos e ajeitar seus cachos bagunçados. Kurt por um momento pensou em parar de trata-lo friamente diante daquela cena tão fofa.
Ele apenas havia pensado.
– Temos que ir para o hospital. Se vista, ou pode tomar um banho se quiser. Temos uma hora. – O castanho falou saindo do quarto e indo para o outro banheiro.
Blaine estava pasmo. Ele havia tido a melhor noite da sua vida e a confirmação de que estava apaixonado por Kurt e então o castanho o tratava com toda essa frieza? Será que ele havia feito algo errado? Será que Kurt não gostara de algo que ele disse?
O moreno decidiu fazer o que lhe foi pedido. Praticamente arrastando-se ele foi até o banheiro do quarto do castanho e tomou um banho rápido.
Kurt já estava pronto sentado no sofá da sala quando Blaine apareceu e sentou-se ao lado dele.
– Já podemos ir. – O castanho fez menção de levantar, mas o moreno segurou firme a sua mão obrigando-o a olhá-lo.
– Kurt... O que aconteceu? Q-quero dizer... O-ontem foi uma noite tão m-maravilhosa... E agora você está sendo tão frio... E-eu não entendo... E-eu fiz alguma coisa? M-me desculpe, eu só não consigo c-compreender... – Blaine gaguejava. Ele estava tão confuso. O olhar triste que Blaine lançou para Kurt, havia quebrado o coração do castanho. Ele não queria ver Blaine sofrer. Mas também não o iludiria.
– Blaine. Você é meu amigo. Aquilo foi um erro. Eu estava carente e você também pelo visto. Mas eu não posso te iludir. Não quero fazer isso com você. Eu quero que sejamos amigos e apenas isso. Entendeu? – Kurt dizia olhando o moreno nos olhos. O castanho se surpreendeu quando percebeu que os olhos do moreno estavam cheios de lágrimas. – Você está bem? – O castanho perguntou preocupado.
Blaine não sabia o que sentir. Ele havia sido ferido. Ele odiava criar expectativas justamente por isso, as pessoas sempre apareciam e destruíam elas.
– Por um momento eu acreditei que você gostava de mim. – Ele se pronunciou parecendo magoado.
– Eu gosto. Como amigo. Já disse. Você gosta de mim de outra maneira? – Agora Kurt olhava no fundo dos olhos cor de mel.
Toda a coragem que Blaine sentia em se declarar havia sido arrancada do seu peito pelas palavras duras, frias e sem sentimentos de Kurt.
– Você é meu amigo. Apenas. – O moreno disse frio.
– Ainda bem, por que Adam, ele era meu amigo e se apaixonou por mim. Não nos falamos mais... – O castanho parecia perdido em seus pensamentos.
– Espera, você já fez isso com outro amigo seu? – Blaine tinha a sobrancelha arqueada. Então Kurt era habituado a fazer isso com seus amigos? O moreno não havia sido o único?
– Sim... Com o Adam... Mas essa é uma longa história. Nós temos que ir. – Kurt falou rápido ao notar a mudança de expressão facial do outro garoto.
Blaine nunca havia se sentido tão sujo em toda a sua vida. Então Kurt fazia isso com todos? O moreno sentia pena desse tal de Adam. Agora ele estava na mesma situação.
– Você pode ir. Me ligue se tiver alguma noticia de Santana, Valerie ou Brittany. Estarei na minha casa. Me desculpe pela noite de ontem. De verdade. – O moreno disse frio saindo da sala e batendo a porta com extrema força deixando um Kurt confuso sozinho.
EHAR
Blaine entrou rapidamente no seu apartamento e depois de se certificar que a porta estava devidamente trancada, ele simplesmente se jogou no sofá ainda com o plástico bolha o envolvendo e chorou o mais alto e dolorosamente possível. O castanho tinha quebrado o seu coração em milhares de pedacinhos com apenas meia dúzia de palavras. Meia dúzia de palavras frias, secas e sem sentimento. Ele nem havia percebido o quão apaixonado estava até ter dormido com Kurt. Ele havia sido tão perfeito, tão carinhoso... Tudo apenas para no dia seguinte o tratar como um garoto de programa.
Por minutos Blaine teve nojo de si mesmo, mas tentando reagir, foi até o banheiro e tomou um banho longo e relaxante, afinal em algumas horas ele encontraria Kurt novamente e Blaine não queria que o castanho percebesse o seu abatimento.
EHAR
– Sra. Lopez e Sra. Pierce, como é bom vê-las! Mesmo que seja em circunstancias tão difíceis. – Kurt disse abraçando as mulheres uma de cada vez.
– Kurt querido, que bom vê-lo também. Eu conversei com o médico, mas tudo o que ele diz é que o estado de Brittany é instável, que Valerie está bem e que Santana não sai do quarto nem por um decreto. Só um momento, Scott, meu marido está ligando. Ele não sabe que não podemos atender o celular dentro do hospital. – Katy Lopez falou rapidamente antes de sair para atender o seu celular.
– E você Jessie, como está? – O castanho disse sentando-se ao lado da mulher loira de meia idade que chorava.
– Eu tenho tanto medo pela minha filha.... Estou rezando sem parar... E-eu não sei o que será de mim... Se e-ela... N-não... – Jessie Pierce não conseguiu terminar de falar. Ela apenas caiu em um choro angustiado, sendo amparada por Kurt.
Logo a Sra. Lopez havia voltado e os três ficaram conversando para passar o tempo já que logo o médico viria dar o seu parecer oficial sobre o estado de Brittany.
Quatro horas depois de ter deixado o apartamento de Kurt, Blaine adentrava o hospital com seus óculos escuros. Ele não queria que Kurt percebesse que ele havia chorado. Assim que o moreno avistou Kurt o nó na sua garganta aumentou. O castanho estava tão indiferente! Nem parecia que eles haviam passado a noite juntos.
– Sra. Lopez! Como vai? Quanto tempo! – O moreno disse dando um abraço na mulher que retribuiu. Depois de abraçar Jessie, Blaine sentou-se de frente para Kurt do outro lado da sala de espera. Aquele era o único lugar vago. O moreno tirou os seus óculos e logo sentiu os olhares de Kurt sobre si. Decidido à ignorar o castanho, Blaine começou a brincar com o seu celular mesmo que não estivesse prestando atenção naquele jogo estúpido.
– Familiares da Sra. Brittany Lopez Pierce por gentileza. – O médico apareceu meia hora depois da chegada de Blaine. Os quatro correram até o médico olhando-o com receio. – Bom, o quadro da moça é instável. Num resumo ela perdeu muito sangue durante o parto e precisa de transfusão de sangue.
– Então faça! – Jessie exclamou.
– Nós já teríamos feito, e essa demora só piora o caso de Brittany. Ela tem o sangue O-, ou seja, o sangue dela é difícil de termos nos nossos bancos de sangue por se tratar de um tipo sanguíneo um pouco raro. Já testamos o sangue da esposa dela, mas não é compatível. Precisamos de alguém da família ou até um amigo. – O medico dizia frio e impessoal.
– O meu sangue não é compatível. – Sra. Lopez lamentou-se.
– Nem o meu. – Jessie falou mal conseguindo respirar.
– O meu também não. Meu tipo sanguíneo é A+. – Kurt disse sentando-se e apoiando as mãos na cabeça.
– Mas o meu sangue é! – Blaine resolveu se pronunciar.
– Tem certeza rapaz? – O médico queria se certificar.
– Claro! – Blaine disse e pode ouvir as duas senhoras chorando de alívio enquanto Kurt estava ao lado do moreno.
– Então podemos ir. Vamos prepara-lo imediatamente. Venha comigo. – O homem grisalho falou seguindo pelo corredor. Quando Blaine fez menção de segui-lo, Kurt o puxou pelo braço.
– Obrigado. – O castanho disse olhando nos olhos de Blaine.
– Você não precisa agradecer nada. Eu estou fazendo isso apenas pelas minhas amigas. – O moreno disse de forma ríspida fazendo Kurt soltar o seu braço. Blaine seguiu pelo corredor sem olhar para trás. Ele não queria que Kurt o visse com os olhos banhados em lágrimas.
Kurt havia partido seu coração e o moreno estava realmente magoado.
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