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14 Você é um herói quando decide lutar?
Notas iniciais
"A verdade é que você é um herói quando aceita a morte."
Quinn
Parecia que uma vida havia se passado desde o momento que Christopher havia entrado no quarto de Rachel, ele e Charlie brigando e depois me explicando o que estava por vir.
Rachel ainda dormia e eu não conseguia desligar meu cérebro.
"E-Eu vou ter que lutar? Contra alguém e seu guardião fora de controle?".
Charlie parecia desolado ao me contar isso, mas seu olhar firme com a minha pergunta, servia apenas para confirmar que era exatamente que aquilo iria acontecer.
"Por quê?".
É uma pergunta clara e simples mas que ocultava uma infinidade de justificativas que não me faziam o menor sentido, e eu me sentia exausta.
"Porque você é Quinn Fabray.".
Começa Charlie de maneira triste, e que logo é complementada de maneira orgulhosa pelo estranho, debochado e familiar guardião que agora posso chamar de Christopher.
"E você, jovem dama, o fascina. Desde que o derrotou pela primeira vez ele não via a hora de lhe reencontrar e tenho certeza que ele esperou pacientemente por este momento para vir até aqui novamente.".
"Por que ser Quinn Fabray é tão importante? Eu só quero ser alguém que se apaixonou por uma morena baixinha, irritante e extremamente talentosa. Não quero me meter nas confusões de guardiões fanáticos ou pessoas que não aceitam as coisas. Eu só... me sinto tão cansada as vezes que parece que ser Quinn Fabray vai me destruir no final.".
O silencio no quarto é denso e tudo o que posso ouvir e sentir é a noite do lado de fora, mas depois de alguns minutos consigo me virar para os guardiões parados perto de mim e continuar.
"Quem é ele?".
—--
Rachel
Acordei e percebi a cama vazia, mas me lembro vagamente de ter Quinn ao meu lado antes de adormecer. Ela estava sentada na janela, olhando pra fora, parecia tão distante mas ainda incrivelmente linda. "Sério mesmo que essa mulher me ama?". É o que me vem à mente. Então decido ir até ela saber o que se passa.
"Você parece tão longe.".
Ela se vira e me oferece um sorriso leve, mas sei que tem algo lhe preocupando.
"Parece que há tanta coisa acontecendo que ao mesmo tempo que me sinto sobrecarregada, vem um vazio que me tira o rumo.".
Seu semblante parece tão cansado e sofrido que tudo o que posso pensar é abraçá-la e esperar que isso alivie suas preocupações.
"O que há de errado Quinn? Você está com dúvidas sobre… hum… o que sente por mim?".
Ela se assusta com minha pergunta e me faz encará-la enquanto diz com firmeza.
"Nunca Rachel! Eu amo você, jamais duvide sobre isso. Eu só estou preocupada com tudo o que vem acontecendo. Aquela bagunça com Finn, sua carta de Nyada e agora essa onda extrema de bullying com você.".
Sei o que ela quer dizer e vejo o quanto isso desgasta a loira, principalmente depois de sentir tanta sinceridade com sua declaração do que sente por mim.
"Entendo Quinn, mas as coisas vão se acertar. E também, falta tão pouco para nos formarmos que tenho certeza que posso aguentar o bullying por mais algum tempo. Não que seja agradável, mas vou conseguir lidar com isso.".
Por um momento sinto a tensão que se instala em seu corpo que continua abraçado ao meu, então lentamente ela me encara com firmeza e diz séria.
"Isso não vai durar Rachel. Você não merece passar por nada disso por mais nenhum dia. Vou resolver isso, só ainda não consegui encontrar uma saída, mas lhe garanto que vou te proteger.".
Sorrio com sua declaração, mas a preocupação que sinto com suas palavras é maior e isso me faz lhe responder com tanta seriedade quanto ela.
"Sei que você quer fazer algo, mas você não precisa me proteger Quinn, apenas fique do meu lado como tem feito nas últimas semanas. Seja a pessoa incrível que está comigo o tempo todo e tudo ficará bem. Não faça nada que te machuque, mesmo que seja algo que acredite que me fará bem. Podemos resolver juntas.".
Quinn parece pensar por um momento sobre minha declaração e apesar de parecer receosa, ela concorda com um sorriso suave enquanto me aperta no abraço novamente e eu encosto a cabeça em seu peito.
"Tudo bem Rach, vou me esforçar, de verdade. Mas mudando de assunto, qual a nossa programação de hoje?".
E com isso, apesar de sentir que ela ainda se preocupa, começamos a nos organizar para aproveitar a folga do final de semana.
—--
Quinn
O final de semana com Rachel foi ótimo. Passeamos juntas, encontramos Santana e Brittany, jantamos com os senhores Berry… mas a melhor parte foi ganhar um beijo de despedida, meia hora atrás, depois de deixar Rachel em casa.
Ela parecia tão tímida ao se aproximar e gentilmente me beijar que pensei que fosse morrer. Ainda me assusto com quão bem me faz estar com ela e ver a chance que Rachel está nos dando.
Conversamos muito sobre isso e ela é sempre tão autêntica e verdadeira que me encanta mais e mais. Rachel não esconde que ainda não se sente segura para afirmar que sente mais do que amizade ou atração por mim, o que já é um grande passo a meu ver, mas ela prefere que as coisas aconteçam naturalmente e isso me deixa tão feliz pois Rachel não quer que eu me afaste para que possa resolver seus dilemas amorosos, mas sim que continue ao seu lado como tenho feito desde que voltei e isso é incrível, algo que seu guardião parece concordar plenamente.
"Ela está cada dia mais forte Quinn, e pelo que posso ver, cada dia mais encantada com essa relação que vocês estão construindo passo a passo. Fico muito feliz com tudo que vem acontecendo entre você e a pequena Berry.".
Apesar do seu jeito sério e reservado, Charlie se mostra sinceramente feliz com a forma como as coisas com Rachel estão caminhando. Mas amanhã temos aula e não consigo ignorar o fato de ainda não ter resolvido a questão do bullying e me preocupa o que podem fazer com Rachel.
"Também estou muito feliz Charlie. Rachel é incrível, estamos caminhando naturalmente nessa descoberta de sentimento e vou fazer o possível para que não existam dúvidas do quanto a amo e com sorte, que ela se sinta da mesma maneira, mas apesar de tudo o que vem acontecendo entre nós duas, não posso deixar de me preocupar com o bullying na escola. Nunca vi nada tão agressivo no McKinley.".
Charlie perde rapidamente seu ar leve e retoma o modo guardião compenetrado.
"Como lhe dissemos, isso parece trabalho de um antigo guardião, mas como ele ainda não se mostrou, não posso afirmar que é ele. Mas se o que Christopher disse for totalmente verdade, você pode estar prestes a reencontrar um velho conhecido. E isso pode não ser muito agradável.".
Sua declaração não me deixa nem um pouco confortável e isso me irrita, mas antes que eu possa dizer algo, ele continua.
"Mas independente do que seja, continue sua relação com a jovem Berry. Isso é de extrema importância para vocês duas. Não deixe de amá-la Quinn. Não é só ela que precisa disso.".
Depois dessa o guardião some, me deixando sozinha com meus pensamentos, temores e o estranho sentimento que a noite poderia me trazer mais emoções.
E isso se confirmou quando acordei no meio da noite e vi Christopher sentado na beira da janela. Então começo de forma dura.
"Não é muito conveniente que você só apareça quando Charlie já foi?".
Ele apenas sorri com minha declaração, então calmamente começa o que seria meu pesadelo.
"Se lembra do dia que nos reencontramos jovem mestra?".
Sinto a seriedade em sua fala e decido sair da cama e me aproximar da janela, aproveitando assim para admirar a lua da mesma forma que ele.
"Sim... Você disse que queria ajudar, mas não em troca da minha alma. O que sinceramente acredito ser a maior furada.".
Isso não parece afetar seu jeito descontraído, por falta de uma palavra melhor, e ele continua falando enquanto admira a lua.
"Acredito que Charlie tenha lhe contado que não podemos mentir e que apesar de podermos lhe ocultar informações, saiba que não fiz isso com minha senhora… ainda.".
Com isso ele para de encarar a lua e se vira pra mim, me dando oportunidade de fazer uma grande bobagem.
"Certo, você não mente e não quer minha alma. O que vai ser então? Pois como você mesmo disse, talvez consiga algo ao me ajudar.".
"Quero ajudá-la a conseguir o que quer mais que tudo jovem Fabray.".
Encaro ele seriamente, tentando estudar sua fisionomia na esperança de detectar qualquer falha em sua declaração. E apesar de não apagar o pensamento de que deveria me manter longe dele, como Charlie sugeriu, ignoro o pedido do guardião de Rachel e dou a Christopher mais uma chance de se esclarecer.
"E o que seria isso?".
"Garantir que sua amada Rachel Berry não vai morrer no seu lugar daqui algumas semanas.".
Pronto! Era isso que estava no fundo da minha mente desde que soube da possibilidade e ele descobriu. É esse medo latente de estar colocando tudo a perder que me tira o sono, que tem me deixado inquieta e assustada. Ele sabia e ouvir sua proposta era tudo o que me restava.
"E o que você vai querer em troca disso. Pois já entendi que tudo com vocês tem um preço.".
Christopher parece perder um pouco do seu ar desligado e começa mais sério que nunca.
"Preciso que você morra jovem mestra.".
Sua declaração me deixa em choque, mas antes de sumir e me deixar sozinha com meus pesadelos, ele se curva fazendo reverencia e diz calmamente.
"Pense nisso jovem Fabray. Pense no que você faria para garantir a vida da pessoa que você ama e pela qual voltou dos mortos.".
Eu já sabia a resposta, era óbvia e clara, mas não significa que não tenha me assustado e de certo modo entristecido.
Christopher não estava mais ali para ouvir minha resposta, mas ele sabia, ou jamais teria perguntado e ainda sim consegui dormir como há muito tempo não conseguia, graças a um único e insistente pensamento.
"Rachel vai ficar bem.".
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