Everything

2 Aniversário?


Notas iniciais
Muito obrigada por todos que estão acompanhando, principalmente os que mandaram reviews.
Segue mais um capítulo, extra pois só iria postar quinta, mas vamos à história.
Abraços e boa leitura.

Quinn

Acordo assustada, levanto rapidamente e percebo estar no meu quarto. Parece ser meio da tarde, e faz um calor insuportável, vou até a janela e a abro para tomar um ar, enquanto tudo aquilo me vem à mente.

“Que pesadelo foi aquele Fabray? Você só pode estar ficando louca. Credo.”.

Digo para mim mesma, tentando tirar aquela sensação ruim da minha cabeça. Então penso em Rachel, preciso vê-la e vai ser agora!

Desço correndo e decido ir andando até sua casa, não é tão longe e caminhar pode me ajudar a colocar as ideias no lugar. Minha cabeça está uma loucura!

Quando estou quase chegando vejo Rachel sentada na varanda da casa. Um sorriso logo se forma em meus lábios, mas quando ela levanta os olhos meu sorriso morre, ela está chorando.

“Rachel!”

Chamo seu nome, para ter sua atenção, mas ela se levanta e entra na casa, será que não me viu ou ouviu?

Vou correndo até sua porta, mas antes que bata nela, ouço uma voz suave, porém forte, atrás de mim.

“Ela não pode te ver, ouvir ou sentir. Pare já com isso, é inútil.”.

Me viro incrédula pronta a dizer algumas verdades, para o sujeito que teve a cara de pau em falar assim comigo, e me deparo com um rapaz alto, cabelos escuros e olhos claros, enquanto disparo.

“Quem é você e o que pensa que está falando?”.

Ele sorri afetado e responde calmamente, enquanto se senta nos degraus da varanda, assim como Rachel estava minutos antes.

“Você ainda não notou? Ela não te viu ontem a noite, não pode te ver agora e não verá nunca. Acorde garota, você pode fazer nada por ela.”

Me irrito com suas palavras e digo furiosa.

“Ela é minha amiga, estava chorando e eu estou aqui por ela. Não sei quem é você então saia logo daqui idiota!”

Ele se levanta e rapidamente está na minha frente, não mais com seu sorriso debochado, agora está sério e com um tom que me parece triste, ele se atreve a segurar meu pulso e diz sem rodeios.

“Você morreu Fabray. E é por isso que ela está assim. Você ouviu tudo ontem, visitou seu próprio túmulo hoje, como pode ser tão estúpida?”

Ele diz tudo com tanta calma que me irritou mais ainda. Então a porta da frente se abre, revelando uma Rachel ainda mais triste, como se fosse possível. Mas antes que eu possa dizer algo, ela passa por nós como se não estivéssemos ali. Me enfureço mais por ela simplesmente me ignorar e me solto do aperto daquele estranho enquanto a sigo dizendo brava.

“Poxa Rachel, agora vai fingir que não me vê!? Qual o seu problema afinal? Vi você chorando, fiquei preocupada e você nem me olha na cara!”

Ela continua andando como se não me ouvisse, entra no carro e sai mais uma vez.

“QUE RAIVA!” Grito enquanto chuto a lixeira mais próxima. Estou até parecendo o Hudson. Credo!

O estranho se aproxima mais uma vez e diz enquanto segura novamente meu pulso.

“Você ainda não entendeu não é? Então vamos, vou lhe mostrar uma coisinha.”

Ele aperta meu pulso com força. Tento me soltar, em vão, e de repente me encontro mais uma vez no cemitério, de frente à lápide, que a inscrição ser minha, com Rachel sentada de frente a ela, abraçada aos joelhos enquanto chora, exatamente como ontem a noite.

Olho para o lado encarando o estranho, perguntando mudamente como viemos parar aqui, se segundos atrás estávamos de frente à casa de Rachel, que é bem distante por sinal. Ele dá de ombros e faz sinal com a cabeça indicando Rachel.

Dou alguns passos em sua direção e me ajoelho atrás dela, passando os braços por seus ombros tentando confortar a ela e a mim, pois parece que finalmente começo a entender o que se passa aqui.

Ela se arrepia e diz entre lágrimas.

“Oi amor, como está?”. Ela sorri um pouco e sei que é por me chamar de amor, e com isso começo a chorar também.

“Aqui as coisas estão cada vez mais tristes. Sua ausência está me matando aos poucos. Sinto tanta sua falta. Mesmo que tudo o que existisse entre nós fosse muito confuso, recheado de dores, brigas e no final uma amizade verdadeira, eu sinto falta. De tudo! De você aqui para me guiar, mesmo que silenciosa ou involuntariamente.”

Ela respira fundo, antes de deixar mais lágrimas correrem por suas bochechas e continua.

“Eu me perdi sem você Quinn. Quando você morreu diante meus olhos, sem saber o quanto te amo, o quanto era importante, me vi sem rumo, sem lar. E cada dia dói mais...”.

Ela soluça por causa do choro e eu me vejo perdida em sua dor, e querendo de alguma forma confortá-la a abraço mais forte, mesmo que ela não sinta, acaricio seus cabelos enquanto continuo a ouvir seu mais triste e doloroso monólogo. E como eu gostaria que não fosse assim...

“Descobri da pior forma que seria nada sem você. Nem com a morte dos meus pais fiquei tão abalada. Os amava demais, e sofri com a partida deles, mas perder você...”.

Ela respira fundo, mais uma vez tentando controlar as lágrimas e continua.

“Perder você foi perder minha alma, meu coração. E foi tão injusto, você não soube o que eu sentia, pois infelizmente percebi tarde demais que havia lhe entregado todo meu amor.”

Ela começa a soluçar enquanto choro copiosamente, lamentando cada minuto em que lhe torturei na escola, cada palavra de ódio proferida e cada palavra de amor guardada em meu interior.

“Te amo tanto Quinn, e tudo o que queria é poder lhe dizer, olhando nos olhos, para ter uma vaga esperança que você pudesse me amar de volta. Tudo o que queria era te ter aqui comigo.”

Soluço com esta declaração, pois estou aqui, mesmo que ela não me sinta, e isso me dói de modo quase físico, se é que ainda tenho corpo para sentir dor.

“Mas sei que estaremos juntas de novo Quinn, pois mesmo que você não saiba, sempre foi minha, assim como eu sempre fui sua. E mesmo que me rejeitasse, eu ainda lhe amaria, e esperaria o dia em que você se desse conta, que apenas eu existiria pra você.”

Por um instante vejo a velha Rachel diante meus olhos. A Rachel determinada e corajosa, não essa sombra que ela claramente se tornou.

“Vou indo meu amor, tenho que arrumar alguns materiais para o retorno das aulas e outras coisas em casa. Afinal ainda preciso comer, ter uma vidinha monótona e vazia aqui, e não quero dar mais problemas à Santana e Brittany. Se eu ficar doente outra vez, é capaz da sua amiga me matar.”.

Ela dá um sorriso triste com essa declaração. Se levanta, entra no carro e vai embora. Enquanto isso eu desabo no chão mais uma vez, enquanto choro toda a dor que senti em vê-la assim, em ver o que ela se tornou.

“Me desculpe Rachel, desculpe por não dizer o quanto te amo, o quanto sempre te amei. Me desculpe, por ter lhe deixado.”.

Abraço meu próprio corpo enquanto me deixo levar pelas lágrimas. Lágrimas de dor, amor e de saudade. Saudade por tudo o que tive e principalmente por tudo que queria ter com ela e por ela. E neste estado acabo adormecendo de cansaço.

–--

Acordo e já é noite. Estou no quarto dela, ao seu lado, e ela parece tão serena, tão bela. Me viro de lado e deposito um beijo em sua bochecha, ela dá um sorriso em meio ao sonho e percebo ser o único sorriso que vi nela desde ontem. Fico a observando por horas, até que alguém aparece sentado na janela. É o estranho de mais cedo, havia esquecido dele completamente, mas já que ele está aqui vamos conversar. Levanto e sigo até estar próxima a ele.

“Como você sabe que eu... hum... morri?”. Engasgo com essa declaração. Apesar de ser obvio, dói proferir essas palavras, é como se tornasse mais real. Então continuo.

“Como você sabe? Porque pode me ver e ela não? E quem é você?”.

Ele olha nos meus olhos e diz sério.

“Eu sou um ser com poderes suficientes para saber muito sobre a vida e a morte, por isso sei, e é por minha causa que você está aqui. Ela não pode te ver pois você está morta, então me poupe de perguntas ridículas. E eu... eu sou muitas coisas, você pode me chamar com o nome que quiser.”.

Olho incrédula para ele enquanto tento assimilar tudo o que disse, mas me atento a apenas uma parte.

“Como assim estou aqui por sua causa?”

Ele me olha, agora, mais interessado e diz calmamente.

“Eu quero algo que só você pode me dar, e eu posso lhe dar algo em troca, por isso estamos aqui.”.

A olho desconfiada, mas pergunto.

“O que eu poderia querer? E principalmente, o que poderia lhe oferecer em troca?”.

Ele sorri, e responde enquanto se levanta.

“Olhe para ela, e responda a sua própria pergunta. O que você quer está bem aqui.”

Ele diz e aponta para Rachel, que parece ter um sono inquieto agora. Me sento ao seu lado, fazendo carinho em seus cabelos, e percebo ela se acalmar e voltar a ter um sono tranquilo e profundo.

Me levanto novamente e digo a ele com determinação.

“O que eu posso lhe dar para que eu possa estar com ela?”.

Ele parece se assustar com minhas palavras, talvez esperando alguma hesitação minha, mas continua, agora sorrindo abertamente.

“Eu quero sua alma, Fabray”.

Me arrepio completamente com sua declaração, mas nem tenho tempo de responder, pois Rachel agora chora durante o sono, então me viro correndo em sua direção, tentando mais uma vez acalmá-la. Depois de vários minutos, Rachel volta a dormir, olho pelo quarto e não vejo mais o estranho por perto. Então me deito ao lado dela, que só agora ressona tranquila. Percebo o quanto isso me é precioso, o quanto quero que ela fique bem e com a cabeça a mil adormeço.

–---

Acordo novamente e vejo que ainda não amanheceu, na verdade é quase meia noite ainda, e me lembro que Rachel sempre dormiu muito cedo, o que explica esse dia louco ainda não ter acabado. E quando percebo, o estranho está novamente na janela, encarando a lua.

Decido levantar e conversar com ele, não sem antes depositar um beijo na testa da morena adormecida ao meu lado. Me aproximo da janela e digo com voz cansada.

“Eu morri e você parece ser alguém que entende disso, porque então simplesmente não pega minha alma? Porque tenho que lhe dar ela?”.

Ele parece pensar por um momento e diz.

“Sua alma não é livre para que eu possa simplesmente pegá-la... Ela foi amarrada a ela por um colega meu.”.

Isso realmente me surpreendeu. Significa que algum ser como ele, amarrou minha alma a Rachel? Mas como? Porque? Eu tinha muitas perguntas, mas algumas eram mais importantes neste momento.

“Porque você quer minha alma?”

Ele me olha como se eu tivesse três cabeças e diz incrédulo.

“Bom, você é Quinn Fabray. Sua alma mostrou ser algo incrível para um mortal.”

Ele se levanta e começa a andar pelo quarto.

“Deixe-me explicar. Você era um poço de orgulho sem fim, até que engravidou e perdeu tudo. Então deu sua filha para adoção e retomou o poder. Em seguida desistiu dele e se tornou uma delinquente de cabelos rosas.”. Ele sorri ao proferir essas palavras, enquanto faço uma careta, mas não o interrompo e ele continua andando pelo quarto dizendo.

“Resolveu então ter sua filha de volta e fazer da vida de mais alguns mortais, além da sua amada ali, um inferno. Depois de tudo, resolveu largar o poder e o terror, se tornar amiga da mulher que ama, e permitir que ela quase se casasse com o rapaz que você considera um imbecil.”

Ele diz tudo num fôlego só, o que me faz imediatamente lembrar de como Rachel fazia seus discursos. Sorrio triste com a lembrança enquanto ele continua.

“Veja bem Fabray, você saiu do topo para o fundo do poço, e dele para o topo, mais vezes do que uma pessoa poderia ou conseguiria fazer. E em algum momento você percebeu que foi tudo pela mulher que ama. Isso tem seus méritos em alguns lugares. E ter uma alma como a sua, sob meu poder seria algo grandioso. Entende agora o porquê de eu querer sua alma?”.

Ele me olha seriamente enquanto tento assimilar tudo o que ele disse. Não havia me dado conta de tudo o que fiz realmente, até que ele me fez este resumo. E olhando novamente para Rachel dormindo, agora tranquilamente, digo.

“Bom, você parece querer muito isso e eu quero poder arrumar as coisas para Rachel, mas porque agora?”.

Ele direciona seu olhar para a lua novamente e diz sombrio.

“Você morreu cinco anos atrás. Em alguns dias será seu aniversário, e nesse dia, outra pessoa morrerá.”.

Sinto meus olhos se encherem de lágrimas ao entender o que ele acaba de dizer, imediatamente direciono meu olhar para Rachel, e simplesmente não posso deixar que isso aconteça, mas antes que diga qualquer coisa ele continua.

“Vim agora para lhe dar tempo de tomar uma decisão, pois depois que ela morrer, nenhum outro poderá ter sua alma. É seu aniversário, e você tem direito a um presente. E é o que vim lhe dar, uma chance de salvá-la de toda a dor e angustia que a consome há cinco anos. Salvá-la da morte certa e principalmente, da vida triste e sombria que ela teve durante todo esse tempo. Meu presente de aniversário foi lhe trazer aqui antes que aconteça algo pior a ela. E minha proposta é lhe devolver a vida, em troca da sua alma.”

Ele me olha ainda seriamente esperando uma reação que ainda não consigo oferecer e continua.

“Ficaremos alguns dias, para que você possa me dar uma resposta.”

Balanço a cabeça levemente em concordância e vejo ele se dirigir à janela. E antes de sair ele se vira e diz.

“Pense no que estou lhe oferecendo e no que você pode perder. Não estou aqui lhe coagindo para ter o que quero, pois se não aceitar com sinceridade e convicção, o acordo não será fechado, e nenhum de nós leva o que quer. Boa noite e aproveite esses dias para conhecer a mulher que ela se tornou, assim como seus amigos. Ah, e feliz aniversário.”.

Ele então salta a janela, me deixando estática no meio do quarto.

Depois de alguns minutos, ouço um suspiro de Rachel e me viro em sua direção. Ela ainda dorme tranquila, e me rendendo ao cansaço, deito novamente ao seu lado. Esperando que com a proximidade dela, possa assimilar tudo o que houve e então tomar minha decisão. Não que tivesse dúvidas que faria tudo para fazê-la feliz, mas preciso entender o que acontece a partir do momento em que aceitar um acordo com a morte.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo. E se possível me digam o que pensam sobre ele e sobre a história. Abraços
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