Notas iniciais
ATUALIZAÇÃO YAAAAAAAAY

Pip havia acordado a alguns minutos, mas não estava com a menor vontade de levantar daquela cama mesmo que estivesse com um pouco de vergonha, mas não era aquela vergonha de querer sumir da face da Terra – ou do inferno. Não era por estar dividindo a cama com Damien, por sentir a respiração dele em sua nuca ou por causa do que fizeram mais cedo no sofá da sala, Pip estava ligeiramente sem jeito pois pela primeira vez em toda a vida e morte alguém estava lhe abraçando daquele jeito, com tanta intimidade. Talvez fosse besteira reparar em coisas assim, mas não conseguia não notar os pequenos detalhes, como o jeito que Damien havia passado o braço pela sua cintura e o puxado para perto, ou na maneira que segurava a sua mão, por cima dela e entrelaçando os dedos... Era meloso demais que os batimentos do seu coração aumentassem por causa daqueles pequenos atos, o loiro parecia uma daquelas adolescentes apaixonadas em filmes.

Mas Pip era um adolescente, e também estava apaixonado.

O anticristo dormia tranquilamente agarrando o garoto britânico por trás como uma espécie de pelúcia, mas ele não estava particularmente incomodado com o isso. Sentia uma espécie de alívio ao saber que Damien estava por perto, sem falar que a aproximação era boa, talvez até um pouco carinhosa, e achava melhor deixa-lo dormir mais um pouco. Talvez se relaxasse o suficiente conseguisse dormir um pouco mais, sem falar da preguiça.

— Pip?

A voz parecia embriagada de sono, e por mais impressionante que fosse ele não se assustou com Damien chamando seu nome tão de repente, mas apenas falou:

— Sim? – Sua voz estava fraca e baixa por causa do tempo que ficou sem usa-la.

Sentiu um aperto em sua cintura e os lábios de Damien depositando um breve beijo no final de sua nuca, ato que fez o loiro suspirar e sentir o rosto esquentar, certamente estava bem vermelho agora. A mão do anticristo apertou a sua com algum carinho, um pouco incomum, mas muito bem vindo.

— Você quer levantar?

Preguiça. Pip estava com preguiça demais para levantar da cama naquele momento, porém não era somente isso; não estava com muita vontade de levantar daquela cama para ver o que ainda lhe esperava, para participar de um jogo de poder do submundo, ou seja lá qualquer outra coisa que o inferno reservava. No momento só desejava se dar o luxo de ficar ali abraçado com Damien, sentindo a respiração calma dele em sua pele e o calor agradável, era confortável e acolhedor estar braços do anticristo, mesmo que ele fosse o filho do mal, aquele que trará um infinidade de dor e sofrimento para os habitantes do planeta Terra... Mas, nessa altura, tudo aquilo ainda importava para o britânico?

— Depois... Estou com preguiça. – Depois dos poucos segundos refletindo respondeu o anticristo.

— Eu também. – Murmurou preguiçosamente e diminuiu um pouco o aperto que fazia na cintura do loiro, fechando os olhos no processo e se ajeitando mais confortavelmente na cama.

Ficar mais um tempo na cama não faria diferença nenhuma, Pip concluiu tranquilo antes de em pouco tempo adormecer novamente e, a contra o seu gosto, sonhar...

Sonhar com a cama de colchão ruim do orfanato, o cheiro de mofo, de chuva e da lenha queimando na lareira da antiga construção, sonhar vividamente sobre as horas que ficava na janela observando os carros passarem pela rua da periferia. Phillip havia morado por pouco menos de seis meses no orfanato, não tinha boas lembranças daquele local, fora lá onde as pessoas começaram a lhe odiar, foi ali que nasceu o apelido 'Pip', apelido que ficaria pelo resto de sua vida.

~ ~ ~​

Nero não tinha muita vontade de estar ali com alguns dos outros representantes dos pecados capitais, reunidos na sala de sua casa, discutindo sobre como matar, destruir ou se livrar de Damien. Óbvio que desejava que aquilo acontecesse, porém a preguiça era muita para que levantasse algum dedo sobre qualquer questão, era mais fácil que os outros decidissem. Apesar de que a discussão de Afrodite e Ísis obviamente não levaria a nada e Nandah mais parecia interessada em pintar as unhas e Daeriit estava atrasado.
Se tudo continuasse assim eles deveriam se aliar a Invemon, mas ninguém gostava daquele demônio em especial, e com razão.

— Está pensando no seu namorado Nero? – Nandah indagou enquanto analisava as unhas da mão direita, sentada no sofá de pernas cruzadas.

— Não, estou pensando em como isso pode ajudar em alguma coisa, o Daeriit não tentou coisa parecida? – Estava sentado ao lado dela, ocupava suas mãos com uma espécie de adaga. – Onde a Afrodite conseguiu isso?

Daeriit era do demônio da gula, provavelmente o único primo que Nero considerava de verdade, a alguns anos ele havia conseguido um tipo de adaga sagrada. Havia escutado coisas sobre isso, existiam várias delas no mundo humano e todas eram capazes de matar demônios de alta hierarquia, mas entre todas elas apenas uma poderia matar o filho de todo o mal, uma delas era a arma mortal que poderia ser usada contra o anticristo no fim dos tempos... Enfim, Daeriit de algum modo conseguiu uma delas e tentou usa-la em Damien, no final não era a adaga certa.

— Não é óbvio? Ela deu para alguém em troca disso.

— Mais respeito por favor. — Afrodite estreitou o olhar para Nandah, a morena estava sentada em cima da mesa de vidro, como se ela não fosse se quebrar com o peso. Realmente não iria.

— Foda-se, eu sei que estou certa.

Escutu Ísis murmurar um 'idiotas' e suspirou derrotado, haviam ignorado sua primeira pergunta e Nero estava com sono demais para repetí-la.

~ DIP ~

Hoje mais cedo Pip descobriu que até mesmo Satã possuía uma celular quando ele ligou para o filho e o convidou para jantar em sua casa. A contra gosto Damien aceitou e agora ambos estavam ali, na cobertura do prédio sentados em uma mesa com o rei do inferno e Saddam Hussein.

Pip até tentou comer um pouco da comida servida a mesa, o cheiro era ótimo e a aparência igualmente, mas tudo estava quente demais e parecia que nunca iria esfriar, talvez por estar no inferno. Damien e Saddam discordavam sobre alguma coisa que o loiro não se interessou e Satã perguntou o motivo dele não estar comendo nada, o qual mentiu rapidamente dizendo que não estava com fome. Era tão estranho que estivesse a mesa com eles novamente, principalmente naquela situação. Eles agiam como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse morrido e o britânico não sabia muito bem o que fazer, obviamente ainda tinha muitas perguntas sobre o que os primos do anticristo pretendiam com tudo que fizeram até o momento, mas não sentia-se a vontade o suficiente para falar qualquer coisa sobre isso.

— Vai se foder Saddam! – Damien falou um pouco mais alto que antes, sobre algum assunto que, por sorte, Pip não prestou a atenção de poderia. – Por quê não cuida da sua vida!?

— Eu estou morto moleque.

— Então cave uma maldita cova e apodreça dentro!

— Damien... – Satã repreendeu o filho.

Na visão do loiro era engraçado de assistir aquela cena, mas não ousaria soltar um sorrisinho. O anticristo obedecia o pai, pelo menos algumas vezes.

— Damien, o Daeriit está te procurando.

— Eu não vou falar com ele. – Damien falou com um desdém no tom de voz, parecendo não gostar nada do citado Daeriit. – Da última vez ele tentou me esfaquear.

— Eu sei. – Satã não deu muita importância sobre o que o filho falou de ser esfaqueado. – Mas agora a situação é diferente...

— Não tem nada de diferente. – O anticristo cortou, sem a menor vontade de por aquele assunto a mesa.

— Não seria mais fácil jogar o problema em um rio de lava?

Saddam Hussein falou e Pip, que poucos segundos atrás sentia-se invisível naquele jantar, foi o alvo de todos os olhares em poucos instantes. Ele era o problema, e já havia imaginado isso, o francês – perdão, o britânico – sempre era o problema, até depois de morto continuava sendo um estorvo para todos ao redor. Mesmo que essa não fosse exatamente a verdade, Pip acreditava que era.
Pensou em falar algo, mas Damien foi mais rápido:

— Se você não calar a boca veremos quem realmente vai ser jogado em um rio de lava. – O tom era de ameaça, um aviso.

— Eu só dei uma ideia. – Retrucou Saddam, não levando a ameaça a sério.

Encarando o prato de sopa Pip ponderava se deveria falar algo naquela situação ou permanecer em silêncio como o de costume, isso sem em momento algum notar o olhar de Satã sobre si. No momento em que decidiu não falar nada o príncipe do inferno perguntou-lhe, pelo tom se voz parecia que ele esperava uma resposta.

— Você não vai mesmo falar nada Pip?

— S-se eu – Pip gaguejou um momento antes de respirar fundo e continuar. – se eu estiver mesmo atrapalhando algo, o mais sensato é se livrar de mim logo.

Aquelas palavras eram exatamente o que o britânico pensava, mesmo que não gostasse de admitir em voz alta como fizera e segundos refletiu se deveria mesmo ter falado aquilo, daquela maneira tão direta. Decidiu que provavelmente teria sido melhor mentir, mas agora já era tarde demais para lamentar sobre algumas palavras erradas soltas o vento. Não soube descrever o olhar de Damien quando terminou de falar, era perplexo talvez? Segundos depois Saddam Hussein levantou da mesa falando algo sobre sair para não ajudar a lavar a louça.

— Eu perdi a fome – O anticristo rapidamente interrompeu o pai enquanto arrastou a cadeira para trás e se levantou. – Vamos Pip.

— Mas Damien...!

Antes que pudesse protestar foi arrastado pelo braço para longe da mesa e saiu do apartamento. A reação do anticristo surpreendeu Pip de maneira confusa, na verdade toda aquela situação estava terrivelmente estranha e confusa, as vezes desejava saber o que se passava na cabeça de Damien.

Sentiu Damien soltando o braço e logo em seguida pegando sua mão, continuou levá-lo pelo corredor e disse sem olhar para o loiro:

— Você não vai mais falar daquele jeito Pip, você não está atrapalhando nada.

— Mas se eu estiver, você pode só...

— Mas você não está, Pip! – Damien praticamente rosnou ao terminar de falar, parou de caminhar e virou-se para encarar o loiro, existia algo no olhar dele que Pip não conseguiu decifrar. – Eu não consigo entender como você ainda fala assim!

O britânico também não sabia exatamente o motivo para sempre falar, pensar, daquele jeito. Ele só era sempre sincero e falava, pois no final se tornava a opção mais fácil.

— Nem eu Damien...

Sua mão foi puxada pela do anticristo, que, tão rápido quanto parou, continuou o caminha na direção do fundo do corredor, onde ficava a escadaria. Pip pensou em falar mais alguma coisa, mas nada lhe vinha a mente, talvez simplesmente não fosse necessário falar algo. Damien estava estranho, não um estranho ruim ou bom, apenas diferente.

Pip queria muito saber no que ele estava pensando.

Notas finais
Um feedback, please? Não? Okay *lágrimas*