Everybody hates Pip
3 Pip é britânico, não francês!
Pip cutucava a comida na sua bandeja com o garfo distraidamente, sem ter a menor intenção de comê-la. O pequeno britânico havia falado para Damien não ir almoçar com ele, mas ainda lhe doía um pouco ter recusado a companhia de uma pessoa que havia o ouvido e se disposto a ficar com ele em algum horário do dia. Mas Pip não tinha ninguém para lhe fazer companhia no almoço e, obviamente, Damien não procuraria um fracassado como amigo. E Pip era exatamente aquilo.
Além disso, ele julgava aquilo como sendo o melhor desfecho, no final Pip não desejava que Damien fosse odiado apenas por andar com o loiro.
Pip olhou através das mesas e viu o garoto vestido de preto em outra mesa sentado com Stanley Marsh, Kyle Broflovski, Eric Cartman e Kenneth McCormick, e por alguma razão eles agiam como se já conhecessem Damien. O loiro deu uma pequena mordida na sua comida e suspirou. Era melhor daquela forma, se Damien andasse com aqueles quatro são seria odiado e desprezado. Mas na realidade Pip não tinha a menor ideia do motivo de ser tão odiado por todos. Talvez as pessoas ali tivessem algo contra os franceses? Mas Pip não era francês. Porém, com exceção de Damien, todos ali pensavam que o loiro era francês. Ou talvez eles simplesmente odiassem a França ou algo do tipo? E se Pip começasse a se opor ao bullying talvez as pessoas passassem pelo menos a respeita-lo? Mas continuava sendo uma ideia duvidosa e no final Pip provavelmente seria espancado ou algo do tipo.
–Não é como se eu pudesse fazer algo. –Murmurou tristemente.
Pip olhou na direção de Damien novamente, o qual esvaziava sua bandeja na lata de lixo e em seguida desviou seu olhar para encarar Pip, o qual no mesmo segundo abaixou a cabeça e começou a comer apressadamente. Se Damien tiver pegado Pip encarando-o ele poderia fazer com que os seus novos amigos fossem intimida-lo, então o loiro passou apenas a encara a mesa e comer sua comida o mais rápido que pudesse, tentando fazer parecer que ele estava comendo o tempo todo. Damien não poderia ir ali! Não poderia!
–Hey Pip, onde estão aqueles amigos que você disse que eu não gostaria? –Damien perguntou, recebendo uma resposta incompreensível do loiro. –O que?
–Eu disse, os amigos que você não gostaria estão á nossa volta, nesse exato momento. –Pip repetiu, agora falando um pouco mais alto.
–Você está louco ou algo assim? Não há ninguém nessa mesa!
–Exatamente! –Pip falou um pouco mais alto do que pretendia. –Eu não tenho nenhum amigo!
–Você é realmente um idiota, Pip.
–Vai embora! –Pip lançou um olhar sombrio para Damien. –Eu não te quero aqui!
–Sim, você quer sim. –Damien falou indiferente. –Sem ofensas, mas é meio obvio que você quer amigos.
Damien só poderia estar tirando sarro dele.
–“Ofensas” –Murmurou sombriamente. –Me deixe em paz. Eu não estou exatamente com vontade de ser feito de palhaço agora.
–Eu não estou tirando sarro de você. –Falou Damien, sem mudar sua expressão ou tom de voz. –Apenas estou afirmando o obvio.
–Sai daqui! Eu não te quero como amigo.
–Por que não!?
–Você não entendeu, não é mesmo? –Pip se irritou. –Se você falar comigo todo mundo também vai te odiar!
Pip estava terrivelmente ciente que por gritar com Damien seria espancado depois. Bem, iria doer como sempre, mas o loiro já era meio acostumado com aquilo.
–Talvez eu não de a mínima para o que esses babacas pensam de mim. –Damien respondeu calmamente, com uma pontada de ironia. –Já parou para pensar nisso?
Pip, por pura e simples irritação, literalmente pegou sua bandeja e jogou por cima da cabeça de Damien. Mas no momento que viu o suco de laranja escorrendo o único sentimento que Pip conseguiu distinguir no momento foi horror, e um pouco de medo já imaginado o que aconteceria consigo depois daquilo. Deus, eu realmente não queria ter feito isso!
–Oh Deus, o que eu fiz? –Pip falou apressado, dando a volta na mesa. –Estou tão terrivelmente arrependido! Não sei o que deu em mim! –O loiro apressadamente tirou a bandeja de cima da cabeça de Damien, e passou a recolher pedaços de carne, alface e batatas fritas dos cabelos negros de o outro garoto, ainda se desculpando. –Eu realmente sinto muito...
Damien ficou chocado e não moveu um musculo, mas antes que ele pudesse se irritar com o pequeno britânico algumas outras pessoas decidiram que bateriam no loiro por ele.
–Pip, por que diabos você fez isso para o Damien? –Falou Stan, puxando o britânico pelo colarinho. Kyle, Cartman e Kenny estavam atrás dele, Cartman tinhas os braços cruzados e Kyle manteve as mãos no quadril ambos com irritação no olhar, Kenny não olhava para o loiro irritado, na verdade ele parecia se divertir com Pip prestes a ser atacado.
–Eu não quis fazer isso Stan... realmente não sei o que deu em mim! –Pip tentou se afastar.
–É melhor que isso não volte a acontecer! –Kyle gritou. –Damien é legal, se você fizer isso novamente nos prometemos que haverá dez vezes mais dor que agora!
–O judeu está certo. –Cartman suspirou meio irritado. –Sinto muito pelo quer vou fazer agora... na verdade não sinto. –Falou despejando uma caixa inteira de leite na cabeça de Pip.
–Oh meu... isso é um verdadeiro desperdício, não acha bundão? –A voz era de Damien. –Entendam, eu não me importo se vocês baterem no Pip, mas não faça por algo que ele fez para mim. Sim por algo que ele fez para vocês!
–Hhpp, hnnhp hmmnp hhmph hupmhg.
Aquilo poderia ser traduzido aproximadamente como: Mas eles nunca fez nada para nós. Damien levantou uma sobrancelha ao ouvir essas palavras de Kenny.
–Então por que isso se eles nunca fez nada para vocês?
–Porque ele jogou uma bandeja de comida em você! -Exclamou Stan.
–Bem, eu não me importo. E vocês são uns idiotas.
Stan soltou Pip e se afastou, murmurando algo sobre como Damien era ingrato.
–Eu não gosto dele, ele é um francês idiota! -Stan gritou e Kyle concordou com a cabeça.
Damien balançou a cabeça, rindo discretamente com um pouco de maldade, mas logo ficou serio, como se tivesse lembrado de algo importante.
–Pip é britânico, –Damien falou com uma ponta de irritação. –não francês.
A felicidade que Pip sentiu naquele momento não podia ser descrita em palavras. Alguém finalmente havia falado aquela bendita frase que o loiro nunca conseguiu completar!
~ DIP ~
Damien e Pip estavam no bainheiro masculino, o loiro ajudava o outro garoto a tirar o resto de comida do cabelo. Cinco minutos mais cedo Damien havia defendido Pip quando lhe chamaram de francês e tentaram agredi-lo, uma atitude impressionante, principalmente vinda daquela pessoa em particular naquela situação. O fato era: Pip havia jogado uma bandeja de comida na cabeça do outro garoto e mesmo assim ele havia ficado do lado do loiro. O pequeno britânico estava inegavelmente feliz, mas não deixava de se questionar do motivo que havia levado Damien a defendê-lo.
–Vo-você não precisava ter me ajudado Damien. –Gaguejou um pouco. –Quero dizer, o-olha o que eu fiz com você...
–Eu realmente não me importo com isso. Apenas me irritei um pouco porque eles te confundiram com um francês nojento. –Damien deu os ombros, tirando a ultima batata frita do cabelo. –São uns babacas mesmo...
–Ah, mas isso sempre acontece, todos acham que eu sou um francês dês de que cheguei em South Park.
–E você não faz nada?
–Eu até tento, mas ninguém nunca me deixa falar até o final.
–Entendo.–Damien puxou a boina encharcada de leite da cabeça de Pip. –Você não vai secar isso?
–Oh sim –O loiro aproveitou para tirar o sobretudo, o qual estava meio molhado e com algumas manchas. –Que droga, que lavei isso ontem...
Pip torceu a boina na pia observando o liquido branco descer pelo ralo, em seguida pegou o sobretudo e fez o mesmo com uma das mangas. O loiro estava meio nervoso, Damien estava ali do seu lado e só Deus saberia o que estava passando na cabeça dele, se ele não tivesse perdoado Pip? Ele lhe bateria? Porém mesmo depois de tudo que havia acontecido Damien continuava a ser gentil. Mas é se ele só estivesse esperando o momento certo para bater em Pip? Deus, aquele era o momento perfeito! Eles estavam sozinhos e não havia testemunhas, mas mesmo que houvesse ninguém iria se importar. O que o pequeno britânico poderia fazer? Fugir? Correr? Se esconder?
–Por que você está com medo?
–E-eu não estou com medo. –Falou um pouco mais baixo que deveria, virando a cabeça para encarar Damien, mas voltando a olhar para a pia três segundos depois. –Por que você acha isso?
–Seu olhar não mente. –Damien suspirou. –Entenda, eu não vou bater em você.
–Como posso ter certeza? –Retrucou torcendo o sobretudo com um pouco mais de força do que o necessário.
–Não pode, e eu não estou mentindo.
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