Everybody hates Pip
30 O casamento
Damien não estava acostumado a sentir aquele nervosismo. Nem mesmo quando ainda estava no Inferno e falou com todas as palavras que não queria ser O anticristo, não ficou nervoso ou ansioso com qualquer coisa que fosse e nem mesmo com a possibilidade do futuro, de que realmente morreria como mortal.
Ele estava bem com tudo isso, com perder os poderes e o título se isso significasse poder escolher fazer as próprias escolhas da sua vida.
Por causa disso, era estranho que estivesse sentindo aquele frio na barriga por assinar um papel. Damien nem mesmo era muito ligado aos costumes mortais apesar de aqueles dois anos vivendo como um deles... Mas ver Phillip tão feliz com aquelas roupas, que eram apenas um pouco mais formais do que ele já usava normalmente, um terno branco, com a gravata borboleta vermelha e brega que ele fez tanta questão de usar, passava um sentimento estranhamente contagiante.
Finalmente conseguia admitir para si mesmo que amava Pip de um jeito que não conseguia colocar em palavras e os votos que tinha planejado simplesmente não pareciam bons o suficiente.
Mas precisava falar, estava ali e agora dentro da sua casa, segurando as mãos de Pip com um juiz de paz e algumas testemunhas – Craig, Tweek, Gary e Heidi – parar tornar oficial em uma cerimônia que seria rápida e simples, mas significativa de formas que não conseguiria explicar nem se tentasse:
Olhando nos olhos azuis de Phillip, Damien começou:
— Eu tô mais nervoso do que gostaria de admitir por causa disso — Soltou um riso sem graça e apertou as mãos de Pip. — quando a gente se conheceu, eu não poderia imaginar que as coisas terminariam assim, por um monte de motivos diferentes e você sabe de todos eles. Eu estava conformado antes de você aparecer na minha vida, sabia o que eu deveria fazer e quando faria, eu aceitei ter uma missão… Mas, Phillip, você me fez enxergar que eu não precisava seguir aquele caminho, que poderiam existir outros caminhos e que a minha vida não precisava estar toda planejada. — Engoliu um pouco de saliva para tentar fazer aquele nervosismo descer junto. — Hoje, eu não sei o que vai ser de mim no futuro e eu não sabia que ansiava tanto por isso antes de ter isso bem nas minhas mãos, ainda mais porque agora eu sei que vou descobrir tudo com você do meu lado. Eu não pediria nada diferente da gente. Eu te amo, Phillip.
Ainda estava encarando o loiro e, a medida que falou tudo, surgiu um brilho nos olhos dele e os olhos encheram de lágrimas, mas ele soltou a sua mão apenas por um segundo para secar e logo voltou a segurar, abrindo um sorriso pequeno, mas completamente honesto:
— Não sou muito bom com palavras e, preciso confessar que, não sei o que deu na minha cabeça para querer isso, mas não consigo me arrepender. — Ele ainda estava sorrindo desse jeito terno e bonito que lhe deu vontade de sorrir junto. — Nem mesmo parece que é verdade, ainda tenho dificuldade para processar tudo que aconteceu e eu não sei o que seria de mim hoje se eu nunca tivesse te conhecido, Damien. A minha vida foi difícil, ela ainda é e você sabe disso. Você viu coisas que eu gostaria que não tivesse visto, escutou minhas lamúrias e, mesmo depois de tudo, ficou comigo. Damien, eu simplesmente não pude acreditar quando você me pediu em casamento, parecia mentira. Qualquer coisa boa que me acontece nunca parece verdade, nem que pode durar muito… mas você ainda está aqui. Você me deu muito mais do que eu sonharia em ter ou pedir, até mesmo mais do que sinto merecer. — Acariciou a mão dele nesse momento em um gesto sutil, apenas com o polegar. — Eu também te amo.
Os dois se encararam por alguns longos segundos, sorrindo, em um momento que estava absolutamente perfeito…
— Vocês são gays demais.
— Craig!
Com exceção de Tweek, todo mundo acabou rindo interrupção repentina, inclusive os recém-casados e depois disso o resto da curta cerimônia ocorreu sem problema algum. Os dois assinaram os papéis de união civil e a parte formal acabou bem rápido, sobrando apenas um momento em que Damien e Pip foram confraternizar um pouco com as testemunhas, vulgo convidados de algum que nem mesmo poderia ser considerado uma festa de casamento.
Phillip chamou Craig, Tweek e Gary para participar e Damien não tinha nada contra nenhum deles, especialmente porque se lembrava bem do pouco tempo que frequentou o colégio com todos e eles nunca trataram Pip mal, eventualmente se tornaram alguns dos poucos amigos dos dois.
Além disso, Craig e Tweek lhe ajudaram a recuperar a aliança roubada anos atrás, a mesma que o seu marido agora usava na mão. Era uma história bastante simples e foi uma surpresa real ver uma pessoa ansiosa como Tweek conseguindo socar tão bem a cara de Trent Boyett. Ele não parecia ter toda aquela forma e Damien rapidamente percebeu o quão preconceituoso tinha sido com o Tweak. Depois disso, além de serem amigos de Phillip, também eram os seus.
Com Heidi foi uma situação parecida, Damien se sentiu obrigado a dar o braço a torcer depois que ela não lhe dedurou quando cuspiu na comida de Stanley Marsh e os amiguinhos dele, depois disso a convivência no tempo que trabalharam juntos foi até bem divertida.
Havia algumas comidas, tira gostos e bebidas na mesa que estavam lá apenas por insistência de Pip, já que, de acordo com ele, seria uma desfeita que os dois, como anfitriões, não oferecessem nada para os convidados. Damien argumentaria que não eram realmente convidados, sim testemunhas, mas o britânico estava tão animado com a ideia que não teve coragem de falar nada disso. Provavelmente era a coisa mais próxima de uma festa que ele participou na vida e isso meio que também se aplicava a Damien.
No momento todos estavam na sala, no sofá, e também foi necessário pegar algumas cadeiras da mesa de jantar. A conversa girava em torno de alguma fofoca que não era bem do seu interesse, enquanto segurava a mão de Pip discretamente, sentado bem na cadeira ao lado da sua.
— Eu estou um pouco curiosa. — Heidi comentou chamando a atenção de todas as poucas pessoas presentes, mas ela olhava na sua direção e na de Phillip. — Por que vocês escolheram se casar em casa?
Olhou para o seu marido – por Satã, finalmente marido – e esperou ele responder. Pip lhe encarou por um instante, mas rapidamente voltou a atenção a mulher e a pergunta dela:
— Nós não tivemos muitas opções. — Ele começou e encolheu os ombros, ponderando por alguns instantes em como explicar. — Eu e Damien concordamos que seria ideal evitar problemas hoje.
O ensino médio havia terminado há alguns anos, sim, assim como muitos dos antigos estudantes se mudaram de cidade ou até estado, para tentar uma faculdade ou qualquer outra coisa. Mas os que ficaram continuavam não gostando de Phillip e de Damien, o pior que isso não era um comportamento exclusivo só dos seus antigos colegas.
Donos de lojas, restaurantes e pessoas no geral, por algum motivo, também odiavam Pip. Um lugar público ou um privado estavam fora de questão por diversos motivos. O que os restou foi fazer a cerimonia em casa.
— Acho que dá para entender…
Tweek comentou de um jeito vago. Ele, Craig e Gary eram quem mais entendia do que Pip estava falando, enquanto Heidi pareceu ainda um pouco confusa. Ela foi a que menos conviveu com todos os outros na época do colégio, viu bem menos do bullying e estava prestes a falar mais alguma coisa, mas Gary acabou sendo mais rápido:
— Eu odeio interromper vocês, mas creio que já está na minha hora de ir. — O mórmon deu um sorriso que só poderia ser descrito como brilhante e se levantou, guardando o celular dentro do bolso na calça. — Obrigado de novo por terem me chamado.
— Eu que preciso agradecer por você ter vindo, Gary!
Sabia que Phillip estava prestes a levantar e se oferecer para ir com o outro loiro até a saída, mas puxou um pouco a mão dele antes que tivesse a chance. O britânico lhe encarou com dúvida e Damien se inclinou um pouco para beijá-lo no rosto, se explicando em voz baixa um segundo depois:
— Deixa que eu vou.
Soltou a mão do marido e levantou, mas Pip logo se engajou em mais alguma conversa que Tweek começou. Ao mesmo tempo, foi com Gary para a porta da frente, que não ficava muito longe, e quando abriu para ele sair havia um carro desconhecido estacionado na frente da casa. De dentro dele saiu alguém, dessa vez que Damien conhecia.
Stan Marsh fechou a porta do carro e se virou naquela direção, abrindo um sorriso quando viu Gary. Os dois já estavam namorando há um ano e meio ou dois, não se importou de saber o tempo exato.
Havia uma razão para Damien ter insistido em fazer isso e não era apenas por gentileza. Se Pip estivesse ali no seu lugar, ele convidaria Stan para entrar por educação e, honestamente, o moreno não queria correr o risco de ter ele ou algum dos outros amigos babacas dele no seu casamento.
O mórmon passou pela sua frente e cumprimentou o Marsh com um beijo rápido nos lábios antes de olhar na sua direção mais uma vez, sorrindo:
— Obrigado de novo.
Se viu obrigado a retribuir a gentileza, mas ainda deliberadamente ignorando a presença de Stanley e ele provavelmente percebeu:
— Eu que tenho que agradecer.
— Ei Damien, tu não vai me chamar para entrar?
O seu sorriso morreu apenas por causa daquela sugestão estúpida, em tom de brincadeira que, na sua opinião, não teve a menor graça. Olhou por alguns segundos para aquele idiota, pensando bem em como responderia e suspirou irritando, balançando levemente a cabeça em negação:
— Não, Marsh, não vou chamar. — Lançou um olhar zangado para o moreno antes de pegar a maçaneta da porta mais uma vez. — Eu não te quero perto de Phillip. Vai embora.
Uma resposta não era do seu interesse e fechou a porta antes que ele tivesse a chance de falar algo. Claro que a sua intenção não era ser grosseiro com Gary, mas simplesmente não conseguia evitar de tratar mal as pessoas que fizeram da vida de Pip um Inferno. Muito menos tinha vontade de perdoar e sabia que, no fundo, Phillip também não tinha, ele apenas tentava ser educado com todo mundo, até com aqueles que não mereciam.
Voltou para o lado do esposo enquanto ele estava falando sobre como ele, Damien, que preparou toda a comida e o moreno não chegou pronto para receber todos os elogios. Aparentemente, era uma surpresa que soubesse cozinhar tão bem e, quando comentou que Phillip era um desastre na cozinha entre os dois, também pegou todo mundo de surpresa.
Era engraçado o julgamento que as pessoas faziam baseado na aparência dos dois, curioso e Damien não conseguia ficar irritado com isso. Conseguia dizer bem quando alguém falava ou fazia algo por maldade, e esse não era o caso.
Mais conversas seguiram por mais algum tempo, a comida e bebida foram acabando, até que Heidi precisou ir embora em torno de uma hora e meia depois da cerimônia ter terminado, Craig e Tweek acabaram também saindo pouco tempo depois.
No final, tudo tinha sido melhor do que Damien jamais poderia imaginar.
~ DIP ~
Arrumar a bagunça não foi demorado, nem realmente cansativo e já havia anoitecido quando eles terminaram. Era engraçado fazer isso no dia do seu casamento, Pip pensou enquanto terminava de secar um prato, com um sorriso leve e persistente no rosto. Era engraçado, porque, supostamente, casamentos convencionais não funcionam dessa forma, mas não conseguia imaginar as coisas acontecendo de outro jeito. Assim já havia sido perfeito e muito mais do que pensaria em pedir.
Não realmente tomou um susto quando Damien, de repente, lhe abraçou por trás e colocou o queixo em cima do seu ombro. Só terminou e colocou aquela louça na bancada de granito antes de virar o rosto e beijar a bochecha do seu marido.
— Você deveria ter deixado isso ai, eu ia terminar de guardar os pratos depois.
O loiro balançou a cabeça negativamente e riu baixo:
— Lembra do que eu falei querido, sobre dividir as tarefas?
Mesmo sem conseguir realmente ver, sabia que ele tinha revirado os olhos daquele jeito ligeiramente contrariado. Ele já fazia toda a comida, sempre, pois Pip era um desastre absoluto na cozinha e se sentiria mal com isso se não pudessem nem mesmo ficar responsável com a limpeza.
— Lembra que eu não ligo? — Retrucou e isso fez lhe fez se virar e ficar cara a cara com ele. — Eu só to dizendo, Phillip, eu não-
Aquela discussão era simplesmente ridícula demais para que Pip permitisse que continuasse, por isso interrompeu Damien com um beijo. Colocou as mãos apoiadas nos ombros dele, lentamente levando uma delas a segurar no cabelo preto. Ele não lutou contra isso, muito pelo contrário e o beijo foi muito bem recebido no mesmo instante. Logo o abraço ficou um pouco mais apertado que antes e o loiro sentiu aquelas mãos passeando lentamente pela lateral do seu corpo.
Apoiou a mão livre atrás das costas, no balcão, quando o outro homem lhe empurrou para se sentar ali enquanto o beijo ficava cada vez mais intenso. Soltou o cabelo dele e desceu a mão para apertar o tecido preto nas costas, ao mesmo tempo que as mãos de Damien amassaram as suas roupas em uma procura por tocar diretamente a pele.
O moreno conseguiu, com uma mão só, desabotoar alguns botões da sua camiseta social mais para a parte da barriga e enfiou a mão quente por dentro do tecido, deslizando e tocando daquele jeito que fez um arrepio subir, não o suficiente para serem cócegas, mas Pip apenas contraiu o estômago por um instante.
Ele soltou os seus lábios e o loiro ofegou baixo de desejo, ainda mais ansioso quando ele foi para a orelha, desceu pelo rosto e chegou no pescoço, beijando e mordiscando. As mãos de Damien também não estavam quietas, ele tocava em todos os lugares certos e Pip cada vez mais queria se livrar daquelas roupas.
— Então... — Damien começou usando aquele tom de quem não quer nada, mas, no fundo, era cheio de segundas intenções. Ele afastou o rosto apenas um pouco, o suficiente para que os dois pudessem se olhar e estava com um sorrisinho pequeno, mas malicioso. — Se a gente casou hoje, então agora é a noite de núpcias?
Pip não conseguiu não rir, mas um segundo depois puxou ele pelo queixo, com uma mão só, para perto e deu um beijo rápido nos lábios. Quando se afastou, também estava com um sorriso:
— Creio que sim. — Olhou para o rosto do marido, enquanto respondia a pergunta com esse tom igualmente repleto de malícia. — Não vejo porque não seguir a tradição…
Então Damien atacou os seus lábios novamente e foi com as mãos direto para as pernas, onde segurou e amassou o tecido da calça social. Pip não poderia se importar menos, estava muito ocupado em ajudar o outro homem a tirar aquela gravata apertada do pescoço e se perder no beijo. Quando ele lhe puxou para fora da bancada, o britânico agarrou a cintura dele com as pernas no mesmo instante. As mãos de Damien agarraram com mais vontade nas suas coxas antes dele sair lhe carregando para longe da cozinha, até o quarto dos dois e Pip só realmente percebeu onde estava quando o beijo acabou e sentiu as costas deitando no colchão macio.
Os dois já estavam sem algumas peças de roupas, mas juntar elas espalhadas pela casa seria um trabalho para amanhã. Por cima de Pip, Damien esticou um braço e ligou o abajur na mesa de cabeceira e finalmente eles puderam ver um ao outro. Já havia perdido a vergonha de transar no escuro há alguns anos, mas o jeito que o moreno olhou na sua direção fez o rosto de Pip esquentar de vergonha. Havia tanto desejo, essa adoração e esse amor que fazia o seu coração bater rápido dentro do peito.
Foi com as duas mãos até o rosto dele e o puxou para mais um beijo, que acabou sendo mais breve que o anterior, já que Damien quebrou para se concentrar em tirar as suas roupas e Pip alegremente cooperou nessa tarefa. Logo estava só com as roupas de baixo e prestes a ajudar o amante a tirar as dele também, mas não teve chance depois que ele lhe empurrou de volta para a cama.
As mãos dele passearam por toda sua pele nua, enquanto Damien se colocou entre as suas pernas e também lhe puxou mais para perto, agora perto o suficiente para poder beijar de novo. Mas Phillip também queria poder tocá-lo sem ter todas aquelas roupas atrapalhando e o moreno, pegando seus sinais de puxar o tecido com as mãos, rapidamente tratou de tirar toda a parte de cima do terno.
Os beijos desceram pelo pescoço e Damien foi lento em tocar toda a pele que passava com os lábios, marcando a pele branca sem pudor algum, enquanto Pip sentia que o ambiente ficava cada vez mais quente. Ele passou um tempo no peito e quando uma mão boba desceu até a sua roupa de baixo, uma cueca box branca, e se enfiou dentro do tecido, não conseguiu evitar de ofegar e morder as costas da mão. Era impressionante como Damien sabia exatamente como e onde lhe tocar, eles ainda não tinham feito nada demais e o loiro já estava com uma excitação visível no meio das pernas.
Acabou rindo por causa de cócegas quando ele chegou na barriga, mas o suor e o prazer que sentiu com a mão ao redor do seu pênis foram sensações bem mais predominantes. Pip olhou para baixo e viu aquele par de olhos castanho avermelhados lhe encarando de volta, junto de um sorrisinho que fez todos os pelos do seu corpo arrepiarem.
Damien não era nada menos que a sua perdição e Pip, alegremente e com prazer, daria para ele tudo que ele quisesse ter.
— Pode pegar pra mim, Phillip? — Ele apontou para a mesa de cabeceira, especificamente o tubo de lubrificante pela metade que os dois sabiam que ficavam dentro da gaveta e Pip esticou o braço para alcançar, não levando três segundos completos para achar e logo entregou para Damien. — Obrigado.
Depois ele tirou a sua última peça de roupa que ainda estava no corpo e Pip ofegou baixinho de alívio, só para, poucos segundos depois, agarrar o travesseiro e esconder o rosto, acabando por abafar os próprios gemidos também. A boca de Damien era quente e muito agradável ao redor da sua ereção, mas ao mesmo tempo ele também trabalhava com os dedos lisos de lubrificante na sua bunda, enfiando, preparando para o que viria depois e deixando o loiro apenas mais e mais ansioso por isso.
Só largou o travesseiro quando sentiu a necessidade de colocar as mãos naqueles cabelos escuros e macios, enquanto se contorcia até os dedos dos pés. Não conseguiu evitar gemer o nome do marido, assim como implorar por mais, mas ele só tirou a boca do seu membro e manteve aqueles dois dedos enfiados no fundo da sua entrada. Conseguia sentir, mas não era o suficiente:
— D-damien, por favor… — O outro homem nem mesmo deu uma resposta verbal, apenas cantarolou baixinho enquanto continuava explorando o seu interior com os dedos, indo cada vez mais fundo, até que chegou naquele lugar que fez o loiro gemer, estremecer de prazer e implorar mais uma vez. — P-por favor, eu preciso de você tanto...
— O que você quiser, meu amor.
Ele subiu a cabeça para beijar de leve a área do estômago, afetuosamente, enquanto também tirava os dedos e Pip se sentiu estranhamente vazio por um momento. Logo Damien se afastou um pouco para lhe colocar de bruços na cama e Phillip se apoiou bem nos joelhos quando ele puxou o seu quadril para cima, ao mesmo tempo que agarrou o travesseiro de antes e escondeu a metade do rosto.
Tentou olhar para trás e só teve tempo de ver Damien espalhando bastante lubrificante no próprio pau antes de virar o rosto para frente de novo, cravando as unhas no travesseiro no momento que sentiu ele encaixando e enfiando só a cabeça. O resto entrou sem muita resistência e os dois gemeram ao mesmo tempo. As unhas de Damien estavam firmes na sua coxa e quadril, mas as primeiras investidas foram lentas e Pip choramingou baixinho, apertando bem os olhos e abraçando o travesseiro mais forte.
Era tão bom, de um jeito que não conseguia colocar em palavras e nem mesmo tentaria. As mãos de Damien na sua pele, o pau dele atingindo todos os lugares que os dedos não conseguiam, o jeito que ele lhe abraçou por trás com um braço só. Agora conseguiu sentir o peito dele nas suas costas e a respiração ofegante na nuca, enquanto a outra mão foi direto para a sua ereção e segurou sem cerimônias.
Tudo isso enquanto ele não parava as estocadas, nem por um instante, e Pip se sentiu cada vez mais perto do limite. Mordeu o travesseiro quando a mão de Damien começou a lhe tocar e as investidas ficaram mais rápidas, até mais fortes, sem conseguir parar de gemer abafado até finalmente gozar na mão do marido.
Continuou ofegante e soltando alguns sons entre gemidos e choramingos durante os mais ou menos trinta segundos que Damien continuou estocando até ele morder o seu ombro e gozar dentro. Só depois de tudo se permitiu relaxar os músculos, ao mesmo tempo que o moreno lhe deitou com cuidado na cama.
Virou o rosto em tempo de ver Damien se deitando também, com a pele levemente brilhante pelo suor, o rosto avermelhado e os lábios separados, silenciosamente ofegante.
Os dois, se fato, precisavam de um banho depois de tudo, mas Pip se sentia tão cansado para ter vontade de levantar e fazer isso.
— Phillip?
Enfiou a cara no travesseiro e a sua resposta não passou de uma monossílaba preguiçosa "hm?", o que fez Damien soltar um risinho cansado:
— Eu te amo.
Precisou olhar para ele de novo, até se forçou a erguer a cabeça apoiando os braços na cama. Amava aquele homem tanto e mais que tudo, não conseguia nem explicar e aquela simples resposta nem mesmo parecia o suficiente:
— Eu também te amo, Damien.
Ele lhe encarou de volta por longos segundos, com aquele pequeno e cansado sorriso, antes de abrir a boca para falar novamente, na verdade, perguntar algo:
— Quer que eu te carregue até o banheiro?
As vezes era inacreditável o jeito que Damien conseguia adivinhar os mais simples pensamentos e desejos de Pip, ou talvez ele simplesmente estivesse habituado com a preguiça pós sexo que o loiro sempre ficava. Não evitou de soltar um risinho com isso:
— Você faria isso por mim?
— Com prazer, querido.
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