Everybody hates Pip
12 Dor
O corredor estava praticamente deserto e Pip não tinha como pedir ajuda. A alguns minutos atrás alguns garotos quaisquer haviam trancado o loiro dentro de um dos armários do colégio e agora ele estava perdendo aula contra a própria vontade, se o loiro tivesse corrido um pouco mais tal situação teria sido evitada, mas já estava tarde demais para chorar pelo leite derramado. O que lhe restava fazer era esperar que alguém relativamente indiferente a si passasse pelo corredor para que pudesse pedir ajuda, vários negavam tirar o loiro de lá e alguns riam da sua desgraça, mas com sorte passaria alguém como Butters ou Gary, os quais até hoje nunca negaram em ajudar o britânico quando aquilo acontecia.
Pelas frestas da porta de metal Pip tentava ver quem passava pelo corredor, alguém do grupo de Trent que iria somente rir e não ajudar em nada, um garoto gótico alto que o loiro nem cogitava em chamar atenção, Stan iria tira-lo de lá somente para lhe espancar depois por causa do incidente com Kyle, Wendy, Clyde, Token, o irmão do Kyle. Enfim, ninguém que tivesse qualquer motivo para ajudar Pip e um deles estava esperando uma oportunidade de espanca-lo.
Nada realmente animador...
O lugar era bem escuro e estreito, porém Pip ainda era pequeno o suficiente para caber lá dentro sem muito desconforto. Talvez com um pouco mais de iluminação o loiro poderia ser capaz de destrancar a porta pelo lado de dentro, mas esse não era o caso. Eu poderia pelo menos tentar, certo? Sim, e não existia garantia de que não fosse conseguir, afinal não era a primeira vez que algo assim acontecia consigo.
A fechadura em si não era muito complicada e ficava totalmente desprotegida por aquele lado, Pip passou as mãos pelo metal fino e não teve muita dificuldade para conseguir achá-la, tentou mover o que parecia ser o mecanismo para destravar, mas nada aconteceu. Realmente não era uma tarefa difícil, porém a escuridão não ajudava em nada e o loiro só contava com Deus e com a sua pouca sorte. Não haviam muitas esperanças de qualquer forma.
Então de repente a porta abriu-se pelo lado de fora e Pip foi puxado violentamente pela gola do sobretudo, após fechar os olhos por um momento –por culpa da diferença de iluminação entre os ambientes– o loiro viu quem havia tirando-lhe de dentro daquele buraco escuro e estreito e desejou imensamente poder voltar a se trancar dentro do armário. Não que uma fina camada de metal fosse mudar alguma coisa...
–Então foi nesse buraco que você se meteu, Pip. –Stan parecia realmente irritado talvez mais do que o próprio Kyle que estava a alguns passos dali com o nariz coberto por gesso e respirando pela boca.
Aquele não era um momento para se sentir culpado, mas Pip sentia-se terrivelmente culpado. A intenção dele não era machucar ninguém, nem mesmo Kyle! A primeira coisa que veio a mente do loiro foi a idéia de se desculpar, mesmo que aquilo não fosse a melhor coisa a se fazer naquele momento, ele iria fazê-lo.
–Kyle, como esta o seu nariz? –Pip perguntou com a melhor intenção de todas, mas ninguém pareceu notar.
–Estava melhor antes de você quebrá-lo. –Kyle gesticulou com ironia.
–Eu sinceramente n-não queria ter feito isso...
–Não está um pouco tarde demais para isso, Pip? Lembra-se de como você fugiu ontem e não se desculpou? –Kyle interrompeu bruscamente.
–S-sim, porém eu não...
Pip parou de falar e gemeu de dor quando Stan empurrou-lhe para chão sem muitos cuidados, ao tentar se levantar recebeu o primeiro chute no braço fazendo-o desabar em um baque surdo. O loiro soube a partir daquele momento que seria espancado e pelo olhar de ódio que Stanley lhe dirija teve certeza que dessa vez doeria, doeria quase tanto quanto uma surra dada por Trent.
Então Pip cobriu o rosto com os seus braços, espetando que pelo menos Stan se cansasse logo.
Com sorte o loiro não quebraria algum osso ou algo do tipo...
~ DIP ~
Seu corpo estava lhe matando. Pip não se lembrava de ter sido tão surrado por uma única pessoa por tanto tempo, Stan devia estar com muita raiva. Ao tentar se levantar sentiu ainda mais dores e uma dor particularmente aguda e bem maior quando encostou a mão esquerda na porta de metal de um dos armários, mais precisamente no pulso, precisando morder o lábio inferior com força para não gritar e sentindo lagrimas se formando no canto dos olhos, mas não era grande coisa se comparado a um braço quebrado em três partes. Apoiando as costas entre duas portas de metal o britânico respirou fundo pensou sobre seu estado e suas opções no momento, seu pulso estava perigosamente dolorido, havia um gosto metálico desagradável na boca e nenhum professor o deixaria entrar em sala naquele estado. A enfermaria também não seria de grande ajuda apesar de tudo, se estivesse com algum machucado mais sério precisaria ficar sem almoçar por uns dois meses para pagar por algum tratamento no hospital...
Aquela opção não soava realmente agradável.
Pip fechou os olhos e encostou a cabeça na porta do armário, respirando fundo para reprimir a dor quando se movia. Deus, o que eu devo fazer? Se fosse para o hospital iria precisar sair sem ser notado, pois se fosse sr. Green não o deixaria sair apenas para rir da sofrimento alheio como todos os outros. Se ficasse, bem, não sabia exatamente o que poderia acontecer e com um pouco de sorte nada aconteceria.
–Phillip?
Só existiam cinco pessoas na face da Terra que se referiam a Pip pelo nome, e três delas estavam mortas.
–Você está bem? –Gary era a pessoa mais educada que Pip já havia conhecido em South Park e, apesar de a pergunta ligeiramente cretina, sempre tinha a melhor intenção de todas.
–Não realmente companheiro, eu já estive melhor. –Respondeu com uma educação que parecia forçada.
–Quer ajuda ou algo assim? –Gary aproximou-se com preocupação genuína e o britânico pode ver que o olho dele estava inchado com um hematoma roxo, quase preto.
–Sim, na verdade eu adoraria. Gary, você sabe se a enfermaria esta funcionando?
–Não, eles ainda não contrataram ninguém, mas o lugar está aberto. –No final da semana passada a antiga enfermeira havia sofrido um acidente fatal envolvendo animais selvagens ou algo assim, ninguém havia dado detalhes.
–Isso soa maravilhoso. –Pip forçou um sorriso. Talvez tivesse algo para diminuir a dor, ou talvez não.
–Você quer que eu...?
–Pip, o que diabos aconteceu com você?!
Damien estava parado a alguns metros de distancia, mas logo tratou de se aproximar do loiro empurrando Gary grosseiramente para o outro lado. O anticristo não parecia muito feliz, não, ele parecia estar realmente insatisfeito com a visão de Pip machucado com um pulso possivelmente torcido.
–Bem, alguns garotos do 3° ano me trancaram em um armário e o Stan acabou conseguindo me achar. –Pip forçou outro sorriso. –E terminou nisso.
–O Stan fez isso? –A expressão de Gary era um misto de descrença e desapontamento.
–Sim, provavelmente por causa do que eu fiz com o Kyle ontem. –Pip suspirou pesadamente. –Eu tentei me desculpar, mas eles nem me deram tempo de falar.
–Só por causa do Kyle?!
O britânico havia notado algo de estranho no tom de voz do outro loiro, mas achou melhor não pensar sobre isso. E também não pensou em comentar nada quando Gary saiu do lugar apressadamente.
–Damien, eu tenho quase certeza que o meu pulso esta torcido, será que você faria a gentileza de... –Pip calou-se por causa do olhar mortal e sombrio do anticristo.
–Aquele bastardo fez isso com você e simplesmente foi embora? –Gritou.
–S-sim, porém eu não acho que ele...
–E você não fez nada?!
–Não era como se eu pudesse ter feito algo Damien!
–Você poderia ter me chamado!
O silêncio permaneceu por longos segundos até Pip falar com descrença na voz:
–Você viria?
–Isso não é meio obvio!?
Novamente o silêncio durou por quase um minuto, um minuto que Pip jurou que foi uma hora, dessa vez Damien que o quebrou.
–Isso deve estar doendo pra caralho. –Comentou referindo-se ao que parecia ser o pulso quebrado do loiro.
–Sim, muito. Nós poderíamos ir para o hospital ou algo assim?
–Claro. –O anticristo pausou. –Até que você aguenta bem a dor, Pip.
–Eu já estou acostumado com ela.
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