Evening - 1° Temporada

1 Evening 1x01 - Piloto


A ultima música do show do Maroon Five começa a tocar na praça de eventos da cidade. A multidão vai a loucura e canta junto com ele a música formando um enorme coro. Um helicóptero sobrevoa o local filmando o show e o transmitindo ao vivo para todo o país, através de uma emissora de televisão. Assim que a música acaba ele se despede do publico encerrando o show e saindo do palco. Vários fogos de artificio são lançados ao céu encantando as pessoas que ali estavam presente, eles continuam a ser lançados por algum tempo no céu e um deles acerta em cheio o helicóptero que começa a rodopiar no céu causando pânico nas pessoas que começam a gritar e tentar sair de lá, o helicóptero começa a cair em alta velocidade e dentro de segundos bate no chão próximo ao palco em cima da multidão, causando uma explosão que alcança os geradores de energia, que servem de combustível para as chamas, transformando aquele horror em algo ainda pior com uma segunda explosão. As pessoas que estavam no fundo da praça correm desesperadas para longe das labaredas de fogo e gritam ao verem todo o palco e milhares de pessoas serem consumidas pelas chamas.

Cinco meses depois...

Três jovens correm rapidamente dentro de uma estação de trem, desviam das várias pessoas que ali estavam e ao cruzarem ela toda saem para fora onde os trens passavam. Justin olha em volta vendo apenas pessoas esperando o trem e os trilhos vazios. Amanda se encosta na parede ofegante e Ryan joga sua mochila no chão se inclinando e colocando as mãos nos joelhos.

Amanda — Sério?

Justin – Ganhei!

Ryan – Eu estava com a mochila é desvantagem pra mim!

Amanda – Espera, estávamos correndo porque os dois rapazes estavam apostando corrida? Ryan você não está atrasado para pegar o trem?

Justin – Claro que não!

Justin e Ryan batem as mãos rindo e Amanda se senta no banco respirando fundo.

Amanda – Eu não sei mais o que fazer com vocês dois!

Justin – Não se preocupe, Ryan está indo embora hoje!

Ryan e Amanda se olham tristes e ele se senta ao lado dela. Justin se dá conta do que havia dito e balança a cabeça se sentando ao lado de Amanda.

Justin – Não foi o que eu quis...

Ryan – Relaxa cara, não queria que houvesse tristeza na minha partida... Queria aproveitar até o ultimo minuto com meus dois melhores amigos... Não se irrite com a nossa corrida garota!

Ele puxa o nariz de Amanda e ela ri o abraçando de lado, enquanto Justin os fica olhando rindo.

Justin – Não entendo porque vocês dois nunca namoraram, só vivem se agarrando!

Amanda – Porque ele é como um irmão pra mim, coisa que você nunca entenderia já que só pensa em peito e bunda!

Justin – Ah me desculpe por ser macho!

Eles riem e Ryan fica fazendo carinho no cabelo de Amanda.

Ryan – Vou sentir falta de vocês... Não sei o que seria de mim se vocês não estivessem comigo nesses últimos meses!

Amanda – Nós e que temos que agradecer por você ter estado conosco... Não é Justin?

Eles olham para Justin e o vêm olhando para os trilhos concentrado. Amanda lhe dá uma cotovelada e ele se encolhe fazendo uma careta ao olha-la.

Amanda – Acorda!

Justin – Estou aqui pensando... Se ele pegasse um avião chegaria lá muito mais rápido. Medo de água, medo de altura, aparentemente de mulher... Cara antes de ir... Me responde uma coisa... Você é gay?

Amanda o olha surpresa e Ryan sorri o olhando.

Ryan – Ah claro, eu nunca tirei os olhos de você quando tomava banho no vestiário!

Ryan balança a cabeça e Amanda olha para Justin séria.

Amanda – Ele tem um trauma tá legal?

Eles ouvem o barulho do trem se aproximando e se olham sem jeito.

Justin – Droga.

Ryan respira fundo se levantando e vê o trem se aproximando da estação. Justin e Amanda se levantam o olhando e ela começa a chorar. Ryan a abraça forte e beija o rosto dela fechando os olhos. Justin os fica olhando triste e os abraça. O trem para na estação e eles continuam abraçados por algum tempo. Ryan os solta com os olhos lacrimejando. Justin vira de costas enxugando uma lagrima e Amanda sorri com sua maquiagem toda borrada.

Amanda – Isso é uma lagrima, Justin?

Ele se vira os olhando e sorri sem graça.

Justin – É suor Hetero, nada demais!

Ryan ri os olhando e um filme começa a passar em sua cabeça de tudo o que já havia passado com seus dois amigos. Se abaixa pegando sua mochila do chão e a coloca nas costas, olhando para o trem.

Ryan – Então...

Amanda – Se você nos esquecer eu vou lá e dou na sua cara, me ouviu?

Ryan – Vou fingir que esqueci só pra te ver então!

Ele olha para Justin e sorri.

Ryan – E você, para de produzir esse suor hetero dos olhos aí... Isso aqui não é um adeus, ainda nos veremos... Agora sem abraços, sem choro entrarei no trem e vocês vão pra casa, sem olhar para trás!

Amanda — Ryan...

Ela tira uma corrente com um pingente de seu pescoço e coloca na mão dele a fechando.

Amanda – Vou estar com você, ok?

Ele sorri segurando a corrente e assente com a cabeça.

Justin – De mim você vai leva tudo o que eu já te ensinei, como pegar mulher, como mandar cair fora no dia seguinte... Bem melhor que uma correntinha!

Ryan – Tá legal... Se cuidem e cuidem um do outro!

Ele passa por eles indo até a entrada do trem e olha para trás sorrindo de leve ao vê-los o olhando. Amanda acena para ele e Justin coloca suas mãos nos bolsos fazendo um sinal com a cabeça para Ryan. Ele assente os olhando e se vira de uma vez entregando seu bilhete ao funcionário e entrando no trem. Justin coloca sua mão em volta do ombro de Amanda e ela encosta sua cabeça no peito dele olhando para o trem. Ryan se senta em um dos lugares e evita olha-los pela janela. Pouco depois o trem apita, começa a se mover e ele olha para o lado vendo seus dois amigos abraçados o olhando enquanto choram. Ele vira o rosto respirando fundo e fecha os olhos encostando seu corpo na poltrona em que estava sentado.

Annie abre a porta do apartamento de seu namorado, entra a fechando e olha em volta começando a andar em direção ao quarto dele. Ao empurra a porta do quarto, ela vê a cama dele bagunçada e se joga nela olhando para o teto distraída como se estivesse em outra dimensão. Uma lágrima escorre por seu rosto e ela a enxuga, respirando fundo e se sentando na cama vendo uma foto sua com seu namorado no criado mudo ao lado da cama. Vê a gatinha dele entrar no quarto e subir na cama e sorri de leve passando a mão nos pelos dela enquanto ela ronrona.

Annie – Hey lindinha, vim fazer uma surpresa para o seu pai... Cadê ele, hum?

Ela sente seu celular vibrar em seu bolso e o pega o atendendo.

Annie – Oi, pai... É eu saí no meu horário de almoço, vim no apartamento do James ficar um pouquinho com ele... Mas logo estou voltando para o asilo, tá bom?... Até mais... Também amo você!

Ela desliga seu celular e ouve o barulho da porta se abrindo, sorri de leve e ouve James rindo e em seguida a risada de uma mulher. Ela ouve a conversa, as risadas e barulhos de beijos e se levanta da cama rapidamente e entrando no closet, deixando uma brecha na porta. James e a garota entram no quarto se beijando e ela o joga na cama subindo em cima dele e tirando a blusa.

James – Gostosa!

Kelly – Você ainda não viu nada!

Eles sorriem se beijando e começam a tirar as roupas as jogando no chão. Annie fica vendo a cena em estado de choque e tudo o que faz é continuar olhando sem acreditar. James empurra Kelly na cama a deixando só de lingerie enquanto tira sua calça ficando só de cueca e morde o pescoço dela tirando seu sutiã. Kelly arranha o peitoral dele e ri colocando sua mão na cueca dele. Annie abre a porta do closet os olhando ainda chocada e morde os lábios balançando a cabeça.

Annie – Meu Deus.

James e Kelly a olham assustados e Annie continua os olhando. Kelly coloca a mão em seus seios os tampando e James se levanta com os olhos arregalados.

James – Annie... Eu...

Kelly — Merda!

Annie dá alguns passos até a porta os olhando e James se aproxima tentando segura-la. Ela se afasta colocando suas mãos na frente e dá uma ultima olhada para os dois, antes de sair do quarto.

Annie – Desculpe interromper!

James corre atrás dela até a sala e a puxa pelo braço. Ela se vira dando um forte tapa no rosto dele o fazendo a soltar e o olha sem reação alguma. Ele coloca sua mão no rosto e a fica olhando.

James – Annie por favor!

Annie – Eu não acredito nisso... Eu não... Esquece, não preciso nem dizer que não é pra me procurar nunca mais, não é?

James – Eu sou um idiota, isso foi um erro e...

Annie balança a cabeça e sai do apartamento indo em direção ao elevador. Algumas pessoas saem dele e ela entra em seguida. A porta se fecha. Ela aperta o botão para descer e se vira se olhando no espelho do elevador. Sua expressão era sem vida, como se não houvesse ninguém ali dentro de seu corpo.

Cassie empurra a porta de entrada da enorme mansão. Joga sua bolsa em cima de uma mesinha e anda até a sala de estar onde vê sua mãe e algumas amigas tomando chá. Sara a olha sorrindo enquanto coloca a xicara e o pires em cima da mesa de centro. Cassie a fica olhando irritada e as amigas de Sara sorriem.

Sara – Onde estão seus modos, Cassie?

Cassie — Olá senhoras, como estão... Está um lindo dia para se beber chá com as amigas não é mesmo?

Sara sorri sem jeito as olhando e elas cumprimentam Cassie.

Cassie — Podemos falar em particular ou quer que eu fale aqui mesmo, na frente das suas... Amigas?

Sara – Com licença, eu já volto!

Sara se levanta indo até Cassie e coloca sua mão nas costas dela a levando até o cômodo próximo a escada que dava acesso ao segundo andar da casa.

Sara – Você nunca cansa de me envergonhar na frente das pessoas não é?

Cassie – Eu fui até muito educada agora!

Sara a fica olhando e Cassie se senta nos degraus da escada tirando suas sandálias do pé.

Cassie – Eu fui despejada do meu apartamento, acredita nisso?

Sara – Nossa, mas isso é...

Cassie – Eu atrasei um dia e já me colocaram pra fora... E eu duvido que alguém vá morar ali tão cedo!

Sara a fica olhando sorrindo de lado e antes de Cassie olha-la muda a expressão se fazendo de compreensiva.

Sara – Não se preocupe com isso, daremos um jeito!

Cassie – O estranho foi que eu ofereci o dinheiro do mês e mesmo assim. Ele me disse que não tinha mais como eu ficar lá!

Sara arruma seu cabelo se olhando no espelho e balança a cabeça.

Sara – As pessoas podem ser cruéis Cassie, já te disse isso!

Cassie cruza os braços a olhando e Sara se vira sorrindo.

Sara – Onde estão suas coisas? Mandarei que peguem e coloquem no seu quarto, lugar de onde você não deveria ter saído!

Cassie – Nossa... Achei que demoraria um tempo... Mas como pode ser tão cínica assim?

Sara – O que disse?

Cassie – Eu sei que está envolvida nisso. Sei bem a mãe que eu tenho e sei que é capaz de mandar fazer esse tipo de coisa!

Sara sorri de lado e Cassie se levanta segurando suas sandálias.

Sara – Se está tão certa que eu fiz isso, então porque veio aqui me pedir ajuda?

Cassie sorri a olhando, passa por ela e se olha no espelho arrumando seu longo cabelo.

Cassie – Quem disse que vim pedir ajuda?

Ela se vira para ela e Sara a fica olhando com um sorriso no rosto.

Cassie – Vim te dizer que não importa o que você faça... Não voltarei a morar aqui com você... Irei morar no Loft que meu pai me deu!

Sara – Hum... Não sabia que apreciava a sujeira e as pragas urbanas!

Cassie – Prefiro conviver com elas do que com você!

Sara se aproxima dela lhe dando um beijo no rosto e sorri a olhando.

Sara – Então boa sorte filha... Espero que não perca seu lindo Loft também, não iria gostar de vê-la debaixo de um ponte!

Ela passa por ela e Cassie a olha sem acreditar. Ouve o barulho de alguém vindo e ao se virar vê seu irmão se aproximando bocejando.

Tyler – E ai mana, o que faz aqui tão cedo?

Cassie – Deveria ter vergonha de acordar a essa hora!

Ele passa a mão na nuca e sorri a olhando.

Tyler – Na verdade, eu estou chegando agora!

Ela balança a cabeça inconformada e ele segura no corrimão da escada ainda sorrindo.

Cassie – Não entendo como você faz o que quiser e ela não fala nada!

Tyler – Você fica batendo de frente, tentando ser igual a ela... Relaxa, deixa ela pensar que está no controle da coisa... Isso basta!

Cassie – Qualquer coisa que eu faça é errado... Só espero o dia que ela venha até mim e diga `` Acorda minha querida, você é adotada ‘’

Tyler sorri e balança a cabeça subindo as escadas.

Tyler – Sinto lhe informar mas isso não vai rolar, você é mesmo a filha dela... Eu vou dormir um pouco agora, depois nos falamos, mana!

Cassie – Vou contar a ela que você chegou agora!

Tyler – Isso conta, assim me levam o café na cama!

Ele manda um beijo e ela o olha irritada e se abaixa pegando suas sandálias e saindo de lá.

Tyler entra em seu quarto, fecha as cortinas o deixando completamente escuro, tira seus tênis os jogando no chão e se joga na cama de bruços com os olhos fechados. Ele fica assim por algum tempo e pouco depois os abre se virando para cima e olhando para o teto.

Um ano atrás...

O dia já havia amanhecido. Tyler entra em seu quarto fechando as cortinas, tirando os tênis e se jogando na cama de olhos fechados. Richard entra no quarto empurrando a porta com força e vai até Tyler o puxando pelo pé o fazendo deslizar pela cama. Ele o olha assustado e Richard o solta nervoso.

Richard – Você é inacreditável!

Tyler se vira colocando as mãos atrás da cabeça e sorri de lado.

Tyler – Precisava me acordar tão cedo pra me elogiar, Pai?

Richard – Vagabundo é isso o que você é!

Tyler – Eu sei o quanto me despreza, não precisa vir até meu quarto me lembrar disso... Vai paparicar a Cassie, segundo quarto a direita!

Richard – Não coloquei você no mundo para se tornar esse ser insignificante que não quer nada com a vida a não ser farrear até tarde e chegar em casa quando todos já tem se levantado!

Tyler – Ah claro, o Tyler é um lixo, mas a Cassie é o orgulho da família!

Richard – Nunca mais ouse falar o seu nome e o dela na mesma frase, você não é digno disso... Nunca chegará aos pés do que ela é!

Tyler se levanta balançando a cabeça e o encarando de longe.

Tyler – Sim, minha irmã é ótima mesmo, reconheço isso... Mas acontece que eu nunca precisei da sua aprovação, nunca a quis, nunca tive a intenção de impressionar você. Porque eu sei que não tenho o suficiente pra agradar você... Então pra que vou tentar algo que eu sei que não vai dar em nada?

Richard – Que bom que pelo menos ainda é sensato... Você nunca terá minha aprovação. É uma vergonha, suja o nome dessa família!

Tyler – `` É uma vergonha, suja o nome dessa família ´´ Não aguento mais ouvir isso, já que é um homem tão inteligente e bem sucedido eu espero mais de você, mude o disco!

Richard o fica olhando com muita raiva e Tyler se aproxima dele sério.

Tyler – Se meu avô tivesse me dito essas coisas quando estava vivo eu com certeza me importaria e faria de tudo pra crescer. Com certeza tentaria ser o que ele queria que eu fosse... Mas isso vindo de você? É nada!

Richard – Eu desisto de você, Tyler!

Tyler – É muito fácil vim aqui com essa pose de magnata e dizer esse monte de coisas pra mim... Mas parece que se esquece que nunca precisou suar uma gota para ter o que tem hoje... Foi tudo herdado, foi tudo suor do meu avô... Pegar o bonde andando é fácil, quero ver construir, peça por peça, isso você não fez, não foi capaz... Deveria ter aprendido com ele e não ficar pressionando e impondo coisas a seu filho... A única vergonha dessa família pra mim, é você e só você... Quando morrer leve tudo com você!

Richard dá um forte tapa no rosto de Tyler. Ele o vira com a pancada e volta a olha-lo sorrindo de lado.

Tyler – Agora pegue todas essas verdades que eu disse e enfie naquele lugar, cara!

Tyler passa por ele lhe dando um esbarrão e anda até a porta. Richard se vira o olhando e balança a cabeça.

Richard – Continue achando que está certo, continue assim... Mas lembre-se disso quando estiver no fundo do poço e eu não estiver lá para impedir que você se afogue!

Tyler se vira o olhando e continua sorrindo de lado.

Tyler – Que bom que eu sei nadar, não é? Como sempre muito bom falar com você, papai!

Ele saí do quarto cruzando o corredor e o sorriso some de seu rosto, dando lugar a uma expressão triste e sombria.

Ryan já estava na rodoviária esperando o ônibus que o levaria até sua cidade natal. Ele vê as pessoas se movimentando, chorando, se abraçando e rindo enquanto se despedem e se cumprimentam. Um casal se senta ao seu lado no banco e ele sorri de leve se sentando mais para o lado para lhes dar mais espaço. O homem deixa sua mala no chão e a mulher fica olhando para o marido muito irritada. Ryan pega uma barra de cereal de sua mochila e a abre dando uma mordida.

Célia – Eu acho melhor você não voltar a colocar esse pinto na vagina daquela vagabunda, Walter. Eu acho melhor!

Ryan se engasga com a barra de cereal e tosse ouvindo seu ônibus ser anunciado. Os olha sem graça pegando sua mochila, se levantando e andando até lá com os olhos arregalados. Ao chegar no local de embarque, entrega seu ticket ao motorista e sobe no ônibus vendo algumas pessoas já sentadas. Anda até sua poltrona e coloca sua mochila no bagageiro, se sentando em seguida e fechando os olhos.

Algum tempo depois...

Ele acorda vendo o ônibus em movimento por uma estrada, passa a mão no canto da boca limpando a baba e olha sem jeito para quem estava sentado ao seu lado. A garota sorri enquanto come um salgadinho de queijo e ele a fica olhando surpreso.

Emily – Estava dormindo tão bonitinho, não quis te acordar!

Ryan – O que faz aqui, Emily?

Ela estende a mão com o salgadinho para ele e ele balança a cabeça agradecendo.

Ryan – Não, obrigado.

Emily – Tive uma consulta nessa cidade. Minha médica em Evening viajou e me mandaram pra cá... Mas está tudo bem. Eu só não esperava encontrar você aqui!

Ryan – Eu não achei que voltaria pra casa tão cedo!

Ela guarda o pacote de salgadinho em sua bolsa e volta a olha-lo enquanto passa a mão no cabelo.

Emily – Seu pai e a Annie sentem muito a sua falta, Ryan!

Ryan – Eu sei, eu também sinto a deles... Eu só... Como eles estão?

Emily – Acho que como todos na cidade, tentando se reerguer depois da tragédia... Seu pai tem que ser forte por ele e pela Annie. Ela...

Ryan – Era muito apegada a minha mãe... Não sei como irei encara-los depois de todo esse tempo que passei longe, que poderia estar lá com eles e não estive!

Emily – Assim como eles você perdeu alguém, cada um lida com a dor a sua maneira... Não se culpe!

Ele respira fundo e fica a olhando.

Ryan – Sinto muito pelo Jhony... Ele era um cara legal!

Ela o olha enquanto seus olhos lacrimejam e sorri de leve.

Emily – Ele era o meu melhor... Obrigado e eu sinto muito pela sua mãe. Eu sei que eles estão olhando por nós lá de cima!

Ryan – Sim, talvez sim... Mas você está bem? Disse que veio fazer um consulta!

Ela sorri abrindo seu sobretudo e mostrando sua barriga saliente para Ryan. Ela a olha surpreso e sorri.

Ryan – Você está...

Emily – Ele se foi, mas deixou algo comigo... Eu vou ter um filho, Ryan!

Ryan – Isso é... Maravilhoso. Parabéns, Emily... Estou feliz por você!

Emily – Quer tocar?

Ryan – Ah não, eu...

Ele a olha sem jeito e ela sorri pegando a mão dele e a colocando em sua barriga. Ele a olha sorrindo e sente uma pontada em sua mão, arregala os olhos a olhando e ela ri.

Ryan – Ele...

Emily — Está chutando você!

Ele ri sentindo as pontadas e eles continuam conversando enquanto o ônibus se dirige a cidade deles.

Annie estava na cozinha do restaurante de seu pai enrolando os mesmos talheres em guardanapos olhando para o nada a algum tempo. Joel entra a olhando e ela continua do jeito que estava, como se não tivesse o visto entrar.

Joel – Annie?

Ela continua da forma que estava e ele anda até ela a olhando.

Joel – Oi, filha.

Annie fica do mesmo jeito e ele a sacode pelos braços levemente a fazendo o olhar.

Joel – Ei, eu estou falando com você!

Annie – Oi, pai.

Ele a solta se colocando as mãos no balcão e a fica olhando intrigado.

Joel – O que aconteceu com você?

Annie – Nada, Eu só me distrai arrumando os talheres.

Ele olha para apenas dois guardanapos enrolados com talheres e ela deixa o que estava em sua mão no balcão.

Joel – Você precisa parar um pouco!

Annie – Mas eu só fiz três!

Joel – Está trabalhando demais filha, precisa parar e cuidar um pouco de você!

Ela o olha sorrindo de leve e ele a fica olhando sério.

Annie – Não estou trabalhando demais, eu gosto... Preciso me distrair!

Joel – Passa o dia todo no asilo e no fim de tarde ainda vem aqui me ajudar... Não, você não precisa disso... Não agora, eu quero que você se cuide!

Annie – Eu estou me cuidando, eu gosto do que faço... Ajudar aqueles idosos é muito importante pra mim e você é a pessoa mais importante da minha vida, acha que eu não ajudaria você?

Joel – Eu sei, e eu amo você... Mas estou te pedindo pra parar um pouco, vai fazer isso por mim?

Annie – Eu estou bem pai, não se preocupe, tá bom?

Ela se afasta do balcão indo até onde ficam os pratos e ele bate no balcão.

Joel – Annie.

Ela se vira o olhando e ele respira fundo.

Joel – Eu sei que sente a falta deles, eu também sinto, muito... Mas eles não iriam querer ver você desse jeito, eu não estou aguentando mais ver você assim!

Annie – O que tem de tão errado comigo?

Joel – Seria mais fácil perguntar o que não tem de errado com você!

Ela balança a cabeça e ele da a volta no balcão indo até ela.

Joel – Eu sei que não dá pra sorrir, não dá pra esquecer... Eu só preciso que a minha filha que eu conheço, apareça... Não essa que está aqui, de pé apenas porque é sustentada pelo corpo e não tem nada dentro... Quero a filha que conversa comigo, que me conta as coisas, que confia em mim!

Annie — Então quer conversar?

Joel – É só o que eu quero!

Ela se encosta em um balcão e o olha enquanto cruza os braços.

Annie – Ok... saí do asilo no meu horário de almoço e fui até o apartamento do James ficar um pouco com ele, mas chegando lá ele não estava!

Joel – Nos falamos no telefone, deveria ter me dito que queria conversar!

Annie – Mas ele chegou!

Joel a fica olhando chateado e ela balança a cabeça olhando para as panelas.

Annie – Chegou e chegou acompanhado de uma garota... Me escondi dentro do closet, não sei porque, só corri e me escondi lá dentro... Eles entraram se beijando e tirando a roupa e se eu não tivesse saído de lá de dentro, transariam ali na minha frente... Na cama que por tantas vezes eu transei com ele, na cama que ele dizia que me amava, que eu era a única na vida dele!

Joel a fica olhando surpreso e irritado e ela respira fundo.

Annie – Bom é isso, sua filha é uma chifruda... Se queria saber o que eu estava sentindo e pensando era isso... Mas não se preocupe, eu estou bem... Não vou gastar nenhuma lágrima com ele, as que eu tinha usei pela minha mãe e meu irmão... E se eu ainda tiver alguma, são apenas deles!

Ela se desencosta do balcão e beija o rosto dele o olhando.

Annie – Não se preocupe comigo, eu estou bem... Ouvirei seu conselho e irei pra casa descansar hoje!

Ela se vira saindo da cozinha do restaurante e Joel fecha os punhos e respira fundo enquanto a raiva toma conta dele.

Cassie entra no cemitério segurando algumas tulipas azuis. Vê a senhora que sempre via ao vir ao cemitério, sorri gentilmente para ela e continua andando pela grama até chegar ao tumulo de seu pai. Tira as flores mortas que ali estavam e coloca as tulipas que havia trazido, enquanto fica olhando para a foto dele na lapide. O vento balança seus longos cabelos e ela respira fundo vendo várias pessoas espalhadas pelo cemitério, visitando seus entes queridos. Volta a olhar para a lapide de seu pai e balança a cabeça.

Cassie – Não me conformo, não aceito isso!

Ela continua olhando por algum tempo e ouve o choro de alguém vindo de algum lugar, olha em volta não vendo ninguém e ao olhar mais ao lado vê um rapaz ajoelhado em frente a um dos túmulos com a mão nele e chorando muito. Ryan soluça enquanto não tira os olhos da foto de sua mãe na lapide. Cassie dá dois passos o olhando intrigada e ele continua no jeito que estava.

Ryan – Me perdoa, por favor mãe... Me perdoa!

Cassie dá mais alguns passos o olhando preocupada enquanto o vento balança seus cabelos. Ryan abaixa a cabeça colocando as mãos no rosto e ela para o olhando.

Cassie – Olá... Você está bem?

Ele a olha por uma breve instante, enxuga suas lágrimas e se levanta pegando sua mochila que estava no chão. Dá uma ultima olhada para a lapide de sua mãe e dá as costas para Cassie, saindo de lá. Cassie o vê sair do cemitério e respira fundo passando as mãos em seus braços, sussurrando.

Cassie – Me desculpe.

Algum tempo depois, já havia anoitecido... Ryan anda pela areia da praia, ouvindo o barulho do mar. Continua andando segurando sua mochila e avista a casa onde viveu desde de o dia que em nasceu. Diminui os passos, mas mesmo assim continua a andar até ela. Sobe as escadas com a mão no corrimão, vendo as várias palavras e desenhos que havia feito com Annie quando eram crianças. Se aproxima da porta e fica parado por algum tempo até tomar coragem de dar algumas batidas rápidas. Ele dá dois passos para trás segurando sua mochila com força e sente seu coração acelerado. A porta se abre. Joel o olha surpreso e Ryan continua do jeito que estava, imóvel.

Joel – Ryan?

Annie surge atrás de Joel e olha para Ryan sem acreditar. Joel a olha por alguns instantes e volta a olhar para Ryan, que os olhava como se fosse uma criança acuada em seu primeiro dia de aula.

Ryan – Eu... Eu voltei pra casa, será que... Eu posso entrar?

Annie se afasta, se virando e indo para seu quarto e Joel o fica olhando ainda surpreso, enquanto Ryan respira fundo.