Even Love
8 Capítulo VII - Algum tipo de esquizofrenia.
Notas iniciais
Mais um capítulo, vocês vão amar. *u* Então, duas coisas:
1 - Eu decidi ~eu mando aqui. u-u~ que vou fazer a antiga Nora falar algumas coisas na cabeça da nova Nora, como avisos.... Vocês vão entender mais tarde. (Sim, eu estou viciada em "A Hospedeira")
2 - Por que tão poucos reviews? Não tem como eu saber se vocês estão gostando ou não, ainda não existem bolas de cristal. q
Entãooo... Espero que gostem. :3
Eu estava me perguntando como ele sabia meu nome.
Mas isso foi só uma das muitas perguntas que surgiram em minha mente, como: Por que ele estava me ajudando? Porque estava sendo tão legal comigo? E porque diabos eu quase o beijei se eu nem ao menos o conhecia direito? Era loucura. A atração que eu sentia toda vez que eu olhava pra ele era uma loucura, era quase como magnetismo, eu sentia vontade de tocá-lo, de senti-lo.
Eric me puxou para um quarto da casa e saímos por uma janela que dava pra os fundos. Meu coração saltava de tanta adrenalina.
– Espera, espera. – Eu disse enquanto corríamos pela rua, parei rapidamente apenas para tirar meus sneakers e logo comecei a correr de novo.
Eric acompanhava meu ritmo com impaciência e quando viramos a esquina, duas quadras depois, paramos de correr por um momento para tomar ar. O som da sirene estava ficando cada vez mais distante até que parou, dei uma olhada na rua de novo e as viaturas já tinham ido. Apenas alguns policias subiam a rua agora.
Eu passava meus sapatos de mão em mão, nervosa, enquanto tomava lufadas de ar tentando me recuperar da corrida.
– Melhor continuarmos a andar, parece que a policia está por todas as ruas próximas. – Ele disse, olhando para a rua á baixo, mas eu não fui até lá para confirmar.
– Mas minha casa fica naquela direção. – Apontei com o polegar para onde os policias estavam.
– Vamos dar um jeito. – Eric disse dando um sorrisinho sinistro e recomeçou a andar com a intenção de dar á volta no quarteirão, eu o segui sem protestar.
Já passavam das 23:00 e se minha mãe não estivesse viajando, com certeza teria sido ela á chamar a policia.
Andamos em silêncio por um tempo. Era estranho e incomum que Eric ainda não tivesse tentado nada comigo, ele estava sendo tão legal... Mas isso só tornava mais estranho ainda.
– Você tem belas pernas, Nora. – Eric disse, dando um sorriso malicioso. Eu corei violentamente e abaixei a cabeça, tentando esconder. O que só fez com que Eric jogasse a cabeça para trás para dar uma linda risada rouca. Aquele gesto me pareceu familiar, mas eu ignorei.
Arrumei discretamente o cardigã que eu estava usando para que tampasse mais de minhas pernas.
A rua estava quieta e vazia, umas poucas casas ainda estavam com as luzes acesas e os postes mal iluminavam. Uma pontada de medo me atingiu. Afinal, eu não conhecia o homem ao meu lado e eu tinha deixado ele me levar para uma rua deserta.
– Vamos atravessar o parque. – Ele sugeriu com uma voz inocente. – Podemos chegar mais rápido á sua casa, e você sabe bem disso. – Rapidamente se justificou quando lancei um olhar assustado para ele.
– Não sei... – Comecei a falar, mas Eric colocou o polegar sobre meus lábios, silenciando-me.
– Eu não vou fazer nada de mal á você, Nora. – Sua mão foi para meu queixo, levantando meu rosto para que eu o olhasse nos olhos. – Confie em mim.
Instantaneamente, eu me sentia segura com ele. Era como se ele me transmitisse paz e calmaria, eu estava tão hipnotizada por seu olhar que ligeiramente abri a boca. Eric sorriu, parecendo satisfeito e começou a atravessar a rua. Quando nosso contato visual acabou, voltei a mim.
Não ia para um parque escuro com ele.
– Não é necessário que você me leve até a porta de casa, Eric. – Eu disse enquanto começava a andar reto pela calçada que estava, ele estava me seguindo, mas não me virei.
– Eu insisto. – Eric colocou a mão em meu ombro e puxou-me para o lado até eu estar encostada contra o muro de uma casa.
Meu coração acelerou de repente, minhas mãos agora estavam suadas e, por instinto, meus olhos percorreram a rua tentando encontrar alguém ou algo para me ajudar se ele fizesse contra minha vontade.
– O que você pensa que está fazendo? – Disse reprimindo um grito. Parecia que um bolo se formava eu minha garganta.
Eric me olhava admirado, estudando minhas reações enquanto suas mãos percorriam toda a extensão de meus braços, escorregando para minhas mãos. Ele fez esse percurso três vezes, depois suas mãos foram para minha clavícula e logo depois para meus ombros.
Eu me arrepiava a cada toque, seus dedos eram gélidos e a reação que eles causavam em minha pele não era nada boa. Queria poder sair correndo, gritando e fugir para o mais longe possível de Eric, ele não era o tipo de sujeito que de longe parecia seguro, carinhoso e atencioso. Longe disso. Ele era selvagem, sexy e em certos momentos, quase violento. Alguma coisa dentro de mim parecia gritar para que eu corresse, para que eu me afastasse dele, para que eu não me metesse com Eric Northman.
Saia de perto dele, agora!
Pulei de susto e eu olhei ao meu redor querendo saber quem tinha dito aquilo, mas não tinha ninguém ali. Era uma voz feminina falando dentro de minha cabeça, sussurrando dentro de mim. Alucinação, só isso.
Corra! Não confie nele!
A voz agora quase implorava, como se fosse uma versão distorcida e mais aguda de minha voz. Mas, infelizmente, não era exatamente o que meu corpo queria. Continuei plantada ali, olhando para Eric com os olhos arregalados.
– Nora? – Ele chamou e pareceu que eu tinha voltado á terra.
Eram só coisas da minha cabeça, só isso.
– Você está pálida... – Suas mãos foram para meu rosto e com a ponta dos dedos ele percorreu minha face. A cor deve ter voltado, por que minha pele esquentou.
– É me-melhor eu ir... – Gaguejei, tentando empurrá-lo para trás, mas minhas mãos estavam quase tão bobas quanto minhas palavras.
Aproveitando-se disso, a boca de Eric foi para minha orelha direita, ele mordiscou de leve o lóbulo e fez um percurso de beijos por toda a minha bochecha até chegar á minha boca, onde parou tempo suficiente para dizer:
– Você está igual. – Seus lábios roçavam nos meus. — Do jeito que eu me lembrava. – Depois encontrou seus lábios nos meus com força.
Do jeito que ele se lembrava? O que diabos...?
Por mais que eu estivesse com medo, eu teria ao menos retribuído aquele beijo no começo, mas algo pareceu borbulhar dentro de mim, um aviso, uma raiva infinita. Quero dizer, não era como se eu estivesse traindo alguém. Num impulso, empurrei-o para trás com força suficiente para fazê-lo cambalear.
Corra!
A voz sussurrou de novo, não pude evitar levar as mãos aos meus ouvidos, como se a voz estivesse do lado de fora. E num eco terrível, a voz continuou a repetir aquilo, fechei os olhos com força tentando fazer aquilo parar.
– Cala a boca! – Gritei no desespero e imediatamente a voz sumiu, deixando-me como uma louca no meio da calçada.
Eric me olhava num misto de curiosidade e, ainda, admiração. Eu esperava que ele apontasse o dedo para mim e dissesse como sou esquisita, mas ele continuou ali, parado e me fitando. Comecei a correr, novamente, eu queria correr até que tudo o que tinha acontecido estivesse longe o bastante, distante o bastante para que eu me lembrasse. Mas as lágrimas de frustração de repente me inundaram.
O que estava acontecendo comigo? Como se já não bastasse todas as sensações idiotas que eu tive a vida toda, agora eu vou ouvir vozes? Algum tipo de esquizofrenia? Eu devo estar louca.
Corri o mais rápido que pude sem olhar para trás, eu sabia que não estava sendo seguida, pude sentir a solidão de meus passos ecoando sobre a calçada. Num baque surdo, eu bati contra algo e cairia no chão se esse alguém não tivesse me segurado pelo braço e me puxado de volta para seu peito.
– Nora? Você está bem? – A voz de Patch soou como um calmante para meus ouvidos e, numa onda de medo que tomou conta de mim, eu pulei no mesmo, passando os braços por seu pescoço o que me fez ficar quase pendurada já que ele era bem mais alto.
Era como se eu precisasse dele para me acalmar, como se eu realmente já tivesse estado em seus braços. Seu toque quente e macio, seu cheiro de hortelã e terra úmida era tão reconfortante que cheguei a fungar quando meu rosto chegou á curva de seu pescoço.
Ele era um estanho, mas eu não ligava.
– Ei, você está bem? – Patch demorou alguns segundos para retribuir meu abraço, mas quando retribuiu, apertou forte minha cintura com um dos braços, isso enquanto sua mão enroscava-se em meus cabelos.
Demorei um pouco para responder, até lágrimas pararem de cair e minha respiração voltar ao normal, suspirei mais uma vez seu cheiro e só então me soltei dele. Era como uma droga para mim, e eu já tinha experimentado algumas. Patch ganhava.
– Sim. – Sussurrei.
Patch limpou as lágrimas quase secas de meu rosto, seu olhar estava preocupado e pouco convencido.
– O que aconteceu? Machucaram você? – Ele olhou na direção da qual eu vim buscando qualquer coisa, mas eu sabia que Eric não estaria ali.
– Não... – Seus olhos se estreitaram, e eu resolvi contar, tirando a parte de minha esquizofrenia interna. – Um cara tentou me beijar e eu sai correndo, só.
– E o que mais? – Era quase como se ele lesse minha mente, sabia que eu estava escondendo alguma coisa. Talvez minha voz tivesse soado nervosa demais.
– Só isso, eu juro. – Passei a mão em meus olhos, limpando-os, e logo meus dedos foram para meus lábios, remexendo inquietos em meu piercing.
– E o que você está fazendo na rua á essa hora? Devia estar em casa. – Disse todo controlador, mas eu senti o quanto ele estava preocupado. Uma preocupação desnecessária já que ele nem me conhecia direito.
– Eu acabei de sair da festa... Acabei me perdendo de Brian e Vic. – Mecanicamente, agora que estávamos separados, recomecei a andar. Patch vinha á meus calcanhares.
– Quer que eu te leve para casa? – Ofereceu e tocou meu braço. Foi a vez de uma onda de calor invadir meu corpo, me deixando quente, quase num estado febril. Virei-me para ele e respirei fundo. Minha casa ficava á quatro casas de distância e percorrer todo o caminho sozinha, definitivamente, não era uma boa opção. E Patch não me faria mal algum, pelo menos era o que meu interior dizia.
– Eu agradeceria. – Disse, finalmente, e ele sorriu para mim.
Sem dizer nada, ele atravessou a rua em passos largos e eu quase corri para segui-lo, paramos em frente á uma moto preta, grande e lustrosa. Patch subiu na moto rapidamente e jogou o único capacete para minhas mãos, que agarraram-no num impulso.
– Bela moto. – E realmente era, mas ao subir na mesma, acabou me trazendo as típicas lembranças de sempre. Quando estava quase concluindo alguma coisa... A lembrança simplesmente desaparece.
Enfiei o capacete em minha cabeça e eu pousei as mãos em minha coxa, mas quando Patch acelerou a maquina mortífera meus braços voaram de encontro á sua cintura e eu me agarrei o máximo que pude á ele. Não tinha a mínima idéia de como ele sabia o caminho até minha casa e, no entanto, minutos depois ele estacionou a moto em frente á ela.
A única casa branca de todo o quarteirão, com janelas de madeira, um jardim enorme e bem cuidado. Bem a cara de minha mãe, pensei. Desci da moto e devolvi o capacete, para minha surpresa Patch também desceu.
Ignorei, começando a andar em direção á porta da frente, ele me seguia e só depois que eu tirei a chave de meu bolso e destranquei a porta, ele disse:
– Posso entrar? – Sua voz soava quase ansiosa, mas pelo menos ele tinha perguntando se podia.
– Melhor não. É tarde... – Dei essa desculpa, mas podia listar mais uns 100 motivos que eu tinha para não deixá-lo entrar enquanto eu estava sozinha. – Obrigada pela carona, e desculpe pela camisa. – Apontei, timidamente, para uma parte de sua camisa que tinha ficado molhada pelas lágrimas.
Ele deu os ombros.
– Não é nada. Tem certeza que vai ficar bem? – Patch espiou por sobre o ombro.
Minha casa ficava bem atrás de uma pequena reserva, quase como um santuário para os animais, mas agora as folhas de algumas árvores mais próximas mexiam-se violentamente, como se algo estivesse pulando nos galhos.
– Sim. – Estava tentando me convencer disso também.
– Eu te ligo amanhã, se me lembro bem você tinha dito que sairia comigo. – Patch abriu um sorriso sexy, eu tive vontade de pular em seu pescoço e beijá-lo, mas apenas apertei com força a maçaneta, tentanto reprimir o desejo.
– Claro, mas se me lembro bem, eu disse que não saia com estranhos. – Brinquei, e logo mordi o lábio com vergonha.
– Então, anjo. Estou tentando mudar isso. – Ele deu uma risada rouca e virou-se para ir embora.
Do que ele tinha me chamado? Anjo? Eu odiava apelidinhos românticos como esse, mas quando aquilo saiu pela sua boca foi quase como se fosse algo rotineiro; comum. Senti que meu coração dava pequenos pulos dentro de mim. Antes que ele se afastasse mais, puxei-o pela mão.
– Por que me chamou de anjo? — Disse num sussurro.
– É o que você é. – Seus olhos estavam mais escuros que o normal, mas ainda tinham um certo brilho. Ele curvou sua cabeça para poder falar próximo ao meu ouvido. – Meu anjo.
E dito isso, ele simplesmente virou e andou até sua moto, arrancando logo em seguida.
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