Even Love
11 Cap. X - Ouvir vozes não é nem um pouco saudável.
Notas iniciais
Entãoooo, nada a declarar sobre esse capítulo, mas sei que vocês vão amar. u-u
E dai, gente, vocês estão gostando da história? Odiando? Tem opiniões? Sugestões? Mandem reviews, não tenho bola de cristal, galerinha.
O próximo capítulo vai ser especial para as Team Patch, tem alguma ai? ~todas levantam a mão. q
Espero que gostem, boa leitura. :)
O carro da mãe de Brian parou na porta de minha casa exatamente ás 20:30, mas é claro que não foi exatamente a dona que saiu de dentro dele.
Brian pareceu ter se arrumado de um jeito que sabia que eu ia desculpá-lo no mesmo instante. O cabelo perto e comprido estava na altura dos ombros, jogados sem cuidado algum para o lado. Usava uma calça jeans colada que mostrava bem uma das partes do corpo da qual ele mais se orgulhava, o bumbum. A camisa de banda do dia era do Suicide Silence, usava uma jaqueta de couro marrom e botas.
Seus olhos azuis estavam brilhando quando eu abri a porta e quase instantaneamente ele percorreu meu corpo com os mesmos.
— Você está linda. – Admitiu com um sorriso enorme no rosto. Olhei para minhas próprias roupas.
Na verdade, eu não queria ir para esse tal bar. Então expressei isso em minhas roupas, vestindo as peças mais simples que eu tinha encontrado. Uma saia preta e um pouco colada, mas que ainda me deixava a vontade, all star branco de cano médio, uma camisa cinza de manga longa, que dobrei até o cotovelo, com estampa do Disturbed. E em meus dedos, estava um dos muitos presentes de aniversário que eu não tinha usado. Um anel de dois dedos com delicadas asas douradas. Sempre achei bonitinho demais para meu estilo confuso, mas hoje me pareceu uma boa idéia usá-lo.
— Ainda continuo irritada com você. – Disse num tom pouco convincente, o que só o fez sorrir mais.
— Tudo bem, então... – Sua mão foi para minha cintura, puxando-me para o lado de fora da casa. – Onde está Victoria?
Ia apontar para dentro da casa, mas Vic saiu bem na hora. Ela pulava num pé só tentando arrumar o salto alto e quando nos viu observando-a, fez um gesto com as mãos, nos dispensando.
— Vão para o carro, já estou indo.
Revirei os olhos e andei até o carro de quatro portas da mãe de Brian, ele se sentou á frente do volante e eu ao seu lado. De canto de olho, vi sua mão escorregar em direção a minha, que estava apertando o couro do banco, mas antes que ele pudesse realmente tocar minha mão Victoria abriu a porta.
— Vamos logo com isso, Brian. Esse vestido já está começando á me incomodar. – Ela se arqueou um pouquinho em quanto sentava no banco de trás, com a intenção de abaixar o vestido curto que estava usando.
— Eu disse para você não vestir isso. – Limitei-me a olhar pela janela enquanto Vic resmungava, brava.
Brian avançou com o carro no limite da velocidade. O bar ficava na saída da cidade, em uma estrada bastante movimentada por caminhoneiros, gangues de motoqueiros e alguns viciados que gostavam de ficar por ali enquanto se drogavam.
Tudo isso era a cara de Victoria.
O caminho até lá foi silencioso, tirando os xingamentos que Vic soltava quando seu vestido subia. Quando chegamos ao bar Fangtasia, tive uma vontade enorme de tirar Brian do banco de motorista e dirigir de volta para casa. Eu pensei que seria terrível, mas era pior do que isso.
Como conseguiram que tanta gente viesse? Quero dizer, o bar só tinha aberto uma noite! De jeito nenhum todas aquelas pessoas já estavam ali.
As pessoas se acumulavam do lado de fora, grupos de todos os tipos. Motos e carros estavam estacionados ao longo de mais de 15 metros de distancia do estabelecimento. O prédio devia ter três andares, pintado de preto e com o nome do bar escrito por todas as paredes. Um toldo vermelho ficava bem em cima da porta de entrada, que estava cercada por fitas impedindo a entrada. Uma mulher mais velha estava parada ali vendo as identidades e buscando por armas.
Saímos do carro e Vic pulava de alegria.
— Isso vai ser demais.
Suspirei alto, o que fez Brian dar uma risadinha.
— Claro. Demais. – Murmurei enquanto seguíamos em direção a entrada, desviando dos corpos suados e seminus que andavam por ali.
A mulher continuava na entrada da porta, ela era realmente bonita. Quase senti Brian enrijecer ao meu lado quando colocou os olhos nela. Loira, alta, com os lábios carnudos e roupas apertadas que só delineavam mais as curvas de seu corpo.
Num impulso, minha mão voou em direção a de Brian e apertei seus dedos para que sua atenção se voltasse para mim. Ele sorriu e retribuiu a pressão em minha mão.
— Oláaa. – Vic cantarolou para a mulher parada ali. Ela só fez uma cara de reprovação para minha amiga antes de seus olhos voltaram para mim e se arregalarem.
Eu fiquei com medo daquele olhar, me perdi nele enquanto Victoria a convencia de que tínhamos idade o suficiente para entrar, e quando pensei que ela ia nos expulsar dali, ela sorriu para mim.
Gelei completamente.
— Vocês podem entrar. – Ela apontou para mim com uma de suas unhas enormes. – Eric com certeza vai querer ver você.
Victoria ignorou o comentário e entrou com rapidez, talvez com medo de que ela mudasse de idéia sobre nos deixar entrar. Brian apertou minha mão, com a intenção de me fazer andar, mas a voz em minha cabeça pareceu ser mais alta do que seu toque.
Não entre.
Era a mesma voz. Eu sabia que estava encarando a mulher com uma expressão estranha e que tinha uma fila atrás de mim gritando e reclamando do atraso, mas eu não conseguia não repetir as palavras “não entre” em minha cabeça.
— Vamos, Nora. – Brian disse em voz alta e passou um braço por minha cintura para me puxar para dentro. Ao passarmos pela loira, ela deu um sorriso sinistro. O que só me deixou mais perturbada ainda.
O som alto, os berros e cheiro de bebida de dentro do bar me fizeram acordar, a fumaça artificial pareceu tapar minha garganta. Deixei meus olhos vagarem pela pista de dança. Era enorme, com luzes piscando por todos os lados, o balcão bar estava lotado e lá dentro um homem asiático atendia os pedidos com facilidade. Dois palcos pequenos e circulares estavam no meio do estabelecimento e em cima de ambos, mulheres sem roupa alguma faziam movimentos bem obscenos nos postes. Do outro lado do salão, num lugar afastado e propositalmente mal iluminado, ficava um palco baixo com dois vasos de plantas secas cada um de um lado de um enorme trono de madeira.
E nele, claro, estava Eric Northman. Ele tinha o queixo apoiado no punho e olhava tudo sem o menor interesse, até que ele olhou em direção a porta onde eu estava parada com Brian e um sorriso iluminou seu rosto, um sorriso feroz e interessado. Eric se levantou, arrumando suas roupas e seguiu com calma em minha direção. A camisa que ele vestia era rosa e de gola V, caia perfeitamente bem para seu físico. Alto e esguio. E por mais que eu não quisesse admitir, era incrivelmente sexy.
— Por aqui. – Disse e comecei a andar, arrastando Brian atrás de mim. Por sorte ele não percebeu o porquê de eu estar fugindo e me seguiu de boa vontade.
Eu não queria encarar Eric, olhar para aqueles olhos me faziam lembrar de coisas que eu queria esquecer. Como o fato de eu estar completamente louca. Ouvir vozes não era saudável.
Olhei para trás tentando encontrar Eric e o vi a poucos metros de distancia, ele ainda me seguia com um sorriso de bady boy no rosto. O pavor de ter que conversar com ele de novo tomou conta de mim e eu me encostei numa das paredes do bar e puxei Brian para perto de mim.
Ele viu em meu rosto qual era minha intenção e rapidamente levou as mãos a minha cintura para apertar-me ainda mais entre ele e a parede. Uma de suas pernas ficou entre as minhas e enquanto ele beijava delicadamente meu pescoço, eu observava a multidão por sobre seu ombro, torcendo pra que tivesse conseguido fugir de Eric ou pelo menos mostrado que eu não estava a fim de conversa.
Mas quando finalmente localizei-o, ele estava á alguns passos de mim e na mesma hora eu puxei o rosto de Brian esmagando sua boca contra a minha. Passei os braços por seu pescoço querendo que ele tampasse completamente meu corpo com o seu, sua língua pediu passagem e eu deixei. Uma de suas mãos subiu por minhas costas, seus dedos se enroscaram em meus cabelos trazendo meu rosto para mais perto, enquanto sua boca continuava com o beijo calmo e delicioso.
Eu não estava realmente ali, naquele beijo. Meus ouvidos estavam voltados para qualquer barulho diferente ou a voz de Eric, e meus pensamentos estavam totalmente voltados para o mesmo. Imaginando se ele já teria desistido e voltado para aquele tenebroso trono. Meus planos de despistá-lo foram por água a baixo quando o beijo terminou bruscamente e meus braços foram arrancados do pescoço de Brian.
Eric agora estava ali, parado entre mim e Brian, mal dava para eu ver seu rosto. Ele colocou as mãos nos ombros de meu amigo e antes que Brian pudesse falar qualquer coisa, ele começou:
— Você vai até o banheiro e vai ficar lá até a hora em que eu for buscá-lo. Entendeu? – Sua voz ficou abafada por causa do som alto, mas ainda dava para ouvir o tom que ele usou, sereno, mas rígido como se fosse uma ordem.
Fiquei imaginando que Brian ia perguntar o que ele fumou, e tirar as mãos dele de seus ombros, mas para meu espanto ele apenas concordou com a cabeça e foi em direção ás placas de néon que indicavam os banheiros masculino e feminino.
Tentei ir atrás de Brian, mas Eric segurou meu antebraço com força. Avancei para cima de Eric, empurrando seu peitoral.
— Qual é o seu problema?! E o que foi aquilo de “vá para o banheiro e só saia de lá quando eu for buscá-lo”? – Fiz uma imitação ruim de sua voz e quando ele riu, cruzei os braços esperando por respostas.
— Você realmente gosta desses beijos? – Eric debochou, bufando.
— E o que tem de errado com eles? – Indaguei, irritada.
Ele tinha o misterioso talento de me fazer mudar de assunto. Talvez fosse porque ele me irritasse demais e sempre dissesse as coisas mais sarcásticas que poderia. Ele me deixava nervosa.
— Não tem aquela chama. – Sussurrou, colocando uma mão em meu rosto enquanto sua boca quase tocava minha orelha do outro lado. – Posso mostrar um jeito bem melhor de se beijar.
Estávamos mesmo tendo essa conversa ridícula?
Livrei-me de sua mão e empurrei-o para trás novamente, um sorriso malicioso dançava em seu rosto.
— Cai fora, Eric. – Virei-me para o outro lado, para a multidão, procurando por Victoria ou algum rosto conhecido que pudesse me livrar dele.
Senti mãos frias rodeando meus pulsos e eu me voltei para Eric. No mesmo instante, ele me jogou contra a parede e ficamos na mesma posição em que eu estava com Brian. Suas mãos estavam espalmadas na parede de modo que me cercassem, deixando-me ali como um animal encurralado. E era exatamente assim que eu me sentia.
— Que droga, Eric! – Exclamei, tentando passar por baixo de um de seus braços.
Ele riu e tirou seus braços de meu caminho, rapidamente eu me livrei dele e sai correndo até o outro lado do bar, abrindo caminho á cotoveladas. Parei um instante e vi uma cabeça loura pulando para lá e para cá.
Victoria. Suspirei aliviada.
Fui até ela, que estava com o vestido um pouco levantado, sem saltos e dançava ao ritmo da música psicodélica que tocava. Puxei-a de lado e ela protestou enquanto eu a tirava da pista de dança.
— O que você quer?! – Gritou, se embolando toda com as palavras. Ela estava bêbada e drogada.
— Podemos ir para casa? – Quase implorei.
— Claro que não! Pare de ser estraga prazeres, Nora! – Ela soltou o braço que eu segurava e voltou para a pista de dança.
Meu olhar foi até as placas de Néon que mostravam os banheiros, num impulso, eu segui até lá e entrei na porta do banheiro masculino num rompante. Os homens que estavam ali dentro assobiaram quando eu passei indo em direção a Brian. Ele estava relaxado, encostado em uma parede.
— Brian, vamos embora – Puxei sua mão, mas ele não se moveu. – Eu não estou brincando, Brian. – Tentei puxá-lo mais uma vez e de novo, ele continuou parado.
— Não posso. – Disse simplesmente e voltou a colocar a mão para dentro do bolso da calça jeans.
— Brian! Não precisa ficar aqui só porque o Eric mandou! – Agarrei sua camisa e tentei levá-lo comigo porta a fora.
— Mas eu quero ficar aqui. – Murmurou, soltando-se mais uma vez. Fitei Brian por um instante, incrédula.
Um homem barbudo, com roupas de motoqueiro e com uma enorme barriga se aproximou de mim. Ele tinha a intenção de pegar em minha bunda, mas eu sai do caminho a tempo. Ele deu uma risada rouca.
— Não pode ficar aqui, docinho.
Antes de sair, olhei mais uma vez para meu amigo que continuava parado ali como se nada estivesse acontecendo. Mostrei o dedo para o homem antes de sair do banheiro.
Apoiei-me na parede ao lado da porta enquanto pensava em minhas alternativas. Não tinha dinheiro suficiente para pegar um táxi. Eu poderia ligar para a mãe de Brian, ou para Jared, mesmo sabendo que era pouco provável que ele viesse até aqui só para me buscar. Se eu ligasse para minha mãe e dissesse que estava “sozinha” no meio de um bar desses, ela teria um enfarte. Minha ultima opção era Patch, eu não sabia se ele trabalhava, estudava ou o que fazia numa hora dessas, mas eu poderia tentar.
Olhei na direção em que tinha deixado Eric, ele ainda estava ali, encostado na parede. Quando viu que eu olhava para ele, simplesmente acenou.
Fiz o caminho de volta até a porta pela qual entrei e quando a abri, senti o vento gelado banhar meu rosto. As pessoas não estavam mais amontoadas por ali, a maioria já tinha entrado e os poucos que restavam, ficaram em grupos distantes enquanto fumavam e se drogavam.
Andei até um lugar deserto, num dos lados do prédio. Era cercado por árvores e mato alto, então fiquei perto á parede. Peguei meu celular dentro do bolso e achei Patch em minha lista de contatos, cliquei em “Ligar”.
O telefone chamou quatro vezes e eu comecei a imaginar o que ele estaria fazendo. Patch podia estar dormindo, no trabalho ou até mesmo com alguma mulher. Mas para minha alegria, no sexto toque Patch atendeu e disse com uma voz embargada e sonolenta:
— Nora?
Ele devia estar dormindo. Por um segundo, deixei-me levar por minha mente pervertida e imaginei Patch deitado numa cama apenas com uma calça jeans perigosamente baixa, o cabelo preto esparramado e...
Bati minha cabeça contra a parede para manter a concentração.
— Desculpa te ligar á esse horário... – Comecei, mas ele me cortou, agora já mais acordado.
— Aconteceu alguma coisa, anjo? – Perguntou num tom preocupado.
— Não... Só que a Victoria me arrastou para esse lugar, e agora está bêbada demais para me levar para casa.
Não mencionei Brian, o que aconteceu com ele era esquisito demais.
— Onde você está? Estou indo para ai. – Do outro lado da linha, ouvi o barulho de passos e alguma coisa sendo derrubada. Imaginei-o levantando com pressa e derrubando tudo pelo caminho.
— No novo bar, Fangtasia. – Eu disse e Patch ficou quieto, apenas ouvi o barulho do carro cantando pneus.
— Você está dentro do bar? – Ele parecia nervoso.
— Não... Estou do lado de fora. – Voltei a olhar ao meu redor, as árvores balançavam com o vento e o céu estava escuro como se uma tempestade estivesse preste a cair.
— Fique ai, entendeu? Chegou em cinco minutos. – E cancelou a chamada.
Guardei o celular no bolso e cruzei os braços, encostando-me a parede dura e fria. Duvidava muito que ele conseguisse estar aqui em cinco minutos, mesmo com ele ultrapassando o limite de velocidade e o fato de não ter transito algum a essa hora da noite, só para ele chegar nesse ponto afastado da estrada demoraria no mínimo 10 minutos.
— Fugindo de mim, Nora? – A voz que eu reconheceria em qualquer lugar disse quase ao pé de meu ouvido e eu pulei para o lado querendo em afastar dele.
— O que você quer? – Tentei dar a volta por ele, mas ele estendeu o braço para impedir que eu avançasse e eu parei no mesmo instante.
— Vi que sua amiga está bêbada, e seu amigo com alguns problemas no banheiro. – Disse, debochando. – Precisa de uma carona para casa?
— Não preciso, alguém já está vindo me buscar. – Falei na esperança que ele fosse embora logo, talvez me deixasse em paz de soubesse que eu estava esperando alguém.
— E quem seria? A mamãe? – Ele estava tentando me irritar, e estava conseguindo. Aquele seu sorriso cheio de sarcasmo me dava nos nervos, a palma de minha mão coçava com vontade de estapear aquele rosto.
— Não, o meu namorado. – Era mentira, mas assim mesmo eu respondi, irritada. Bati o pé no chão com força, o que só o fez rir.
— Pensei que seu namorado fosse o emo deprimido que estava com você. – Apontou para dentro do prédio.
— Idiota. – Murmurei. Por que Patch não chegava logo? Com certeza ele faria Eric calar a boca.
— É, eu me lembro que você não gostava muito de mim. – Ele parecia estar falando consigo mesmo, mas alto o suficiente para que eu ouvisse. Olhei para ele esperando que continuasse ou se explicasse, mas ele continuou em silêncio.
Passei a mão em meu cabelo, jogando-o para trás, os fios ruivos brilhando sob a lua.
— Como assim? Você nem me conhece. – Balancei a cabeça, negativamente. – Por que fica dizendo essas coisas?
Seus olhos azuis me encararam por um tempo, um azul claro e brilhante. Eu já tinha visto aquilo em algum lugar. Num momento de alucinação, meus pés pareceram se mover para frente até que fiquei bem próxima a Eric. Não parecia que eu tinha poder sobre meu corpo, parecia que eu apenas estava ali, vendo-me enquanto agia com uma completa idiota.
Por um momento, não era mais o Eric Northman arrogante e metido que eu conhecia, era apenas um cara com olhar triste e apaixonado.
Minha mão foi até o rosto de Eric, passando a ponta dos dedos delicadamente por sua face e quando cheguei em seu queixo, ele colocou sua própria mão sobre a minha e a colocou sobre sua bochecha. Sua pele era fria e nem um pouco macia, mas eu sentia certa familiaridade naquele toque. Eric virou o rosto para que seu nariz pudesse ficar perto de meu pulso, ele pareceu cheirá-lo. Meu anel de asas brilhou repentinamente e eu tirei minha mão de lá, pulando para trás. Finalmente saindo de meu transe.
— Você se lembra, não é? – Ele veio em minha direção ao mesmo tempo em que eu recuava mais em direção as árvores. Estava preste a gritar quando alguém entrou entre nós dois.
Patch estava parado de costas para mim. Ele era um pouco mais baixo que Eric, mas ganhava na questão de músculos, os cabelos negros estavam emaranhados do mesmo jeito que imaginei que estariam e as órbitas negras que eram seus olhos, fitavam Eric com raiva.
— Fique longe dela, Eric. – Rosnou.
— Ora! – A mascara fria e dura e Eric tinha voltado. – Se não é meu anjinho, Patch Cipriano!
“Anjinho”? Tudo bem, isso não era nem um pouco homossexual...
— Vá para o inferno. – Patch grunhiu e se virou para mim. Pegou minha mão, entrelaçando seus dedos com os meus e começou a me puxar para frente do estabelecimento.
A moto preta estava parada ali, o capacete preto perfeitamente equilibrado. Patch subiu no veiculo e eu fiz o mesmo logo em seguida. Queria sair dali o mais rápido possível, mas ainda assim olhei para trás, para Eric. Ele continuava ali, me olhando, mas nada fez para evitar que eu fosse embora.
E eu não sabia ao certo porque isto estava me incomodando.
Patch esperou até que eu colocasse o capacete para poder acelerar com a moto. Coloquei meus braços ao redor de sua cintura, apertando-o contra mim numa tentativa de me segurar. Ele não disse nada por um tempo, mas foi só chegar mais perto da cidade a ponto de eu ver as luzes fortes dos postes, que ele disse:
— Você está bem, anjo? – Ele parou com a moto num sinaleiro e sua mão quente e macia, muito diferente da de Eric, pousou em meu joelho, fazendo uma leve pressão.
— Sim. – Murmurei, encostando a testa em suas costas.
O sinal ficou verde e Patch voltou sua atenção á estrada, em minutos, já estávamos no meu bairro e eu quase me sufocava pensando em como ia me despedir dele, eu não queria fazer isso. O calor que Patch emanava era bom e aconchegante, uma das únicas coisas que funcionavam de imediato quando o assunto era como me acalmar.
— Patch. – Chamei, sabendo que já estávamos perto de minha casa.
— Anjo?
— Você conhece o Eric? – Perguntei baixinho.
Senti seu corpo enrijecer.
— Sim, é uma longa história. E eu tenho certeza que quando chegar em casa você vai querer dormir. – Disse ele com a voz serena.
— Obrigada por ir me buscar, espero que não tenha te atrapalhado em nada. – Desculpei-me quando ele finalmente parava com a moto em frente ao gramado de minha casa. Ele desceu da moto e estendeu a mão para me ajudar. Eu estava tonta de tanto cansaço.
— Eu estava dormindo, não fazia isso direito há séculos. – Sorriu para mim e meu corpo inteiro pareceu se aquecer.
— Você parece muito ocupado, Sr. Cipriano. – Entreguei o capacete a ele e comecei a andar até a porta de entrada, senti que ele estava me seguindo então parei repentinamente, fazendo-o parar quase em cima de mim.
— Na maior parte do tempo, sim. – Ele concordou, ainda sorrindo. – Parece que eu preciso ficar de olho 24 horas por dia na garota que eu estou interessado.
Meu coração parecer dar pequenos pulos e minhas pernas ficaram bambas, segurei na barra da camisa de Patch para manter o equilíbrio.
— E quem seria ela? – Mordi o lábio esperando pela resposta, ele bem que poderia falar o nome de outra mulher, mas ele disse o contrário.
— Acabei de salvá-la de um cara sinistro. Está me devendo uma, vou cobrar qualquer dia. – Ele colocou uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha. Seu toque pareceu me encorajar. Puxei-o pelo colarinho até que seu rosto estivesse próximo ao meu, então beijei demoradamente sua bochecha.
— Estou louca para esse dia chegar. – Sem ter coragem de dizer mais nada para Patch, virei-me e andei apressada até a porta. Ouvi-o rir atrás de mim, mas não me atrevi a olhar.
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