Blue Balloon

“Alguns dizem que tudo na vida é passageiro. Nunca olhamos pra vida desse jeito. Cada momento tem significado. Até mesmo um balão azul flutuando no céu."

-Ed, não vai por aí! –Gritei o máximo que pude, enquanto tentava segurar sua mão.

-Leo, eu vou pegar ele de volta, e se você tentar me impedir, eu vou te encher de porrada, ouviu? – Edgar, com um sorriso irônico que só ele sabia fazer, correu para a linha do trem.

-Ed, eu acho que o trem vai-

Um vagão de trem passa na minha frente.

Por um momento, eu me vejo parado, perplexo, então aí eu me vejo desesperado, tentando achar Ed.

Olhei por volta dos trilhos, pelos arbustos, no chão, tentando achar rastros de pelo menos o que poderia ter restado dele.

-ED!!ED ONDE VOCÊ TÁ?! – Eu gritava e chorava tanto, que eu comecei a ficar rouco.

O pior daquilo,era que eu podia ter impedido.

-Ah... Droga!!

Eu me sentei numa rocha perto dos trilhos, enquanto forçava para parar de chorar.

Eu não conseguia me imaginar sem ele.

-Pô, Leo. Não sabia que você era um bebê chorão.

“Não acredito nisso.” – Pensei enquanto levantava a cabeça lentamente.

Eu olhei fixamente para o único cara alto, atlético, de cabelos levemente castanhos, e olhos verdes água com o sorriso mais verdadeiro que eu conhecia.

-Mais que porra, Ed! – Eu dei um chute na canela dele, e abaixei a cabeça.

-Você é um imbecil mesmo. – Ele me levantou e me deu um beijo na testa.

- Nã- hunp- Não faz isso... – Agora, eu chorava ainda mais, mas não de tristeza, mas de alegria.

Ele me abraçou enquanto o ouvi dizendo algo como “Calma... Tá tudo bem...” com a voz mais doce do mundo.

Depois de me acalmar, eu e ele voltamos para casa.

-Afinal, Ed. Por que você queria pegar aquele balão? Era só uma porra de balão!

-É claro que eu ia pegar o balão de volta! Lembra do primeiro dia de aula?

-Não. – Então, ele me olha nos olhos e faz aquela carinha de “Tá de brincadeira comigo?”. Eu dei um risinho e deixei ele continuar.

- Enfim, quando começou a ventar, um balão azul apareceu no meio do pátio. Ninguém percebeu que o balão tinha ficado preso em uma das árvores da escola. Quando eu fui pegar o balão, eu encontrei você caído no chão, com folhas no cabelo, apalpando sua bunda. Você tinha caído, Hehe – Ele riu, olhando para o horizonte, se lembrando pouco a pouco.

-É, eu me lembro disso...- Meio envergonhado, eu me virei para que ele não percebesse minhas bochechas levemente rosadas.

-Ah! Toma. O balão é seu. – Ele estendeu a mão e deu um sorriso.

Eu peguei o balão, lhe dei um beijo na bochecha, e saí correndo.

Ed ficou um tempo parado, assustado, olhando pra mim enquanto corria.

Impossível. Eu iria me apaixonar de qualquer jeito.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.