Evariny

7 - Atra nosu waíse vardo fra eld hórnya -


Evariny nunca conseguiu esquecer o que se sucedeu a essa batalha. Assim que disse a Arya o que sentia, para sua total surpresa a elfa, ao invés de consolá-la, se descontrolou:

-Como você pode fazer isso? Murtagh é um assassino, deve ser morto, e logo você, meio elfa, suspirando por ele! Barzûl! Não parece termos apenas cinco anos de diferença, sinto que me encontro diante de uma criança!

-E... Eu...

-Sem justificativas! Deveria mandar-lhe para Ellesmera, quem sabe lá não aprenderia o que significa disciplina! Primeiro se zanga em ter Eragon como mestre, e agora se encanta por Murtagh! Você...

-Basta! – gritou Evariny – Não é algo que se escolha, princesa. Sabe disso melhor do que qualquer outro. Ou pensa que não percebi a forma como olha para o Cavaleiro?

-Do que está falan...

-Não finja que não sabe. Os outros podem não perceber, mas como disse, sou meio elfa, portanto tenho os sentidos e a percepção dos elfos aliada à sensibilidade humana. Sei como está confusa, provavelmente sofreu uma perda, e tem medo de amar Eragon da mesma forma e perdê-lo também.

-Me identifiquei com você, te ouvi... mas não pense que sabe tudo sobre mim, Evariny...

-Não sei tudo, mas estou certa disso, Matadora de espectros.

Permaneceram em silencio. Arya sabia que a Amazona estava certa, mas não queria acreditar na verdade, preferia uma doce mentira. Faölin ainda estava demasiado vivo em sua memória para que qualquer outro pudesse entrar. Mas apesar disso condenava a outra, pois Murtagh era o principal inimigo a ser combatido, depois de Galbatorix, obviamente.

Não tardaram a ouvir o som do bater de asas de Saphira, seguido da visão do dragão voando, com suas escamas azuis cintilando ao sol. Eragon pousou, e foi logo falar com as duas.

Saphira foi mais rápida:

Ele fugiu? Aquele dragãozinho tem sorte, ou eu o fatiaria com minhas garras! Como vocês estão? Saíram-se bem no primeiro combate aéreo?

-Sim, Saphira Bjartskular, — disse a Amazona — fugiram. Nelow lutou muito bem, teve poucos ferimentos, aos quais curei. Murtagh se mostrou um formidável adversário, Eragon-elda, e sua esgrima se equipara à minha.

Ela me chamou de mestre?– perguntou Eragon a Saphira, atônito.

Acho que nossa aprendiz não está bem – respondeu sua companheira.

Ela ter sido educada não significa ter acontecido algo.

Acho que significa.

Na hora de partirem de volta a Surda, Evariny esperou Arya não ser mais visível no horizonte, e então se dirigiu a seu mestre.

-Preciso de sua ajuda.

Eu te disse, mas não quisestes acreditar...

Sim, estavas certa, Saphira – disse Eragon.

- O que aconteceu?

Evariny fechou os olhos, para conter as lágrimas que insistiam em querer rolar pelo rosto, e então disse:

-Preciso saber mais sobre Murtagh, assim como sobre os humanos. Arya não compreende sequer os próprios sentimentos, que dirá os meus... E estou confusa. Estar pedindo-lhe ajuda não significa que tenha mudado minha opinião, mas que escolha tenho?

-O que quer saber? – perguntou seu mestre.

-Tudo.

Falaram por muitas horas, durante todo o caminho de volta. Eragon surpreendeu-se ao perceber que o assunto que mais a interessava era a forma de luta de seu inimigo, assim como sobre as informações referentes à sua infância e seu pai. Cedo demais chegaram a Surda, e foram obrigados a interromper a conversa.

Arya e os elfos comandados por Blodgarm receberam-nos, a primeira lançando olhares acusadores à Amazona. O restante do dia foi absolutamente monótono, explicando a batalha a Nasuada, Orrin, e muitos outros.

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-Evariny... posso entrar?

O pedido surpreendeu a garota. Arya nunca se preocupara com essas formalidades, mas agora pedia cuidadosamente para entrar.

-Claro, Matadora de Espectros.

-Está tudo bem? – perguntou a elfa, surpreendendo novamente Evariny, por seu tom preocupado.

-E por que não estaria, Arya Dröttningu? - perguntou ela, com uma mesura.

-Achei que ainda estava abalada por causa de Murtagh...

-Não se preocupe, meus problemas pessoais não interferirão em nossa causa... Atra du evarínya ono varda, Arya Svit-Kona.

-Pare de me tratar com toda essa formalidade! – exclamou Arya, perturbada – Afinal, somos amigas, não?

-Eu pensava que sim... mas aquela não é a Arya que vejo diante dos meus olhos. Aquela é uma pessoa divertida, que ama a vida mais do que tudo, que não tem medo dos seus sentimentos ou da felicidade... agora vejo uma mulher amarga, que se esconde por trás de uma máscara feita do passado... uma mulher rancorosa, e intolerante... essa não é a minha amiga Arya, é uma estranha... não é a representante dos elfos, é a [i]princesa[/i]... e a princesa deve ser tratada com respeito... se quiser ser tratada como antes, volte a ser quem era...

A Amazona disse isso sem alterar a voz, num tom absolutamente sem emoção, constrangendo a elfa...

Naquela noite, Arya não sonhou seu sonhar acordado... passou todo o tempo pensando nas palavras de Evariny. Sim, pois Evariny não conhecia nada da Alagaësia, já quase toda descoberta por Arya, mas sabia muito mais sobre ela do que a própria elfa. Será que a Amazona estava certa, e ela realmente tinha medo do que sentia? Sim.

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-Atra nosu waíse vardo fra eld hórnya — murmurou a princesa dos elfos, adentrando a tenda da única pessoa que realmente fora sincera com ela.

Sua amiga já estava desperta, e cumprimenta-a com uma reverência:

-Atra du evarinia ono varda, Arya Drötningun. A que devo a honra de sua visita?

-Em primeiro lugar, vim pedir desculpas pelo meu comportamento ontem... eu deveria ter sido mais diplomática, e respeitado o imutável...

-Belas palavras. Mas e suas ações?

-Eu... eu vim falar com você... pedi desculpas... o que mais espera? – disse Arya, atônita.

-Esqueça. –disse Evariny — Não tenho o direito de exigir-lhe mais do que isto.

-Obrigada. – disse Arya, se retirando.

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