Uma semana havia se passado, algumas partes da escola ficaram danificadas, então não era permitido ir até que todas as obras acabassem. Parece que a policia continua investigando sem ter um suspeito ou algo suspeito, todos que saíram vivos daquele ataque da dama de preto corriam perigo, um por um, começaram a morrer, isso estava claro em todos os noticiários e jornais. Isso só vai parar quando eles me tiverem, até lá, só causarei mortes. Com certeza isso não é nenhuma novidade, mas eu não lembro de nada, nem o porque dessa perseguição, as únicas coisas de que me lembro é minha fuga, minha "família", o que sou , meu nome, meus medos, meus pesadelos, o sonho de ter uma vida normal e ele...



Algo me chamava, chamava por mim, mas eu estava naquela escuridão vazia, presa e sozinha.



– Eva...



De novo, apenas abri meus olhos e levantei com dificuldade, a energia pesada me mantia ali, não conseguia me mexer direito.



– Eva, vamos para casa?

–Saia! Saia da minha cabeça! Eu não estou te vendo, então porque continua?! — eu estava chorando de novo.

Por toda a eternidade trancada, nunca tinha ouvido essa voz, só agora...Só agora, algo foi destinado à mim e eu não posso ir atrás...

– Porque?

– Eu estou aqui, Eva...Lute!

Senti algo queimando no meu estomago, fitei minhas mãos com aquela chama branca, meus braços, pernas, estava em tudo. De repente tudo ao meu redor estava queimando e as paredes se desmachando e eu pude ver o mundo em que fui criada, um mundo que fui obrigada a viver.

Não conseguia controlar o que estava acontecendo comigo e o que eu estava fazendo, apenas sentia que queria destruir tudo. Foi quando percebi que já não estava no meu mundo, mas ainda sim devastava todos que estavam ao meu redor.

– Eva, pare!

– Porque? Você me pediu para lutar.


Nada mais existia, fiz todos sumirem, até mesmo o meu mundo eu o desmanchei em cinzas, mas aquela voz...Aquela voz ainda estava na minha cabeça. Eu gritava e me punia mentalmente enquanto olhava aquele céu escuro.



– Deus! Quero que me ouça agora! Se você realmente existe, apareça para mim, eu lhe suplico...



Um longo silêncio foi a resposta que me derá...Eu já sabia.


– Eva, sabe que ele não lhe dara ouvidos, olhe só o que você fez com o brinquedinho que ele chama de "humanidade".

– Pai...O que faz aqui?

– Ele me mandou, de qualquer forma eu teria vindo...Você é mesmo impressionante. — ele sorriu, a primeira vez que vi meu Pai sorrir desse jeito. — sabe porque nós existimos Eva? O equilibrio, ah sim, essa maldita balança. Uma coisa muito simples, sem o mal não existiria o bem e obviamente, sem o bem o mal nunca aconteceria, mas você tem algo que nunca vimos antes, o poder da devastação é muito perigoso, uma garota tão pequena como você não conseguiria aguentar tal responsabilidade.

– Eu não sou uma garota! Eu sou um demônio!

– Você nem sempre foi o que julga ser.

– Então quer dizer que...Eu já fui normal? — o fitava perplexa. — impossivel!

– Todos já fomos normais Eva, mas chegou sua vez de ser responsavel por isso, ainda não sei o que aconteceu de você causar o caos.

– Ele, ele esta me esperando...

– Quem? Você destruiu tudo.

– Mas eu ainda escuto a voz dele na minha cabeça.

– Parece que algo lhe foi destinado, como pode ser possivel algo do tipo acontecer... — senti seus olhos vagando, procurando a resposta em meu rosto. — bem, vamos resolver isso, o que será que eu posso fazer com você?

Ajoelhou-se na minha frente e acarisinhou meu rosto puxando umas das minhas mechas para atrás da orelha.

– Não conseguiria matar minha própria filha, quando ela é tão linda... Vou lhe propor um acordo, eu posso te matar agora se você quiser ou eu poderia te mandar para outro mundo, um mundo exatamente como este, mas você não lembrará do poder que tem e nem dessa nossa conversa ou porque de você existir, em compensação você poderá buscar o seu "destino" que tanto lhe chama. Lembrando que não vai receber nenhuma ajuda minha ou de seus familiares, eles podem te matar a qualquer hora e eu não vou interferir, com certeza o dia em que sua pequena irmãzinha os destruiu ficará marcado na memória deles...Isso será bem divertido de se ver, não acha?

– Você continua sendo o mesmo, não é?

– Ora, porque esse olhar triste minha querida? Escolha logo, não quero gastar mais tempo com você.

– Eu, eu fico com a segunda opção.

– Ótima escolha.

Ele sorriu para mim e então senti uma enorme força, senti algo me puxando, podia sentir meu destino que tanto me chamava mais próximo à mim...



Eu e o Onahara-kun estávamos comprando suprimentos na feira perto da sua casa, esta semana comecei a frequentar a casa dele mais vezes, talvez comecei até morar lá, ajudo na cozinha e na limpeza da casa. Ele esta realmente estranho, deve ser por causa do que aconteceu, tantas as pessoas que se perderam naquele inferno de uma semana atrás...



– Sabe, Onahara-kun...



– Ah que cheirinho bom de tempurá! O Natsu... — ele parou de falar por um instante, levantou a cabeça e observu o céu cinza dando um sorriso entristecido. — Natsu gostava muito de tempurá, chegamos até fazer copetição para ver quem comia mais, era na epoca que minha mãe estava viva, eramos bem pequenos então de noite a nossa barriga dóia e vomitavamos todo nosso almoço e jantar. — ele riu, então fitou-me e perguntou: Desculpe, o que você ia dizer?



– Nada, nada mesmo. Com certeza o Tanaka-kun deve estar feliz agora, feliz por conhecer alguem como você, Onahara-kun, você e ele devem ter criado lembranças ótimas juntos.

– Sim, com certeza.


Onahara parecia realmente triste, mas suas lembraças o faziam sorrir, lembraças de dias felizes que eu nunca tive e que nunca pude sentir tal felicidade. Porque tudo o que eu faço é lamentar? Escolhas? Talvez eu já tive...



Molhado...Gelado...Muito barulho...Chovia, estava deitada no chão, minha visão estava embaçada, tentei movimentar os braços, mas a unica coisa que consegui foi mexer as pontas dos dedos da minha mão direita. Tentei me mexer novamente, então eu levantei, estava completamente encharcada e meu corpo pesava.



Olhei em minha volta, parecia alguma estrada, mas não havia nada, não havia ninguém...



– Eva.



– Eva? É meu nome, meu nome...

Comecei a caminhar, caminhava mais e mais sem parar, cheguei em uma espécie de cidade pequena tudo estava escuro, já era de noite. Parei de caminhar quando deparei-me com muros altos, saltei por cima deles e avistei um edifício com campos enormes em sua volta, era uma escola... Queria estudar, ter uma vida normal, queria poder ser humana.

Suspirei. Quebrei uma das janelas e entrei, provavelmente caminhei pela escola inteira, fui parar na diretoria achei umas roupas no armário que estava ali, deve ser o uniforme feminino da escola e antes de sair procurei a lista dos recém matriculados e coloquei meu nome.


Olhei as salas e por um momento sentei em uma das carteiras, só para saber a sensação de estudar, passei meus dedos no quadro negro e o cheiro do pó do giz permanecia ali.



Sai da escola pela mesma janela que quebrei, estava indo ver as quadras/campos, então senti um cheiro familiar, havia mais alguém além de mim.



– Ei madame, onde acha que vai? Por acaso esta invadindo? O horário até a escola ficar aberta já acabou.


Virei devagar, um homem alto me encarava, usava um macacão cinza, talvez o zelador da escola.

– Sabe, não precisa fingir tanto, com os olhos que tenho posso ver sua verdadeira alma, mas demônios criados pelo filho do Satã não tem alma, são apenas brinquedos, certo? Ah, e esse cheiro consigo sentir a quilômetros. Vamos lá, vamos brincar um pouco, sei que esteve me esperando por muito tempo. — falei enquanto sorria, soltei um pouco do meu poder, um manto de sangue acolheu meu corpo.

– Não precisa disso tudo, a madame pode voltar para casa sem morte, sem luta.

– Não ouse falar como se fosse algo tão simples! Não vou voltar, eu sei porque me querem morta, eu sei porque me querem presa, tenho um pressentimento de que fiz algo horrível que saiu do controle, mas estou tentando lembrar do porque disso e estou buscando pelo meu destino. Fale para o Sebastian que aquilo, ou seja lá o que for que eu fiz não se repetirá, isso é uma promessa.

– Não correrei o risco. — Ele correu para cima de mim já mostrando sua verdadeira face.

Já sabia dessa resposta... Agora a unica coisa que posso fazer é lutar contra aqueles que me querem morta, um a um eu irei matar com minhas próprias mãos, sem usar o verdadeiro poder do demônio que esta dentro de mim.

Começamos a lutar, o joguei para cima e pulei em seguida usando minhas mãos como espadas o ataquei milhares de vezes seguidas, ele parecia fazer o mesmo, não havia recebido nenhum dano. Voltamos para o chão e eu o observei.

– Então você é um demônio copiador, ha, ha, incrivel! Copia meus ataques, mas nem tentou copiar minha forma, será necessario um pouco de sangue? — Com minhas unhas fiz um corte do pulso até o cotovelo. — pode vir.

Esperei que viesse correndo, então pulei e fiquei sobre suas costas, puxei os dois braços e os arranquei.

– Não pode ver sangue fresco que vem correndo, se rebaixou tanto para um brinquedo.

Ele veio correndo novamente, agarrei seu estomago e lancei seu corpo nas colunas que seguravam o telhado de uma das entradas do patio para o corredor.

Cheguei perto do seu corpo caído, mas ainda vivo e cortei o seu pescoço.

– Não sabe a sorte que tem por ter sido criado como um demônio copiador, você podia ser uma pessoa com uma vida normal agora, que desperdício de poder vindo atrás de mim.

Após alguns segundos podia sentir a presença de mais alguém, dessa vez é um humano.

Virei-me para trás e ele me encarava, olhos azuis profundamente escuros fitavam-me com serenidade e assustados, apenas sai dali o mais rápido possível enquanto o vento soprava, com certeza era para ele.


Notas finais
'3' e ai? Reviews? Espero que tenha gostado, até o próximo cap.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.