Notas iniciais
Espero que gostem!

Como um mantra sagrado, uma oração aos antigos deuses, Arya sussurrava aquelas palavras, os nomes de seus inimigos, os quais jurou a si mesma matar com as próprias mãos.

- Joffrey, Cersei, Ilyn Payne, o Cão de Caça. Joffrey, Cersei, Ilyn Payne, o Cão de Caça...

A chuva incomodava, a fazia tremer de frio, enquanto poças de água acumulavam-se ao seu redor, tornando o chão lamacento e deixando-o frio como gelo. Estar daquela maneira, ao relento, no meio de tantos homens que outrora foram estupradores, assassinos, ladrões, a deixava assustada, até com medo, mas sentir a presença dele ao seu lado, trazia-lhe uma sensação de segurança. Não, essa não era a palavra correta, já que estar em segurança, sendo ela quem era, não era algo possível. Sentia-se mais confortável, não em relação ao chão, que era duro como pedra, mas em relação aos seus sentimentos.

Roncos e resmungos, era isso que ela ouvia, porém, se concentrasse toda a sua atenção, conseguia ouvir a pesada respiração de Gendry. Era dessa forma que ela sabia que ele estava ao seu lado. Enquanto o sono não vinha, ouvir sua respiração era algo que a deixava mais calma.

Lembrou-se então, de Winterfell, dos irmãos, da mãe e do falecido pai. Algo lhe subiu a garganta, um pequeno soluço, que logo trouxe as lágrimas. Eram poucas e misturavam-se a chuva de maneira que não parecia estar chorando. Considerava-se uma garota forte, sabia lutar, usar uma espada, defender-se sozinha. Mas naquele momento, longe de casa e de tudo o que conhecia, sentia-se perdida e triste.

Rezava para que ninguém percebesse que os soluços estavam aumentando a frequência e que as lágrimas diminuíssem, porém como sempre há como piorar, elas aumentaram. Pôs tudo para fora, não tentou segurar, apenas deixou que fluíssem, sempre tentando fazer pouco barulho. Se bem que os roncos iriam mascarar qualquer pequeno ruido feito por ela.

Aos poucos as lágrimas foram parando e os soluços sessaram. Com isso, ouviu uma movimentação atrás de si. Pensou em virar-se e ver o que era, se algo errado havia acontecido ou se haviam percebido suas pequenas lamurias. Foi surpreendida por algo que, em sua opinião, era impossível de estar acontecendo. Sentiu mãos rodearem sua cintura e um corpo aproximar-se do seu.

Num primeiro momento pensou em chutar o tal que iniciou tal ação, mas ao perceber quem era, apenas deixou que prosseguisse. Como sabia que era Gendry quem a estava abraçando? Não tinha a menor ideia. Mas sabia que era ela, conhecia seu cheiro, sentia sua presença ali, bem ao seu lado, abraçado a ela. Nesse momento sentiu-se feliz, de uma maneira que não se sentia desde a morte do pai e esta lembrança fez com que se sentisse culpada, mas ainda assim feliz.

A respiração dele em sua nuca era calma e pesada. Algo tocou em sua orelha e ela estremeceu, estava constrangida. Nunca chegara assim tão perto de um garoto. Não, Gendry não era um garoto, era mais velho. Nunca chegara tão perto de outro ser do sexo masculino assim, nem de seus irmãos. Imaginou Robb e Jon vendo uma cena como essa e sorriu internamente com a reação que pensou para cada um dos irmãos. Mas uma coisa era certa, ambos iriam querer a cabeça do ferreiro.

Alguns segundos se passaram até que ela ouvisse as palavras que a deixariam ainda mais constrangida, porém feliz e com um sentimento de, quase, segurança.

- Não chore my Lady, eu sempre vou estar aqui.

Com essas palavras, dormiu abraçada àquele que julgava ser seu primeiro amor.

Notas finais
Caso alguém tenha interesse em saber, escrevi pensando naquele momento em que a Arya está deitada na chuva, no quarto episódio da segunda temporada.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!