Eu quero você só pra mim
1 Mudar para conseguir
Notas iniciais
Eu sou igual a ela, então porque você não se apaixona por mim?
...
Desde que me lembro... Foi assim.
~ 7 anos ~
Daiki e Nee-chan sempre brincavam juntos, éramos vizinhas dele. Nee-chan normalmente usava o cabelo com marias-chiquinhas quando criança e o meu era curto. Mesmo eu sendo a mais nova, todos pensavam que éramos gêmeas, mas Daiki sabia a diferença. E eu gostava disso nele, ele não me confundia com ela. Ele nos conhecia e sabia a personalidade de cada uma, mas principalmente por causa da cor dos nossos olhos. Nee-chan tem os olhos rosa e eu tenho olhos azuis.
Eu sempre queria brincar com eles, mas Daiki gostava mais de brincar com ela.
– Ahhh, onegai Daiki. – Pedia.
– Você é nova demais! – Ele dizia.
Ficava emburrada.
– Ne! Um dia eu vou crescer e fazer tudo que você faz! – Eu exclamava.
– Duvido! – Ele exclamou, pondo as mãos no quadril e me encarando.
– Eu vou! – Eu exclamava quase chorando.
– Hanako-chan, não fique assim. – Satsuki me acalmou, pondo as mãos nos meus ombros.
~ 11 anos ~
Comecei a gostar do Daiki. Nessa época, ele começou lentamente a despertar um sentimento em mim. Ele sempre chamava Satsuki pra brincar ou pra ir para escola de manhã. Toda vez que eu o via... Toda vez... Um sentimento por ele acabou surgindo em mim.
Minha mãe e eu estávamos na sala. A campainha tocou e Nee-chan foi atender.
– Dai-chan! – Ela exclamou.
Eu sorri ao escutar.
– Oe, Satsuki. Vamos logo. – Daiki disse.
Corri até eles.
– Posso ir também? – Pedi sorrindo.
– Não! A gente vai ter que tomar conta de você! – Ele exclamou.
– Gomen, Hanako-chan. – Satsuki disse.
Abaixei o olhar e eles saíram, com Daiki me fitando ao sair. Sentei ao lado da minha mãe.
– Não fique assim. – Ela me consolava – Eles vão ver os amigos.
– Hum. – Disse triste.
~ 14 anos ~
Estávamos na Teiko. Eu quis ir para o mesmo colégio que Nee-chan e Daiki, claro. Ele cresceu e ficou bonito, ela deixou o cabelo crescer e usava rabo de cavalo. Eu deixei meu cabelo crescer só um pouquinho, mas ainda era curto. Comecei a gostar de basquete, tanto pelo esporte mesmo como porque Daiki gostava. Eu queria ter algo em comum com ele, que já estava até no time da Teiko.
Depois da aula, normalmente eu ficava num parque no meio do caminho pra casa e comecei a jogar um pouco, sozinha. Daiki apareceu um dia, voltando para casa e me fitou. Começou a me assistir e a segurar a risada quando me via errar a cesta. Entrou na quadra e me assustou.
– Oe, Hanako!
Exclamei e o olhei, fazendo cara de tédio em seguida.
– Você é muito ruim. – Ele riu se aproximando.
Virei o rosto e cruzei os braços com raiva.
– Run! E você é melhor, ne! – Reclamei.
Ele riu e tirou a bola da minha mão.
– Etto...! – Exclamei pela velocidade.
– Ne, me segue. – Ele sorriu confiante.
Errei algumas jogadas e ele riu.
– Ahhh, pára! – Exclamei.
Ele riu mais um pouco e me fitou. Reparei e corei um pouco.
– Nani?
– Hum, nada. – Ele virou o rosto, parecia envergonhado – É que... Seu cabelo ficou legal.
– Uh? – Processei e sorri feliz, mexendo no cabelo. Fiquei admirada por ele ter reparado.
Começamos a jogar juntos e eu a ficar cada vez mais maravilhada por ele. Daiki me ensinou várias jogadas e a maioria das coisas que eu sei foi porque ele me ensinou. E eu fiquei muito feliz por isso. Na escola ele não falava muito comigo, ficava mais com Satsuki por ela ficar muito com o time de basquete por causa do Kuroko, mas mesmo assim... Aquele ano foi o melhor da minha vida.
Pelo menos até...
– Nani, Nee-chan? – Perguntei. Ela entrou em casa cabisbaixa.
– Hum. Dai-chan está ficando diferente. – Ela disse com o olhar baixo.
– Diferente? – Perguntei em dúvida.
Ela disse que ele estava começando a jogar de forma individual. Não conseguia nem mais receber as jogadas do Kuroko, estava rápido demais e queria jogar sozinho. Depois eu soube que todos do time estavam assim. Atsushi, Seijuro, Shintarou... “Nande...”, pensava preocupada. Saí correndo porta a fora.
– Hanako-chan! – Ela exclamou sem entender.
Saí portão a fora e fui para casa de Daiki. Toquei a campainha e ele logo atendeu. Sua expressão não demonstrava nada.
– Nani? – Perguntou sem emoção.
– *Anou... – Dizia ofegante – Daiki quer... Jogar comigo hoje? – Abri um sorriso, tentando fazê-lo sorrir.
– Hum? Por quê?
– Eh? – Disse sem entender – Anou... Daiki...
– Você é muito ruim. – Ele me interrompeu – Não sabe jogar, é só uma garota. Você não é páreo pra mim.
Eu o olhava surpresa com meus olhos começando a ficar marejados. O que houve com o garoto que eu gostava? Ele me olhou com desgosto e se preparou para entrar.
– Você é muito lenta.
Ele fechou a porta, eu não tive reação. Uma lágrima caiu do meu olho sem eu perceber. Eu estava deixando meu cabelo crescer e ele nem notou que estava mais comprido. Quando a gente jogava, ele dizia que eu estava ficando boa, que gostava de jogar comigo. O que houve?!
Voltei para casa e fechei a porta.
– Hanako-chan? – Satsuki me chamou – O que houve?
– *Betsuni. – Disse de cabeça baixa, sem olhá-la.
Subi e me tranquei no quarto. Deitei na cama, desolada. Eu gostava dele, por que ele me tratou assim? Nas semanas que se seguiram, Daiki continuava da mesma forma assim como os outros. Satsuki estava no ginásio e ele falava apenas com ela. Eu os fitava da saída e começava a sentir ciúmes. Éramos iguais, então por que ele ficava mais com ela? O que ela tinha de tão especial? Depois disso, tomei uma decisão!
No dia da minha partida, Satsuki veio no meu quarto e me viu terminar de fazer as malas.
– Você vai embora mesmo? – Ela se sentou na beira da minha cama.
– Hai.
– Nande? – Ela perguntou triste.
– Eu quero mudar.
– Uh? Por quê?
Dias depois, eu fui embora. Minha família me levou de carro para a estação de trem, eu iria para Chubu ficar com meus avós, estudar lá até o fim do fundamental. Não vi e nem quis olhar para trás, mas Daiki me fitava de sua janela me vendo com as malas na mão, entrando no carro. Eu estava decidida! Eu mudaria, seria uma verdadeira jogadora e voltaria disposta a conquistar Daiki. Me tornaria alguém páreo para ele, alguém que ele veria que tinha algo verdadeiramente em comum com ele e por quem ele se apaixonaria. Eu vou! Eu vou conseguir conquistá-lo!
~ 16 anos ~
“É isso!”, pensava enquanto via a paisagem pela janela do trem. Meu cabelo rosa cresceu mais, estava na cintura. Eu cresci mais, mudei totalmente! Tanto na personalidade como no corpo. Com certeza ele me veria como outra pessoa! Com certeza ele se apaixonaria por mim! “Por favor... Me ame! Eu quero você só pra mim!”, pensava decidida. Peguei um táxi e fui para casa. Quando abri a porta, meus pais e Satsuki estavam lá à minha espera.
– *Okaerinasai... Hanako.
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