No jogo contra Hokutona, eu nem prestei atenção, mas percebi Sumiko voltar sorrindo sem parar. Elas devem ter se saído bem, mas meus olhos não demonstravam nada naqueles momentos, eu me sentia vazia por dentro e meu peito ainda doía. Satsuki tentou falar comigo nos dias anteriores, perguntar o que eu tinha, mas eu comecei a ficar com raiva dela e a jogar um travesseiro em sua direção e mandá-la sair sempre que ela entrava no meu quarto. Eu sei que era errado e não era culpa dela, mas eu realmente fiquei com raiva dela e até comecei a odiá-la por isso, a pôr nela a culpa do meu fracasso. A culpa na verdade era minha, eu que fui a imbecil que deu justamente o que um garoto quer e ainda pensava que isso o faria me amar. Às vezes eu pensava em tudo o que eu fiz e me pegava chorando e fungando sem parar.

No vestiário depois do jogo contra Hokutona, as meninas conversavam alegremente, mas Setsuko me fitava sem parar. Todas foram embora e eu fiquei sentada no vestiário. Setsuko voltou e me fitou.

– Hanako.

– Yo. – Disse quase inaudível.

– O que houve com você?

– Nada. – Dei de ombros.

– Você não disse nada e não jogou direito. Além de ficar aqui.

Abaixei o olhar com a expressão triste. Ela se sentou do meu lado e ficamos em silêncio por um tempo.

– Setsuko.

– Hum? – Ela me fitou.

– Tem... Hum... – Pensava de cabeça baixa – Tem outra razão pra gente dormir com um garoto?

Não vi Sumiko e Kyoko voltarem para o vestiário. Setsuko arregalou os olhos, extremamente surpresa.

– Hanako...

– Você dormiu com ele?! – Sumiko exclamou indignada.

A olhei surpresa, elas estavam ali.

– Uhm... – Gaguejei.

– Você dormiu com aquele idiota?! – Ela exclamava.

– Oe, você nem sabe se é verdade. – Kyoko disse tentando acalmá-la.

Abaixei o olhar e Sumiko franziu a testa.

– Precisa de mais alguma coisa agora? – Ela disse irritada para Kyoko.

– Por que fez isso? – Setsuko perguntou ainda surpresa.

– Por que é uma idiota! – Sumiko exclamou.

– Cala a boca! – Setsuko exclamou irritada e se voltou para mim.

– Ela tem razão. – Eu disse angustiada.

Elas ficaram surpresas e Sumiko se calou. Kyoko e ela se sentaram no banco e eu contei o que houve. Suspirei por fim.

– Eu sei que o motivo foi imbecil, mas... Eu pensei...

– Hai. – Setsuko disse, suspirando.

– Eu... Não me arrependo sabe, mas queria que ele pensasse em mim quando a gente estava na cama. Quem sabe quantas vezes ele pensou nela. – Funguei.

– Você é realmente idiota por ter feito isso. – Sumiko dizia emburrada.

Ela bufou e levantou, saindo andando. Setsuko foi com ela, mas Kyoko ficou. Acho que as duas apenas não sabiam o que dizer, e eu não as culpada. Também não sabia! Elas foram embora e ficamos sentadas em silêncio. Meu olhar estava baixo, não queria pensar em Daiki. Apenas queria esquecer tudo que passou.

– Você está bem? – Kyoko perguntou.

– Não... – Dei um sorriso leve.

– Ne, se você não se arrepende então não ligue para o que Sumiko disse.

– Eu não fiquei com raiva. – Disse – Tudo bem ela dizer aquilo, eu fui idiota mesmo.

– Eu entendo você, tudo o que você fez, mas às vezes o esforço não adianta. – Ela dizia calmamente – Às vezes não é para acontecer. Pelo menos não agora.

A olhei com o olhar calmo, porém surpresa. Sorri levemente para ela. Me voltei para frente e fechei os olhos com o mesmo sorriso.

– Kyoko, você podia falar mais. – Disse suavemente.

– Hum? – Ela me fitou em dúvida.

– Com tão poucas palavras, você ajuda as pessoas. – Sorri – Imagine se falasse mais.

Ela me olhava surpresa. Abaixou o olhar e ajeitou os óculos, sorrindo levemente. Kyoko foi embora logo depois perguntando se eu não iria também, eu disse que ficaria mais um pouco. Perdi a conta de quantas vezes respirei fundo. Levantei e peguei minha mochila, indo embora finalmente. Quando saí do ginásio, vi ao longe Daiki e Satsuki escorados numa parede. Eles pareciam conversar e Daiki ria. Franzi a testa com raiva, me perguntando se alguma vez ele riu daquele jeito comigo, um riso feliz. Abaixei a cabeça e fui embora.

Um tempo depois, Satsuki chegou em casa e logo me fitou deitada no sofá.

– Hanako, onde você estava? – Ela perguntou em dúvida.

– Aqui. – Dei de ombros.

– Dai-chan e eu estávamos te esperando na saída do ginásio esse tempo todo.

– Eu não vi vocês. – Menti.

– Hum. Então,...

– Ne, okaasan vai precisar de ajuda no almoço amanhã, mas eu tenho uma sessão de fotos. – A interrompi – Você pode ajudá-la?

– Hum, hai...

Levantei e fui para o quarto. Eu realmente não queria pensar mais em Daiki, então se ela falasse sobre ele, o que com certeza aconteceria, eu desconversaria com qualquer assunto. Não queria mais saber dele, não queria mais pensar nele. Fiquei magoada, machucada. Começava a me perguntar se ele me usou esse tempo todo só para ter uma “Satsuki” substituta. Mas tudo o que ele disse pra mim quando ele me beijou pela primeira vez parecia tão real! Ele me conhecia mesmo e me beijou quando perguntei por que ele se importava se eu estava bem ou não. Isso é tão contraditório!

Eu pensava nisso tudo, mas me lembrei daquele riso que ele deu. Todo o meu plano foi realmente em vão? Eu ainda não sei...