Eu posso ser seu herói
13 Revelação
Notas iniciais
Quase uma semana havia se passado David e Victoria não haviam se encontrado durante esse tempo, Conrad havia ficado esses dias longe do trabalho e estava constantemente em casa apenas para torturar Victoria. Naquela manhã ele finalmente precisou viajar a trabalho, era sábado e ela já imaginava que fosse uma mentira, mas não se importava, assim que ele saiu ela foi para a casa de David, feliz por finalmente poder vê-lo, quando ela chegou porem não havia ninguém, ela ficou parada na varanda esperando e viu algumas correspondências, pensou em não mexer, mas quando viu o envelope de um hospital psiquiátrico estranhou e o pegou, havia o nome de David e mesmo constrangida sua curiosidade foi maior, ela abriu e ficou em choque ao ler o nome da esposa dele, Kara, David havia mentido para ela.
Victoria pensou em ir embora, mas decidiu ficar e confronta-lo, pouco depois ele chegou e se aproximou dela sorridente tentando beija-la afirmando que estava com saudades, ela se afastou com lagrimas nos olhos e ele perguntou preocupado:
“O que houve Victoria?”
“Por que você fez isso?”
“Isso o quê?!”
“Por que mentiu pra mim?!”
“De que está falando?!”
“Sua esposa está viva e em um hospício!”
“Vee...”
“Você mentiu pra mim David, depois de tudo!”
“Eu posso explicar!”
“Eu não quero ouvir nada!”
Ela deu as costas para ir embora, mas ele segurou seu braço, ela começou a esbofeteá-lo tentando se libertar então ele a sacudiu e gritou:
“Pare com isso, me escute!”
“Solte-me!”
“Só se você me escutar!”
“Então me solte!”
Ela a largou e ela arqueou as sobrancelhas esperando, ela a conduziu até o sofá, suspirou profundamente e começou:
“Eu conheci a Kara no primeiro ano da faculdade, ela fazia artes plásticas, era uma garota incrível, nos tornamos amigos, depois namorados e quando percebi já estávamos morando juntos, logo ela ficou gravida, ficamos felizes, ela largou a faculdade, a Amanda nasceu e nós éramos uma família perfeita, mas quando a Amanda tinha quatro anos... a Kara começou a enlouquecer!”
“Como assim?”
“Ela começou a surtar, tinha acessos de raiva, crises nervosas, momentos de euforia, eu me preocupava, mas achava que tudo ficaria bem... até que ela tentou matar a nossa filha afogada!”
Victoria sentiu seu estomago virar, ela queria acreditar nas palavras de David, mas sua mentira a havia feito duvidar de tudo, ela levantou do sofá e ele perguntou:
“Aonde vai?”
“Embora!”
“Sem dizer nada?”
“Eu não sei no que acreditar!”
“Está duvidando de mim?”
“Você já mentiu pra mim, eu não duvido que tenha internado a Kara por maldade!”
“Victoria!!”
“Eu sinto muito David!”
“Vem comigo!”
“Pra onde?”
“Vem, vou te mostrar a verdade!”
“Eu não vou a lugar nenhum com você!”
“Ah vai sim, agora!!”
Ele a pegou pelo braço e a levou para fora, ele não estava sendo agressivo e ela não sabia porque não se afastou, ela queria sair de perto dele, mas algo dentro de si a impedia e acabou entrando em seu carro, ele dirigiu rapidamente e em silencio, estava indignado com sua falta de confiança, quando chegaram ele finalmente ordenou:
“Saía do carro!”
“Onde estamos?”
“Viemos visitar a Kara!”
Ela engoliu audivelmente, mas saiu do carro, ele fez o mesmo e entraram na clinica, Victoria se sentiu desconfortável enquanto esperava que ele falasse com a recepcionista, havia passado seis meses de sua adolescência em um local parecido e as lembranças ainda eram ruins. Logo a entrada foi liberada e ele a levou pela mão até o elevador, quando chegaram na porta do quarto David pediu:
–Me deixe entrar primeiro, quero ela desarmada!”
“Tanto faz!”
Ele deu de ombros e entrou, ela ficou na porta o observando, ele se aproximou da cama e falou calmamente:
“Kara!”
“David, você veio fazer o quê?”
“Eu trouxe alguém pra te ver! Vee entre!”
Victoria entrou timidamente e observou atentamente a mulher sentada na cama, ela era loira e magra, apesar de estar naquele lugar era bonita, lembrava Amanda, com os olhos arregalados ela se dirigiu a Victoria:
“Quem é você?!”
“O nome dela é Victoria, nós estamos em um relacionamento e...”
“Você está me traindo?”
“Não Kara, nós estamos separados há cinco anos!”
“Você me trancou aqui para ficar com essa vadia!”
“Nunca mais se refira a Victoria nesses termos! E você está trancada aqui porque tentou matar nossa filha!”
“Quer que eu me refira como a mulher que te roubou de mim?!”
“Kara pare de distorcer as coisas!”
“Por que David, porque você não esperou eu me curar?”
“Kara, você sabe que isso nunca vai acontecer, além do mais eu amo a Victoria!”
“Você roubou o meu marido de mim!!!”
Os olhos dela brilharam raivosamente e ela saltou da cama gritando impropérios e agarrou o pescoço de Victoria, David a segurou gritando para os enfermeiros que logo chegaram e a imobilizaram, assustada Victoria se encolheu com os braços em volta do corpo segurando o choro, David a amparou até o carro, ela permanecia em silencio e ele a puxou para seus braços afirmando:
“Está tudo bem, eu estou aqui!”
“Me perdoe por ter duvidado de você!”
“Eu errei te escondendo a verdade!”
“Eu sinto muito, a situação dela é horrível!”
“Desculpe ter te trazido aqui, mas...”
“Tudo bem, eu precisava acreditar em você!”
“Ela te machucou?”
“Não, eu só me assustei!”
“Vamos pra casa agora!”
Assim que chegaram em casa, David a abraçou novamente, ansiando por seu carinho, ficaram um longo tempo abraçados, ela se afastou, segurou o rosto dele entre as mãos e afirmou olhando em seus olhos:
“Eu amo você David!”
Os olhos dele se encheram de lagrimas, ele a beijou apaixonadamente, depois beijou sua testa e afirmou:
“Eu também te amo, Vee!”
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