Eu não devia estar aqui
19 Smile, o Creepypasta em forma de cachorro
Notas iniciais
Eu seguia Jeff para onde ser que seja o local que o tal Smile fica.
O professor Trenderman andava ao meu lado. Por algum motivo eu senti que, se ele pudesse ter expressões faciais, ele estaria demonstrando muita preocupação.
Por outro lado, vários alunos curiosos nos seguiam. Eu tentava entender porque todo esse alvoroço. Sério, para que todo esse drama? Afinal, não era apenas um cachorrinho? (N/A: Claire, sério, você é ingênua, ou burra?).
Enfim... Acompanhei Jeff até um local que ficava atrás da escola. Eu franzi a testa. Ainda não tinha vindo aqui antes.
Deixe-me descrever o local: Tinha um enorme e profundo fosso no local, com cercas de ferro em volta.
Eu olhei dentro do fosso. Havia uma casinha, quer dizer, ela era grande demais para ser uma “casinha”. Mas enfim... Tenha essa “casinha” feita de cimento no canto.
– E é aqui Claire, que o Smile mora! – Disse Jeff. È impressão minha ou ele estava rindo – Você quer ir conhecer ele? – Ele disse apontando para a “pequena casinha”.
– C-Claro... – Eu gaguejei. Jeff deu uma risada debochada.
– Claire – Chamou o professor Trenderman. Eu me virei para encara-lo, e ele me entregou um saco enorme nas mãos – Aqui dentro tem a comida do Smile.
– Há... – Eu assenti – Mas como se entra? – perguntei colocando o saco sobre as costas.
– Pelo o subterrâneo – Não foi Trenderman que respondeu, mas sim a professora Lia que se aproximava no local – Claire, tem certeza que quer fazer isso? – Ela perguntou me encarando – Smile é uma criatura meio... Violenta...
– Mas ele é somente um cachorro, não é? – Falei sorrindo – Eu quero mesmo fazer isso! – Eu disse com um sorriso esperançoso. A professora suspirou pesadamente, enquanto Jeff, ao seu lado tentava esconder uma risada.
– Tudo bem Claire... De você que assim... – Ela disse comprimindo os lábios – Então me siga, eu vou lhe mostrar a entrada para o canil do Smile... – Ela disse fazendo um sinal para segui-la.
Ela me guiou até um alçapão, que eu não havia notado antes e o abriu.
– Aqui é o caminho que você pega para ir até o canil do Smile! – Ela disse apontando. Eu tentei espiar, mas só vi um corredor escuro.
– Okay... – Eu gaguejei pulando dentro do alçapão.
– Hey Claire! – Murmurou Jeff antes de Lia fechar o alçapão – Boa sorte, você vai precisar! – Ele disse em um tom de deboche.
– Claire... Tem certeza? – murmurou Lia.
– Sim professora! Eu não vou mudar de ideia! – falei com um sorriso fraco. Ela me encarou, e então, hesitante, fechou o alçapão.
Eu notei que o corredor não era tão escuro assim, que havia uma luz no fim do túnel. Eu fui andando devagar até essa luz. Fiquei surpresa ao me dar conta que tinha uma um grande portão de ferro.
Logo esse portão se abriu.
– Pode entrar Claire! – ouvi gritarem. Eu respirei fundo, e então dei um passo à frente. Olhei para cima, e percebi que alguns alunos estavam observando a cena. E esses alunos eram meus amigos, que estavam com uma expressão de preocupação. Perguntei-me por que eles me encaravam assim. Há, e é claro, lá estava Jeff, que tinha um enorme sorriso travesso nos lábios enquanto me observava. Porque será que Jeff é o único que parece feliz com isso? Perguntei-me. Eu balancei a cabeça. Não é nada irrelevante por agora.
Enfim... De repente o portão que havia sido aberta há u segundo atrás, se fechou atrás de mim.
Eu dei um salto, assustada, e é claro, que fazer isso, ouvi uma risada debochada vinda de Jeff.
– Claire! – Alguém gritou de preocupação. Eu olhei para cima, e percebi que alguns alunos começaram a chegar para observar a cena. Eu franzi a testa. Para que isso tudo?
Bem... Logo minha pergunta fora respondida.
Dentro da “casinha” pôde-se ouvir um rosnado, e então, ele apareceu.
Eles realmente chamam aquilo de cachorro? Ele grande demais para ser u cachorro, tenho certeza que, olhando de longe, ele quase tem minha altura. Ele tinha traços de um Husky Siberiano, mas só que seu pelo era meio puxada para um vermelho. Vermelho sangue.
Calma Claire... Calma... Pensei. Ele está usando uma coleira... Eu notei. E ainda por cima é somente um cachorro... Enfim... Smile deu um rosnado. E isso tirou todas as minhas duvidas. Isso não é um cachorro. Seu rosnado era assustador, e quando ele rosnava, ele sorria. Sério! De uma maneira totalmente estranha para um cachorro, e ainda por cima mostrava seus dentes. Eram enormes! Enormes e afiados.
Comecei a sentir minhas pernas ficarem bambas. Engoli um seco.
– Claire! – Professora Lia gritou – Acalme-se, ele ainda está de coleira!
–M-m-m-m-mas... — eu comecei a gaguejar freneticamente.
– Cuidado Claire, ele fareja o medo! – Gritou Jeff rindo de uma maneira debochada. Eu engoli um seco, desesperada. Se ele queria me assustar, conseguiu.
– Jeff! – Gritou Jane o censurado, e então logo ela suspirou e se virou para me encarar – Ele ainda está de coleira... Acalme-se!
– O-o-o-okay... – Gaguejei.
– Vamos lá Claire... – Disse a professora Lia – È só colocar jogar a comida para algum local que ele alcance! Nem precisa se aproximar.
– Pode deixar, professora Lia! – Falei tirando a sacola com a comida do Smile das minhas costas. Provavelmente eu não devia ter feito isso, pois então Smile me encarou, e começou a tentar vir em minha direção, claro que ele foi impedido pela coleira, mas eu fiquei paralisada de medo.
– S-S-Smile... C-c-c-ca-ca-calma g-g-ga-ga-garoto – Eu gaguejei – A-a-a-aqui e-e-e-e-e-está s-s-s-s-s-sua comida! – Nossa, eu estou gaguejando até demais. Smile respondeu dando um enorme rosnado, e tentando investir em minha direção.
A cena seguinte se passou em câmera lenta. Ouvi alguém gritar meu nome, não identifiquei quem, provavelmente Kat, mas enfim... Smile tentou investi novamente em minha direção... E... A corrente da coleira quebrou. Eu fiquei encarando a cena em transe, paralisada, com medo demais para me mover, ou até mesmo para gritar.
– CLAIRE CORRE! – O grito de Kat me tirou do transe. E então eu me dei conta do que estava acontecendo. Smile estava correndo em minha direção.
Eu gritei, e comecei a correr. Larguei o pacote de sua ração no chão, com esperança que ele me esquecesse, mas não, ele continuou a me perseguir.
– TIREM ELA DE LÀ! TIREM ELA DE LÀ! – Ouvi a professora Lia gritar. Eu olhei para cima, tentando encontra-la, mas o que vi foi de arrepiar. Quando olhei para cima, meu olhar se cruzara com o de Jeff. Ele mantinha um sorriso um tanto irônico no rosto. Ele encarava a cena toda, como se fosse uma um tipo de apresentação de circo.
Eu desviei o olhar rapidamente, a tempo de desviar de Smile tentando me morder.
– SOCORRO! – Eu gritei. Olhei para cima, tentando pedir ajuda com os olhos, mas não havia nada que pudessem fazer.
Por causa de minha falta de atenção, eu acabei tropeçando e rolando no chão. Ouvi vários gritos chamando meu nome, mas nada disso me chamou a atenção. Eu me apoiei nos cotovelos antes de levantar, e percebi, Smile estava cara a cara comigo. Eu comecei a engatinhar desesperadamente para trás, enquanto ele me seguia em passos lentos.
Minhas costas bateram contra uma parede. Sem saída. Senti a respiração de Smile roçando em meu rosto. Então esse é meu fim? Eu não fechei os olhos. Eu não vou morrer assim simplesmente. Eu prefiro encarar a morte cara a cara do que morrer simplesmente.
Eu, sentindo que esse era meu fim, olhei com o ultimo pingo de coragem para os olhos de Smile. Mantive o olhar. Não iria desviar. Se essa é minha hora de morrer, então vou olhar no fundo dos olhos da morte. E isso eu fiz.
Smile rosnou, e começou a abri a boca. Okay... Esse é meu fim! Obrigada a vocês que acompanharam até aqui... Mas eu vou morrer! Pois é! Prometo que quando eu estiver no céu, vou comer bastante chocolate por vocês.
Bem... como explicar o que aconteceu no segundo seguinte? Lá estava eu, esperando a morte com tudo, quando de repente...
Smile lambe meu rosto.
Sério! Sem brincadeira. Foi como se, de repente, alguém ligasse algum tipo de “modo mansinho” no Smile. Eu encarei a criatura a minha frente, perplexa, sem conseguir pronunciar uma palavra.
Smile se sentou a minha frente, abanando o rabo, com orelhas levantadas, e arfando de alegria, como um cachorrinho normal.
E com isso começaram vários múrmuros no local, principalmente coisas como “WTF?” “Smile sendo fofo?” “CLAIRE ESTA VIVA! YAAY”. E enquanto isso eu estava quase morrendo de infarto.
– Então... – Eu disse me levantando – No fim você é apenas um cachorrinho fofo. Não é? – Eu perguntei acariciando sua orelha. E , pro incrível que pareça, Smile foi super dócil.
–Ai meus deus! – Alguém gritou no meio da multidão – VAI SE FODER! – nem precisei olhar para saber quem era. Eu olhei para cima, e vi Jeff, me fuzilando com o olhar.
Então ele fez algo que me surpreendeu. Ele pulou a cerca, e caiu habilidosamente dentro do fosso. Quando ele fez isso, vários alunos exclamaram assustados.
– Fala sério! – Ele disse pegando uma faca no bolso e apontando em minha direção – Isso é um ultraje! – Ele gritou – Você está zombando contra a vida Creepypasta! – Ele disse dando um passo em minha direção. Eu dei um passo para trás, batendo minhas costas contra a parede novamente.
– C-como assim? – eu gaguejei.
– Smile é um Creepypasta! – Disse Jeff em um rosnado – Um ser feito para matar, torturar e criar banhos de sangue! Não um cachorrinho que você pode simplesmente vir aqui e domar como um filhotinho! – Ele disse em um tom de acusação.
– O-olha... D-desculpa... E-eu... – comecei a gaguejar. Logo, Smile se colocou na minha frente, como se estivesse me defendendo, e seu um enorme rosnado para Jeff. Agora Smile voltou a ficar no “modo agressivo” e parecia mil vezes mais raivoso que antes... Eu fiquei agradecia em relação ao Smile. Parece que somos amigos agora, não somos?
Mas a cena as seguinte, foi o que me chamou atenção. Jeff rosnou de volta para Smile, de um jeito que fez a criatura recuar, e dar um passo para trás com o rabo entra as pernas.
– Você é uma vergonha ao nome de Creepypastas! – Jeff gritou para Smile empurrando-lhe. Logo o cachorro se encolheu no canto da parede e começou a choramingar
Nesse momento foi como se a fúria fosse desperta e mim. Eu encarei Jeff com raiva.
– HEY! – Eu gritei me colocando entre Jeff e Smile – O que você pensa que está fazendo? – Jeff me encarou, surpreso com a minha atitude, ao mesmo tempo em que, vários murmúrios dos alunos ressoaram no local.
– Quem você acha que é para levantar a voz para mim? – Respondeu Jeff rangendo os dentes, segurando com força o cabo de sua faca.
– Eu não sou ninguém! – gritei – Não sou ninguém mesmo! Sou somente uma humana fraca e tola! – eu disse ironicamente- Não é assim que como você me chama, Jeff? Pois é, o que eu, uma pessoa insignificante teria para se opor a você, o todo grande Creepypasta? – Perguntei com sarcasmo explicito na voz – Bem, saiba que estou tentando defender meus amigos!
– Amigos? – disse Jeff dando uma risada seca – Aquela criatura covarde atrás de você? Fala sério! – Ele disse debochadamente.
– Sim Jeff! È exatamente isso que estou fazendo! – Eu disse rangendo os dentes. Ele me encarou trincando o maxilar – E escuta aqui! – eu disse dando um passo em sua direção – Você pode até me odiar, me tratar feito lixo, me ignorar, fazer drama por minha causa, mas, machucar o Smile? Um animal! Tudo bem, ele é um Creepypasta e tal, mas á um segundo atrás ele estava carinhoso e dócil... Até você aparecer! Se você machucar as pessoas de quem eu gosto novamente, eu juro que você vai se arrepender! – Eu falei lhe dando um empurrão.
Logo em seguida desejei não ter feito isso. Jeff me encarou com um expressão fria e mortal, e então ergueu a faca no ar, pronta para acertar em mim. Eu fiquei paralisada de medo.
Mas no exato segundo se passou, ele de repente arregalou os olhos, e então soltou a faca no chão, e começou a se contorcer.
Demorei um segundo para entender o que acontecia, até notar que a professora Lia estava dentro do fosso também, e erguia o braço na direção de Jeff, controlando-o. Jeff caiu no chão, e começou a tentar se levantar com um braço. Então de repente começou a tossir, até sair sangue.
E então foi aí que a professora parou, e ficou perplexa um segundo, como se tivesse saído de um transe, mas foi rápido demais, logo ela se recompôs e falou:
– Sinto muito Jeff mas foi preciso! – Ela falou mantendo o tom profissional, e logo se virou para me encarar – Claire... Acho melhor você sair daqui! – Ela disse me encarando. Eu assenti.
– O que será feito dele? – apontei para Smile, eu realmente estava preocupada com ele.
– Smile vai ficar bem, eu lhe garanto – Disse a professora em um tom amigável. Eu assenti, e então comecei a caminhar para o portão que levaria até a saída do fosso.
No meio do caminho eu olhei para trás, e percebi que Jeff me encarava com fúria. Eu estremeci. Foi como se fosse um aviso:
“agora a verdadeira guerra foi delcarada”
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